Unlike Cinderella...
23 Capítulo 22 - Half Truths...
Notas iniciais
POV Austin
Já havia minutos que Ally chorava em meu peito. Seu desespero era evidente. A garota tremia muito e não conseguia dizer uma só palavra. Meus amigos e eu não sabíamos o que fazer. Vê-la naquele estado estava me matando.
Todos ao nosso redor nos encaravam, tentando entender o que estava acontecendo. O choro de Ally demonstrava tanta dor, que era impossível não se penalizar por ela.
– Vai ficar tudo bem. – sussurro, enquanto afago seus cabelos.
Ally me aperta mais contra si. Sem saber o que fazer, a abraço com mais força ainda. Se eu pudesse, tomaria todas as suas dores e angustias, apenas para não vê-la assim.
– O que aconteceu? – Trish estava a ponto de chorar com a morena em meus braços.
– Nada de bom. – sussurro a resposta e a baixinha fica mais assustada ainda.
Algum tempo depois, Ally começa a se acalmar. Olho para meus amigos e eles a encaravam com preocupação. Ela levanta seu rosto e meu coração se partiu ao ver todo o seu sofrimento pelos belos olhos cor de chocolate.
– Ally? – chamo, acariciando seu rosto molhado. Seus olhos e seu nariz estavam bem vermelhos, assim como seu rosto marcado por minha camisa.
– Ele... O meu pai... Eu não posso perder meu pai, Austin. – fala Ally, com a voz embargada pelo choro. Ela soluçava um pouco e respirava com dificuldade.
– Você não vai perdê-lo. – digo, tentando passar uma confiança que eu não tinha.
– Eu vou pegar um copo de água com açúcar. – oferece Dallas, levantando-se e indo o mais depressa possível até a uma das moças que serviam os lanches no refeitório. Provavelmente, ele foi buscar o açúcar.
– Ally, o que aconteceu, princesa? – pergunta Dez, extremamente, preocupado.
Ally estende o meu celular para o ruivo, que, prontamente, começa a ler o que estava escrito. Trish se aproxima de Dez para saber o motivo dele está tão assustado.
– Isso... Oh, Deus! – fala Trish, colocando a mão na boca, com espanto. Ela olhava para Ally com tristeza e parecia não saber o que dizer.
– Ele vai ficar bem, Ally. – fala Dez, fazendo carinho na cabeça da morena.
Dallas chega com o copo de água e entrega a Ally. A morena se afasta um pouco de mim e toma um pouco da água. Ela respira fundo, tentando controlar as emoções.
– Eu preciso ver Prince. – pede, olhando em meus olhos.
– Tudo bem. Eu vou ligar para ele. – digo e a menina apenas balança a cabeça minimamente.
Ligo para Prince e o estado do mesmo não parecia ser o dos melhores. Converso um pouco com ele, explicando o pedido de Ally e o mesmo concordou em ir ao colégio, informando, também, que não demoraria a chegar.
Não demorou muito para o intervalo terminar, mas ninguém em nossa mesa se moveu. Ally ainda estava muito abalada para fazer qualquer coisa e a melancolia se instalava entre nós.
– Meninos, vocês precisam voltar para a aula. – avisa Abbigail, uma das mulheres que cuidam do refeitório.
– Abby, nós não podemos voltar para a sala. Olha só para nós, não conseguiríamos nos concentrar nas aulas. – explica Dez, meio melancólico.
– O que aconteceu, querido? – pergunta, preocupada.
– O pai dela não está muito bem. – sussurra Dallas, apontando, discretamente, para Ally.
– Tudo bem. – fala, após nos analisar. – Só não fiquem muito tempo por aqui.
A mulher se retira, deixando-nos sozinhos. Alguns minutos depois, Prince aparece na cantina e corre ao nosso encontro. Sua expressão era de desespero e angústia.
– Princesa. – diz, aproximando-se de Ally, preocupado.
– Prince. – fala Ally, com a voz fraca.
Ela olha para ele com tristeza e angustia. O homem observa Ally, assustado. Ele abraça a garota com força, parecendo sentir a mesma dor que ela sente.
– O que está acontecendo em Krósvia, Prince? – pergunta Ally, angustiada, afastando-se um pouco de Prince.
– As coisas estão complicadas, querida. – fala Prince. – Precisamos sair daqui. Não estamos seguros conversando sobre esse assunto aqui no Marino.
– Qual o problema em conversar aqui na escola? – pergunta Dallas, confuso. – E, desculpa a pergunta, mas quem é você?
– Pode me chamar de Prince. – responde, dando um sorriso triste. – E você?
– Dallas Miller. – fala Dallas.
– Ally corre perigo estando aqui? – pergunta Trish, preocupada.
