Unlucky

1 First sight


Notas iniciais
Espero que gostem, vou tentar fazer os outros capítulos maiores... Acho que é a minha primeira long-shot de Percy Jackson, mas não vai ter nenhum personagem do Rick Riordan, por enquanto.
Vão haver algumas mudanças aqui e lá na história original, mas espero que gostem de todo o jeito :3
Enjoy~

Uma menina corria na chuva, os pés doíam, escorregando, e sua visão estava borrada. Onde estava indo? Não sabia, mas com certeza para longe daquilo. A criatura monstruosa de sete cabeças, parecida com uma cobra, que estava perseguindo a morena desde que fora à praia com sua família. O monstro havia matado seus dois irmãos e seu pai.

Lágrimas caíam livremente pelo seu rosto, misturando-se com a água que caía do céu, ela mal conseguia ver aonde ia, os olhos verdes procuravam qualquer coisa que pudesse usar como arma no caminho, mas sem sucesso. Os ramos das árvores da floresta pinicavam sua pele, alguns espinhos fazendo-a sangrar.

Sally não notou que havia uma raiz de árvore na metade do caminho até ser tarde demais, ela sentiu a lama molhando-lhe o rosto e o bafo fedido da hidra fazendo cócegas em seu pescoço. Ela não se arriscou a abrir os olhos, o coração batia forte contra as costelas, ela sentiu uma mordida na perna seguida por uma dor que fez lágrimas caírem pelo seu rosto. De repente, a pressão contra suas pernas desapareceu, e um rugido se fez ouvir em algum lugar ali perto.

Ela sentiu-se sendo levantada gentilmente, os braços fortes de um garoto colocando-a no colo, Sally arriscou-se e abriu os olhos lentamente, nem percebendo que tinha fechado-os, para encontrar um par de olhos azuis tristes encarando-a de volta.

— Você está bem? — Perguntou o garoto estranho, com um olhar de preocupação estampado no rosto do moreno.

— Sim, eu acho. — Murmurou ela, sentindo que a sua perna estava virada em um ângulo não natural. — C-como você mandou aquilo embora?

O garoto riu suavemente, balançando a cabeça, dizendo, como se não conseguisse acreditar em algo:

— Eu realmente não sei como eu fui capaz de... — E percebendo o olhar confuso dela adicionou — Bem, eu te explico tudo quando chegarmos ao acampamento.

— Acampamento? Que acampamento? — Perguntou ela ficando ainda mais confusa, para onde o garoto estava levando-a? Era seguro? Podia confiar nele?

O garoto sorriu antes de dizer, como se ele pudesse ler os pensamentos da morena:

— Um lugar seguro, não se preocupe. — Ele afastou um galho de uma das árvores para poder passar. — Você tem muita sorte, sabia? Se eu não tivesse saído do acampamento hoje, você já estaria morta agora.

— O-obrigada. — Ela murmurou com os olhos se enchendo de lágrimas. — Eu estava tão assustada... Achei que ia morrer.

O garoto sorriu timidamente antes de murmurar, parecendo um tanto envergonhado:

— Eu me esqueci de me apresentar... Meu nome é William, mas me chame de Will. Como você se chama?

— Meu nome é Sally. — Disse ela, estendendo a mão, mas percebeu que o garoto estava usando as duas mãos para carregá-la. A morena abaixou a mão e escutou ele rir baixinho.

Will parou de repente, parecendo tenso, ele olhou para ela, apreensivo, e ela se perguntou se havia algo de errado, ou se ela havia feito algo de errado.

— Sally, eu vou ter que fazer um teste com você, ok? Para ver se posso te levar para o acampamento... Eu sei que você está machucada, mas é rapidi...

— O que eu vou ter que fazer? — Ela interrompeu o garoto no meio da frase, com medo do que teria que fazer.

— Eu vou ter que te soltar aqui, e você tenta chegar ao topo do morro. — Ele olhou para ela como se pedisse desculpas. — Não posso trazer uma garota no acampamento se não sei se ela é uma de nós.

O moreno colocou-a delicadamente no chão, subindo a colina e sentando-se no topo dela, ao lado de uma coisa dourada que brilhava que ela não conseguia decifrar direito o que era.

Olhando para cima ela gemeu ao ver o quanto teria que subir com a perna quebrada. Suspirando e se apoiando nos dois braços ela começou a subir, a perna direita latejando como nunca. Ela escorregou, voltando tudo que havia conseguido subir, lágrimas de frustração encheram-lhe os olhos e ela sentiu-se sendo levantada novamente. Olhando para cima ela notou Will sorrindo para ela.

— Sabe que eu nunca me importei com regras?— O garoto riu, passando pelo velocino dourado e soltou um suspiro de alívio. — Bem, acho que você realmente é uma de nós, bem vinda ao Acampamento Meio Sangue.

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Ele desceu a colina com ela no colo, olhando para cima ela notou que havia parado de chover, ainda que se olhasse para trás, ela via raios caíam do céu. Havia 12 chalés dispostos em um U, vários campos de vôlei e um lago enorme, onde se podia ver algumas canoas amarradas no cais. Uma fogueira ali perto brilhava, os campistas estavam sentados ao redor dela. Sally ficou fascinada, a fogueira deveria ter uns quatro metros de altura, iluminando os rostos dos campistas que riam e brincavam.

