Unschuldig
14 Capítulo 14 - Cartas na Mesa
Notas iniciais
Boa leitura, meu povo!
Capítulo 14 – Cartas na Mesa
O café da manhã estava completamente preparado e posto sobre a mesa e nada de Luffy aparecer. Acreditando que ele ainda estaria dormindo, Ace subiu as escadas e se direcionou a porta do quarto do irmão. Tentou abrir a porta, mas surpreendeu-se ao perceber que estava trancada.
– Que estranho... Ele nunca tranca a porta...
Logo imagens de possíveis tragédias que poderiam ter acontecido com Luffy passaram por sua mente e a necessidade de abrir a porta se tornou maior. Retirou um grampo que estava ocasionalmente em seu bolso e depois de alguns “cliques” a fechadura estava destrancada. Girou lentamente a maçaneta e empurrou a porta.
– Ainda bem que ainda tenho meus dons...
O quarto estava pouco iluminado, devido as janelas ainda estarem fechadas, e o barulho de um chuveiro ligado podia ser ouvido vindo do banheiro. – Ah, então ele está no banho... – Pensou um pouco mais calmo, mas ao olhar para a cama percebeu algo diferente. Aproximou-se da cama e pôde ver com mais detalhes a garota adormecida ali. Aquela cabeleira alaranjada era inconfundível.
– Ora, ora. Quem diria... – Sorriu travesso.
Seu corpo estava envolto pelo lençol branco e dava a entender que ela estava sem roupas por baixo. Um baixo murmúrio pôde ser ouvido da garota adormecida e logo após um pequeno movimento feito por ela, o lençol deslizou e revelou, aos poucos, a extensão de uma de suas coxas. Os olhos do garoto de sardas foram automaticamente atraídos para os seios que estavam a ponto de serem descobertos. Só era preciso mais um único movimento vindo dela para que eles ficassem totalmente a mostra.
Porém um frio lhe percorreu a espinha ao imaginar o que ela faria caso descobrisse sobre aquela simples espiada. Ia se virar para sair quando ouviu um rosnar grave. – Tem algum cachorro raivoso por aqui?! – Pensou incrédulo. Todavia ao olhar na direção da porta do banheiro deparou-se com um Luffy muito irritado. E, bem, o rosnar vinha dele.
– O que você está olhando? – O mais novo estreitou os olhos na direção de Ace.
– Opa! Acabei de lembrar que deixei o fogão ligado! – Disse a primeira desculpa que lhe veio à mente e saiu correndo do quarto.
Se a ideia de ter que enfrentar a ira de Nami era assustadora, imaginar um Luffy enciumado era ainda pior.
– Oras... – Luffy murmurou quando o outro saiu correndo.
Aproximou-se da cama e sentou-se na beirada, tentando provocar o mínimo de movimentos possíveis para não acordar a garota. Retirou a toalha dos ombros e esfregou-a sobre os cabelos molhados.
– Bom dia, Luffy. – A voz da garota saiu sensual próximo ao seu ouvido e sentiu os braços dela o enlaçarem na cintura.
– Já acordou, Nami? – Ele virou o rosto para encará-la, mas foi surpreendido por um beijo.
– Hm... Está tão cheiroso... – Fungou-lhe o pescoço para depois dar uma leve mordida na região – Dá vontade de provar mais... – Passou a língua sobre os lábios após falar isso.
Luffy virou-se, ficando de frente para ela e tomou seus lábios. Ele nunca se cansaria de provar daqueles lábios. Seria mais fácil ele se viciar naquele sabor cítrico da garota.
Inclinou seu corpo sobre o dela, induzindo-a a se deitar. O corpo dela ainda estava encoberto pelo tecido branco, impedindo o contato direto entre eles. Porém quando estava prestes a puxar o cobertor, uma voz gritou animada.
– LUFFY!! – A voz parecia alegre – Você não vai acreditar! O vovô cedeu e trouxe carne... – Um garoto de curtos cabelos loiros apareceu diante a porta aberta e arregalou os olhos.
Na mesma hora que Nami puxou o cobertor para cobrir a cabeça, Ace surgiu desesperado no corredor.
– Sabo, criatura! Eu disse para não vir aqui! – O moreno de sardas arrastou o amigo paralisado de surpresa para longe dali – Eu te avisei que ele estava ocupado...
– E-eu... n-não sabia... – Sabo ainda estava surpreso pela cena que havia visto sem querer – E-eu não imaginava...
