Unlike Cinderella...
31 Capítulo 30 - Requests for Dating...
Notas iniciais
POV Austin
– É uma chamada de Krósvia. – diz, levantando a cabeça para olhar nos olhos de Manu. – E eu tenho quase certeza que o número pertence a Edgar.
A revelação de Tyler surpreende a todos. A tensão se torna presente e inúmeras perguntas começam a rondar em minha mente. O celular continuava a tocar e ninguém se mexia, sem saber o que fazer.
– Por que Edgar está te ligando? – questiono. – E por que você tem ou sabe o número dele?
– Atende. – diz Manu, com a voz controlada.
– Você tem certeza? – questiona Tyler, com cautela, ignorando minha pergunta.
A garota levanta a cabeça e o olha com intensidade. Analiso a situação, sem entender o que se passa. Olho para Prince e a sua expressão era de surpresa e preocupação, dando a entender que o assunto deles é muito mais delicado do que se parece.
– Atende. – repete a morena, com mais firmeza em sua voz.
Tyler concorda com um balançar de cabeça e leva o celular ao ouvido após apertar o botão para atender a ligação. Ele permanece em silêncio por um tempo, ouvindo o que o homem tinha a fala.
– Coloque no viva voz. – sussurra Prince, recebendo um sinal de positivo de Tyler. – Todos vocês, por favor, permaneçam em silêncio. – pede, no mesmo tom de voz anterior e recebe um aceno de todos.
– ... O que foi? O gato comeu sua língua? – a voz do outro lado da linha é ouvida. A maneira como dizia tais palavras deixava claro que seu caráter era o menor possível.
– O que você quer, Edgar? – diz Tyler, com frieza.
– Isso é maneira de falar com o seu pai, rapaz? – pergunta Edgar com ironia.
A surpresa foi ainda maior. Com exceção de Prince, Manu, Tyler e meus pais, todos não evitaram abrir a boca em descrença. Prince faz sinal para que continuássemos calados, lembrando-nos que Edgar não poderia saber que estávamos ouvindo a conversa.
– Você não é meu pai. – responde Tyler com severidade. – É apenas um estranho que engravidou a minha mãe e a abandonou quando ela mais precisou, então poderia cortar esse seu papinho cínico e ir direto ao assunto?
– Você é mesmo igualzinho a sua mãe. – comenta Edgar, com o tom de voz nostálgico. Ele não parecia surpreso pela maneira como Tyler estava o tratando. – Eu me pergunto o porquê de você não aceitar a minha oferta. Pense um pouco, rapaz, se você passar para o meu lado, podemos conquistar inúmeros reinos e governar por...
– Não volte a me ligar. – Tyler o interrompe, desligando o telefone na cara de Edgar, sem dar chances para que o homem continuasse seu discurso.
O silêncio se instala, mais uma vez, entre nós. Observo a morena ao meu lado e a mesma respira fundo, recuperando-se de sua surpresa. Ela olha para Tyler, Manu e Prince, como se questionasse uma explicação por parte dos três. Vendo que seu irmão e os outros não falariam nada, Ally suspira alto, com irritação.
– Quando iriam me contar que Edgar é pai de Tyler? – questiona a garota, com irritação visível.
– Ally, eu sinto mui...
– Não, Prince. – interrompe Ally, ainda irritada. – Eu estou cansada de tantos segredos. Todos sempre esconderam inúmeras coisas de mim, sem levarem em consideração os meus sentimentos. Até quando vocês não vão confiar em nós? Olha onde nós estamos! – a garota tremia e controlava as lágrimas que pareciam querer descer pelo seu belo rosto.
– Ally... – sussurro, sentindo a angustia de Ally. Vê-la dessa forma faz meu coração doer.
– Nós confiamos em você! – grita Manu, exaltada, assustando Ally. A morena não demora a perceber o que tinha feito. – Desculpa, Ally, eu... eu...
– Nós não queríamos envolvê-los em um assunto tão complicado quanto esse. – diz Prince, aproximando-se da irmã. – Sei que está chateada, mas não tivemos outra alternativa. Esse assunto é algo que reside em nossa família a um bom tempo e apenas um número limitado de pessoas sabem sobre o que aconteceu.
