Unschuldig

1 Foi tudo friamente calculado, oras


Notas iniciais
Capítulo editado em 20/09/2016. :3

Alguns feixes de luz adentravam o quarto através de uma leve abertura nas cortinas. Nami já havia acordado fazia algum tempo, mas seus olhos relutavam em abrir, quase por vontade própria. Provavelmente teria voltado a dormir se não houvesse um ruído irritante e repetitivo lhe perturbando há algum tempo. Um insistente “tique” que estava sendo bastante incômodo. Como não havia alternativa, abriu os olhos à procura da origem do tal barulho que interrompia seu precioso sono. Quase podia sentir os tiques ressoando em seu cérebro diante de tamanha repetição.

Primeiramente achou que fosse o seu despertador, mas ao olhar o mesmo, viu-o em completo silêncio. Na verdade, ele estava até com os ponteiros imóveis. Ok, era a terceira vez que isso acontecia já.

— Oh. Esqueci de trocar a bateria... – sua voz soou um pouco rouca. Afinal, tinha acabado de acordar, não podia sair diferente.

O barulho persistia.

A ruiva virou o rosto em uma tentativa de localizar o ruído com os ouvidos. Parecia o som de algo batendo em madeira... Nami levantou-se já tendo uma vaga ideia do que estava acontecendo. Foi em direção a porta-janela que dava para a sacada e abriu-a violentamente, pronta para xingar quem quer que fosse o culpado. Nesse mesmo instante, no entanto, levou uma pedrada na testa.

— Luffy! – a ruiva olhava irritada para o garoto de cabelos negros que se encontrava abaixado na sacada a frente a sua. De algum modo o moreno pareceu não ouvi-la.

Eles eram vizinhos a muito tempo, mesmo que contra a vontade da garota. Assim como o quarto dela, o quarto dele também possuía sacada, deixando os dois ambientes bem próximos. E como se a proximidade não fosse suficiente, havia uma grande árvore entre o quintal de ambos que acabava interligando as duas sacadas. O que, também, facilitava a invasão de Luffy no quarto da ruiva nos momentos mais inoportunos possíveis.

O garoto parecia estar bastante empenhado em retirar um punhado de pedrinhas de dentro de uma sacola plástica próxima aos seus pés.

— IDIOTA! O QUE PENSA QUE ESTA FAZENDO?! – Nami gritou irritada, sentindo uma pequena dor em sua testa. Dessa vez obtendo sucesso em chamar a atenção do dito cujo.

O garoto já estava em posição de lançar outra pedrinha, quando percebeu a presença dela.

— Oe, Nami! Finalmente acordou! – falou sorrindo abertamente – Ah, e sua testa está sangrando... – constatou alguns segundos depois.

— E de quem você acha que é a culpa?! – a ruiva comentou irônica.

O garoto franziu o cenho em sinal de confusão. Nami apenas revirou os olhos.

— Enfim, pra que raios você ‘tá jogando pedras na minha janela?! – olhava-o furiosa – Por acaso sabe que horas são?!

— Ah, sim... São sete e meia... – respondeu após entrar rapidamente no quarto e dar uma conferida no relógio de parede.

— Ainda deve ser madrugada e... – a garota começou a absorver lentamente o que o outro havia falado. Peraí, ela tinha ouvido direito? – O QUÊ?! S-sete e meia??

— É. O diretor já deve ter começado a cerimônia de abertura... Sabe, aquele discurso chato de todos os anos.

A ruiva arregalou os olhos. Simplesmente não podia acreditar que logo no primeiro dia de aula do ano chegaria atrasada. Que maravilhoso exemplo de aluna ela era...

— Idiota! Por que não me acordou mais cedo?!

— Mas eu tentei... – murmurou, fazendo um biquinho chateado.

Nami nem prestou mais atenção no que o outro estava falando. Adentrou novamente no quarto e começou a revirá-lo a procura do seu uniforme. Assim que o achou correu em direção ao banheiro para uma ducha rápida. Não daria nem tempo de lavar suas longas mechas ruivas como desejava e ela bufou irritada com isso. Queria ter tempo para se arrumar com calma, mas, infelizmente, acordara tarde e agora teria que correr pra chegar ao menos antes do fim do discurso do diretor. Sorte que pelo menos sua mochila já estava ao lado da cama prontinha para ser levada. Colocou um curativo em cima do pequeno ferimento na testa, penteou os cabelos molhados e desceu correndo as escadas.

