Unlike Cinderella...

51 Capítulo 50 - War... - Parte Final


No momento em que eu iria atirar na garota, Ally empurra minha mão de volta para baixo e ouço os passos apressados dos homens de Taynara, que colocam a boca de suas armas em nossas cabeças.

— O que você pensa que está fazendo, Ally? – sussurro, irritada. Meu coração parecia uma bomba relógio prestes a explodir. Ver Taynara tão próxima de Prince, fazia meu sangue ferver e o medo de que ela fizesse algo a ele piorava ainda mais o meu estado emocional.

— Se você tentar atirar nela, os homens de Taynara agirão imediatamente. – sussurra a garota, demonstrando toda a sua frustração em suas palavras. – Precisamos de um plano. Prince corre perigo, assim como Trish e Dez. Não podemos nos arriscar.

— O que vocês estão cochichando? – questiona um dos homens de Taynara, forçando suas armas ainda mais contra a nossa cabeça.

— O que nós vamos fazer? – pergunta Dallas, abaixando a sua espada.

Ally passa a analisar o local, parecendo procurar alguma saída. De repente, ela sorri, discretamente e pega sua arma, cuidadosamente. Sinto a mão de Ally batendo em minha perna. Eu a encaro sem entender.

— Quando eu mandar, abaixem-se. – sussurra a garota, observando pelo canto do olho, o cavalo que estava próximo de nós. – Um, dois... – ela levanta sua arma e atira próximo do casco do cavalo. – Agora! – grita.

Dallas, Jade e eu nos abaixamos, enquanto Ally começa a atirar nos homens que estavam atrás de nós. Uma intensa troca de tiros se inicia. Tantos os homens da imperatriz quanto Ally continuavam a atirar, sem se importar com quem se machucaria. Taynara tenta atirar em nós, mas o cavalo entra em sua frente e a derruba, correndo assustado. Trish se encolhe, agarrando-se ao corpo do namorado.

Quando o tiroteio cessou, levanto a minha cabeça e observo que os cincos homens de Taynara estavam jogados no chão, com suas testas perfuradas pelas balas do revólver de Ally.

— Ally... – tento dizer algo, ao notar os ferimentos de bala na perna e no abdome de minha cunhada.

— Manu, vai! – grita, encolhendo-se de dor.

— Mas...

— Vai! – grita, novamente.

Puxo minha espada e corro em direção a Taynara. A mulher continuava atordoada com o choque que havia sofrido contra o cavalo, mas ao notar a minha aproximação, ela se recompõe rapidamente.

Cambaleando um pouco, Taynara se coloca de pé e no momento em que saca sua arma para atirar em mim, acerto um chute em sua mão e jogo o revólver para longe. Aproveito a oportunidade e dou um soco em seu rosto.

Ela volta a cair. Dominada pela ira, coloco minha espada de volta em minha cintura e começo a distribuir chutes na mulher. Puxo-a pelos cabelos e torno a bater em seu rosto. E mesmo não conseguindo me atingir, Taynara continuava a ter um sorriso presunçoso em seu rosto e controlava-se ao máximo para não gritar de dor. Sua reação causava ainda mais raiva em mim.

Em um movimento surpreendente, Taynara consegue virar seu corpo para frente e dá uma cotovelada em meu estômago. Eu a solto e é nessa hora que ela avança sobre mim.

Usando sua bota de salto fino, a mulher chuta o meu rosto e corta a minha bochecha. Caio próxima de Prince. Observo o homem e ele continuava inconsciente, mas ainda vivo. Suspiro aliviada, mas não consigo comemorar por muito tempo.

Taynara usa uma adaga velha para tentar me atacar, mas consigo desviar a tempo de ter apenas um corte de raspão em meu rosto. Tento pegar minha espada, mas com os ataques incansáveis de Taynara, eu não conseguia fazer nada além de desviar da melhor maneira possível.

Arriscando-me um pouco mais, uso meu braço para impedir um dos ataques de Taynara e com o direito, acerto um soco em sua costela. A morena se afasta de mim até suas costas baterem em uma árvore.