– O que aconteceu? – pergunto. Ally se aconchega um pouco mais em mim, como se buscasse se acalmar. Eu a abraço com mais intensidade e volto a prestar atenção nos cinco adultos.
– Vai mesmo contar a verdade a eles? – pergunta meu pai, surpreso.
– É o melhor a se fazer. – comenta minha mãe, colocando-se ao lado de meu pai. – Até nós já nos cansamos de esconder tantos segredos deles.
– Sim, você está certa. – concorda meu pai.
Prince olha em volta, como se procurasse por alguém que estivesse espiando a conversa. Ele analisa Brooke por um momento, tentando confirma que a mesma se encontrava inconsciente.
– Tudo bem. – Prince solta um longo suspiro e continua: — Tudo começou a mais de 30 anos atrás. Nossa mãe e Edgar se conheceram quando ainda eram crianças. Ele se tornaria rei um dia, mas desejava obter muito mais. Penny era uma garota da alta sociedade, mas apenas porque sua família possuía dinheiro, devido a quantidade de ouro que foi encontrado nas terras de seus avós.
Ele para de falar e parece não estar nada feliz por relembrar da história. Prince olha para a namorada e a observa por um tempo. A morena estava com o olhar distante e sua expressão era de decepção e frustração, ao mesmo tempo.
– Penny desejava pertencer a realeza. Seu sonho sempre foi ser rainha. Quando Edgar ofereceu a ela uma chance de realizar seu sonho, a mesma não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta dele. – continuou minha mãe. – Foi então que os dois decidiram aplicar um golpe no reino de Krósvia. Edgar não demoraria a assumir o trono de Elpízoume e prometeu a Penny que se ela conseguisse se casar com Lester, ele tomaria o poder do futuro rei de Krósvia e se casaria com ela. Penny, na época era completamente apaixonada por Edgar e ele se aproveitou da situação. Aquele crápula se aproximou de Lester e se tornou um amigo de confiança. Sabendo disso, ele apresentou Penny a Lester e tudo começou a andar como ele planejava.
– Espere um minuto. – interrompe Ally, com incredulidade. – Estão me dizendo que minha mãe era uma aproveitadora e tudo que queria era se tornar rainha de Krósvia e se casar com Edgar?
– Eu queria que tudo fosse diferente, Ally. – diz Mimi, sorrindo tristemente. – Infelizmente, naquela época, sua mãe era uma garota rebelde que adorava desafiar as regras.
– Não pode ser. – sussurra a morena, ainda sem acreditar no que estava escutando.
– Eu já era amigo de Lester e confesso que Edgar conseguiu me enganar. — continua Mike, olhando para Ally. – Como eu já havia me casado com Mimi, Lester se viu na hora de se casar e escolheu Penny, a mulher por quem havia se apaixonado. Sua mãe parecia ser uma boa pessoa, no entanto, era possível perceber que escondia algo grandioso. Mimi e eu apoiamos o casamento de seus pais e tudo foi preparado. O que Edgar não contava era que Penny também se apaixonaria por Lester.
– Após o casamento, Edgar foi conversar com Penny para acertar os últimos detalhes do plano para assumir o controle de Krósvia, já que Lester já havia se tornado rei e, automaticamente, Penny se tornou a rainha. Minha amiga se recusou a continuar com essa loucura. Edgar, então, contou toda a verdade a Lester e o mesmo por muito pouco não se separou de Penny. – fala minha mãe, de maneira nostálgica. – Edgar assumiu o reino de Elpízoume e jurou vingança a todos que o interferiram.
– Pelo menos ele não conseguiu, não é? – pergunta Dez, com esperança.
– Vocês estão enganados. – responde Prince, com seriedade.
– Ele é o rei de Rhosália, esqueceram? – digo, com um pouco de irritação.
– Mas, se os causadores da ruina do plano de Edgar foi a rainha Penny e o rei Lester, por que eles se vigaram de seus pais? – pergunta Cassidy, confusa.
– Edgar não invadiu apenas Serafine e assumiu o poder. – diz Manu, parecendo controlar sua raiva. – Ele fez coisas muito piores.
– O que ele fez? – pergunta Ally, preocupada.