Ao passar na cozinha para pegar nem que fosse uma mísera torrada para forrar o estômago, avistou Nojiko sentada à mesa tomando café tranquilamente. Seus curtos fios azulados eram emoldurados por uma fita vermelha que ganhara de Nami quando mais nova. Sua pele era de um tom naturalmente moreno, o que evidenciava a diferença e o contraste com a pele alva da ruiva. Não eram irmãs de sangue, mas há muito aprenderam a se comportar como tal.

Franziu as sobrancelhas ao constatar a calmaria da outra.

— Nojiko! Por que não me acordou?!

A jovem de cabelos azulados sorriu marota.

— Ontem à noite você disse claramente que quem lhe perturbasse durante o sono acabaria morrendo. E bem, ainda pretendo viver muito.

Nami encarou malignamente sua irmã. Abriu a boca para iniciar uma bela de uma discussão, mas ouviu uma voz masculina a chamando do lado de fora.

— Já tô indo, Luffy! – pegou duas torradas e olhou para a garota sentada a mesa, fuzilando-a com seus orbes castanhos. – Depois você me paga, Nojiko.

Correu em disparada para a porta e ao abri-la viu um garoto pulando freneticamente no portão de sua casa.

— Você é muito lenta, Nami!

A ruiva revirou os olhos novamente enquanto mastigava e engolia uma das torradas da maneira mais rápida que conseguia.

— Vai te catar. Se está me achando lenta, me carregue em suas costas, oras. – Nami disse em tom irônico, mas surpreendeu-se ao ver o garoto acatar sua sugestão com seriedade. – O que pensa que está fazendo, idiota! – exaltou-se quando foi erguida e posta nas costas alheias.

— Vou te levar, oras. Assim chegaremos mais rápido... Ah! – ele olhou fixamente para a torrada restante na mão da ruiva, quase babando.

Nami suspirou, estendendo a alimento para o garoto. Nem estava com muita fome mesmo.

— Toma, pode comer. – ao ver o sorriso largo despontar no rosto do adolescente, quase esqueceu que ainda permanecia em suas costas. Quase.

— Sério? – seus olhos brilhavam de felicidade. Quando a garota assentiu, Luffy engoliu a torrada em praticamente duas mordidas. Parecia satisfeito depois de ter degustado o café-da-manhã de sua vizinha. – Bem, agora vamos lá! – exclamou, animado.

Mal ele terminou de falar e já havia começado a correr rapidamente. Nami precisou segurar firmemente nos ombros dele para que não acabasse caindo devido a súbita arrancada que ele dera. Por onde passavam todas as pessoas olhavam e comentavam algo soltando risadinhas. Nami sentiu o rosto esquentar de vergonha. Por que Luffy tinha que ser tão impulsivo? Mas agora não adiantava tentar pará-lo, por isso apenas escondeu as faces vermelhas nas costas do moreno e esperou que aquilo terminasse logo.

— Rá! Chegamos! – Luffy disse sorrindo ao parar em frente ao portão da escola.

Assim que Nami firmou os pés no chão, lhe socou a cabeça com toda a sua força. O que resultou em um enorme galo na cabeça coberta de fios negros. Ele merecia uma punição por tê-la feito passar por tamanho vexame, ainda podia sentir os olhares curiosos sobre os dois.

— Ai, Nami! Por que fez isso? – resmungou fazendo um biquinho involuntário, como uma criança que não entendia o porquê de estar sendo repreendida.

— Idiota! Nunca mais faça isso! – ralhou com o garoto, ainda com um leve rubor nas bochechas.

Luffy ficou olhando sem entender o porquê de ela ter ficado brava. Afinal, haviam conseguido chegar bem mais rápido. Nami marchou pisando forte, passando direto pelo portão da escola e quando percebeu que estava andando sozinha, olhou para trás.

— Não vai entrar, não? – perguntou arqueando uma sobrancelha alaranjada. – Quer chegar mais atrasado que já está?

Luffy sorriu. Ela realmente não era fácil de entender. Uma hora estava irritada, na outra já estava falando com ele normalmente como se nunca houvesse existido uma discussão entre os dois. Talvez fosse por isso que ultimamente ela não lhe saia da mente.

Deu alguns passos largos em direção a ruiva, logo alcançando-a. Quando estavam prestes a entrar no ginásio, avistaram um certo rapaz de cabelo esverdeado indo na direção do banheiro feminino.

— Ei, Zoro! – Luffy chamou, pulando e acenando com a mão.

Zoro olhou surpreso para a dupla que lhe observava.