– Não exatamente. – diz Prince, olhando para os lados, procurando por algo que não sei identificar. – Vocês não deveriam estar em sala de aula?
– Eles são de confiança, Prince. – digo. – Todos sabem da história de Ally.
Prince ainda nos encara em dúvida. Ele analisa a situação por um tempo e olha para Ally que estava um pouco cabisbaixa. A garota suspira cansada.
– Está tudo bem, Prince. – fala Ally. – Dallas, Trish e Dez estão sempre me ajudando. Podemos confiar nos três.
– Muito bem. – Prince acaba concordando. – Então vamos. Tentarei convencer a diretora a liberar vocês.
Prince, por incrível que pareça, consegue fazer com que a diretora nos desse autorização para ir embora. Durante o tempo em que esperávamos a confirmação de nossa saída, Dallas ligou para Cassidy, informando o que aconteceu. De alguma forma, ela disse que iria nos encontrar.
Saímos da Marino e seguimos para o apartamento de Prince, no qual eu havia estado no Domingo de manhã. Esperamos Cassidy chegar para que Prince começasse a explicar.
Alguns minutos depois, Cassidy chega. A loira estava extremamente preocupada com Ally. A morena, assim que a viu, correu para os braços da amiga, que a recebeu de bom grado.
– Você está bem, Ally? – pergunta Cassidy, analisando o estado de Ally.
– Eu não sei, Cassy. – responde Ally, parecendo querer chorar de novo. – Eu estou com tanto medo. Eu não sei o que fazer.
– Não se preocupe. – fala Cassidy, emocionada. – Nós estamos do seu lado.
Ally concorda e volta a se sentar ao lado de Trish, que abraça a garota com ternura, tentando acalmá-la. Cassidy se senta ao lado do namorado e apenas acena para mim.
– Todos estão aqui? – pergunta Prince.
– Acho que sim. – respondo, olhando para meus amigos.
– Eu vou ser direto ao ponto. – fala o homem, pegando um copo e o enchendo com alguma bebida que eu não soube identificar. Depois de tomar um gole do líquido, ele respira fundo e volta a falar: — As coisas estão acontecendo mais rápido que eu imaginava. Gavin está reunindo suas tropas e aliados para atacar Krósvia.
– O que? – pergunta Ally, ofegando um pouco.
– Pelas minhas estimativas, dentro de dois meses, os ataques serão iniciados. Eu já havia conversado com Austin sobre a possibilidade de Gavin já saber sua localização, querida, e eu acredito que isso já aconteceu. – Prince se senta no sofá ao meu lado e coloca os cotovelos sobre os joelhos, unindo as mãos em volta do copo que se encontrava próximo a boca, de maneira pensativa. – Se eu estiver certo, e eu oro para que isso seja só loucura da minha parte, não vai demorar para os inimigos começarem a atacar tanto você, Ally, quanto Austin.
– Por que eles querem atacar Austin? – pergunta Cassidy. – Eu imaginei que Ally fosse o “alvo”.
– Hãn... Sim, Ally é o objetivo deles, mas existem inúmeros motivos de Austin também estar na lista. – fala o moreno, um pouco nervoso.
– Quais motivos? – pergunta Ally.
– Eu não posso dizer ainda. – Prince parecia incomodado.
– Será que pode parar de esconder as informações de nós? – pergunto irritado. – Já parou para pensar que seria muito mais fácil sabermos o que nós estamos enfrentando? Eu já estou cansado disso!
– Ainda não é o momento certo, Austin. – explica Prince, como se eu fosse uma criança teimosa. – O assunto é muito mais complicado do que vocês podem imaginar.
– Complicado? – Trish usa um forte tom de sarcasmo. – Até eu estou cansada de ver tantos segredos e mistérios. Estão esperando que uma tragédia aconteça para dizer a eles algo que seja, realmente, importante?
– Vocês acham que eu não queria contar? – pergunta Prince, cansado.
– Então pare de esconder as coisas, Prince. – fala Ally, frustrada. – Eu já não aguento mais as pessoas tentando esconder informações importantes sobre a minha vida. Eu não sou um bebê indefeso que não entende as coisas. Em menos de um ano, eu devo me casar e assumi o trono. Venho me preparando desde que nasci para ser uma boa rainha e consegui comandar meu povo, mas, se não me disserem o que está acontecendo, como poderei cumprir meu destino? Meu pai está fraco e não sei até quando ele vai suportar a pressão. Eu não tenho notícias de Krósvia e minha mãe deve estar a beira de entrar em colapso, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Eu preciso saber de alguma coisa. Qualquer coisa, por favor.
O silêncio se instala sobre a sala. Ninguém sabia o que falar. Prince permanecia pensativo, como se analisasse o que Ally havia dito. Dez suspira alto e bate palma, chamando a atenção de todos para si.