Puxo a adaga que estava presa em meu braço e a jogo longe. Corro até Taynara e acerto dois socos em seu rosto, no entanto, quando tento o terceiro, a vilã se abaixa e acabo atingindo minha mão no tronco da árvore. Sinto uma intensa dor em minha mão. Provavelmente, eu havia deslocado algum dedo.

Taynara se aproveita da minha distração e corre até um de seus homens, pegando uma espada. Ergo a espada que estava presa em minha cintura e consigo interferir em um ataque da mulher. Ela tenta me atingir mais uma vez, mas consigo evitar o golpe novamente.

Desvio meu olhar de Taynara para a mulher e vejo Ally encostada em uma árvore, segurando um pedaço de pano sobre o ferimento em seu abdome. Ela observava Jade fazer os primeiros socorros em Prince e parecia estar sentindo uma dor extrema.

— Preocupada com a sua queridinha? – pergunta Taynara, no momento em que passo a encarar Trish. – Não se preocupe. Logo depois que eu matar você, acabarei com a vida dela. E para não dizer que eu sou uma pessoa má, prometo que será de uma maneira rápida e bem dolorosa.

Com a raiva e o ódio se apossando de mim, passo a aumentar a intensidade dos golpes, fazendo com que Taynara tivesse ainda mais dificuldade em se defender. Ela parecia surpresa com a minha força, mas ao mesmo tempo, continha um sorriso de satisfação em seu rosto.

Cansadas do empate que se prosseguia, nós nos afastamos. A mulher continuava a me encarar com presunção, como se estivesse zombando de mim, silenciosamente.

— Não me subestime, Taynara. – digo, irritada. – Eu não sou mais aquela garota ingênua de quinze anos atrás. Hoje é o dia onde você voltará para o inferno, o lugar de onde você nunca deveria ter saído.

— É uma pena que eu tenha que descordar de você, querida Manu. – fala Taynara, pegando uma armar que estava escondida atrás da mesma. A mulher joga a espada no chão e segura o revólver com as duas mãos, sem deixar de lado o sorriso latino. – O jogo acabou. Tchauzinho, cadela.

— Manu, cuidado!

A cena que veio a seguir foi surpreendente. Dallas havia se jogado contra a irmã e a mesma havia errado o tiro. Eles começaram uma espécie de luta para assumir o controle da arma. Até que mais um tiro é dado e tudo ficou quieto.

Os segundos pareciam ser horas e a falta de reação de ambas as partes me deixava sem fôlego. Com as mãos trêmulas, Taynara empurra o corpo do irmão para o lado, que respirava com dificuldade e apertava o peito com força.

Arregalo os olhos e corro de encontro a Dallas. O tiro havia atingindo o peito do garoto. Ele encara a irmã, chorando em silêncio, enquanto procurava por ar. Taynara estava assustada e continuava parada, observando os últimos instantes de vida do irmão.

— Dallas... – ouço Taynara sussurrar. Olho para a garota e percebo que ela estava chorando. Surpreendo-me ao ver o desespero da mulher. – Não...! Por favor...

— Dallas! – chamo, erguendo um pouco o tronco do rapaz. Ele me olha e tenta falar algo, mas parecia que sua voz havia sumido. – Não fala, por favor.

— Cui...de da...Ally...por fa...vor...- sussurra, ofegante. – Eu...sin...to...muito...por...tudo que...minha...irmã...fez.

— Dallas, para, por favor! – implorando, sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. – Você precisa viver.

Dallas sorri e olha para a irmã. Ele a encara por um tempo e seus olhos brilham de maneira dolorosa, como se fosse difícil olhar para Taynara. Por fim, ele fecha os olhos e com o seu último suspiro, Dallas morre em meus braços.

Taynara se joga sobre o corpo do irmão e chora descontroladamente. Afasto-me do corpo e respiro fundo para não agir como a garota. Olho para Ally e a mesma estava com a cabeça encostada no tronco de uma árvore e parecia estar fazer uma espécie de oração, enquanto apertava com ainda mais força o pano sobre o ferimento.

