Unlike Cinderella...
5 Capítulo 4 - Coarse...
Notas iniciais
POV Austin
– Com licença. Irei me retirar agora. A viagem foi bem cansativa e desejo repor minhas energias. – fala a garota parecendo estar com pressa.
– Claro, querida. Suba e descanse o quanto achar necessário. Assim que o jantar estiver pronto, irei chamá-la para comer. – responde minha mãe.
A morena sobe as escadas um tanto apressada. Solto um sorriso discreto. Acho que ela está bem assustada. Não a culpo, a tratei mal no aeroporto e na hora que cheguei em casa.
Normalmente, eu não ataco as pessoas na primeira vez que as vejo, principalmente se forem do sexo feminino, mas, por algum motivo, eu tratei Allycia muito mal.
Meus pais olham para mim com um pouco de raiva, por ainda estarem chateados com a minha atitude de mais cedo. Minha mãe levanta com um suspiro e me dá um beijo na testa.
– Vou sair com seu pai para resolver alguns problemas da loja. Ver se você se comporta, ouviu garoto? Se eu souber que você tratou a Ally mal mais uma vez...
– Relaxa mãe, eu vou me comportar. Pode ir. – falo interrompendo o futuro sermão que minha mãe iria me dá.
– Tudo bem, filho. Juízo, hein? Tchau Trish, Dez. – diz meu pai abrindo a porta. – Vamos querida.
– Vamos. – responde minha mãe pegando sua bolsa e seguindo meu pai.
Antes de sair, ela faz um gesto no estilo “Estou de olho em você, garoto. Pisa na bola mais uma vez e eu arrebento a sua cara!”. Claro que minha não é o tipo de mulher que bate no filho, mas ela pode ser bem assustadora quando está com raiva. Em seguida, ela dá tchau para meus amigos, sendo retribuída pelos mesmo e fecha a porta.
– Pelo visto você a assustou. – comenta Dez com tom de repreensão e se referindo a Allycia.
– Eu não fiz nada. – falo levantando as mãos em sinal de redenção.
– O que deu em você? Nunca te vi tratar nenhuma garota como tratou a Ally. – fala Trish me encarando com seriedade.
– Ih, não comecem. Eu já pedi desculpas, não pedi? – respondo tentando fugir das perguntas de meus amigos. Se nem eu entendo o porquê de ter agido daquela forma, imagina se eles vão entender?
– Você que sabe. Se quer ficar fugindo que nem uma menininha, fique à vontade, mas depois não venha até mim pedindo ajuda. – diz Trish com irritação.
– Terminou? – pergunto com sarcasmo.
– Claro. – ela responde de volta no mesmo tom.
– Certo, estou indo para a loja ensaiar. Vocês vem comigo? – digo pegando as chaves do carro.
– Mas, e a Ally? – pergunta Dez com preocupação.
– Tem razão. – falo analisando as minhas opções. Eu realmente preciso ensaiar com a banda e os dançarinos para o show que acontecerá em breve, mas se eu a deixar, com certeza, estarei encrencado. – Por que não a levamos?
– Ela acabou de subir para descansar de uma viagem longa. Acha mesmo que ela vai trocar uma boa tarde de sono para ficar assistindo o seu ensaio? – diz Trish com ironia.
– ‘Tá, então me fala uma ideia melhor aí. – respondo no mesmo tom. Ah, qual é? Eu estou de mal humor, morrendo de fome, porque não almocei e cansado da noite mal dormida. Não estou com cabeça para lidar com problemas como esse.
– Por que não deixa o cabeção aqui para esperar por ela? Eu até ficaria, mas preciso voltar para a droga do meu trabalho e ainda ver como está saindo o seu ensaio, Austin. – sugere com cansaço.
– Você? Indo trabalhar? Que milagre é esse? – pergunta Dez com ironia.
– Calado, idiota! Eu preciso ao menos ser demitida, não é? – responde no mesmo tom. – Além disso, eu preciso de dinheiro para comprar aquela roupa nova que vi no Shopping.
– Mas, e então? Você vai ficar, Dez? – falo sendo direto ao ponto. Eu iria me atrasar para o ensaio.
– Claro. Só preciso que Trish deixe as chaves do carro dela, pois, depois que Ally acordar, vou tentar convencê-la a ir pra lá. – responde, ligando a televisão e começando a assistir um programa qualquer.
