Notas iniciais
Peço muitas desculpas pelo atraso. Eu sei, eu sei, é imperdoável e eu realmente não tenho desculpa a não ser que a minha criatividade é muito inconstante. Mas eu decidi que vou me dedicar a essa história e eu prometo que os capítulos vão ser mais frequentes. Já tenho a história toda estruturada, sei o que vai acontecer mas é difícil passar as ideias para o papel e colocar em uma linha de tempo contínua então embora algumas coisas pareçam sem muita importância agora , serão explicadas no futuro. Não estou muito contente com esse capítulo ele não tem muitos acontecimentos, por isso o nome é Between. Está apenas aqui. Entre o anterior e o próximo. No entanto ainda espero que gostem dele. Um especial agradecimento à Gabe cujas mensagens sempre incentivam a tomar vergonha na cara e postar. Mesmo que seja um mês depois de recebe-las. (sorry about that hehe) PS: o capítulo começa exatamente onde o anterior terminou

Várias coisas passavam pela cabeça de ambos, mas nenhuma realmente coerente. Antes que conseguissem concretizar qualquer pensamento, bastava um escutar o batimento cardíaco do outro, que qualquer conjetura caía por terra.

–Quer… dançar?- Éponine finalmente reuniu a coragem necessária para perguntar. Sua insegurança aumentava cada segundo que passava sem resposta. Talvez tivesse mal interpretado os sinais. Talvez ele não estivesse interessado nela.

A última coisa que Enjolras queria fazer naquele momento, em qualquer momento, na realidade, era dançar. Muito menos em um ambiente como aquele, onde nem sabia ao certo o porque de estar lá. Já estava mais que acostumado ao confortável e agradável silêncio que havia se instalado entre os dois. Mas como explicar isso? Foi como se tivesse que reaprender a falar para poder lhe responder. As palavras davam sinal de não querer sair.

–Eu não danço. — direto, seco, definitivo. Algo que repeliria qualquer garota. Se repreendeu mentalmente. Porém, nada estava perdido. Desde o Musain, sentia que havia algum tipo de conexão entre eles, uma compreensão que residia além do comunicável. Talvez ela tenha conseguindo entender, apesar de sua pobre escolha de palavras, o que queria transmitir. Viu como era idiota em ter acreditado nisso, quando ela virou-lhe as costas, dirigindo-se à saída. A última memória que tinha agora dos belos olhos mel era incredulidade, seguida de profunda irritação. Parabéns, Enjolras.

Courfeyrac e Claire conversavam animadamente. Talvez, se lhes perguntassem exatamente sobre o que falavam, não saberiam responder. As palavras fluíam. O que propriamente estava sendo dito não era importante. Queriam apenas provocar no outro um sorriso. Um daqueles que iluminam o rosto da pessoa.

Como que contagiado pela música, Courfeyrac levantou-se subitamente. Ele havia conseguido…ela sorriu. Apenas para logo o olhar desconfiada. Aí foi a vez dele de sorrir. Mas o seu habitual, o que nem precisava se esforçar para fazer, provocatório. Claramente a desafiando. Antes que pudesse dizer alguma coisa, a garota já estava de pé o encarando do mesmo jeito, com seus flamejantes olhos azuis. Foram em direção à pista de dança.

Estavam dançando quando a garota se posicionou perto de seu ouvido.

–Aquela morena está olhando pra você- sussurou- se quiser, posso tentar juntar vocês…levo jeito pra essas coisas.- terminou rindo da expressão que Courfeyrac assumiu.

–Claire, estou vendo que você vai se provar muito útil. Sinto que vamos ser bons amigos.

Grantaire entrou no banheiro masculino. Olhou em volta, verificando se alguém se encontrava lá. Retirou do bolso, um saquinho. Pegou um pouco do pó branco e inalou…sentiu toda a dor indo embora. A intensa euforia tomou conta dele. O sangue parecia correr mais rápido pelas suas veias. Seu coração acelerado. Tinha a percepção de tudo à sua volta. Saiu, observando as pessoas, que pareciam se mover incessantemente, falando alto, coisas ininteligíveis. Cambaleava por entre a multidão vibrante, a música estava mais do que agitada. Pode sentir um vulto, indo contra ele. Quase se desequilibrou e caiu, mas conseguiu se segurar na silhueta desfocada. Este gritava com ele, parecia bastante irritado. O salão estava girando muito rápido. Era nisso que pensava quando levou o primeiro soco. Apagou.

