Virei as costas e sai andando a procura de Lucas. Eu queria olhar para trás e ver com que cara ele estava, queria saber se ele estava tão abalado quanto eu, se ele tinha se ferido tanto quanto eu.

Eu sabia, que ali no fundo, ele também sentia o mesmo. Eu tinha certeza... Ou quase isso.

- Oi meu amor. – Disse passando meus braços em volta do pescoço de Lucas e lhe dando um selinho.

- O que você tá aprontando, Amanda ? – Ele correspondeu ao selinho, e perguntou desconfiado.

- Mas que falta de confiança. – Respondi rindo, sendo acompanhada por ele.

Ficamos algum tempo ali, jogando conversa fora. Era bom estar com Lucas, afinal. Não sei se era porque ele parecia muito com o Gabriel, ou se porque eu necessitava de alguém comigo.

- Vamos ali na cantina. – Ele disse me puxando pela mão.

- Lucas, você alimenta uma anaconda ai ? Não para de comer. – Falei rindo enquanto era puxada, ele me acompanhou.

Ao sairmos da cantina, vi Bianca e Gabriel conversando, sentados exatamente onde eu e Lucas estávamos no dia anterior. Ele sorria pra ela. O meu sorriso. Ele só sorria daquele jeito pra mim. Era o meu sorriso favorito. Apenas meu.

Antes de sair de onde estávamos, meu olhar e o do Gabriel se cruzaram por um momento, e tive a impressão de não conhecer mais o dono daqueles olhos castanhos esverdeados que eu tanto amava. Não era mais aquele menino que prometera me proteger de tudo. Não era mais o meu melhor amigo. Não era mais o meu amor.

- Ei. – Lucas ficou de frente pra mim. – Tá tudo bem...

Ele sabia do que se tratava.

- Eu sei que sim. – Disse enquanto me encaixava em seu abraço.

Ousei levantar meu olhar naquela direção, e desejei nunca tê-lo feito.

Gabriel se aproximou mais de Bianca, e colocou uma mexa de seu cabelo para trás da orelha. Ao ver aquilo, meu coração começou a – esmigalhar – apertar em meu peito.

Continuei abraçada com Lucas, e Gabriel olhou mais uma vez, fixando seus olhos nos meus. Tentei encontrar alguma pista de que meu Gabriel ainda estava lá. Tentativa completamente frustrada.

Gabriel acariciou o rosto de Bianca com a ponta de seu polegar, fazendo com que Bianca sorrisse. Era errado desejar estar naquele lugar ? Era errado desejar aquele toque ? Aquelas mãos ? Erra errado desejar aquele carinho ?

A cada toque, movimento, expressão, troca de olhar e troca de sorriso dos dois, eu apertava Lucas cada vez mais forte. Queria, que de alguma forma, aquela dor sumisse, que simplesmente partisse.

Já não conseguia evitar, então senti a primeira lágrima saltar de meus olhos, molhando a camiseta de Lucas, que me abraçou mais forte ao perceber que eu chorava.

Não sei o motivo, mas aquilo divertia Gabriel. Ao me ver chorando, o seu sorriso ficava maior. Qual era o problema dele ? E todas as promessas ? E onde estava o meu menino ? O meu melhor amigo, que prometeu nunca me abandonar ?

Eu não queria mais olhar, mas aquela cena parecia um imã, e pra mim, era lenta demais, como se alguém estivesse controlando os movimentos dos dois por algum controle remoto. E parecia que quem controlava isso, se divertia com meu sofrimento, e queria que aquele momento ficasse gravado em mim pra sempre.

Ele me olhou mais uma vez antes de colar seus lábios aos dela. A mão dele repousava no rosto de Bianca, fazendo leves carinhos em sua bochecha. Bianca, por sua vez, tinha as mãos na cintura de Gabriel, e as apertava alternadamente.

Talvez aquele beijo não tenha demorado nem dois minutos, mas pra mim, pareceu um beijo longo demais, terno demais, carinhoso demais.

- Não vamos ficar aqui, vem. – Lucas disse, me soltando do abraço e limpando meu rosto rapidamente, pra que ninguém percebesse.

Meus olhos continuaram fixos nos dois, que agora sorriam um para o outro. Parecia uma atmosfera completamente perfeita do outro lado do pátio. Não parecia que estávamos no mesmo lugar, ou até no mesmo planeta. Ele não podia ser tão falso assim.

Lucas me puxava pra algum lugar que eu não sabia onde era, pois ainda mantinha meus olhos no novo casal ternura da escola. Ele me levou pra quadra aberta do colégio, onde era mais calmo. Ele ficou ali, do meu lado, me escutando chorar e lamentar. Ele sim, era uma boa pessoa que merecia ser amada e lembrada, não alguém com falsas promessas.

- Tá mais calma, amor ? – Lucas disse, enquanto acariciava meu cabelo.

- Uhum. – Resmunguei deitada em seus ombros.

Havíamos pulado dois horários.

- Tá pronta pra voltar ?

- É necessário ? – Perguntei levantando minha cabeça e o encarando.

- É, princesa. – Ele disse terno, acariciando meu rosto.

- Obrigada, Lucas. – Dei um selinho demorado em Lucas, e em seguida o abracei.

- Se quiser, mais tarde passo na sua casa. – Ele disse enquanto caminhávamos pras salas.

- Eu te ligo. – Disse enquanto acariciava sua mão, que estava entrelaçada a minha. – Obrigada de novo. – Dei mais um selinho.

- Tô aqui por você. – Ele retribuiu meu selinho, e partiu pra sua sala.

Entrei me arrastando na sala, antes que o professor do ultimo horário entrasse. Bianca estava radiante.

Sentei no meu lugar, esperando que ela não dissesse nada.