– Edgar queria mesmo atacar Penny e Lester, mas viu que não seria fácil de maneira direta. – fala Mike, vendo que Manu, Tyler e Prince não estavam em condições de continuar a relatar o que aconteceu a tantos anos atrás. – Foi então que ele resolveu se aproximar de pessoas próximas aos dois. No primeiro momento, ele tentou influenciar Mimi, mas não obteve sucesso. As únicas pessoas que eram próximas o suficiente que sobraram foi a família de Manu e Tyler.
– Aurora, Liz, Penny e eu éramos melhores amigas. E a primeira a cair na lábia de Edgar foi Aurora, mãe de Tyler. Ele a influenciou e a mesma acabou se apaixonando por ele. Com suas juras de amor e mentiras, ela concordou em passar todas as informações que Edgar precisava para se vigar dos reis de Krósvia. Aurora engravidou e, sem alternativa, revelou a nós que o pai de seu filho era Edgar. – diz minha mãe, com o tom melancólico. – Aurora morreu dando à luz a Tyler.
O silêncio continuou por um tempo, enquanto todos absorviam as informações que estavam sendo reveladas. Eu não sabia o que pensar, pois ao mesmo tempo em que eu não tinha muita familiaridade com as pessoas envolvidas, eu também sentia que aquela história era uma parte de mim. Meus sentimentos estavam em conflitos.
– Os pais de Manu resolveram criar Tyler, já que Aurora era irmã de Liz. Mesmo com tudo o que aconteceu, Edgar não parou de planejar vinganças contra todos. – continua Mike. – Tendo a desculpa de querer se aproximar de seu filho, Edgar começou a fazer a cabeça de Liz também. Tyler era considerado um filho bastardo, já que Aurora não pertencia a realeza, muito pelo contrário, sua origem era humilde e a mesma só se tornou amiga de Penny, porque sua mãe trabalhava na casa dos pais dela. Tyler não poderia ser reconhecido como um filho legitimo por conta disso e Edgar usou essa regra a seu favor e se fez de coitado para Liz.
– Liz já era casada com Stefan, pai de Manu, e possuía dois filhos. Na época, Manu ainda não havia nascido. – explica minha mãe, olhando para Manu e Tyler que continuavam calados, sem demonstrar suas emoções. – Liz começou a ter um caso com Edgar e o golpe, mais uma vez, deu certo. Edgar, de alguma forma, conseguia manipular as pessoas de maneira inacreditável. E assim, mais informações sobre o que acontecia em Krósvia eram passadas para Edgar. Foi quando Penny engravidou de Phillip. A notícia surpreendeu a todos, principalmente, Edgar, que teve que apressar seus planos, pois com um herdeiro, a situação se complicava ainda mais. O problema foi que Liz engravidou também e dessa fez foi de Manu.
– O que? – pergunto, sem evitar a surpresa. Não só eu, como meus amigos estávamos em choque pela revelação. – Manu e Tyler são irmãos?
– Não! – grita Manu, assustando a todos, mais uma vez. – Não somos irmãos, mas por muito pouco isso não aconteceu. — diz a última parte em tom de voz baixo e frustrado. A mágoa era evidente em sua fala e expressão.
– O que ela quer dizer, é que enquanto tia Liz mantinha seu caso com Edgar, ela continuava a agir como esposa com tio Stefan. – responde Tyler, com seriedade. – Manu é filha do tio Stefan, não do Edgar, por sorte.
– Não demorou muito para tio Stefan descobrir a traição de tia Liz. – continua Prince. – Um grande alvoroço se iniciou na amizade de nossas famílias. Tio Stefan era o chefe das tropas de segurança de Krósvia e o antigo braço direito de nosso pai e Mike, Ally. – explica, suspirando cansado. – No entanto, Liz era a melhor amiga de nossa mãe e a mãe de Austin. Liz jurava que não estava acontecendo nada entre ela e Edgar, mas Stefan dizia ao contrário.
Mais uma pausa foi feita. Ally se vira para mim e eu pude ver em seus olhos o conflito de sentimentos que a mesma estava tendo. Tento sorri, mas acredito que não consegui dar um sorriso verdadeiro.
– O que aconteceu depois que descobriram a traição? – pergunta Trish, curiosa.
