Unspoken

1 Unspoken


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, eu realmente precisava escrever isso. Assisti a Medici há alguns meses e fiquei completamente apaixonada. Amo séries históricas, amo o Richard Madden e amei absolutamente tudo o que vi. Desde então estava louca para escrever algo sobre esses dois que sofri horrores shipando, mas só agora tive tempo para isso. Espero que gostem! ♥

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Havia uma distância entre os dois. Uma parede invisível, mas quase palpável. Uma ponte incinerada. Uma escadaria com degraus faltosos. Um bloqueio insuperável que esteve ali desde o principio. Ele sabia que era o culpado. Ou talvez fosse culpa dos fantasmas de seu passado que, mesmo após tanto tempo, ainda insistiam em assombrá-lo; das memórias desbotadas de um primeiro amor intenso e proibido; das mariposas que lhe rondavam a cabeça, trazendo um milhão de “e se”. A culpa era dele, de sua fraqueza e incapacidade de esquecer seus sonhos juvenis, aceitar sua posição e se tornar o homem que estava destinado a ser.

Ainda assim, e apesar de todos os pesares, havia algo mais entre os dois. Nem Cosimo de' Medici seria estúpido o bastante para negar. Havia se casado com Contessina simplesmente pelo dever, pelo título de nobreza que ela trazia junto ao nome, para atender às vontades do pai. Desposá-la não fora a realização de um sonho, ou uma atitude movida por algum sentimento latente e desesperador. Não havia sido sequer (realmente) uma escolha. Seu coração não pertencia a ela e, ainda assim, fora essa jovem – de sangue nobre e olhos teimosos – a esposa que a vida lhe dera e, se tivesse algum juízo, seria grato por ter aquela mulher ao seu lado.

Contessina de' Bardi era uma pessoa excepcional, talvez uma das mais excepcionais que conhecera na vida. Cosimo entendia os sacrifícios que ela fizera por ele, pelos Medici e por Florença. Sabia que não teria chegado a lugar algum sem ela. Ele a valorizava. Talvez nem sempre demonstrasse, na verdade, pecava constantemente em demonstrar sua gratidão. Era um fiasco quando se tratava de mostrar afeto. Falhava miseravelmente como marido. Não era um homem de muitas palavras e o peso das responsabilidades o tornara distante e frio. Contessina merecia mais.

Apesar de todas suas falhas e fraquezas, no entanto, a esposa permanecera fielmente ao seu lado. Haviam construído uma família juntos, criado um legado, lutado lado a lado para preservar o que era deles – e que um dia seria de seu filho. Contessina era uma parte essencial de sua vida. Era aquela que carregava o peso que Cosimo não conseguia suportar, aquela que lhe acalentava e que mantinha sua família viva e unida. Contessina era o seu farol. E quando tudo parecia escuro e ele se encontrava perdido, ela era a luz em meio às trevas, apontando o caminho para casa.

E apesar de nunca ter dito nada disso à esposa, esperava que ela soubesse. Porque havia uma cumplicidade silenciosa entre eles, um carinho mudo, um sentimento não declarado. Havia um milhão de palavras não ditas entre Cosimo e Contessina. Pedidos de desculpas, agradecimentos, declarações... Emoções que não podiam ser verbalizadas, que se revelavam pelo olhar, pelo toque, pelo cuidado, por voltar para a casa quando havia a chance de partir.

Talvez um dia ele encontrasse coragem para dizer a esposa tudo que ela merecia ouvir, talvez um dia deixasse três palavras preciosas escaparem pelos lábios, talvez um dia preenchesse os espaços entre eles com sussurros de afago. No momento, havia silêncio e distância entre os dois. E, ainda assim, havia amor. Tímido, acanhado e silencioso, mas real e sólido, mesmo em um oceano de palavras não ditas.

Notas finais
Contessina é preciosa e irei defendê-la! ♥ Então? O que acharam? Bem curtinho, mas eu precisava mesmo escrever qualquer coisa sobre esse casal, porque eu realmente acho que, apesar de tudo, eles se amavam. Espero que tenham gostado! ♥ Beijinhos... Thaís
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!