Unlike Cinderella...
41 Capítulo 40 - Distrust... → Parte 1
Notas iniciais
POV Ally
A surpresa em ver Elliot era indescritível. Eu jamais poderia imaginar que o garoto que estava apanhando daqueles homens é a mesma pessoa que se arriscou para salvar a minha vida. Alguém que eu imaginei está morto.
– Elliot? – ouço a voz assustada de meu namorado ao meu lado.
Não havia dúvidas. Apesar de muito machucado, Elliot ainda possuía o mesmo brilho nos olhos e o sorriso doce, no entanto, algo estava errado. Olho para meus amigos e o espanto estava exposto em suas faces.
– Austin... É você mesmo? – sussurra Elliot, parecendo sentir muita dor ao fazer o mínimo esforço.
– Dallas, Dez, ajudem Austin a carregar Elliot. – digo, chamando a atenção de meus amigos. Coloco a mão em sua testa e vejo que o mesmo estava com febre, no entanto, seus braços estavam frios. – Eu preciso de algum agasalho para ele. Elliot está com febre e se continuar assim, terá uma hipotermia.
Manu é a primeira a vasculhar em nossas coisas, em busca de alguns agasalhos ou algo que pudesse preoteger o garoto do frio. Enquanto a morena procurava, Dallas e Dez, levantam Elliot.
– Coloquem-no em minhas costas. – pede Austin, preparando seu corpo para receber o amigo.
– Você tem certeza que dá conta? – pergunta Dallas, tremendo devido ao frio. – Elliot é pesado.
– Não se preocupe. Eu consigo. – responde Austin.
– Antes de colocar Elliot nas costas de Austin, vistam essas blusas nele. – Manu estende as peças de roupa para Dez, que não demora a vestir o amigo.
Após garantirem que o moreno estava bem agasalhado, Dez e Dallas colocam Elliot nas costas de Austin. Com um pouco de dificuldade, o loiro ajeita o amigo da melhor maneira possível e parece determinado a continuar o trajeto carregando-o.
– Princesa, você tem certeza disso? – pergunta Lawrence, surrando próximo de mim. – Vai confiar nesse garoto?
– Ele é meu amigo, Lawrence, por que eu não confiaria? Ele sacrificou a vida para me salvar. – digo, surpresa pela pergunta de Lawrence e incerta sobre minhas palavras.
– No entanto, ele ainda continua vivo. – sussurra de volta, olhando desconfiado para Elliot. – Não acha estranho ele ter aparecido vivo quase um mês depois e ainda em Boise? Um país tão distante de Miami? Tão longe do lugar que ele, supostamente, foi enterrado?
Eu sabia que Lawrence estava certo. Como Elliot poderia está tão distante de Miami, sendo que o mesmo deveria está morto? A situação era suspeita demais. Algo me dizia que o que ele falava era verdade, no entanto, eu não queria duvidar de meu amigo. Ele fez tanto por mim. Mesmo tendo convivido pouco tempo com ele, Elliot me protegeu no momento em que eu poderia ter morrido e eu devia muito a ele.
– Eu sei que isso está muito suspeito. – respondo, sussurrando em resposta. – Mas, por enquanto, não comente sua desconfiança com ninguém. – Levaremos Elliot conosco, mas permaneceremos de olho nele.
Mesmo a contra gosto, Lawrence concorda. Olho para Trish e Cassy e percebo que as mesmas haviam ouvido a conversa. Faço sinal de silêncio para as duas e ambas assentem, concordando em permanecer em sigilo.
– Austin, você não quer que eu leve Elliot? Ou mesmo Tyler? Ele parece ser muito pesado para você. – fala Prince, preocupado.
– Não. Eu estou bem. – diz Austin, teimando em receber ajuda.
– Acho melhor desistirem da ideia. – fala Dez, suspirando cansado. – Esse cabeça dura não vai mudar de opinião.
Observo Elliot e vejo que o mesmo havia caído no sono. Isso me preocupou. O garoto está com febre e estamos longe de um hospital. Além disso, nenhum de nós poderia ir a um lugar tão público. As chances de sermos descobertos são enormes, tendo em vista que sou conhecida no país.