– Prince, olhe para nós. Sabemos que somos só um grupo de adolescentes inexperiente nessa história de realeza, mas somos amigos da Ally. Jamais a abandonaríamos. Queremos protegê-la, mas como podemos fazer isso se vocês não nos dizem o que está acontecendo? – pergunta o ruivo, para a surpresa de todos.
Dez não é o tipo de pessoa que você espera sair algo de muito maduro. Não que ele seja idiota ou algo assim, mas o ruivo vive com a cabeça no seu próprio mundo. No entanto, existem momentos que ele demonstra o seu lado responsável. Eu já havia visto esse lado dele algumas vezes, mas ainda é surpreendente a maneira como ele se sai em assuntos mais sérios.
– Dez tem razão, Prince. Eu conheço Ally a pouco tempo, mas uma coisa eu posso afirmar, ela não está sozinha. Estamos do lado dela e queremos protegê-la de todo mal, mas não conseguiremos fazer isso sem saber o que se passa. Se Ally está em perigo, nos deixe ajudar. – pede Dallas, com sinceridade.
– Não se enganem. – fala Prince, balançando a cabeça negativamente. – Os perigos que cercam Austin e Ally são muito maiores do que se podem imaginar. Uma guerra está prestes a acontecer. Isso não é uma brincadeira de criança e muito menos um conto de fadas. Vidas estão em perigo. Qualquer um de vocês podem morrer a qualquer momento. Os inimigos não possuem piedade. Ally, melhor do que ninguém, sabe do que eu estou falando. Se vocês se envolverem nesse assunto, devem se preparar para matar e morrer para proteger a princesa.
Novamente, todos ficaram calados. A maneira como Prince falava deixava claro que ele não estava brincando. Olho para Ally e ela não esboça nenhuma emoção.
– Prince está certo. – fala Ally, após um tempo. – Não posso envolver vocês em algo tão grave. Precisam se afastar enquanto não estão envolvidos. Se Gavin descobrir onde estou, não só eu estarei em perigo, como vocês também.
– O que? Ficou maluca? – pergunta Trish, surpresa. – Não vou me afastar de você!
– Ally, você não está sozinha! – Cassidy exclama, ainda sem acreditar no que Ally havia dito. – Nós já dissemos que vamos proteger você e não vai ser agora que irei voltar com a minha palavra.
– Vocês não entendem! – Ally parecia está a ponto de entrar em desespero. – Vocês podem morrer! As pessoas a volta de vocês podem sofrer consequências também!
Observo a determinação no olhar de meus amigos. Mesmo após ouvir todos os argumentos de Prince e Ally, nenhum deles recuou. Eu conheço Trish e Dez melhor do que ninguém e posso dizer que eles não vão desistir de lutar.
– Desiste, Ally. Nada do que você disser, vai nos fazer voltar atrás. – fala Dallas, com seriedade. – Agora que estamos aqui, não vamos te abandonar.
– Não sei o que o futuro nos reserva, mas aguentarei as consequências, Ally. Não duvide tanto de nós. Não somos tão fracos quanto imagina. – diz Dez, com determinação.
– Por favor, não façam isso! – pede Ally, preocupada. – Eu não posso envolvê-los nisso.
– Tarde demais, Ally. – digo, encarando a morena. – Ainda que não acredite, já demos nossa palavra de que iremos estar ao seu lado para o que vier pela frente.
Prince observava tudo em silêncio. Em seus olhos eu podia ver o brilho de satisfação. Ele parecia feliz por ver que não desistiríamos de Ally e isso me deu forças para continuar firme com minha decisão.
Ally olha para o moreno e ele apenas afirma, confirmando que apoiava as nossas decisões. Ela passa seu olhar por cada um que se encontrava na sala e fecha os olhos com força.
– Obrigada, amigos. – diz a garota, ao abrir os olhos. O sorriso que ela nos deu fez com que todos sorrissem também.
Estamos com medo, é claro. Não temos noção nenhuma sobre o que fazer, mas estamos juntos e determinados a proteger Ally de qualquer perigo que ela possa correr.
– Bom, já que todos estão de acordo em participar de tudo, mesmo sabendo dos perigos que estão correndo, acredito que esteja na hora de saberem uma boa parte da história. – fala Prince, tomando mais um gole de sua bebida.
– Vai nos contar a verdade? – pergunto com esperança.
– Boa parte dela. – respondo, sorrindo presunçoso. – Não se engane, ainda não estão preparados para saber de toda a verdade.
– Bem, meias verdades é melhor do que nada. – fala Ally, suspirando um pouco frustrada. Concordo como um aceno de cabeça e todos se preparam para ouvir a história.