— O que vocês estão fazendo aí? Vão se atrasar para a cerimônia! Estão perdidos? Venham logo para cá!

Nami encarou-o incrédula. Já estava acostumada com a falta de senso do outro, mas a pergunta nunca saia de sua mente: como podia existir um ser com um senso de direção tão ruim assim? Isso com certeza era um mistério. Chegar na escola já deve ter sido um grande feito para ele.

— Do que você está falando, Zoro? O ginásio é aqui! – Luffy o olhava confuso, tombando a cabeça para o lado.

— Aí? Não mesmo. Tenho certeza que é para esse lado. – respondeu resoluto.

Era realmente incrível como eles faziam uma coisa tão trivial virar um debate sobre quem estava certo. A ruiva bateu na própria testa, fazendo uma careta logo em seguida. Havia esquecido que havia se machucado naquela manhã e acabou soltando um baixo “ai” quando sentiu uma dorzinha pelo seu ato impensado. Depois meneou de leve a cabeça, vendo como os dois garotos pareciam ter se esquecido de sua presença.

Eram dois idiotas. Isso sim. Desistindo de esperar por eles, Nami entrou de fininho no ginásio. Lá dentro avistou o seu amigo loiro na fila da sua turma quase dormindo em pé. É, pelo visto o discurso estava sendo mais cansativo que o normal. Aproximou-se abaixada da fila e só quando estava atrás de Sanji, ela se levantou e olhou para o pequeno palco que fora colocado a frente. Em cima do palco, falando seu discurso extremamente exaustivo, estava o rígido diretor Sengoku. Com sua típica vestimenta branca e com um boné de mesma cor em sua cabeça onde era possível identificar a imagem de uma gaivota gravada no mesmo. Sengoku nunca havia sido visto sem aquele estranho boné em sua cabeça desde que substituíra Magellan, o antigo diretor. Rolava um boato na escola dizendo que ele se negava a tirar o boné por esconder uma calvície precoce, já outros diziam que o boné deveria ser amaldiçoado impedindo que o retirassem.

No entanto, ninguém jamais teve coragem para perguntar diretamente ao diretor o motivo de ele estar usando aquele boné mesmo estando na sombra. Talvez esse fosse se tornar um dos sete mistérios jamais resolvidos da escola.

— Já faz quanto tempo que ele está falando? – a ruiva indagou, cutucando de leve o ombro do rapaz loiro a sua frente.

— Nami! – o garoto sussurrou com os olhos praticamente pulando de emoção depois que se recuperou do pequeno susto que levou ao ouvir uma voz feminina falar bem próximo ao seu ouvido. De imediato reconheceu a voz de sua amada. Ou melhor dizendo, de uma de suas amadas. Afinal, como ele mesmo dizia: era um homem nascido para amar todas as mulheres bonitas do mundo. Todas. – Acho que cerca de trinta minutos e... O que foi isso na sua testa?

A garota revirou os olhos. Aquilo era típico do diretor. Ele sempre excedia o tempo só para dar várias lições de moral para os alunos, que na maioria das vezes nem prestavam atenção. Olhou ao redor e pôde perceber vários alunos dormindo em pé, enquanto outros conversando baixinho sobre qualquer futilidade. Tinha até um casal nos maiores amassos, sem nem se importar se eram vistos por outras pessoas.

— Será que isso ainda vai demorar muito? – ela perguntou, ignorando completamente a pergunta feita anteriormente.

— Provavelmente não, já que a Kalifa acaba de subir no palco...

Após levantar novamente o olhar para o palco, Nami pode ver uma loira de seios extremamente fartos, usando um vestidinho preto justo ao corpo, ir de encontro ao diretor e falar algo no ouvido dele. O que, é claro, causou imediatamente vários suspiros na maioria dos garotos ali presentes, afinal quem não gostaria de estar no lugar de Sengoku para poder receber um sussurro dela? Kalifa era a secretária pessoal do diretor e provavelmente estava lhe informando que havia excedido o tempo outra vez.

— Ah... Como eu queria estar no lugar do diretor... – Nami ouviu alguém falar.

Sanji estava praticamente babando enquanto olhava atentamente para o corpo da ousada secretária. A ruiva estava prestes a lhe dar um sermão, quando sentiu alguém bastante próximo as suas costas.

— O que está acontecendo? – Nami ouviu aquela voz tão familiar bem próxima ao seu ouvido. Seu estômago se remexeu inquieto.

Sentiu seu rosto esquentar automaticamente. Luffy estava tão perto que dava para sentir o calor que a pele dele emanava. Virou o rosto para o lado e percebeu a proximidade que o rosto do mesmo estava para o seu.