– Vamos andando. Elliot precisa ser medicado e o clima está esfriando cada vez mais. – digo, chamando a atenção do grupo. – Não estamos longe do lugar em que iremos passar a noite, no entanto, quanto mais tempo ficamos expostos, mais as chances de sermos reconhecidos aumentam.
Prosseguimos o caminho, permanecendo em silêncio. A minha mente processava inúmeras informações, criando planos e traçando rotas no caso de algo dá errado enquanto tivéssemos indo para Krósvia.
Alguns minutos depois, chegamos a casa que pertencia a família de Kira. Os avôs da morena, apesar de terem morado em Krósvia, retornaram para Boise assim que se aposentaram.
– Onde estamos? – perguntou Dez, chamando a minha atenção.
– Essa é a casa onde os avôs de Kira moram. – respondo, surpreendendo ao ruivo.
– Eles sabem da notícia? – perguntou Trish, preocupada.
– Sim. – digo, suspirando.
Aproximo-me da porta da casa e toco a campainha. Alguns instantes se passaram até que a grandiosa peça de madeira seja aberta e revele um homem alto e de cabelos embranquecidos.
Vincent Fiddler sorri ao reconhecer as pessoas que estavam a sua porta. Direcionando um olhar caloroso a nós, ele abre os braços e caminha em minha direção, abraçando-me com carinho.
– É um alivio ver que estão a salvo. – sussurra, afagando meus cabelos.
– Obrigada por nos receber. – digo de volta, correspondendo ao abraço.
Ele se separa de mim e beija minha testa, como sempre fazia quando eu era criança. Vincent abre a porta de sua casa e sorri para nós, incentivando-nos a entrar ao local.
– Entrem. – diz, olhando para Elliot, preocupado. – Acredito que o amigo de vocês precise de ajuda.
Não demora muito para todos entrarem ao local. Prince abraça o homem, assim que o mesmo fecha a porta. Vincent sorri e segura o rosto de meu irmão com admiração.
– Você se tornou um homem admirável, Phillip. – fala Vincent com a voz doce. O homem direciona seus olhos castanhos na direção de Manu e seu sorriso aumenta. – E ainda manteve sua promessa, não é mesmo?
– Eu jamais descumpriria com ela. – diz Prince, sorrindo orgulhoso.
Vincent e sua esposa serviram a minha família por mais de quarenta anos. Quando o homem adoeceu, meus pais viram que o melhor para o casal seria ter o merecido descanso. E então, o nosso mordomo e a cozinheira e babá resolveram retornar para Boise, sua terra natal.
Após abraçar Manu e beijar a testa da mesma e abraçar Tyler, o senhor começa a caminhar ao centro de sua sala. A casa estava aquecida e dava certo aconchego a todos.
Vincent olha para Austin e aponta para o sofá. Meu namorado coloca o amigo sobre o confortável assento e olha para o homem, um pouco desesperado.
– Rachel. – chama Vincent, com a voz um pouco mais alta. – Eles chegaram.
Alguns segundos depois, a senhora de pele clara, sorriso gentil e de olhos cerúlos calmos e calorosos, adentra o local, limpando as mãos em seu avental. Com os olhos marejados, Rachel Fiddler, caminha em minha direção e me abraça com carinho.
– Minha doce Allycia. – diz emocionada, apertando-me ainda mais contra si. – Como eu senti sua falta, princesa.
– Eu também senti muito a falta de vocês, vovó Rachel. – digo, tentando controlar a emoção. – Eu sinto muito. Sobre Kira...
– Está tudo bem, querida. – fala Rachel, acariciando meu rosto. – Kira morreu protegendo o bem mais precioso de Krósvia. Minha neta cumpriu com seu dever. A culpa não foi sua.
– Mas... – tento argumentar, mas sou interrompida por Vincent.
– Acalme seu coração, princesa. – fala com doçura. – Consiga a liberdade de Krósvia e a morte de nossa neta não será em vão. Cada dia é um presente e não um direito adquirido. Kira viveu sua vida com intensidade e acredito que ela está melhor em um lugar melhor agora. Não deixe pedra sobre pedra. Livre-se de seus medos e você será capaz de fazer tudo o que deseja.
Olho para Austin e relembro do estado de Elliot. Balanço a cabeça concordando e volto a me acalmar. Controlando meus sentimentos, encaro Rachel e Vincent suplicante.