– Me carro nas suas mãos? Mas nem que eu me apaixonasse por você. Enlouqueceu de vez, garoto? — fala Trish, completamente, convicta de suas palavras.
– Ah, qual é Trish? Eu dirijo com cuidado. Eu quero ir ver o ensaio da banda depois. Por favor! — implora Dez.
– Eu ganhei meu carro hoje, não vou arriscar perdê-lo. Pode tirar essa ideia da sua cabeça.
– Por favor, Trish. A Ally vai ficar tão triste se não for... — diz Dez, tentando convecer Trish. A garota vacila um pouco. Com isso, já vejo que ela vai concordar com Dez e emprestará seu carro.
– Você ou ela? — Trish ainda tenta dá uma de durona, mas é bem óbvio que ela vai ceder.
– Vai mesmo decepcionar a garota? Pensei que você quisesse ser a melhor amiga de Ally e...
– 'Tá, tudo bem. Eu empresto o meu carro, mas saiba que estou fazendo isso por Ally e não por você. — Trish interrompe Dez, meio frustrada. Viu? Eu disse que ela ia ceder.
– Valeu, Trish! — diz Dez animado.
– Mas faça sequer um mero arranhão e eu juro que vou adora te matar da maneira mais dolora possível. — ameaça com seu melhor sorriso psicopata.
– Eu juro que ele vai chegar inteirinho. — responde Dez com seriedade. Logo em seguida, ele se vira para mim com um sorriso. — Eu cuido da garota.
– Valeu, cara! Qualquer coisa liga. Vamos Trish. – agradeço animado e saio.
– Hey, Austin, espera aí! – pede Trish, enquanto tenta me acompanhar. Eu estou louco para chegar na loja e poder ensaiar.
O caminho para a Sonic Boom foi tranquilo. Trish e eu conversamos sobre assuntos aleatórios enquanto a rádio do carro estava sintonizada em umas das minhas estações preferidas.
Não demoro a chegar no Shopping de Miami. Olho para o relógio e vejo que estou um pouco atrasado. Corro para a loja e quando chego todos me olham de cara feia. Acho que hoje é o dia de ficar com raiva do Austin.
– Desculpe o atraso. Tive que resolver alguns problemas. – respondo pegando minha guitarra que estava perto da bateria.
– Mais uma vez, Austin? Quantas vezes essa semana você vai perder o horário? O Jimmy ‘tá em cima cobrando músicas novas desde que você conseguiu se livrar da nossa compositora e você parece que não está nem ai para a banda. – reclama Jason.
– Relaxa, Jason. Nós vamos conseguir arranjar uma substituta logo, logo. Por enquanto, vamos ensaiar as nossas antigas. – respondo com tranquilidade.
Jason é o baterista da banda e é extremamente sério, apesar de estar numa banda de pop rock. A verdade é que ele está chateado comigo desde que a nossa antiga compositora, Caroline, por quem ele tinha uma depressão, porque de queda já tinha passado a muito tempo, resolveu se declarar para mim e não aguentou a rejeição. A culpa não é minha. Juro! Eu não gostava dela e não ia fingi que gostava apenas para agradá-la e agradar a Jason.
O ensaio ocorreu bem. Os dançarinos e o resto da banda já estavam prontos para enfrentar a maratona de shows que iriamos realizar. Finalmente, meus sonhos estão se realizando. Se tudo ocorrer bem, em breve, poderei fazer a minha tão sonhada turnê e cantar na Times Square.
As horas passaram bem rápido e, um pouco antes de terminar o ensaio, Dez e Allycia apareceram na sala de ensaios que existe em cima da loja dos meus pais.
– E aí, galera! – fala Dez em animação.
Olho para Allycia e a mesma estava um pouco corada. Ela estava linda. Apesar de possui uma boa postura e andar como uma princesa anda – pergunto-me como ela consegue andar de forma tão ereta -, ela se vestia de forma simples, mas, ainda sim, realçando a sua beleza.
– Fala Dez! Não vai apresentar a garota não? – pergunta Pablo, o tecladista da banda.
– Ih, nem mexe com ela, viu? Ela é a noiva do Austin, Ally Dawson. – responde Dez, colocando-se na frente de Allycia de maneira protetora, o que, confesso com muita dificuldade, me incomodou um pouco.