— Ah! L-luffy! O diretor está terminando o discurso agora! – respondeu enquanto se afastava rapidamente dele, impedindo que o calor continuasse sendo compartilhado.

Nami xingou-se mentalmente. Por que raios estava agindo daquela forma? Parecia até o comportamento de uma criancinha nervosa enquanto observava seu primeiro amor ao longe. Ele era apenas um garoto idiota e seu amigo de infância, por sinal. Desde o infeliz incidente de algumas semanas atrás, ela não conseguia se comportar normalmente quando estava muito próximo a Luffy. Estapeou-se em sua mente por agir de maneira tão não-Nami e quando se sentiu mais recomposta voltou a olhar o garoto de cabelos negros.

— Afinal, conseguiram entrar... – deu um sorriso digno de atriz de novela.

— Ah, eu consegui convencer Zoro que aqui era o lugar certo! – ele sorriu abertamente, satisfeito com sua própria proeza, sem perceber a mudança nas expressões da amiga.

Zoro, que estava ao lado de Luffy, estranhou o comportamento da garota ruiva. Porém, nada disse. Afinal, não era da sua conta.

— Oe, cadê Usopp? – perguntou Luffy, sendo o primeiro a perceber a falta do garoto narigudo.

— Acho que o vi lá na frente. – Sanji voltou à realidade quando a secretária sumiu de vista. – Na certa, ele está de olho naquela garota do 1º ano...

— Ah, aquela tal de Kaya? – Nami estava surpresa. Afinal, não sabia que seu amigo havia se tornado tão corajoso a ponto de ir tentar um “confronto” direto a uma garota. Certamente isso era inesperado.

— Sim, sim. Embora eu já tenha dado diversas dicas de como se conquista uma garota, ele se recusou a seguir todas delas... – suspirou, parecendo indignado.

“É bom que você não siga mesmo esses conselhos, Usopp. Ou Deus sabe lá do que você acabaria sendo tachado pelo resto do ano...”, concluiu a ruiva em pensamento.

Zoro apenas ouvia calado achando a decisão de Usopp absolutamente sensata e Luffy olhava sem entender bulhufas. Quando ele abriu a boca para perguntar o significado de “estar de olho”, o diretor aumentou a voz para que pudesse ser ouvido por todos. Sem exceção.

Todos os alunos acabaram voltando sua atenção para o palco.

— Então meu último alerta é: Prestem atenção nas aulas, estudem devidamente e quem infringir qualquer lei que seja da escola, será punido do modo mais cabível aos seus atos. – ele completou sua fala lançando um olhar sério e intimidador sobre todos os alunos no local.

Vários alunos tremeram diante da clara intimidação feita por Sengoku. Até Nami sentiu um calafrio de medo percorrer seu corpo. Aquele homem definitivamente era assustador.

— Qual o problema desse velhote? – Luffy disse, aparentemente, sem perceber a ameaça no tom do diretor.

— Dispensados! – ele finalizou sinalizando com a mão.

Todos os alunos começaram a marchar em direção as portas de saída e irem para suas devidas salas.

— Como foi que acabamos ficando na mesma sala de novo? – Nami suspirou cansada. Teria que aturar as bobagens daquela turma outra vez...

— Nami! – Sanji rodopiou ao lado dela – Vou fazer lanches deliciosos todos os dias só para você!

— Ah, não vale! – Luffy fez bico – Eu também quero! E com várias porções extras de carne! – completou babando.

— Eu quero takoyaki. – Zoro comentou depois de pensar um pouco no assunto.

Aquela pequena frase de Zoro irritou o loiro mais do que devia. Mas entre eles isso era tão habitual que os outros nem se incomodavam mais.

— E quem disse que eu faria para marmanjos fedorentos, hein? – o loiro olhou atravessado para o garoto de cabelos verdes e empinou o nariz, orgulhoso.

— Então você não faz comida pra você mesmo?

— Do que você está falando, marimo de merda? – sentiu uma veia pulsar nervosamente em sua têmpora. Estava prestes a explodir, afinal, tinha pavio curto desde criança.

— Você sabe muito bem, Ero-cook.

Os dois começaram a se engalfinhar ali mesmo e Luffy apenas ria da situação tão comum. Nami suspirou novamente se sentindo uma joia preciosa perdida no meio de lentilhas estragadas. Seria duro aguentar aquelas idiotices todos os santos dias. Será que em sua vida passada jogara pedra na cruz? Senão não havia motivos para se ter tanto azar acumulado em uma garota tão bonita.