– Phillip nasceu e a nossa briga foi esquecida temporariamente. Stefan e Liz se separaram e o homem não permitiu que a ex-esposa ficasse com os filhos. Henrique e Anthony, irmãos mais velhos de Manu, ainda eram muito jovens e não sabiam ao certo o que acontecia. – diz minha mãe. – Sabendo que Stefan não teria condições de cuidar de Tyler, Henry e Tony, Mike e eu junto com Penny e Lester decidimos ajudar na criação das crianças e conseguimos fazer com que Liz permanecesse distante deles. No entanto, nos preocupávamos com o que poderia acontecer a Manu, já que Liz assumiu que continuaria ao lado de Edgar, após a sua separação.
– Edgar, vendo que não conseguiria mais se vingar de maneira indireta, perde sua paciência e decide matar Penny, Lester e Prince, enquanto todos estavam focados com a chegada do primeiro herdeiro do reinado do rei Lester e a guarda estava baixa. Liz conseguiu atrasar os planos do homem até o batizado de Phillip. Mesmo amando Edgar, Liz ainda era ligada a nossa amizade e não queria que Penny, Lester e, muito menos, o pequeno príncipe fossem mortos. O problema foi que Edgar descobriu e tentou matar Liz. Ela conseguiu fugir até Krósvia e lá, explicou a todos o que estava acontecendo. Houve um ataque por parte de Elpízoume contra Krósvia um pouco depois que Liz voltou para o reino. – complementa meu pai.
– Nessa guerra, inúmeras pessoas ficaram feridas e a maior parte da população tanto de Elpízoume quanto de Krósvia morreu. Foi uma das piores batalhas que aconteceram entre os dois reinos. Na época, Serafine não pode contribuir com suas forças, porque estávamos resolvendo questões complexas com outros reinos e se nos envolvêssemos na guerra a situação iria se agravar mais. – explica Mimi. – No entanto, Mike e eu conseguimos proteger as crianças, as escondendo em nosso reino. Infelizmente, Liz morreu protegendo Penny. Edgar havia invadido o castelo Cristal¹ e pegou a rainha de surpresa, já que a mesma se escondia diante da guerra, enquanto todos os homens do reino lutavam do lado de fora. Quando o homem estava prestes a matá-la, Liz conseguiu lutar com Edgar, enquanto os guardas se aproximavam do esconderijo. Lamentavelmente, o golpe final foi daquele canalha e a mulher acabou recebendo um golpe de espada em seu pescoço. Por sorte, conseguiram salvar Manu e derrotar Edgar, ou foi isso que pensamos.
– Como assim? – questiono, confuso.
– Edgar voltou para Elpízoume e planejou sua vingança por quinze anos. E é assim que a história sobre a conquista de Serafine começou. Ele viu que o nosso reino seria o mais vulnerável para atacar e o primeiro no qual ele poderia se vingar. – responde meu pai, suspirando cansado, em seguida. – Sentimos muito por ter escondido a verdade de vocês, mas como podem ver agora, a história é muito mais complexa do que se parece.
– Mas... Uau... – comenta Dez, sem saber o que falar.
– Então, tudo isso começou por causa da união da mãe de Ally com o pai do Tyler? – pergunta Cassidy, incrédula. – E agora o cara quer se casar com a Ally? Eu não sei nem como reagir.
– É... – fala Trish, no mesmo estado. – Isso é uma viagem. Quer dizer... Se os pais da Ally sabem quem é o Edgar, por que ainda aceitaram o acordo?
– Ele não é meu pai. – diz Tyler, com a voz assustadora. – Nunca foi e nunca será.
– Des... Desculpa. – pede Cassidy, assustada.
– Tyler, controle-se. – repreende, Prince. – Eles não têm culpa de nada. Descontar suas frustrações em cima deles, com certeza, não resolverá nada.
– Eu sei. – diz Tyler, cansado. – Só... Só odeio saber que tenho o mesmo sangue que aquele... – ele suspira, tentando controlar sua cólera. – Eu o odeio.
– Não é só você que o odeia, Tyler. – diz Manu, olhando com intensidade para o primo. – Eu terei o prazer de vingar a morte de meus irmãos e meus pais com as minhas próprias mãos! Edgar pagará por tudo que fez contra nossa família.