Dez já havia acordado e estava abraçado com Trish, tentando consolar a latina, enquanto ele mesmo fazia um imenso esforço para controlar o choro. Jade estava ao lado de Prince, ajudando-o a levantar, mas a expressão desolada em seu rosto, demonstrava toda a dor que sentia pela perda. Meu namorado olhava confuso para todos, atordoado pela forte pancada que havia levado na cabeça.

Chorando de alivio por vê-lo vivo, tento correr até Prince, mas sou impedida por Taynara, que segura minha perna e me faz cair. Ela possuía um olhar doentio e seu corpo todo tremia. Ouço os gritos de Prince e dos outros, mas minha mente só conseguia se concentrar na mulher a minha frente.

Taynara avança sobre mim, como um animal selvagem, pronto para matar sua presa com os próprios dentes. Ela me socava e arranhava, gritando em ódio, como se dissesse que eu era a culpada pela morte de seu irmão mais novo.

Eu me defendia da maneira que conseguia, mas ainda estava atordoada pela reação da mulher. Taynara sempre foi uma pessoa controlada e calculista. Assim como Ally, ela aprendeu a esconder bem os seus sentimentos. Essa era a primeira vez que eu via Taynara ao ponto de enlouquecer.

— Maldita! Ordinária! Eu vou acabar com você! – grita Taynara, ensandecida.

Taynara é atingida por dois tiros e se afasta de mim. Olho para trás e vejo que Ally havia atirado na garota e parecia prestes a perder a consciência. Prince tentava se soltar dos braços de Jade, mas, por estar fraco, a mulher conseguia segurá-lo com firmeza.

Trish estava em pânico e, assim como Prince, tentava vir ao meu encontro. Entro em desespero. Olho para Dez e ele fazia o possível para controlar a namorada, mas a agitação de Trish misturada com a fraqueza de ter se machucado durante uma luta fazia com que a tarefa fosse quase impossível.

— Dez, leva a Trish para longe daqui! – grito, arrastando-me para longe de Taynara, que já começava a se levantar. Os tiros não haviam atingidos pontos vitais do corpo da mulher, o que já era o suficiente para ela me atacar.

— Não! Eu não vou sair daqui! – grita Trish, irritada. – Para de tentar me proteger de tudo, Manu!

— O que você está esperando, Dez? Vai logo! – grito, levantando-me com cuidado e pegando minha espada que estava próxima de mim.

O ruivo me olha com seriedade e balança a cabeça, confirmando. Pegando Trish pelos ombros, Dez começa a correr e arrastar a namorada consigo. A latina se debatia e exigia que fosse solta, mas o rapaz não dava ouvidos e ignorava todos os gritos de Trish.

Desvio meu olhar para Taynara e ela já começava a se levantar. Com a espada em mãos, a mulher parece ter recuperado um pouco do seu controle emocional. Ficamos rodando uma ao redor da outra, apenas nos analisando.

A luta retoma com ainda mais intensidade. Enquanto chocávamos nossas espadas em um sincronismo inexplicável, íamos caminhando para mais perto do precipício. O temporal piorava a cada minuto que se passava, assim como a força na qual as ondas batiam nas paredes do despenhadeiro.

Quando já estávamos a poucos centímetros das margens do precipício, Taynara sorri de maneira maligna. Eu sabia que ela estava prestes a me empurrar e o pior era saber que não havia escapatórias. Ela estava dominada pelo ódio e lutava como se aquela fosse a sua última vez.

Olho para Prince e o mesmo possuía o olhar desesperado. Ele se debatia e avançava um pouco, gritava e implorava para que Taynara parasse, mas aquilo só parecia incentivar a mulher a me encurralar ainda mais. O som do mar nunca me pareceu tão aterrorizante como naquele momento.

— Parece que esse é o seu fim, Emanuelle. – fala Taynara, sorrindo com diversão. Um passo a mais e o meu destino seria as pedras afiadas e o agitado mar abaixo. – Você perdeu e o jogo acabou. Eu disse a vocês. O jogo só termina quando eu digo que ele acabou.

Taynara estava prestes a me empurrar. Com uma força desconhecida por mim, eu a empurro e me afasto no momento em que ela iria me atingir com sua espada. A mulher grita e antes que caísse, consigo segurar sua mão, impedindo que ela fosse de encontro com o abismo letal. Eu não sabia o que eu estava fazendo, só não conseguia controlar as minhas ações.