Ace gargalhou.
– Pois é. Quem diria, não é? – Riu de novo.
No quarto...
– Nessa casa não se tem privacidade! – Bufou irritada. Havia criado um clima perfeito e Sabo acabara estragando tudo – Mas enfim, vou voltar pra casa. Minha mãe já deve ter acordado... – Falou ao se levantar e recolher as roupas jogadas no chão.
Luffy encarava a porta aberta com o rosto absurdamente corado. A ruiva já havia se vestido e estava se preparando para ir para a sacada quando percebeu que o garoto estava estático.
– Oe, Luffy! – Balançou a mão na frente do rosto dele, despertando-o de seus devaneios – Você está bem?
– N-nami! – Começou com voz chorosa – Eles viram a gente!
– E o que tem de errado?
– Eles vão espalhar pros outros... – Choramingou.
– Ué. E qual é o problema? Eu não pretendia esconder... – A garota não estava entendo aquilo.
– Mas... Eles vão falar coisas como namoro e... – Sentiu a mão dela deslizar em sua bochecha.
– Qual é o problema, Luffy? – Suavizou a voz – Você não quer namorar comigo?
– Não é isso! – Abaixou o rosto – Mas, você disse que nunca iria namorar um garoto idiota... E você vive me chamando de idiota...
Nami teve que segurar o riso diante aquela estranha conclusão que ele teve. Provavelmente ele passara horas pensando naquilo.
– Luffy... – Abraçou a cabeça dele entre seus seios – Você é tão fofo!
– A-ahn?! – Sentiu seu rosto esquentar.
– Eu falava aquilo da boca pra fora só por que Sanji ficava perturbando... E eu não acho você tão idiota... – Sorriu, soltando-o do abraço – Só um pouquinho, ok! – Deu uma piscadela travessa e correu até a sacada.
O garoto se levantou sorridente. Não havia entendido muita coisa, mas por algum motivo que desconhecia, sentiu-se relaxado.
– Até amanhã! – Acenou brevemente, ainda com o sorriso nos lábios – Ah, e pretendo contar pra todos sobre a gente, então esteja preparado!
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O horário do intervalo chegou e todo o grupo se reuniu em seu lugar habitual das refeições. Estavam todos presentes, menos o trio do 3º ano: Sabo, Law e Kid. Nami estranhou a ausência deles, mas supôs que deviam estar em algum encontro do clube de luta.
Luffy estava acomodado alegremente ao seu lado e sorria feito bobo, enquanto comia um sanduíche. Só por estar sentado ao lado da ruiva, já o deixava imensamente feliz. Porém a sua felicidade em demasia estava sendo notada por todos ali presentes. E ele podia não ter percebido, mas já fazia alguns minutos que estava com o braço encostado no de Nami.
Sanji, que não estava mais conseguindo conter-se, apontou exasperado para Luffy.
– Você não acha que está perto demais da preciosa Nami-swan?! – O loiro parecia revoltado.
– Hã? – Olhou ao o braço que roçava no dela – Não, por quê?
O loiro grunhiu e voltou a apontar. Os outros apenas assistiam a cena.
– Se afaste dela! Nami deve estar incomodada, não é Nami-swan? – Tentou procurar uma confirmação no rosto dela, mas ela apenas pôs um dedo sobre os lábios em pose inocente.
– Não, não estou incomodada. Eu deveria estar? – Abriu um sorriso discreto.
– M-mas... Nami! – Sanji choramingou – Ele está grudado em você a um tempão!
– Não vejo muito problema, afinal ele é meu namorado. – Disse fingindo não dar muita importância.
Todos esbugalharam os olhos, com exceção de Robin que apenas sorriu discreta. Zoro e Usopp, por estarem ao lado do loiro, acabaram cuspindo o refrigerante, que ainda havia na boca, no rosto dele. Mas o loiro nem pareceu notar, pois estava concentrado em chorar angustiado.
– Por que!! Por que!! – Chorava olhando para o céu – Ó vida injusta!
Ignorando o garoto em prantos, Usopp correu para o lado de Luffy e deu-lhe um forte tapa nas costas.
– Parabéns, Luffy! – O moreno fez um sinal positivo com a mão.
O outro abriu um sorriso de orelha a orelha.
– Eu ainda não entendo!! – O loiro continuava a lamuriar – O que fez você gostar dele?!
Nami puxou o rosto de seu namorado, depositando-lhe um suave beijo na testa.
