Unsaid Things.
12 Capítulo 12
Fui despertada por uma pequena claridade que havia escapado por entre as frestas da sacada do meu quarto.
Abri os olhos e permaneci encarando o teto. Sexta feira. Suspirei.
Pensei em tudo o que havia acontecido na semana, e lembrar que quase perdi a amizade do Gabriel, fez com que meu coração apertasse. Tudo aconteceu muito rápido.Nossa amizade, eu e o Lucas, ele e a Bianca.
Não gostava de pensar no que ele e Bianca estariam fazendo àquela hora no colégio, era tortura demais pra mim imaginar o toque, as carícias, os beijos.
Não era errado querer estar no lugar dela.
- Tá na hora de levantar. – Entraram no meu quarto de repente me fazendo assustar.
- Quer me matar, imbecil ? – Disse com a mão sobre o peito, enquanto ria.
- Talvez. – Ele deu de ombros e veio se deitar comigo na cama.
- Não foi pra escola por que ?
- Porque sabia que você não iria. – Ele disse rindo pra mim.
- Sou tão previsível assim ? – Disse numa careta.
- Completamente. – Ele acariciou meu rosto enquanto sorria.
Gabriel. Esse era o nome do amor da minha vida, do meu melhor amigo, do meu porto seguro.
Tirei a mão dele de meu rosto e a segurei forte, queria ter certeza de que aquilo era verdade, de que ele havia mesmo deixado a Bianca pra estar ali comigo.
- Você veio mesmo só por mim ?
- Claro ! – Ele disse como se fosse obvio de mais pra que eu duvidasse.
- Pensei que a Bianca fosse mais importante, agora que você namora com ela. – Tentei ao máximo disfarçar o ciúmes em minha voz.
- Ninguém nunca vai ser mais importante do que você. – Ele disse entrelaçando nossos dedos e acariciando minha mão com seu polegar.
Nenhuma palavra precisava ser dita, o momento era perfeito. A atmosfera era perfeita.
Agora eu sentia que estava tudo onde deveria estar, e fazia parecer que tudo o que havia acontecido na semana não passasse de um grande mal entendido.
- Eu sei que não. – Disse e por fim sorri a ele.
Ele sorriu de volta, e no rosto tinha o sorriso mais lindo que eu já vira. Era perfeito como os olhos dele brilhavam enquanto sorria pra mim. Ele era a pessoa mais linda que eu já havia conhecido. Nem Lucas o superava.
Era difícil encontrar algum defeito em Gabriel, e não era só eu que notava isso.
Continuamos a nos olhar. Olho no olho, talvez buscando respostas pras milhares de perguntas que passavam em nossas cabeças.
Comecei a memorizar cada parte de seu rosto, e reparei que tinham pequenas sardas no rosto, mas eram tão fracas que quase nem se podia notar.
Senti que a mão dele começou a soar. Ele estava nervoso –talvez- com a nossa proximidade.
Era fácil me perder naqueles olhos castanho-esverdeados, eles tinham tanto a contar. Sempre uma nova sensação aos toques e carinhos dele, e talvez por isso, eu me apaixonava cada vez mais.
Ele se mexeu um pouco na cama, e me aproximou de seu corpo, mantendo apenas nossas cabeças a centímetros de distancia.
Nessa hora não sentia apenas borboletas em meu estômago, eu tinha todo o reino animal correndo por lá.
Sorri com o pensamento idiota, e não sei porque, mas ele sorriu também.
Os olhos dele corriam por meu rosto, e pararam na minha boca. Continuei a encará-lo, mesmo que ele não estivesse me olhando.
Quando finalmente ele me olhou nos olhos, ambos aproximamos nossos rostos. Eu sentia sua respiração fraca e descompassada, e prestava o máximo de atenção pra que eu memorizasse toda a cena que viria a seguir.
Pela primeira vez, ele soltou minha mão, acariciou meu cabelo e colocou pra trás da minha orelha uma mexa que insistia em cair em meu rosto.
Depois traçava pequenos desenhos sobre minha bochecha com seu dedo indicador, em forma de carinho.
Mantínhamos os olhos fixados um no outro.
Quando fui tomada pelo momento, levei minhas mãos ao seu rosto e o acariciei. Passei minha mão por seu cabelo, depois por seu rosto e ali pousei minha mão.
Comecei a reparar no desenho de sua boca, imaginei como seria beijá-lo, e involuntariamente passei meu dedo indicador por sua boca.
Ele entendeu como um sinal de que poderia prosseguir.
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