– Uau, Austin, não me disse que sua futura esposa seria tão linda. – fala Kelvin, pegando a mão de Allycia e a beijando em seguida. – Sou Kelvin, muito prazer.
– Estou encantada em conhecê-los. – responde Allycia corada e com a mesma formalidade de sempre.
Observo todos cumprimentarem Allycia com animação. Será que eu sou o único que bate bem da cabeça? Qual o problema desses caras? Só sabem dizer o óbvio: Allycia é incrivelmente linda. Cara, eu não tenho problema de visão, então não precisam ficar me falando a mesma frase umas duzentas vezes.
– Ao menos sua noiva é educada, não é Austin? Deveria aprender um pouco com ela. – comenta Jason com ironia.
– Haha, muito engraçado vocês! Estou começando a me arrepender de ter contado sobre a loucura de meus pais. – falo carrancudo.
– Sabe, eu adoraria está no seu lugar neste momento. – diz Elliot se aproximando de nós. – Sou Elliot e é um prazer, finalmente, conhecer a noiva de Austin. Caso precise de ajuda para domar a fera, por favor, não deixe de me procurar.
Elliot pega a mão de Allycia e a beija. O sorriso que lançou para a garota, em seguida, parece ter a deixado ainda mais envergonhada do que já estava. Os garotos não paravam de elogiá-la e cantá-la e isso só a deixava mais e mais vermelha.
– Estou lisonjeada, Sr. Elliot. E devo agradecer pela oferta de ajuda, no entanto, creio que não será necessário. – responde Allycia com um sorriso gentil.
– Sr. Elliot? Por favor, deixe as formalidades de lado. Pode me chamar de Elliot. – pede Elliot sorrindo.
– Se prefere assim, tudo bem, Elliot. – fala Ally educada como sempre. Será que ela sabe xingar ou falar algum tipo de besteira? Se isso acontecer algum dia, espero ter uma câmera para filmar esse momento inédito.
– Acho melhor você tomar cuidado, Austin, ou Elliot tomará sua noiva antes que você tenha a oportunidade de conhecê-la. – sussurra Mark, com bastante malicia em sua voz.
– Cala a merda da boca, Mark. – digo irritado, algo que não consigo entender. — Certo, certo. Que tal voltarmos ao nosso ensaio? Ou as mocinhas querem continuar a fofocar com Allycia?
– Allycia? Mas o nome dela não é Ally? – tinha que ser o Dez para fazer uma pergunta idiota como essa.
– Ally é apenas apelido, seu idiota! – responde Trish sem paciência.
– E por que você não escreveu Allycia na placa? – pergunta Dez, como se Trish tivesse cometido um crime. – Vai que ela não gosta do apelido?
– Por que a placa não tinha espaço. Eu te disse, imbecil! Mas, ao invés de prestar atenção em mim, você prefere comer seu burrito idiota. Não sei como você pode ser tão lerdo assim. – reclama Trish.
– Ally, quer dizer... Allycia, perdoe-me por ficar te chamando por apelidos. – pede Dez, ignorando, por completo, o ataque de Trish.
– Dez, não precisa se desculpar. Eu gosto de ser chamada de Ally. – fala Allycia, rindo do desespero de Dez. – Somos amigos, não somos?
– Claro que somos, Ally! – responde Dez sorrindo e fazendo um sinal de positivo.
– E então? O ensaio sai hoje ou está difícil? – a minha paciência já estava se esgotando. E desde quando Dez está tão amiguinho assim da Ally? Droga, até eu estou chamando ela de Ally. De qualquer forma, vou tirar satisfações com Dez mais tarde.
– Claro, irritadinho. – fala Elliot, rindo da minha irritação. – Sabe, Ally, eu ainda acho que você vai precisar da minha ajuda.
– Elliot! – exclamo mais irritado ainda.
– ‘Tá bom, eu já peguei o meu contrabaixo. – diz Elliot, rindo cada vez mais. Não demora muito para ele pegar seu instrumento. – Gosta de música, Ally?
– Sim, a música é a minha paixão. – Ally responde sem pensar duas vezes. Uau, além de linda, ela é apaixonada pela música. Tem como ser mais perfeita? Nossa, é nessas horas que eu agradeço por ninguém dessa sala ler mentes.
