Unlike Cinderella...
22 Capítulo 21 - Revelations...
Notas iniciais
POV Ally
O dia amanheceu quente. Não que isso fosse novidade, mas, por estar com gesso e ataduras, a temperatura aumentava bem mais para mim. Sento-me na cama com cuidado. Felizmente, o meu tórax já não está doendo tanto e eu já consigo me movimentar melhor.
Olho o relógio e vejo que já se passam das oito da manhã. Minha cabeça doía um pouco. As lembranças da noite anterior retornam a minha mente. Eu nem sei se fico feliz, com raiva, ciúmes ou triste. Tantos sentimentos conflitantes em meu peito, que não consigo identificar qual é o mais forte.
Tia Mimi não demora a aparecer no quarto e a me ajudar a me arrumar. Permaneço em silêncio e ela pareceu entender que eu não estava muito a fim de conversar.
Depois de estar devidamente vestida e higienizada, Tia Mimi trouxe meu café da manhã e saiu do quarto, deixando-me sozinha com meus pensamentos.
– Bom dia. – cumprimenta Austin, depois de bater na porta e entrar em meu quarto.
– Bom dia. – digo, fracamente.
– Você está bem? – pergunta, retirando a bandeja vazia do café da manhã de cima da minha perna e colocando na penteadeira próxima da minha cama.
– Acho que sim. – respondo, observando a expressão de cansaço de Austin. – Imaginei que fosse acordar mais tarde hoje.
– Eu não consegui dormir. – confessou, bagunçando um pouco seus lindos fios dourados.
– Você vai sair? – pergunto, mudando de assunto. Analiso suas roupas e me pergunto onde ele vai em pleno domingo de manhã.
– Vou sim. Preciso resolver uns problemas. – explica, com seriedade.
– Problemas? Aconteceu alguma coisa? – questiono, preocupada.
– Eu não sei. – fala, parecendo estar sendo sincero. – Irei descobrir.
Observo Austin com cuidado. Suspiro cansada. Ele não iria me contar o que está acontecendo. Posso ver em seus olhos. Concordo, balançando a cabeça com desanimo.
– Tome cuidado, Austin. – alerto, enquanto olho para a varanda de meu quarto. – Eu não sei o que está acontecendo, mas prometa para mim que não vai se envolver com coisas perigosas.
– Tudo vai ficar bem, Ally. – fala, sorrindo gentilmente. Ele se levanta e me dá um beijo na testa. Austin analisa meu rosto por um momento e depois faz um leve carinho em minha bochecha. – Eu preciso ir.
Ele se afasta devagar. Fecho os olhos com força. Como uma pessoa pode ser tão teimosa como Austin? Será que ele não percebe que eu quero ajudá-lo? Que estamos juntos nesses problemas complicados ocasionados por nossas famílias?
– Você não prometeu. – digo, antes que Austin saísse.
Ele para de andar e olha por cima do ombro para mim. Ele suspira frustrado, Parecia querer me contar o que estava acontecendo, mas alguma coisa o impedia.
– Eu não demoro. – fala e sai do quarto, fechando a porta na sequência.
Encaro a porta por mais um tempo e suspiro frustrada. A única coisa que eu queria era ser uma adolescente comum. Eu amo meu povo e meus amigos, mas meus problemas ultrapassam as barreiras da normalidade.
Pego o meu caderno de músicas e tento escrever algo nele. Consigo criar alguns versos que podem dar boas músicas, mas a minha preocupação com Austin é tanta que não consigo fazer mais do que isso.
Cansada de ficar deitada, levanto-me com cuidado e vou até a varanda do meu quarto. A bela paisagem tropical vista da janela de meu quarto me acalma um pouco.
Observo a paisagem por mais um tempo e logo percebo a chegada de Austin em seu carro. Ele parecia perturbado. A maneira como mexia no cabelo e andava em direção a casa demonstrava que ele não estava bem.
Não demorou muito para que Austin chegasse ao meu quarto. Não tive muito tempo para reações. Eu ainda estava na varanda e não conseguia olhar o loiro por completo.
– Austin? – pergunto, tentando me levantar e ir até ele, mas o mesmo me faz sinal para continuar.
– Fique ai. – pede, com a voz um pouco alterada.
Ele respira fundo, parecendo querer controlar as emoções. Isso me deixou em estado de alerta. Por que Austin está assim? O que aconteceu?