– Eu o amo e é isso que importa, não é? – A ruiva para Sanji – Mas se quiser te dou uma lista de qualidades dele...
– Não precisa... – Virou o rosto em sinal de birra – Mas quando se cansar dele é só me chamar, Nami-swan! – Voltou ao seu estado apaixonado.
Zoro riu, chamando a atenção do loiro.
– Do que está rindo, marimo idiota?!
– Nada. – Voltou a tomar tranquilamente o conteúdo da latinha de refrigerante – Mas mesmo que ela se cansasse dele, ela não te chamaria...
– O quê você quis dizer com isso?! – Sentiu uma veia saltar em sua têmpora.
– Você entendeu.
Sanji se levantou irritado e apontou acusadoramente para o garoto de cabelos esverdeados. Porém durante a ação sentiu a franja grudar na testa e ao tentar tirá-la com uma das mãos, percebeu o estado em que se encontrava.
– MALDITOS! VOCÊS CUSPIRAM EM MIM!!
– Só percebeu agora? – Logo após ter dito isso em voz alta Usopp se arrependeu, pois um Sanji furioso olhou em sua direção.
O resto do pessoal apenas ria daquela bagunça armada. Com exceção de Luffy que estava aproveitando a distração dos outros para pegar comida a vontade...
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A garota ruiva tentava organizar a pilha de livros em seu armário com uma aparente concentração exagerada. Ela gostava de ver todo o seu material devidamente organizado. Quando estava prestes a retirar o livro que ia precisar para a próxima aula, sentiu alguém cutucar-lhe o ombro. Virou-se para ver quem era e ficou boquiaberta por alguns segundos.
– Boa Hancock?! – Ficou em pose de luta automaticamente – Descobriu sobre o meu namoro com Luffy e veio me espancar? Pois saiba que eu não vou ficar parada!
A jovem de longos cabelos negros bufou indignada.
– Não preciso utilizar esses métodos nada sutis. – Cruzou os braços, indignada, e bateu o pé no chão em sinal de nervosismo. Ou seria impaciência?
– Então, o que veio fazer aqui? – Colocou a mão na cintura e olhou-a, curiosa.
Hancock Olhou para o fim do corredor e engoliu em seco antes de voltar a olhar a ruiva a sua frente. Nami seguiu o olhar dela e avistou Robin e Vivi acenando brevemente para elas.
– Eu... Caham. – Parecia relutante em falar – Olha, eu vou falar apenas uma vez então preste atenção. – A ruiva viu o leve rubor que surgiu no rosto da outra – Me desculpe pelo seu cabelo. Eu não sabia que elas iriam fazer isso. Fiquei realmente com raiva pela tapa, mas nunca chegaria ao ponto de causar esse tipo de dano...
Nami ficou boquiaberta novamente. Jamais imaginara que a princesa serpente algum dia pediria desculpas por algo.
– Bem, não precisa se desculpar, afinal, a culpa não foi sua...
– Eu já pedi, portanto não menospreze meu ato. – Empinou o queixo, orgulhosa.
– Certo, certo. Mas como ficou sabendo? – Arqueou a sobrancelha.
– Tive minhas fontes. – Hancock deu um discreto olhar de esguelha para as duas que assistiam tudo.
Nami sorriu. – Afinal, Boa Hancock não é uma pessoa tão má... – Pensou avaliativa. A garota de cabelos negros suspirou cansada e começou a se distanciar dali, pois tinha cumprido seu objetivo. Porém, antes de completar dez passos, ela se virou de novo para a ruiva e apontou-lhe o dedo, imperiosamente.
– Mas não pense que depois disso eu vou desistir dele! Eu, definitivamente, rejeito o relacionamento de vocês! – Sorriu maliciosa – E vou usar todo o meu charme para seduzi-lo... – Completou com uma risada maligna.
As pessoas ao redor olharam curiosos para Hancock, a procura de saber mais sobre a possível fofoca, mas Nami apenas pegou seu livro e saiu de encontro a suas duas amigas. Ao chegar perto delas, lançou um olhar fulminante na direção da garota de cabelos azulados, pois essa estava rindo tanto que até chorava.
– Precisamos ir para a próxima aula... – Nami puxou a orelha de Vivi – É bom ver que você está se divertindo... – Estreitou os olhos e começou a puxá-la na direção da sala.
Robin observava tudo com um sorriso discreto nos lábios. Podia até ser um pouco reservada, mas amava aquela turma escandalosa.
Notas finais
Té lá! =.=/
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