– Eu preciso da ajuda de vocês. – peço, indo em direção a Elliot. Ele estava inconsciente e ainda febril. – Nosso amigo está ferido. Sei que pedi apenas estadia, mas não podemos levá-lo ao hospital.
– Vincent, pegue a caixa de primeiros socorros, rápido! – pede Rachel, assustada com o estado do garoto, após aproximar-se de nós.
O velho homem não demora a fazer o que lhe foi pedido e em pouco tempo já havia voltado com uma grande maleta branca, contendo alguns medicamentos e curativos.
Enquanto a mulher de cabelos grisalhos limpava os ferimentos de Elliot, meus amigos se acomodavam em algum canto da confortável sala, preocupados com o estado do moreno.
Afasto-me do grupo, cautelosamente, torcendo para não ser notada. Eu precisava de um tempo sozinha. Com tantos acontecimentos surpreendentes, eu tinha que reorganizar as minhas ideias.
Caminho até a cozinha da casa. Eu havia visitado a casa somente duas vezes, quando criança, enquanto alguns conflitos ocorriam em Krósvia, mas eu ainda me lembrava bem do lugar.
Avisto a mesa de jantar grandiosa da casa e sento-me, relaxando um pouco o meu corpo, enquanto sinto o aroma da comida caseira prepara por Rachel. Suspiro nostálgica, relembrando os felizes momentos que eu tive no pouco tempo em que me hospedei no lar dos avôs de Kira.
– Ally? – a voz doce de Mimi me desperta de meus devaneios.
– Sim? – respondo, sorrindo cansada.
A mulher se aproxima de mim, juntamente com o marido e ambos se sentam a mesa. A loira analisa o cômodo e sorri com carinho, parecendo gostar da singela cozinha.
– Você está bem? – pergunta Mike, preocupado.
– Se eu dissesse que sim, estaria mentindo. – respondo, suspirando exausta. – Mas, vou ficar bem depois de uma boa noite de sono. – completo, sorrindo, tentando convencê-los.
– O que há de errado, querida? Imaginei que ficaria feliz por ver Elliot vivo. — diz Mimi, enquanto pega minha mão e acaricia.
– E estou. – respondo, sorrindo. – Só estou preocupada com minha mãe.
Antes que meus sogros dissessem alguma coisa, Austin entra na cozinha e me olha cansado, no entanto, ele parecia mais aliviado. Talvez Elliot já estivesse melhor.
– Ally. – chama Austin.
– Está tudo bem? – pergunto, enquanto levanto para olhar nos olhos de meu namorado.
– Sim. – ele suspira aliviado. – Elliot já está bem. A Sra. Rachel cuidou dos ferimentos dele e a febre parece ter abaixado.
– Isso é ótimo. – respondo, sentindo certo alivio por saber que ele estava melhor.
– Prince e os outros foram se acomodar nos quartos da casa. – avisa para os pais. – O Sr. Vincent perguntou se vocês não queriam escolher um quarto especifico.
– Claro. – responde Mike, sorrindo para o filho. –Vamos? – ele estende a mão para a esposa, assim que levanta.
Mimi sorri em resposta e levanta, segurando a mão do marido. Ao passarem por nós, ela me dá um beijo carinhoso na testa e acaricia o rosto do filho. Mike apenas sorri compreensível para mim e dá um leve tapa no ombro de Austin.
Assim que estamos sozinhos, Austin se aproxima de mim e beija de leve meus lábios. Abraço o loiro e logo sou correspondida. Enquanto acaricia meus cabelos, ele encosta seu queixo no topo de minha cabeça e me aperta ainda mais contra si.
– Ally... – sussurra Austin, após alguns minutos em silêncio.
– Sim? – respondo no mesmo volume, aconchegando-me mais ainda em seus braços.
– Eu te amo. – ele fala, fazendo-me olhar em seus olhos. Austin segura meu rosto e encosta sua testa na minha. – Nunca se esqueça disso. Não importa o que aconteça.
Sorrio encantada. Por mais que não seja a primeira vez que ele diz que me ama, todas as vezes que eu o escuto dizer tais palavras, meu coração se enche de carinho e meu amor pelo loiro só aumenta.