– O que está acontecendo, Austin? – pergunta Tio Mike, chegando ao meu quarto junto com Tia Mimi.
– Espero que tenha uma boa explicação para ter saído sem dizer aonde ia e chegar quebrando a casa. – repreende Tia Mimi.
– Eu preciso conversar com a Ally. – fala, friamente.
– O que aconteceu, Austin? – fala Tio Mike, parecendo entender que era alguma coisa grave.
Austin olha para os pais e os mesmos parecem assustados com a reação do filho. Eu nem sabia o que dizer, pois não fazia ideia do que estava acontecendo. Apenas sentia que, neste momento, o melhor era permanecer em silêncio.
– Por favor, deixe-me à sós com a Ally. – pede Austin, sem alterar seu tom frio.
O casal encara o filho por mais um tempo e, antes de saírem, olham para mim, parecendo querer a confirmação de que estava tudo bem. Confirmo, sorrindo um pouco e balançando a cabeça positivamente.
Austin fecha a porta e encosta a testa na mesma. Depois de um tempo, ele caminha em minha direção, calmamente. Em nenhum momento, eu consegui ver seus olhos com clareza.
– O que houve, Austin? – pergunto, docemente, assim que o loiro se sentou ao meu lado.
– Eu me encontrei com o Prince. – fala, sem olhar para os meus olhos.
– O que? Por que não me disse que foi se encontrar com Prince? – pergunto, confusa e surpresa.
– Ele me pediu segredo de todos, inclusive de você. Eu preciso entender o que está acontecendo, Ally, e o único que parece querer liberar alguma informação é ele. – explica, sentando-se ao meu lado.
– O que ele te falou? – questiono.
Austin me encara por um tempo. Eu via que seus pensamentos estavam distantes. Permaneço calada, esperando a resposta do garoto. Ele mexia suas mãos, nervosamente.
– Ele... Ele me contou pouca coisa, na verdade. No entanto, eu não sei bem como reagir. – começa, parecendo tentar reorganizar todas as informações.
– O que quer dizer com isso? O que ele te contou? – a curiosidade e a ansiedade estavam a ponto de me matar.
– Ally, seus pais estão prestes a entrar em guerra contra o reino Targarión. Prince me disse que ele é governado pelo rei Gavin. – fala Austin e eu esqueço de como se respira ao ouvir aquele nome.
– Gavin? – sussurro, assustada.
– Você sabe quem é ele? – pergunta o loiro, preocupado.
– Ele é um primo distante, posso dizer assim. – explico, ainda em estado de choque. – Gavin jurou se vingar de Krósvia quando seu pai foi morto tentando matar meu pai e assumir o trono de meu país.
– Prince me alertou sobre o seu “primo”. – diz, fazendo aspas ao se referir a Gavin. – De alguma forma, ele sabe de tudo que está acontecendo. O rei Gavin sabe que você não está em Krósvia e que seu pai não está com a saúde muito boa.
– Oh, não. – digo, colocando as mãos em meu rosto e lamentando por tantas coisas estarem dando errado. – Ele vai se aproveitar disso, Austin. Krósvia não está pronta para uma guerra. Estamos em momento de crise e, como você disse, meu pai não está bem.
Só em saber que existe uma possibilidade de Gavin assumir o controle de Krósvia, meu peito se enche de desespero. Ele pode acabar com o reino para sempre, sem dó nem piedade.
– Os problemas não param por ai, Ally. – fala Austin, de maneira pesarosa. – Prince desconfia que Gavin já possa estar sabendo da sua localização. Se isso for verdade, inúmeros inimigos podem estar se preparando para nos atacar.
– Como Prince sabe dessas informações? – digo, parando para analisar a situação.
– Ele não quis me contar. Disse que no momento certo diria toda a verdade. – diz o loiro, frustrado. – A única coisa que eu sei sobre ele é que essa história de ser um novo empresário querendo investir em minha carreira é só uma fachada.
– O que quer dizer com isso? – pergunto, confusa.
– Prince precisava se aproximar de nós e a única forma de fazer isso era sendo um novo investidor. Ele me disse que realmente trabalha no ramo da música, mas, dessa vez, o seu objetivo principal era proteger a princesa e seu noivo. – fala a última parte com ironia em seu tom de voz. – Aparentemente, a identidade de Prince não pode ser revelada. E, do jeito que as coisas estão indo, não sabemos nem se é uma boa ideia fazer shows longe daqui.