– Não se preocupe, Manu. – diz Ally, apertando suas mãos com força e olhando para o chão, como se estivesse tentando materializar sua raiva. – Edgar e Gavin terão o que merece. Não importa quanto tempo passe, eu não descansarei até os dois terem pago tudo o que fizeram às pessoas que amamos.
[...]
Desde a revelação até o presente momento, passaram-se uma semana. Finalmente, Ally tirou o gesso e poderia iniciar seu treinamento de verdade ainda hoje. A morena estava mais focada do que nunca. Dividida entre armar os planos e estudar mais sobre os pontos fracos de seus inimigos, Ally raramente descansava.
Nesse momento, nós estamos na sala de aula, tendo aula de Gramática e eu não conseguia parar de encarar a garota. Ela estava tão concentrada no dever que estava fazendo que parecia não perceber nada do que ocorria a sua volta.
– Austin. – sussurra Dez, ao meu lado.
– O que? – pergunto no mesmo tom, sem desviar o olhar.
– Está tudo bem? Você parece tão distante. – pergunta, preocupado. Encaro o ruivo e sorrio, sem graça, por deixar tão na cara que eu não conseguia prestar atenção em nada.
– Sim. – respondo, voltando a olhar para Ally. – Estou preocupado com ela. – confesso, suspirando baixo.
– Ela está se esforçando, não é? – comenta Dez, sorrindo e encarando Ally. – Será uma excelente rainha. – fala a última parte baixinho.
– Eu sei, mas isso me deixa mais preocupado ainda. – falo, com seriedade.
– Por que? – pergunta confuso. – Ela está mais preparada que qualquer pessoa, não é?
– Ally tem mania de se sobrecarregar e ser cabeça dura. Pode parecer que ela não está tendo problema, mas eu sei o quanto isso está sendo difícil para ela. – explico, voltando o meu olhar para meu melhor amigo. — Sendo colocada nessa posição, sem qualquer alternativa e ainda ter que enfrentar tantos problemas...
– Relaxa, Austin. – consola o ruivo. – É nessa hora que você entra, príncipe encantado. Você existe apenas para proteger a princesa, esqueceu? – fala, rindo. Acompanho o ruivo, balançando a cabeça, negativamente.
– Só você para me fazer ri de situações tão complicadas quanto essas, Dez. – digo, rindo baixo. – Obrigado.
O ruivo balança a cabeça e sorri, voltando a se concentrar em seu dever, em seguida. Volto a encarar a bela garota que se encontrava na mesma posição que antes. Sorrio e decido que o melhor a fazer era me concentrar na matéria.
Alguns minutos se passam e finalmente o intervalo chega. Arrumo meus materiais e espero por Ally. Dez termina de arrumar suas coisas e sai da sala antes de Ally e eu, avisando que estaria nos esperando no refeitório.
– Tudo bem? – pergunto, aproximando-me da morena.
– Com certeza. – fala rindo, olhando para a bolsa onde colocava seus últimos pertences. Ela olha para cima e pisca um olho de maneira divertida. – Só de ter tirado aquele gesso idiota, eu já me sinto no paraíso.
– Você é tão exagerada. – digo, rindo. Pego seus materiais e começamos a andar lado a lado, indo em direção aos armários. – Nem foi tanto tempo assim.
– Está brincando comigo? – pergunta, fazendo uma careta em desagrado. – Eu tive que aturar aquela coisa por um mês. Um mês! Nunca imaginei que quebrar a perna seria tão torturante assim.
Chegamos aos armários e a mesma pega suas coisas de minha mão e as guarda em seu armário. Faço o mesmo com os meus materiais e, após fechar a porta, encosto-me no armário, virando-me para a morena.
– Está preparada para hoje? – pergunto. – Manu e Tyler não pegaram leve com você.
– Já estou acostumada. – responde, sorrindo e voltando a andar. – E eu até prefiro assim. Preciso voltar a forma o mais rápido possível.
– Fala isso após ter dado uma surra na Brooke enquanto ainda estava com a perna engessada. – sussurro para a morena, que gargalha em resposta. – Tenho até medo quando voltar a forma.
– Isso mesmo! – fala, lançando-me um olhar travesso. – Acho bom ter medo de mim. Posso ser muito perigosa quando quero.