De alguma forma inexplicável, conseguiram chegar à sala de aula a tempo. E logo avistaram Usopp sentado na fileira da lateral das janelas rabiscando alguma coisa em seu caderno. Os quatro ocuparam as cadeiras vazias que estavam próximas ao garoto moreno.

— Oe, Usopp! O que está fazendo? – Luffy aproximou-se do amigo, passando um braço ao redor do pescoço dele, com uma clara curiosidade no olhar.

Só então Usopp percebeu que os seus amigos já se encontravam ali e mais do que rápido fechou o caderno, ocultando o que quer que estivesse escrevendo antes. Nami deu um sorriso discreto, tendo uma leve noção do deveria haver nos rascunhos tão rapidamente escondidos.

E a risada nervosa que ele soltou logo após, só confirmaram as suspeitas da perspicaz ruiva.

— Estava planejando incríveis e novas táticas de combate para quando a gente for ter outro duelo de jogos... Da próxima vez nós seremos invencíveis, Luffy! – o jovem narigudo fez um sinal positivo com a mão, esperando que a mentira deslavada colasse.

— Ah! Incrível! Finalmente poderemos superar Sanji e Zoro! – seus olhos brilhavam em expectativa. Só Luffy caiu nessa mentira descarada, obviamente.

Nami sentou-se em sua cadeira e olhou seu relógio de pulso somente para conferir a hora. E foi com surpresa que constatou que ainda faltavam dez minutos para o professor chegar. Como não tinha nada para fazer, começou a observar os alunos novatos em sua sala.

Não havia muitos, só uns seis alunos novos. A maioria eram as mesmas pessoas do ano passado. Nami ia começar a jogar alguma coisa em seu celular, quando viu uma certa garota de cabelos azuis chamar Luffy de modo audível. Era Vivi Nefertari, chamada pela maioria dos garotos como “a princesa estrangeira”. Não que ela fosse realmente uma princesa, o que daria mais sentido ao título, mas de fato ela era estrangeira. Um estranho sentimento de egoísmo emergiu discretamente no peito da ruiva quando Luffy se aproximou todo sorridente da garota de cabelos azulados. Por que ele parecia tão feliz perto daquela garota sem graça?

Ok, ok. Ela não era tão sem graça assim, afinal ela estava no Rank das garotas mais populares da escola. Ou ao menos estava no ano passado. E sem falar que ela tinha um modo naturalmente elegante de se portar, comum em garotas nascidas em berço de ouro, mas isso não justificava em nada o modo alegre com que o moreno se aproximou desta. Logo ele que era tão idiota ao ponto de nunca ter entrado em um relacionamento sequer parecia reluzir felicidade quando ouviu seu nome ser chamado por Vivi.

Nami definiu aquela cena como estranha e incomum.

Eles começaram a conversar animadamente, mas com o ruído de várias conversas acontecendo ao mesmo tempo, a ruiva não conseguiu distinguir nada do que eles estavam falando. Apenas viu quando Vivi abraçou fortemente o garoto de cabelos negros e ele retribuiu o abraço na mesma intensidade. Nami olhou irritada para aquela cena, sentindo-se inquieta e mal-humorada. No entanto, ela se recusou a tentar entender o que, de fato, aqueles sentimentos surgidos em seu peito queriam significar. Ele era apenas seu amigo de infância. E só.

Rapidamente decidiu que o que estava sentindo não passava de preocupação para com o seu amigo, pois presumia que aquele súbito interesse da princesa só podia significar males intenções. Era isso.

No entanto, por mais que tentasse parar de fitar aquela repulsiva – aos seus olhos – demonstração de carinho, não conseguia afastar o olhar daquela direção. Era como se uma força invisível tivesse paralisado seu corpo e a torturasse com aquela visão. E sua raiva e vontade de bater naquela garota aumentaram ainda mais quando Vivi olhou diretamente para ela e sorriu desdenhosa. Os olhos amendoados da princesa quase diziam: tente me impedir se puder...

Nami surpreendeu-se por um momento, não esperava por aquela audaciosa presunção, mas depois lançou um olhar de desafio em resposta. Se ela queria jogar, que aceitasse as consequências. Afinal, Nami nunca perdia uma aposta. O verdadeiro jogo começaria a partir de agora...

— Tola. – sorriu, apoiando a bochecha na palma da mão.

Notas finais
Adoro romance entre amigos de infância uahsuash ♥