– Por quê? – pergunto, confusa.
– Você não poderia ir conosco, Ally, além de não ser uma ideia muito boa te deixar sozinha aqui. Prince disse que não só você, mas minha família e eu estamos correndo riscos de vida também. – fala, parecendo frustrado. – Prince garantiu que para a nossa segurança e a segurança de todos a nossa volta, nós devemos permanecer por aqui e esperar qualquer notícia vinda de Krósvia.
– Ah, que ótimo. Agora que eu estou atrapalhando de vez a vida de todos. – digo, triste por ver que eu estou estragando tudo. – Sinto muito, Austin. Ao invés de ajudar, sendo a compositora da banda, eu só estou complicando a vida de vocês.
– Olha, Ally, você não tem que se desculpar. A culpa não é sua. Arrisco dizer que você é a principal vítima disso tudo. Parece que todos sabem de alguma coisa, inclusive um estranho. – diz, frustrado.
– Mas, e o meu resgate na escola? Como Prince sabia que a garota presa debaixo da estante seria eu? – questiono, lembrando-me desse detalhe e tentando entender toda a história.
– Essa parte foi coincidência. Prince nunca soube a sua aparência atual. Ele foi na escola para tentar me encontrar, mas acabou se perdendo, enquanto me procurava. Ele me contou que ouviu seu pedido de socorro e te socorreu sem saber quem era você. – explica, olhando para a paisagem. – As coisas estão se complicando, Ally. Sua vida corre risco e não sabemos nem como reagir aos ataques.
Observo Austin por um tempo, em total silêncio. Ele tem razão. Quando eu vim de Krósvia para Miami, eu jamais imaginei que meus pais estavam tentando me proteger da possível ameaça que está para acontecer.
Agora, olha só para nós. Sentados na varanda de meu quarto, com inúmeras informações para absorver e sem saber o que fazer ou o que vai acontecer.
– Tudo vai ficar bem. – digo, tentando parecer confiante.
– Como você sabe disso? – pergunta, olhando para seus pés.
Eu sentia a insegurança de Austin e eu confesso que não estou muito diferente dele. Não é fácil saber que existem inúmeras pessoas querendo nos matar e nem sabemos como enfrenta-las.
– Eu preciso acreditar nisso. – respondo, pegando a mão do loiro e a apertando com força. – As coisas já estão difíceis, Austin. Se não acreditarmos que vamos consegui, tudo só se torna ainda pior.
O garoto me encara por um tempo. Ele aperta minha mão com força, sorri com carinho e acaricia meu rosto, sem nunca perder o contato visual. Sorrio com confiança e ele assente.
– Você tem razão. – concorda, respirando fundo. – Não importa o que aconteça, nós vamos conseguir.
[...]
Os dias se passaram rápidos. Finalmente, quarta-feira chegou. Eu já não aguentava mais ficar presa naquela cama, dependendo de todos para fazer as minhas coisas.
Austin e eu decidimos deixar nossa conversa de domingo apenas entre nós. Tia Mimi e Tio Mike ainda tentaram descobrir o que havia acontecido, mas não conseguiram arrancar nada de nós.
Durante os dias que fiquei em casa, Austin, Trish, Dez, Dallas e Cassidy ficaram me fazendo companhia. Austin e a loira agiam, por incrível que pareça, como se nunca tivessem namorado antes, o que, por algum motivo, deixou-me bem aliviada.
O pessoal da banda também me visitou algumas vezes. Elliot ia com mais frequência que os outros. Ele e Austin viviam se provocando e brigando ou competindo por coisas idiotas. Estranho.
O lado bom de ter passado quatro dias em casa foi que eu consegui fazer três músicas. Ter Austin e os outros me apoiando e me entretendo fez com que eu tivesse inspiração de sobra.
– Ally? Está pronta? – pergunta Austin, entrando em meu quarto.
Termino de fechar minha mochila e a coloco em meu ombro. Com cuidado, começo a andar na direção de Austin. O gesso me atrapalhava a andar, além de incomodar bastante.
– Claro. – respondo.
Austin pega a minha mochila e sorri. Depois, entende sua mão e me conduz porta a fora. Ele me ajudou a descer as escadas com muito cuidado.