– Gavin é primo de 5º grau da princesa. Inconformado por não ter direitos sobre a coroa de Krósvia, o Conde Thomas Darius, pai de Gavin, decidiu que deveria assumir o trono e a única forma de fazer isso era matando o Rei Lester. Felizmente, o plano do conde não deu certo e o mesmo foi morto por uma pessoa de confiança do rei. Gavin tinha 14 anos na época e jurou vingança a família real e a família daquele que matou seu pai. A princesa Allycia nasceu pouco tempo depois dos acontecimentos marcantes e todos acabaram por esquecer das promessas feitas pelo garoto. No entanto, o que ninguém esperava era que Gavin possuía grande potencial. Ele foi adotado pelo rei de Targarión, Edgar VII, que não podia ter filhos. Alguns anos depois, o Rei Edgar VII faleceu e Gavin assumiu o trono. Depois que assumiu a coroa de Targarión, Gavin não havia demonstrado que desejava prosseguir com a vingança, até o momento. – explica Prince. – Quando o rei e a rainha de Krósvia começaram a presenciar indícios de que Gavin estava pronto para colocar em prática a promessa que havia feito a dezessete anos atrás, eles resolveram que precisavam manter a princesa distante do perigo e para isso a enviaram para longe de Krósvia. Havia chegado o momento de conhecer o noivo prometido e alertar aos seus pais, Austin, para colocarem o plano em ação.
– Que plano? – pergunto, curioso.
– Essa é umas das partes que vocês ainda não estão preparados para saberem. – responde Prince, levantando do sofá e colocando seu copo sobre o balcão da cozinha americana.
– Como você sabe dessas coisas, Prince? – pergunta Ally, desconfiada.
– Eu tenho alguns informantes em Krósvia, princesa. – Prince não entra em muitos detalhes. – De qualquer forma, agora, vocês entendem uma parte da história.
– O que devemos fazer? – pergunta Cassidy.
– Precisam aprender o básico para proteger a princesa. Pelo menos, por enquanto, não podemos contar com reforço dos guardas de Krósvia. Com o país em crise, qualquer ajuda é muito bem-vinda. – explica o moreno.
– E aprender o básico significa...? – fala Dallas, curioso.
– Vocês precisam aprender a manejar espadas e armas de combate, atirar, lutar e se defender. Não sabemos como os subordinados de Gavin atacarão, então, vocês devem estar preparados para qualquer situação que possa aparecer. – diz Prince.
– Acha que eles conseguirão isso a tempo? – pergunta Ally, preocupada.
– Acredito que sim. – fala Prince, confiante. – Para a sorte de todos, eu pedi a ajuda de dois amigos de longa data e eles aceitaram treinar Austin e acho que eles não se importarão em treinar os outros quatro.
– E quem são seus amigos? – pergunta Ally, sorrindo aliviada.
– Eles já estão chegando. Mas, acho que você gostará da surpresa. – diz o moreno, sorrindo animado.
Alguns minutos se passaram e a campainha do apartamento de Prince toca. Ele sorri presunçoso. Ally e eu nos encaramos por um momento e demos de ombros, ansiosos por alguma resposta.
– Parece que eles já chegaram. – Prince caminha em direção a porta e a abre, revelando um homem alto de pele bronzeada e olhos e cabelos negros e uma mulher baixa, de longos cabelos castanhos e olhos da mesma cor.
– Tyler? – fala Ally, parecendo não acreditar no que via.
– Oi princesa. – o homem responde sorrindo feliz. – É muito bom reencontrá-la.
– Entrem, por favor. – pede Prince, dando espaço para eles passarem. – Bom, quero que conheçam Tyler Klin e Emanuelle Santos*. Eles irão treinar vocês.
– Olá. – cumprimenta Tyler, sorrindo simpático. – Prazer em conhecê-los!
– Não venha com essa de Emanuelle, Prince. – fala a mulher com ironia. – Podem me chamar de Manu. Prince pediu que eu ensinasse tudo que sei e assim farei, mas não pensem que vai ser fácil. Eu não vou facilitar as coisas para vocês e, se não aguentam a pressão, por favor, desistam agora.
– Manu, não seja tão durona. – repreende Tyler.
– Eu não vim para brincar, Tyler. Será do meu jeito e ponto final. – Manu deixou bem claro que não havia discussão em relação ao que havia dito.
Meus amigos e eu nos levantamos e cumprimentamos os dois com ansiedade. A adrenalina corria por todo o meu corpo. Dez, Trish, Dallas e Cassidy me encaram e concordo com a cabeça, vendo pelos seus olhos as mesmas emoções que eu sentia.
– Não desistiremos. – afirmo, tendo o apoio de todos.
– Ótimo! – exclama a mulher, sorrindo, discretamente, satisfeita. – Que o treinamento comece...
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Continua...
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