Will se afastou da fogueira, levando-a para uma casa branca enorme com detalhes em azul. Batendo na porta, ele entrou para encontrar um homem que usava uma camisa de coqueiros amarela.

— Você esteve fora do acampamento novamente, Wallace? — Disse o homem com a sobrancelha levantada.

— Meu nome é William, e sim, e encontrei ela fora do acampamento sendo atacada por uma hidra. — Disse ele parecendo irritado.

— Por mais que seu pai permita a sua saída, você sabe que são as regras do acampamento. — Disse o homem tomando um gole de Diet Coke.

— E você sabe muito bem que eu não me importo nem um pouco. — Murmurou o garoto, antes de acrescentar. — Vou levá-la para a enfermaria, avise o Quíron.

— Tá, tá. — Disse o homem, abanando a mão para mandá-lo sair.

Will fechou a porta e sorriu para Sally.

— Aquele senhor adorável é o Sr. D., o diretor do acampamento, você pode chamá-lo de Dionísio também, mas não chame-o desse jeito, por que senão ele não vai gostar de você. — Will riu.

— Dionísio você quer dizer o deus do vinho? — Will assentiu. — Mas não é perigoso falar assim com um deus?

Will riu suavemente, andando até uma cabana feita de madeira.

— Eu não me importo, na verdade. — Disse ele, rindo da expressão dela. — Chegamos. Eu lhe apresento a Enfermaria, sua nova casa pelos próximos dias.

Will deitou-a delicadamente na maca, sentando-se ao lado da garota, os olhos azuis dele brilhando com a chama da vela que o garoto havia acendido.

— Aposto que tem muitas perguntas, pode fazer todas para mim, quando quiser. — Will sorriu suavemente.

— Quem somos “nós”? O que é este lugar? Por que aqui é seguro? O que era aquilo que me atacou? Por que aquilo me atacou? Quem é seu pai? Por que tem um deus como diretor do acampamento?

O garoto riu e respondeu.

— Bem, acho que realmente são muitas perguntas. Sabe aqueles mitos sobre deuses gregos, ninfas, sátiros, titãs, gigantes, ciclopes, e, finalmente, semideuses? — Ela anuiu e ele continuou — Então, não são mitos, eles ainda estão vivos, em Nova York, para ser preciso. E, bem, eles continuam a ter filhos com mortais, que são chamados semideuses, ou seja, nós. Meu pai, por exemplo, é Hades, soberano do submundo e deus dos mortos.

— Por submundo você quer dizer tipo inferno? — Perguntou ela, se perguntando se aquele garoto com feições angelicais realmente era filho do demônio. Will simplesmente riu.

— E tipo céu. — disse o garoto, sorrindo ao ver a expressão dela.

— Enfim, aquilo que te atacou foi uma hidra, mas ela não chegou a injetar o veneno em você, por isso que você só tem uma perna quebrada. O veneno das hidras fica no rabo delas, antes que você pergunte. E o Sr. D. é o diretor do acampamento como castigo de Zeus.

— Quem é o meu pai? — Sally perguntou curiosa para saber, ela moraria naquelas casinhas no U?

— Isso eu não posso responder, principalmente por que eu não sei. — Ele sorriu e disse — Mas você descobrirá logo, não sei por que você não foi reclamada quando fez treze anos... Os deuses quebraram o trato.

Uma garota de pele verde se aproximou, olhando feio para o moreno, que sorriu pedindo desculpas.

— Parece que estão me expulsando, então boa noite, Sally. — O garoto murmurou, saindo da cabana.

A garota sorriu para a garota que enfaixava a sua perna, que sorriu de volta.

— Coma isso. — Ela entregou algo redondo e macio para Sally. — Vai fazer bem para você.

— Obrigada. — Murmurou ela, enfiando a comida na boca e arregalando os olhos com o sabor. Tinha gosto de primavera, de frutas, de flores. Os olhos dela se encheram de lágrimas ao lembrar-se de sua casa, de seu jardim, de seu pai... O pai da garota amava as plantas e tinha uma floricultura, onde Sally trabalhava de meio período.

Sua mãe voltava nunca voltara. Seu pai tentava seguir em frente, arranjando uma namorada de vez em quando, mas ela sabia que ele ainda estava perdidamente apaixonado por ela, embora evitasse falar ao máximo sobre a ex, sempre evitando o assunto quando Sally perguntava. A única coisa que sabia sobre ela era que era apaixonada pelas flores, e que não podia ficar com ele por algum motivo. Sally sabia que ela tinha outro, mas nunca comentou isso com ele,ela não queria machucar os sentimentos do pai.

Com lágrimas escorrendo pelo seu rosto, ela lembrou-se do último dia da família dela. Ela havia brigado com o pai por alguma coisa boba, ela não lembrava o que era, e ele havia comprado um sorvete para a filha, tentando acalmá-la, mas ela continuou irritada. Ela se lembrou da mágoa nos olhos do pai, a última coisa que vira. Ela se lembrou do sangue que caiu do corpo dos irmãos quando a criatura o matou, o sangue do pai.

Ela nem notou quando seus olhos pararam de soltar água e ela só continuou a soluçar, abraçando o próprio peito. Ela acabou caindo na inconsciência sonhando com cobras gigantes e sangue.

Notas finais
E aí? Gostaram?
Comentários construtivos são bem vindos, me ajudem a melhorar, por favor *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.