— Taynara, pega a minha outra mão! – peço, estendendo a minha mão esquerda.

A mulher me encarava sem entender. A confusão estampada em seus olhos nos definia naquele momento. Surpreendentemente, Taynara agarra a minha mão e permanece pendurada. Quando eu estava prestes a puxá-la de volta para cima, ela sorri maleficamente e me puxa para baixo.

Antes que eu caísse junto com a vilão, sinto braços me rodearem e me puxarem para trás. No meio da confusão, Taynara acaba se soltando de mim e cai no precipício, indo de encontro ao seu fim.

Durante alguns instantes, os gritos de Taynara foram a única coisa que se era possivel de ouvir. A pessoa que mais infernizou a minha vida estava morta e eu não sabia como reagir a essa informação.

Meu coração batia forte e descompassado. Meu corpo inteiro tremia e eu chorava como nunca e a única coisa que eu conseguia pensar era que tudo, finalmente, havia chegado ao fim. As lágrimas da pessoa que me segurava caiam descontroladamente. Olho para trás e encontro o rosto de Trish em meu ombro.

— Trish... – sussurro, sem acreditar.

— Nunca mais faz isso. – pede, apertando-me ainda mais contra si.

— Manu! – grita Prince, correndo até mim.

— Prince! — grito, sentindo meu corpo implorar por um toque dele.

Solto-me de Trish e o abraço com força, sentindo toda o calor que eu mais precisava naquele momento. Prince me beija com intensidade e me aperta ainda mais contra si. Nos separamos e ele olha para mim, com preocupação e desespero. Acariciando o meu rosto e limpando as lágrimas que continuavam a cair, ele volta a me beijar.

Afasto-me de Prince e olho para Trish, que estava abraçada a Dez. Abro meus braços e ela corre até mim. Acaricio seus cabelos e sinto suas lágrimas me molharem, mas eu não me importava com aquilo.

— Eu sinto muito, Trish. – digo, apertando-a ainda mais contra mim. – Eu devia ter contando a você toda a verdade, antes que as coisas tivessem chegado a esse ponto.

— Do que você está falando, Manu? – pergunta a garota.

— Trish, talvez você não saiba, mas você não nasceu em Miami. – digo, afastando-me da menina e olhando em seus olhos.

— O que? – questiona, confusa. – Eu não estou te entendendo, Manu.

— Trish, você nasceu aqui em Krósvia. – respondo, sorrindo para a garota, tentando transmitir a calma que eu não sentia naquele momento. Olho para Prince e ele me encarava surpreso. Aparentemente, ele havia entendido tudo.

— Ela...? – Prince tenta falar, mas parece não saber o que dizer.

— Sim. – digo, sorrindo. Desvio meu olhar de meu namorado para a latino e o ruivo a minha frente. – Trish, você foi a primeira pessoa que Prince, Tyler e eu salvamos e quem nos inspirou a não desistir de buscar justiça por Krósvia.

— Mas... Isso não é possível. – fala, atordoada. – Isso não é verdade. Minha mãe sempre me disse que eu nasci em Miami. Por que ela mentiria? Não faz sentido!

— Ela não mentiu. – responde Prince, recuperando-se do choque. – Sua mãe não conhece o seu passado. Olhe para nós, Trish. Nós realmente parecemos estar mentindo para você? – a latina nos encara e balança a cabeça, ainda com o olhar perdido. Ela respira fundo e se aconchega nos braços do namorado, no momento em que ele a abraça.

— Quando iniciamos nossa jornada, após termos saído de Boise, conhecemos a sua mãe verdadeira. Natasha Darci era uma mulher de personalidade forte e de desejo por justiça após ter perdido o marido na guerra, enquanto ainda estava grávida de você. – começo, deixando Trish ainda mais perdida. – Natasha fugiu de Krósvia assim que você nasceu para tentar uma vida melhor em Boise. Eu já havia encontrado com a mulher algumas vezes quando era criança, mas jamais imaginei que ela pudesse me ajudar tanto.

— Ajudar? – sussurra Trish.