– Eu também te amo, Austin. – aproximo meu rosto de Austin. – Eu te amo mais do que pode imaginar.
Austin sorri e puxa minha nunca, unindo nossos lábios de forma intensa. Coloco meus braços em torno do pescoço do garoto e fico na ponta dos pés. Infelizmente, Austin é bem mais alto que eu.
Acaricio seus curtos fios loiros da nuca e sinto o mesmo estremecer ao toque. Austin segura minha cintura e rosto com firmeza, guiando o beijo em um ritmo diferente de qualquer um que já tivéssemos trocado.
Ouvimos o som de passos se aproximando da cozinha e logo nos separamos. Não demoramos a ver a entrada de Rachel na cozinha. A doce senhora nos olha surpresa e logo sorri ao perceber o que estava acontecendo instantes anterior.
– Acho que atrapalhei algo. – comenta, rindo divertida.
– Não. Não atrapalhou nada não. – responde Austin, sem graça.
– Você ainda não me apresentou o loirinho, querida. – fala Rachel, olhando divertida.
– Vovó Rachel, esse é Austin Moon, meu namorado e futuro rei de Serafine, assim que recuperarmos o poder de Rhosália. – apresento, sentindo minhas bochechas esquentarem ao perceber o olhar malicioso da mulher.
– É inacreditável como você cresceu, querida. – diz a senhora, com um tom nostálgico. – Até uns dias atrás, você era apenas uma garotinha e hoje, veja só, se tornou uma incrível mulher. E o melhor de tudo – ela olha para Austin e sorri. – você está vivendo a vida, fazendo suas escolhas, algo que sempre temi não ver acontecer.
– Eu não sei se foi exatamente uma escolha o meu namoro com Austin, mas no fim, foi a melhor coisa que aconteceu. – confesso, enquanto pego a mão do meu namorado e sorrio para o mesmo.
– O que quer dizer com isso? – pergunta Rachel, confusa.
– Na verdade, Sra. Rachel, Ally e eu somos noivos, mas nosso noivado ocorreu antes mesmo de nos conhecermos. – explica Austin, parecendo sem jeito para explicar a história. – Os pais de Ally e os meus fizeram um acordo para que nos casássemos quando fossemos maiores de idade. Infelizmente, não tivemos a oportunidade de crescermos juntos, pois alguns meses depois do nascimento de Ally, Serafine sofreu um ataque e minha família e eu tivemos que fugir. Nós crescemos sem saber quem seria os nossos noivos. Poucas pessoas sabem disso.
– Nem mesmo nós sabíamos de toda verdade até poucos meses atrás. – complemento, olhando para a doce senhora.
Rachel sorriu quando terminamos de contar a história. Ela parecia encantada com o nosso relato e seu sorriso se alargou ainda mais quando Austin me abraçou de lado e beijou a minha testa.
– O destino parece ter trabalhado muito bem para uni-los, não é mesmo? – comenta, com um lindo sorriso, mas logo ele se desmancha, quando a mulher parece se lembrar de algo. – Uma pena que o amor de vocês tenha florescido em uma época tão trágica como o inicio da guerra de Krósvia contra Rhosália e Targarión. Não será fácil enfrentarem tantas dificuldades e permanecerem juntos e vivos.
Observo a expressão entristecida da doce senhora. Por mais que eu quisesse discordar, eu sabia que em um momento tão crítico como o que estamos vivendo, as chances de sobrevivermos a tudo eram mínimas.
– Rachel. – o grito de Vincent se espalha pela casa, chamando nossa atenção.
Olho para a mulher de cabelos grisalhos e não consigo conter uma risadinha ao vê-la revirar os olhos, como se houvesse detestado a atitude do marido.
– Vincent e sua terrível mania de gritar. – diz Rachel, revirando os olhos mais uma vez. – Eu estou velha e com problemas na coluna, mas não surda, Vincent! – grita de volta.
Ela se levanta e caminha até a sala. Ouço Austin ri da atitude da mulher, enquanto a observa. Ele se vira para mim e estende o braço direito, como se me convidasse para um passeio. Olho para meu namorado, tentando entender a sua atitude e recebo em resposta um sorriso divertido.