Enjolras, Courfeyrac e Feuilly vinham impedir que Bahorel matasse o homem. Tudo acontecera numa fração de segundo. Bahorel havia visto a cena e logo depois, o agressor estava no chão sendo continuamente esmurrado pelo ami. Tentara se defender, deixando um olho negro em Bahorel, mas isso não era nada comparado ao seu estado. Enjolras ajudou Grantaire a se levantar, e, com a ajuda de Courfeyrac, levaram-no para a saída, sinalizando aos outros que estava na hora de ir embora. Feuilly ficara com a parte difícil. Ótimo, sempre a mesma merda. Apertou forte o ombro de Bahorel, como que tentando chamá-lo à razão. Já esperava que não resultasse. Plano B: o arrancou de cima do rapaz e o levou para fora do bar à força. Bahorel era forte, mas Feuilly era mais alto e mais velho.

Haviam sentado Grantaire na calçada e o rodeavam observando-o

–Ele está bem?- Claire questionava Enjolras, preocupada. Grantaire havia saído bem machucado; seu olho direito estava roxo e inchado, mal o conseguia abrir. Seu lábio sangrava.

Enjolras observou o amigo. Estava diferente. Grantaire sempre era um pouco entorpecido, mas desta vez era mais que isso. Parecia vazio, inatingível. Não tinha certeza se ele estava ciente sequer do que tinha acontecido, ou de que seus amigos estavam ali à sua volta. Trocou olhares com Courfeyrac, que parecia compartilhar da mesma sensação.

–R, você tá bem?- perguntava Bahorel ainda ofegante devido à luta. Grantaire finalmente deu sinal de vida, conseguindo coordenar os movimentos necessários para assentir desajeitadamente com a cabeça. Feuilly se juntou a eles. Tinha voltado ao bar para se desculpar com os donos. Empurrou Bahorel para longe de Grantaire.

–No que você estava pensando? Eles podiam ter chamado a polícia, Bahorel, puta que pariu! Você quase colocou o cara em coma! Quantas vezes vai ter que passar pela mesma situação? Porque sabe, não sei se vou estar lá na próxima, pra te tirar da cadeia.- Feuilly saiu andando irritado. Seguido logo depois por Claire, Enjolras e Courfeyrac, que tentavam ajudar um Grantaire atordoado, a andar. Bahorel ficou para trás. Estava ficando com raiva de novo. O sangue subindo à cabeça. Ele nunca pedira a Feuilly que resolvesse seus problemas. Se ele o fazia, era porque queria, então porque reclamar? Aquele idiota tinha batido no seu amigo, era suposto não ter feito nada?

Uma loira baixinha, continuava ali e o observava, esperando o momento em que ele estivesse mais calmo ou que pelo menos notasse sua presença ali. Mas sua impaciência já estava chegando no limite, então achou bom falar logo o que tinha a dizer.

–Eu achei muito corajoso o que você fez…Ir em defesa do seu amigo assim na hora, sem nem pensar duas vezes. Eles também pensaram o mesmo…mas provavelmente acharam que iria cair mal se congratulassem você por ter espancado uma pessoa. Eu sei como é, quando você não consegue controlar suas emoções, e todo mundo te chama de cabeça quente. É uma merda. Mas uma vez uma pessoa me disse, que é porque somos diferentes. As coisas têm mais significado para nós, sentimos tudo intensamente. Nos preocupamos demais com quem é importante para nós. Uma coisa em que pensar para, quando a raiva passar você não ficar se culpando...Só tente se controlar um pouco mais da próxima vez. E, claro, faças as pazes com seu melhor amigo.

Ficaram em silêncio por um tempo. A respiração dele foi lentamente voltado ao normal.