Não conversamos sobre a nossa relação, mas muitas coisas mudaram entre nós. Austin estava sendo muito mais atencioso comigo e sempre tomando cuidado com a minha segurança. Confesso que, algumas vezes, essa mania dele de tentar me proteger é, extremamente, irritante, mas fico feliz por ele se importar comigo.
Despedimo-nos de Tia Mimi e Tio Mike com beijos na testa e um “tenham um bom dia”, como de costume. Vamos para o carro de Austin e partimos em direção ao colégio.
Diferente da nossa rotina, Austin não me deixa naquele lugar próximo a escola. Olho para ele confusa, enquanto passavamos pelo lugar, e o mesmo continua dirigindo como se não tivesse acontecendo nada demais.
– Por que não me deixou naquele lugar? – pergunto, assim que desço do carro.
– Primeiro que você está com o pé quebrado. – fala, enquanto pega minha mochila e a dele. – Segundo que isso é ridículo. A partir de hoje, nós vamos vir para a escola e ir embora juntos, está bem?
– Tudo bem. – concordo, sorrindo.
Quando chegamos ao portão da escola, todos começaram a nos encarar. Senti-me um pouco incomodada, mas preferi fingir que aquilo não era nada demais.
Dallas, Trish e Dez não demoram a aparecer. Ao se aproximarem de nós, os três se entreolham e começam a sorri, como se fosse a coisa mais incrível que estavam vendo.
– Bom dia. – cumprimenta Trish. – Parece que as coisas começaram bem hoje.
– Bom dia. – respondo, corando um pouco.
– O que foi que aconteceu para o Austin te trazer? Chantageou ele, Ally? – brinca Dez, enquanto o loiro faz uma careta pelo comentário.
– Hahaha, Dez, como você é engraçado. Estou morrendo de ri de você. Já pensou em se tornar comediante? Você tem talento! – debocha Austin, mal humorado.
– Eu sei, eu sei, Sou demais! – fala Dez, fazendo todos rirem, até mesmo Austin.
– Mas, então, isso quer dizer que vocês não vão mais fingir que não se conhecem? – pergunta Dallas, enquanto nós cinco seguíamos rumo aos armários.
Olho para Austin, esperando alguma resposta do mesmo. O loiro dá de ombros e sorri para mim.
– Acho que sim. É melhor ficar por perto para evitar qualquer tipo de acidente. – responde, ajeitando a minha mochila e a dele em seus braços.
– E como fica a cachorra... Quer dizer, Brooke, nessa história? – pergunta Trish, debochadamente.
– Eu vou tentar lidar com ela. – fala Austin, suspirando cansado.
– Bom, amigo, sabe que se precisar de ajuda, você pode contar com a gente. – diz Dez, colocando a mão sobre o ombro de Austin e sorrindo de maneira confiante.
Austin para de andar e nos encara. Ele olha para cada rosto, como se quisesse uma confirmação daquilo. Trish e Dallas sorriem e balançam a cabeça, afirmando o que Dez havia dito.
– Obrigado, pessoal. – agradece Austin e depois sorri para mim.
– É melhor nós irmos ou iremos nos atrasar. – digo, feliz por saber que apesar de tudo, estamos mais unidos do que nunca.
Andamos sem pressa, conversando e rindo das palhaçadas de Dez. Os alunos da Marino pareciam não acreditar no que estavam vendo. Os cochichos e os olhares assustados e confusos deles deixava bem claro que isso ainda daria muito o que falar.
Infelizmente, Brooke não demorou a dá as caras. Sua expressão era de nojo e ódio. Ela caminhava em nossa direção de maneira frustrada e parecendo estar pronta para acabar comigo de vez.
Austin segura minha mão e a encara de cabeça erguida. Olho para ele e respiro fundo. Começo a encara Brooke, sem me deixar intimidar. Dallas, Trish e Dez ficam ao meu lado, como se quisessem me proteger.
– O que pensa que está fazendo, Austin Moon? – pergunta a garota, com ódio estampado em sua face.
– Estou indo para a aula, Brooke. Algum problema? – responde Austin, sorrindo debochadamente.
– O que você está fazendo do lado dessa coisa? – fala Brooke, com veneno em sua voz.
– Coisa? – digo, sem acreditar no que ouvia. – Eu tenho nome, Brooke e ele não é apenas para enfeite. Aja como uma pessoa comum e me chame por ele.
A cara que Brooke fez foi única. Meus amigos não aguentam e começam a ri. Tive que me segurar muito para não fazer o mesmo que eles.