– Além de linda, você gosta de música? Você se torna mais interessante ainda a cada segundo em que se passa, hein, Ally? – droga, pelo jeito, Elliot ler mentes ou apenas falou o que todos devem estar pensando. – Mas de que tipo de música você gosta? – Aí está uma pergunta bem interessante.
– Pop, rock, enfim, amo música em geral. Não importa o estilo. – diz com os olhos brilhando. Posso ver que seu amor pela música é verdadeiro.
– Mesmo? – questiono em dúvida. – Toca algum instrumento musical?
– Sim, alguns. – fala, abaixando seu olhar, meio envergonhada. Acho que ela não esperava meu interesse.
– Quais? – pergunto.
– Violão, violino, cello, um pouco de saxofone e teclado e, o meu preferido, piano. – diz olhando em meus olhos. Seu rosto estava um pouco vermelho e isso a deixava mais encantadora ainda. Caramba, a garota toca quase todo tipo de instrumento e vem dizer “alguns”?
– É, pelo visto você gosta mesmo de música. – digo dando um meio sorriso.
– Obrigada, Austin. — a garota sorri, parecendo ter gostado da resposta que havia ganho. Não consigo permanecer olhando em seus olhos por muito tempo e acabo desviando o olhar.
– Por que você está me agradecendo? Só por confirmar o que você disse? Se for para agradecer, faça isso por algo que realmente precisa de reconhecimento. – e o prêmio de grosso e estraga prazeres do ano vai para: Austin Moon. Batam palmas para mim, por ser um verdadeiro canalha. Obrigado pelo reconhecimento!
– Ah, desculpe-me. – o sorriso da garota some por completo. Vejo seus ombros se encolherem e apertar com força seus punhos, como se tivesse bem chateada e tentasse controlar a sua ira da maneira mais educada possível, é claro.
– Austin, não fala assim com ela. – fala Dez, defendendo a garota.
– Deixa de ser babaca, Austin. Ela só fez um agradecimento. – Trish complementa bem irritada.
– Dez, Trish, está tudo bem. – fala Ally, respirando fundo em seguida.
– Parabéns, Austin. A cada dia que se passa, você mais e mais se parece com um animal. – comenta Elliot com tom de repreensão.
– ‘Tá, desculpa. Não queria ofender vocês. – respondo com sarcasmo, mas no fundo, eu realmente estava arrependido. Eu não entendo o porquê de atacar Ally sempre que posso. Quer dizer, eu conheço a garota em menos de um dia e já estou a tratando pior do que um cachorro vira-lata.
– Bem, galera, eu preciso ir. Vejo vocês depois. – diz Jason, olhando em seu celular. – Minha mãe precisa de mim em casa. Tchau Ally e desculpa pelo babaca com quem, infelizmente, você vai se casar. Acredito que não mereça esse tipo de tratamento e....
– Oh, Jason, você não ia embora não? – interrompo irritado.
– Eu já estou saindo, Austin. – retruca com uma das sobrancelhas erguida.
– Adeus, Jason. Não se preocupe com as atitudes de Austin. Está tudo bem. – responde, olhando para Jason com compreensão.
– Acho melhor acabarmos o ensaio por hoje, garotos. – diz Trish, olhando as horas. – Sua mãe já deve estar preocupada com Ally, Austin.
– Certo, vamos voltar. – respondo arrumando as coisas da sala.
– Então nós já vamos indo, Austin. Até segunda! Tchau Ally, foi um prazer conhecê-la. — Mark se despede e é acompanhado pelos outros.
– Digo o mesmo, Mark. – diz Ally, com o sorriso simpático de sempre.
O gerente da loja, Rick, fecharia a loja para meu pai, por isso, nem me preocupei em deixar tudo nas mãos do braço direito do meu pai. Avisei a ele que iria para casa e o homem apenas me desejou boa volta.
Saímos da loja em silêncio. Miami já havia escurecido quando chegamos ao lado de fora do Shopping. A verdade é que eu estava aliviado por estar próximo do fim. Nunca, em toda a minha vida, minha mente havia se tornado tão confusa quanto hoje. Eu gostei da garota, confesso, mas não podia. Se eu quisesse me livrar desse compromisso maluco, eu tinha que me livrar da garota e a melhor forma disso acontecer é me afastando dela. Acredite, Austin Moon não nasceu para se casar sério e muito menos ainda para amar e isso não vai mudar tão cedo.
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Continua...
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