– Você…fala demais, Cecílie- sorriu para ela. Não sentia mais raiva.

–E você ainda não viu nada.-piscou o olho direito para ele, sorrindo ironicamente. E, depositando um casto beijo em seu machucado, se afastou, alcançando os outros.

~~~~~~~~~~~~~~~~

Courfeyrac subia a rua mais estreita e íngreme de Paris. Não estava reclamando, longe disso, mas bem que Combeferre e Enjolras podiam ter arrumado um apartamento mais perto dele. Por um minuto considerou a possibilidade de ser ele quem morava longe, e não seus amigos. Mas e daí que era longe da Sorbonne e dos Amis? Era obviamente o melhor, sendo bem na frente do bar mais popular de Paris. Não que na prática isso fizesse alguma diferença. Afinal, seus amigos sempre iam aos mesmos lugares. Se não estavam no Musain, estavam no bar Coríntio, ou na casa de alguém.

Finalmente chegou na rua certa e só faltava alguns quarteirões. Estava ofegante. Parou de evitar a pergunta que não queria calar: Porque raios não tinha ido de metrô? Mesmo distraído e cansado, ainda notou o garotinho loiro que passara bem perto dele e que agora apressava o passo. Colocou subitamente a mão no bolso. Estava vazio. O garoto olhou para trás e começou a correr com a carteira nas mãos.

– Ei, garoto! Ei! Não tem nenhum dinheiro aí!- gritou alto o bastante para ter sido ouvido até na casa de Ferre. O garoto parou imediatamente. Abriu a carteira e suspirou desapontado. Voltou de cabeça baixa, até onde Courf se encontrava. Este se abaixou até ficar na altura do rapaz, que não deveria ter mais do que oito ou nove anos. Suas vestes eram rasgadas e pequenas demais para o tamanho dele.

– Ei, olhe para mim- disse tentando parecer amigável. O menino continuava de cabeça baixa. – Não há vergonha nenhuma em ter fome. Não culpo você pelo que fez e sinto muito não ter nada comigo. Dei o dinheiro que tinha para um mendigo perto do Arc du Triomph… Onde estão seus pais?- o garoto simplesmente fez que não com a cabeça.- Bem, se você vier comigo até casa, posso pegar mais e comprar almoço para você. O que acha disso?- ele finalmente olhou para cima e Courfeyrac sentiu os olhinhos azuis o olharem fundo na alma. Aqueles olhos suplicantes, que carregavam toda a tristeza do mundo, se inundavam de profunda gratidão. O garoto tentava sorrir desajeitadamente, não tinha prática, era quase como se não soubesse como.

– Je m’appelle Gavroche. Je suis…Gavroche.- disse. Tentava conter suas emoções e falar calmamente. Mas sua voz, seus olhos e seu sorriso o denunciavam. Estava tão feliz.

–Bem, Gavroche, vamos arrumar algo para você comer…- Courf bagunçou o cabelo dele e se levantou. Combeferre e Enjolras teriam que esperar.

Meia hora depois estavam sentados em um restaurante. Gavroche comia vorazmente, deveria estar esfomeado, talvez não comesse por dias. O observava atentamente, esperando pacientemente o menino terminar.

– Sei que você provavelmente não tem cabeça para isso mas, será que eu poderia fazer algumas perguntas?

–Oui.

–Você tem algum parente, ou algum tutor? Alguém que tome conta de você?- Courfeyrac perguntou calmamente. Teve apenas silêncio como resposta. Gavroche encarava o chão novamente- Você pode acenar, se preferir- O menino então lentamente abanou a cabeça.- Ninguém?

– Ninguém, monsieur.

–Quantos anos você tem?

–Doze- Courfeyrac ficou chocado. O garoto era pequeno, magro e aparentava ser apenas uma criancinha. Se perguntou por quanto tempo o garoto vivera sozinho.

–Muito bem…última pergunta… você tem algum lugar aonde dormir essa noite?

–Não, senhor.

– Agora você tem.

(...)

– Éponine!- gritou Claire do topo da escadaria de Sorbonne. Logo a alcançou.