— Sim. – sorrio, controlando o impulso de me entregar ao choro, novamente. – Sua mãe me ensinou boa parte das coisas que eu sei sobre luta. Ela fazia parte do grupo de pessoas, liderados pelo marido de Nina, que lutavam para trazer a paz para Krósvia e toda essa região caótica da Europa.

— Espere um minuto. – fala Dez, surpreso. – Vocês estão querendo dizer que a verdadeira mãe da Trish era uma rebelde? E que tudo o que Trish sabe sobre a vida dela é uma mentira?

— Nem tudo, Dez. – responde Ally, aproximando-se de nós, com a ajuda de Jade.

— Você sabia disso, Ally? – pergunta Trish, chateada. – Por que não me contou?

— Não fique com raiva, Trish. Algumas histórias só devem ser reveladas no momento certo. Suas lembranças continuam perdidas dentro de você mesma.

— O que quer dizer com isso? – pergunta Trish para a amiga.

— Por que você não continua a contar a ela, Manu? – sussurra Ally, fracamente. A quantidade de sangue que ela havia perdido era preocupante, mas a garota continuava de pé, sorrindo confiante para nós.

— Ally... – Prince olha assustado para a irmã, mas ela balança a cabeça, negando e sorri determinada.

— Eu estou bem. – afirma, apoiando-se ainda mais em Jade. – Apenas acabem de uma vez com esse mistério.

— No dia em que iríamos embora de Boise, Trish, um massacre ocorreu no país. As cidades foram atacadas pelo exército inimigo e inúmeras pessoas morreram naquele dia. Sua mãe, sabendo que não conseguiria lutar e te proteger dos perigos que a cidade estava passando, escondeu você embaixo da cama e lutou com tudo o que tinha, mas no fim, acabou sendo morta. Na época, você tinha quatro anos e era a garota mais doce e adorável que eu já tinha visto em minha vida. Eu cuidava de você como se fosse minha irmãzinha. – conto, acariciando o rosto da menina.

De repente, Trish coloca as mãos sobre a cabeça e arregala os olhos, como se estivesse se lembrando de algo importante. Observo com preocupação a sua reação. Prince coloca a mão em meu ombro e sorri, tentando me passar conforto e confiança.

— Minha mãe...Manu...Eles invadiram a minha casa... – murmura Trish, chorando. Puxo a garota para um abraço e sinto a tensão de seu corpo. Trish estava se lembrando de seu passado e tudo estava voltando como uma avalanche. – Eu...eu sempre me senti diferente das pessoas que me rodeavam. Era como se algo estivesse errado. Agora...Meu Deus! Eu me lembro de tudo. – ela me empurra e olha em meus olhos, como se não acreditasse no que estava acontecendo.

— O último pedido de sua mãe foi que eu te tirasse de Boise e a levasse para um lugar longe e o mais seguro possível. Implorou para que a protegesse da guerra e que jamais permitisse que você tivesse a mesma vida que tivemos. – digo, sorrindo de leve. – Prince, Tyler e eu junto com Nina tiramos você de Boise e aproveitamos que estávamos de partida para Miami e a levamos conosco.

— Por que eu não me lembrava? – pergunta, suspirando.

— Você sofreu uma espécie de amnesia pós traumática. Por ter visto a morte de sua mãe e toda a destruição que aquela guerra trouxe, seu cérebro apagou tudo que tivesse relacionado ao pior período de sua vida. – explico, acariciando o rosto de Trish. – Para a sua própria segurança, nós a deixamos em um orfanato e pouco tempo depois você foi adotada por sua família. Eles cuidaram de você e a ajudaram a superar a depressão que caiu sobre você após a morte de sua mãe. Por ser muito nova, você conseguiu esquecer facilmente a sua vida passada e o resto você já sabe.

— Isso tudo é...Uau! – exclama Dez, impressionado.

— Como você sabia que era eu? – questiona Trish, olhando-me com seriedade.

— Eu reconheceria a garotinha que mais amei em minha vida em qualquer lugar do mundo, Trish. – falo, sorrindo para a garota. – Você era a pessoa que mais me dava forças para continuar a lutar. Sempre com um sorriso encantador e sua personalidade forte faziam com que eu me lembrasse que havia um motivo muito maior para que eu continuasse a lutar por Krósvia.