Chegamos ao refeitório, rindo. Não demoramos a encontrar Trish, Dez e Dallas, que conversavam animadamente. Eles logo percebem a nossa presença e nos encaram divertidos.
– O que foi? – pergunto, sentando a mesa ao lado de Ally. Encaro meus amigos, desconfiado.
– O que vocês tanto conversavam? – pergunta Trish, com malicia.
– Ally estava me dizendo o quanto pode ser perigosa. – comento, rindo, recebendo um tapa no braço, dado pela morena. – Au!
– Idiota. – diz Ally, rindo.
– Vocês são tão melosos. – fala Dallas, sorrindo ironicamente. – Estou até com medo de ficar com diabetes.
– Por que não cala a boca, Dallas? – digo, com sarcasmo.
– Vai se acostumando, Dallas. – fala Trish, rindo. – Quando ele começa a namorar, fica todo meloso. Eu fico até enjoada.
– Não acredito que vou ter que aguentar vocês dois de namorinho. – diz Dez, irônico. Ele faz uma careta e continua, rindo: — Eca!
– Calados, idiotas! – digo, rindo sem graça.
– Não estamos namorando. – diz Ally, surpreendendo a todos.
– Não? – pergunto, esperando explicações por parte de Ally.
– Eu não recebi nenhum pedido de namoro. – responde, com um sorriso irônico emoldando seus lábios.
Olho para a garota, sem acreditar no que ouvia. Como assim? Quer dizer, eu achei que não precisasse de um pedido, já que estamos noivos. Meus amigos começam a gargalhar, chamando a atenção de todos do refeitório.
– Nossa, Austin, que bola fora. – comenta Dallas, rindo. – Como você esqueceu a parte do pedido de namoro?
– Eu esperava isso do Dez, Austin, mas nunca de você. – fala Trish.
– Hei! – reclama Dez, mas logo volta a ri. – Mas, eles têm razão! Você não pediu a Ally em namoro, Austin? Nossa, nem eu seria capaz de esquecer isso!
– Calados! – repreendo, recuperando-me do choque. Viro-me para Ally, ainda sem acreditar. – Isso é sério?
– Claro, Austin. – responde, rindo de minha cara. – Eu vou ir buscar meu lanche.
Após dizer isso, a garota se levanta e pisca para mim, divertindo-se com a situação. Ela caminha até a fila do refeitório, indo buscar seu lanche, deixando-me para trás com a maior cara de bobo.
– Eu não acredito nisso. – comento. Meus amigos continuavam a ri, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Lanço meu pior olhar para os três, mas, infelizmente, não serviu para fazer eles se tocarem de que todos continuavam a nos encarar. – Será que dá para vocês pararem de ri?
– Desculpa, Austin, mas isso é muito engraçado. – fala Trish, tentando se controlar.
– Você sempre teve inúmeras garotas aos seus pés. – complementa Dez. – Ally é a primeira a te fazer pedi-la em namoro.
– Espera um pouco. – Dallas chama a nossa atenção. – Até mesmo Cassidy? É sério? Foi ela que te pediu em namoro?
– Foi. – digo, sem graça. – Não me culpe. – defendo-me, levantando as mãos em sinal de rendição. – Sua namorada sempre foi fora do comum. Antes que eu tomasse qualquer atitude, ela resolveu me fazer o pedido.
Dallas me encara sem acreditar e começa a ri. Olho para ele, confuso, tentando entender o que se passa na mente do doente a minha frente. Após um tempo, ele volta a se acalmar.
– Cassy é incrível. – fala, balançando a cabeça, negativamente. – Não esperaria menos dela.
– Não está chateado? – pergunto, cauteloso.
– Um pouco. – confessa. – Mas, nada do que eu faça pode mudar o passado que vocês tiveram, então, tudo que tenho a fazer é aceitar. – diz, sorrindo amigavelmente.
– A Ally está vindo ai, Austin. – alerta Dez, como se estivesse me incentivando a fazer o pedido.
– O que? – pergunto, fazendo-me de desentendido. Claro que eu iria pedi-la em namoro, mas preferiria fazer isso em um lugar mais reservado.
– Tome uma atitude, idiota. – repreende Trish. – Seja homem e a peça em namoro. Ou vai esperar um outro babaca aparecer para fazer o que você parece não ser capaz?