– Está indo para casa?- perguntou acompanhando Ponine até a estação.

– Sim, prometi para Emma que iria direto depois da aula. Ela precisa que eu ajude ela com uma redação ou algo do tipo.

– Emma sempre foi uma péssima escritora. Se lembra do Natal retrasado em que ela escreveu um discurso dizendo como “nos amava e tal”. Muito eloquente.- as duas riram.

– Você é muito crítica, Claire.- disse Ponine com seu olhar sarcástico- Seria, de fato, eloquente, se ela não começasse a chorar logo no início.- as duas se olharam.

–“é que eu….amo….tanto….vocês”- imitavam com perfeição o soluçar da amiga. Perderam o fôlego de tanto rir.

– Falando nela, acho que aconteceu alguma coisa entre ela e o Combeferre semana passada, no Coríntio.- abaixou o tom de voz como se ao falar alto, Emma a escutasse de alguma forma. Éponine não pareceu surpresa.

– Bem...já esperava.-Claire a olhou incrédula.

– No Musain...a forma como ele a olhava. E ela correspondeu- falava como se fosse algo óbvio, que todos os presentes devessem ter notado. Claire sorriu.

–Eu sei que você é escritora e observa cada detalhe em todo ambiente que entra mas, esse negócio de você acertar toda vez já está ficando assustador. – estava tentando ser engraçada mas sua amiga ficou subitamente séria.

–Não acerto toda vez. Aquele líder…Enjolras, eu acho que é o nome dele…fiquei com a impressão errada. Achei que tínhamos tido algo mas…foi só na minha cabeça.- ficou pensativa por uns segundos- Sabe Claire..se sou mesmo, como você disse, “escritora”, tenho também os defeitos de uma. Muita vezes vemos o mundo do jeito que queremos que ele seja. Mas eu m esforço... me forçando a ve-lo do jeito que ele é: nu, cru e sem a fina camada de bondade que colocamos, sem perceber, em todas as coisas. Mas mesmo assim…meus olhos embaçam e algo sempre escapa- sua voz ecoava pelo túnel da estação de metro de Paris. As pessoas que por ali passavam seguiam com suas vidas. Mas a das duas garotas parou por uns minutos.

Claire estava sem palavras. Estas nunca foram o seu forte. Nunca conseguiu, com elas, expressar o que sentia. Mas Éponine o fazia naturalmente, com precisão. A única coisa que conseguiu fazer foi encarar um particular azulejo da parede, e refletir sobre as palavras dela. Eventualmente voltou a si, e pensou que deveria dizer algo sobre Enjolras. Mas também não sabia ao certo o que. Como explicar sua natureza? E pior, será que se o fizesse alguém iria acreditar? O loiro revolucionário escondia tão bem seus sentimentos que nem Éponine o conseguira decifrar. Mesmo assim precisava dizer algo. Abriu, incerta, a boca para falar, mesmo não sabendo o que viria depois disso. Mas Éponine já havia levantado e se despedia dela sorrindo, como se nada tivesse aconteido. Andou em direção ao trem que acabara de chegar, e, de lá Claire pode ouvir “Aquela redação não vai se escrever sozinha”.

Notas finais
Mais uma vez muito obrigada por lerem e desculpem se não ficou tão bom ou tão grande quanto o esperado, mas, como já prometi acima eles vão se tornar mais frequentes. Bom, vou me apresentar porque já que essa fic tem duas autoras é um pouco confuso falar no plural já que somos diferentes e sla é siplesmente complicado. Meu nome é Sofia, tenho 15 anos e essa conta era originalmente minha ate que comecei a partilhar com a Larissa. Eu normalmente respondo os comentários (tirando o teu do capítulo três, Gabe...esse aí foi a linda Larissa mostrando o unicórnio feliz que ela é XD) e faço as notas iniciais/finais mas ela sempre ajuda também. O capítulo fazemos normalmente juntas. e é isso....um bjo e até o proximo capitulo...que sera em breve,,,,JUROOO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.