– Vamos minha velha? – pergunta, imitando um idoso. Solto uma leve risada e balanço a cabeça em negação da sua estúpida tentativa de imitar um velho.
– Claro meu velho. – respondo, entrando na brincadeira, enquanto pego em seu braço e sigo com o loiro até a sala de estar.
O antes grande cômodo, agora faltava espaço para acomodar a todos. Meus amigos estavam espalhados pelo lugar e conversavam entre si sobre assuntos aleatórios. Quem observasse a cena jamais imaginaria que em breve participaremos de uma guerra.
Enquanto Rachel entregava pedaços de bolo e xicaras com chocolate quente, Prince e Manu contavam a Vincent e sua esposa a nossa história. O casal prestava atenção em cada palavra e vez ou outra faziam algum comentário.
Aos poucos, a conversa começou a envolver a todos e a algazarra era divertida, no entanto, eu não conseguia participar da bagunça como meus amigos. Minha mente estava concentrada em nossa missão e, mais especificamente, em nosso próximo passo.
Dez pareceu perceber meu olhar sobre si e não demorou a entender o que se passava em minha mente. Ele balança a cabeça em sinal de confirmação e se aproxima de Manu discretamente.
Os dois trocam poucas palavras e após direcionarem um rápido olhar para mim, ambos caminham para o andar de cima, tomando cuidado para não serem notados.
– Algum problema? – pergunta Austin, preocupado.
– Não. Não há nada de errado. – respondo, ainda encarando a escada que levava ao andar superior da casa. – Nada de errado.
[...]
Já se passavam das quatro da manhã e eu não conseguia dormir. Deitada ao lado de Austin, eu encarava a face adormecida do loiro que respirava profundamente e se remexia vez ou outra. Estavamos abraçados, aquecendo-nos do rigoroso frio de Boise. E mesmo estando confortável nos braços de Austin, eu ainda me sentia insegura, receosa com o futuro.
Por mais que eu tentasse, não conseguia controlar minhas emoções naquele momento. Eu estava com medo, como nunca senti antes. Era inexplicável como as palavras de Rachel ecoavam em minha mente.
Observar Austin dormir fazia com que eu me perguntasse se seria capaz de proteger a todos que amo. E por mais que eu dissesse a mim mesma que havia treinado a minha vida toda para realizar tais feitos, minha mente continuava a me torturar com perguntas ferinas. Será que eu conseguirei liderar um grupo tão grande? E se eu falhar? Quais serão as consequências de meus erros?
Antes que eu pudesse pensar em qualquer resposta para meus questionamentos, meu celular começa a vibrar em cima do rack ao lado da cama.
Apressadamente e com muita dificuldade, pego o aparelho e atendo a ligação, temendo que Austin acordasse pelo barulho. Felizmente, o máximo que o loiro fez foi se mexer e me apertar mais contra si, soltando um longo suspiro.
Com o máximo de cuidado possível, desvencilho-me do abraço apertado e aconhegante de Austin e me levanto e levo o celular a orelha.
– Alô. – sussurro, enquanto me afasto da cama. Vou para frente da janela, olhando para a paisagem calma da rua.
– Ally? – a voz masculina tão conhecida por mim se manifesta do outro lado da linha.
– Joe? O que pensa que está fazendo? Você sabe que não pode entrar em contato comigo até estarmos em segurança. Nossa linha pode ser rastreada. – repreendo o rapaz, falando o mais baixo possível.
– Ally, me escuta, por favor. – pede Joe, apressado. – Não temos muito tempo.
– O que quer dizer com isso? – questiono preocupada.
– Gavin e Edgar fizeram aliança com mais quatro reinos e estão marchando com seus exércitos para Krósvia neste exato momento. Eles pretendem atacar o seu reino em dois dias. Além disso, a localização de vocês já não é mais tão secreta assim. Vocês precisam agir imediatamente. – a fala apressada de Joe me assusta a cada instante.
– Espere um momento. – peço, enquanto me direciono a Austin.
O loiro dormia de maneira tranquila e de certa forma, eu me sentia mal por acordá-lo de seu descanso merecido, mas como disse Joe, nós não temos muito tempo.
– Austin, acorda. – peço, balançando o ombro do loiro. Meu namorado me olha assustado, após levar um empurrão mais forte.