Lanço o meu pior olhar a Trish e a mesma sorri irônica. Antes que eu tivesse a oportunidade de “elogiar” Trish por suas belas palavras, Ally chega na mesa e coloca a bandeja sobre a mesma.
– Como a fila estava grande. – comenta, indo se sentar, mas a impeço, segurando seu braço. Ela me olha confusa, sem saber o que eu queria. – O que foi, Austin?
– Eu não acredito que irei fazer isso. – digo para mim mesmo. Levanto da cadeira na qual eu estava sentado e ajoelho-me na frente da morena. Ally me olha assustado, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Todos do refeitório me encaram com expectativas. Confesso que isso só me deixou mais nervoso ainda. No entanto, eu precisava fazer isso: – Ally, você aceita ser a minha namorada?
Ally continuava a me encara, sem expressar nenhuma emoção. Provavelmente, ela estava em estado de choque. Todos encaravam a morena, esperando sua resposta e a demora dela estava fazendo eu ficar mais nervoso ainda.
– Então... Ally, esse é o momento em que você responde sim ou não. – incentiva Trish, ansiosa.
– Eu... – ela sorri, recuperando-se da surpresa. – Sim, eu aceito.
Dito isso, levanto-me e lhe dou um rápido beijo, feliz por saber que agora era oficial. Meus amigos e as pessoas próximas a nós batem palmas, parecendo felizes pelo o que viam.
De repente, todo o refeitório se calou. Separo-me de Ally e a olho confuso. A mesma parecia um pouco surpresa pelo o que via atrás de mim. Viro-me na direção na qual todos olhavam e descubro o motivo de tanta surpresa.
Brooke caminhava em nossa direção e, após receber todas as atenções, ela começa a bater palmas e sorria com ironia. A cada passo que ela dava, mais meus pelos se arrepiavam em sinal de alerta.
– Que bela cena. – comenta, próxima de nós. – Eu até me emocionei. – ela passa a mão por debaixo dos olhos, como se estivesse chorando.
– Brooke. – sussurra Ally, com cautela.
– O que você quer, Brooke? – pergunto, colocando-me em alerta.
– Eu? – fala a garota. Ela gargalha com um olhar venenoso. Como uma cobra, pronta para atacar a qualquer momento. – Eu quero tantas coisas. Para começar, a morte dessa coisinha aí – ela aponta para Ally, fazendo cara de nojo. – já seria uma realização dos meus sonhos.
No mesmo momento, meus amigos se levantam e cercam Ally, deixando claro que se ela tentasse qualquer coisa, não sairia ilesa. Ela sorri com deboche e, para a minha surpresa, Ally também começa a ri, mas diferente de Brooke, a morena parecia não acreditar no que ouvia.
– Você descobriu, não é? – afirma, Ally, balançando a cabeça de maneira negativa.
– Será? – após dizer isso, Brooke sai do refeitório junto com sua melhor amiga, Emily², que havia voltado de viagem recentemente. A loira parecia não entender o que estava acontecendo, assim como todos a nossa volta.
Ally começa a andar na direção em que Brooke havia seguido. Lanço um rápido olhar confuso aos meus amigos. Eles apenas fazem sinal de que não estavam entendendo nada e começamos a seguir Ally.
– Aonde você vai? – pergunto, assim que alcanço Ally.
– Ela sabe. – diz, seriamente, sem deixar de encarar Brooke em nenhum momento.
– Ela sabe do que, Ally? – pergunta Dallas.
Antes que a morena respondesse, chegamos ao ginásio da escola. O lugar estava vazio e pouco iluminado. Entramos e Dallas fechar as portas do espaço.
– Allycia Dawson. – fala Brooke, rindo. – Quem diria, não é mesmo?
– Ally... – sussurro, tentando entender o que estava acontecendo.
– Como você descobriu? – pergunta Ally, ignorando meu chamado. – Naquele dia, eu suspeitei que você soubesse, mas hoje, eu tenho certeza.
– Não subestime a minha inteligência, garota. – diz Brooke, de maneira debochada. – Achou mesmo conseguiria esconder de mim que você é uma princesa? Como você é ingênua Princesa Allycia Dawson, herdeira do trono de Krósvia.
✻
Continua...
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