— Certo. – fala, respirando fundo e balançando a cabeça, negativamente. – Eu acho que estou prestes a surtar. – confessa, respirando descompassadamente.

— Trish, fica calma. – pede Dez, olhando preocupado para a garota.

— Pessoal. – Jade chama a nossa atenção. – Ally não está bem. Precisamos voltar para o Castelo Cristal antes que ela não suporte a perda de sangue.

— Droga! – grita Prince, vendo o estado da irmã. Ele olha em volta, a procura de algo e volta a murmurar irritado. – Não temos nenhum transporte para conseguirmos levá-la para lá e estamos longe de Füssen. Demoraríamos no mínimo umas dez horas para chegarmos ao palácio a pé.

— Prince tem razão. – concorda Jade, desesperada. – O que vamos fazer? Eu já estanquei os ferimentos, mas não sei dizer se as balas atingiram um ponto vital ou não em Ally.

Subitamente, gritos de diversas pessoas, parecendo estar a procura de sobreviventes, preenche a silenciosa floresta. Sem esperar por mais, começamos a tentar chamar a atenção dessas pessoas e não demora muito para que eles nos achassem.

A primeira pessoa que aparece em nosso campo de visão foi Lawrence. Ele estava pálido, mas continha um sorriso vitorioso em seus lábios. Descendo de seu cavalo e sendo acompanhado por algumas dezenas de homens, aproxima-se de Ally, que tentava a todo custo permanecer consciente. Ao estar de frente para a garota, Lawrence ajoelha-se e abaixa a cabeça.

— Vida longa à rainha! – grita Lawrence, após alguns instantes.

— Vida longa à rainha! – repetem os homens, gritando em animação, logo em seguida.

— Krósvia finalmente está em paz, minha rainha. – celebra Lawrence, levantando a cabeça.

— Levante-se, Lawrence. – pede Ally, suavemente. – Atenção! – todos param de gritar e passam a prestar atenção em Ally. – Digam aos reinos vizinhos, aliados e inimigos que Krósvia finalmente teve sua liberdade. Nada nem ninguém, agora, será capaz de tomá-la de nós!

Após o comunicado de Ally, os homens que estavam a comando de Lawrence começam a gritar, celebrando a vitória. Lawrence corre até Jade e a abraça. Ele a suspende do ar e a beija apaixonadamente. Ignoro a dor em meu corpo e abraço Prince, beijando-o. Era impossível não se alegrar com a ideia de que nossa amada Krósvia, finalmente, havia conquistado do seu maior desejo. No entanto, a comemoração cessa no instante em que Ally desmaia.

Desesperados, os homens ajudam a levar o corpo de Dallas e Ally às pressas para Füssen. A apreensão que sentíamos era inexplicável e tudo o que todos desejavam era que a mais nova rainha de Krósvia sobrevivesse.

Continua...

Notas finais
E então? O que acharam? Críticas, elogios, erros ortográficos? Oi Cupcakes ♥!! Bem, desculpa pelos erros, pois como eu disse, não tive tempo de corrigir e deve haver milhares deles. Se puderem me avisar, caso encontrem algum, eu agradeceria. Sinto muito, também pelo capítulo meio sem noção e o tamanho que ele teve, mas foi necessário por causa da quantidade de informações. Pessoal, eu quero agradecer aos favoritos que a história recebeu e devo informá-los que o próximo capítulo é o último. Vamos lá, pessoal. Favoritem, comentem e recomendem! Isso é muito importante para a história. Muito obrigada a todos pelo carinho! Beijocas ♥!! *** PS.2: Criamos um grupo no WhatsApp, então podem participar também, basta apenas me enviarem uma MP com o DDD de vocês e o número do celular que eu adiciono *-* !! OB: http://fanfiction.com.br/historia/539877/Obsession/ FS (Fic Prielle): http://fanfiction.com.br/historia/578178/Fire_Scars/ Trailer de Deadly Hunt (Segunda temporada de Unlike Cinderella): https://www.youtube.com/watch?v=Fi88Whb8mrE&feature=youtu.be