– Ally? O que aconteceu? – pergunta confuso.
– Austin, acorde todos. É urgente! Diga para se reunirem na sala imediatamente. – digo, tentando controlar meu desespero.
– O que houve? – a preocupação fica estampada na face do loiro.
– Não temo muito tempo. – apresso o rapaz. – Apenas acorde a todos e mande-os vir até aqui, com exceção de Elliot.
– Por que Elliot não pode vir? – pergunta Austin, confuso. – Ele também faz parte do time.
– Austin, nós não temos tempo para isso. – digo, apressando-o. – Faço o que eu estou pedindo, por favor.
Mesmo contrariado, o garoto não demora muito a se levantar e seguir para o corredor, onde começou a bater nas portas dos quartos e pedir para que todos acordassem.
– Ally. – Joe volta a chamar, fazendo-me olhar assustada para o celular.
Coloco o aparelho de volta ao ouvido, sentando-me na cama e respirando fundo antes de continuar a conversa. Meus nervos estavam à flor da pele e eu sentia que isso estava apenas começando.
– Perdão pela demora, Joe. – digo, soltando um suspiro cansado.
– Ally, eu sinto muito, mas não podemos adiar mais. Richard me ligou a pouco tempo, informando que atacaram Westleife¹ horas atrás, mas que por sorte, eles conseguiram obter a vitória. A guerra ocorrerá muito mais cedo do que imaginávamos. – conta Joe sem esconder a sua revolta. – Minha irmã e eu concordamos em preparar nossas tropas para marcharmos até Krósvia.
– Ótima ideia. – digo, olhando para a janela, onde demonstrava a escuridão da madrugada. – Joe, eu quero que entre em contato com todos os nossos aliados e peça para fazerem o mesmo que o reino de Retrivia² e Westleife. Os planos mudaram. Ao invés de uma reunião secreta em Boise, nos encontraremos em Krósvia.
– Algum plano em mente, princesa? – pergunta Joe, esperançoso.
– Ainda não. – digo, sentindo-me frustrada. – Mas até chegarmos em Krósvia eu terei algo em mente. Apenas, peça para os soldados tomarem cuidado em sua viagem e esperem a minha chegada antes de entrarem em meu país.
– Como desejar. – concorda Joe, seriamente. – Boa sorte, princesa.
– Boa sorte, Joe. – digo antes de desligar.
Suspiro ao jogar o celular na cama. Pego o roupão que estava próximo a cama e o visto, a espera de todos do time. Em poucos segundos, o grupo todo invade o quarto, confusos e preocupados pela algazarra que estava ocorrendo.
– O que aconteceu, Ally? – Manu é a primeira a se manifestar.
– Nós precisamos ir para Krósvia ainda hoje. – aviso, enquanto sento ao lado de Austin.
– Hoje? – pergunta Lawrence. – Não estamos prontos.
– Precisamos estar. – digo, suspirando frustrada, tentando controlar as minhas emoções.
– Você está nos assustando, Ally. – diz Cassidy. – O que aconteceu, afinal?
– Gavin e Edgar resolveram iniciar a guerra mais cedo que esperávamos. – respondo. – Eles se reuniram com seus aliados e estão se encaminhando para Krósvia junto com seu exército.
– O que? – fala Prince, aproximando-se mais de mim. — Como isso aconteceu?
– E não é só isso. – digo, fazendo meus amigos suspirarem preocupados. – Westleife foi atacada recentemente, mas conseguiram a vitória. Richard e Vick junto com Joe e Cecília decidiram que o melhor a se fazer é nos encontrarmos em Krósvia.
– Princesa. – chama Lawrence. Viro-me para o loiro e espero que ele diga algo. – Ainda irá demorar certo tempo para o submarino chegar. Infelizmente, não podemos apressar as coisas mais do que elas já estão.
Lawrence estava certo. Ele havia combinado com seus homens que partiríamos para Krósvia em um prazo de dois dias. Por mais que eu quisesse ir imediatamente, seria impossível fazer com que submarino chegasse mais cedo.
– O que pretende fazer, Ally? – pergunta Dez, olhando com curiosidade para mim.
– Iremos dividir o grupo. – respondo, surpreendendo a todos. – A partir de agora, iremos nos separar.
✻
Continua...
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