– Vai deixar essa garota falar desse jeito com a sua namorada? – pergunta Brooke a Austin, fazendo-se de vítima.
– Eu não tenho o que dizer, Brooke. – fala Austin. O sinal toca e os alunos que estavam ao nosso redor, curiosos para saber aonde aquela conversa ia parar, começam a ir para suas salas. – Eu preciso ir. Não quero me atrasar. Vamos, Ally?
– Isso não vai ficar assim, Ally Dawson! Eu juro que vou acabar com vocês todos! Não vão se livrar de mim tão fácil assim. – ameaça Brooke.
Observamos a garota se afastar. Suspiro aliviada por poder, finalmente, relaxar um pouco. Olho para meus amigos e os mesmo parecem um pouco preocupados.
– É melhor nós irmos. – digo, tentando aliviar aquele clima estranho que estava entre nós.
Vamos para as salas de aula, infelizmente, em direções opostas. Eu teria aula somente com Dallas. Combinamos de nos encontrarmos no refeitório e cada um seguiu seu caminho.
Para a minha sorte, as aulas não demoraram a passar. Quando dei por mim a última aula antes do intervalo já havia terminado. Arrumo meus materiais e saio da sala acompanhada de Trish e Dez, que foram me buscar, para evitar que qualquer acidente voltasse a acontecer.
– Você vai trabalhar hoje? – pergunta Trish.
– Sim. Eu não aguento mais ficar em casa. Como eu já posso andar apoiando o pé, não vejo motivos para não ir. – explico. – Por quê?
– Apenas queríamos saber se devíamos ir para a sua casa de novo. – fala Dez. — Está tudo bem, mesmo, voltar a trabalhar tão cedo assim?
– Não precisam se preocupar. Eu estou bem. – respondo, enquanto guardo meus materiais no armário.
– Se você diz... – fala Trish, parecendo insatisfeita pela minha decisão. – Só não se esforça demais.
Concordo e voltamos a andar, indo para o refeitório dessa vez. Vou com Trish para a mesa onde estão Dallas e Austin, enquanto Dez vai buscar nossos lanches.
– Oi. – digo, sentando-me ao lado de Dallas.
– Olá. – respondem-me, sorrindo.
– E ai, Austin. Encontrou a cobra alguma vez? – pergunta Trish, sentando ao lado do loiro.
– Infelizmente, sim. – responde cansado. – Ela fez inúmeras ameaças, o que era de se esperar.
– Cheguei. – fala Dez, entregando a minha bandeja e a de Trish. – Do que vocês estavam falando?
– Austin estava nos contando como foi a experiência de encontrar a Brooke depois do que aconteceu na entrada. – fala Dallas, dando de ombro. – Sinceramente, aquela garota é louca.
– Nem me fale. Agora, imagina ter que aguentar ela me perturbando para arranjar meu melhor amigo para ela? – reclama Dez. – Dia e noite, Brooke me implorava para mostrar a Austin que ela era o melhor para ele. Cara, o melhor para o Austin é que a Brooke fique em um hospício, isso sim!
Rimos de suas caras e bocas, enquanto contava seu sofrimento nas mãos de Brooke. Eu estava feliz por estar com meus amigos, rindo e fingindo que eu pertencia àquele lugar.
De repente, o celular de Austin começa a tocar. Ele atende a ligação e pelo tipo de conversa que estava tendo, percebi que o loiro conversava com Prince.
– O que foi? – pergunto, vendo a cara preocupada de Austin ao finalizar a ligação.
Uma mensagem chega no celular de Austin. Ele lê e relê a mensagem algumas vezes. Seu estado de choque era evidente. Começo a me preocupar. O que será que aconteceu?
– Ally, você precisa ver isso! – diz Austin, entregando-me o aparelho. O loiro estava pálido e parecia suar frio.
Peguei o celular, um pouco nervosa. Por algum motivo, eu sabia que coisa boa não era. Respiro fundo, antes de visualizar o motivo de desespero de Austin. Ao terminar de ler, entendo a reação de Austin.
“O rei de Krósvia acaba de dar entrada ao Hospital Saint Petersburg após uma parada cardíaca, enquanto cumpria com um de seus compromissos no Orfanato Nevamed.
Ainda não foram reveladas informações do estado de saúde do monarca, no entanto, segundo testemunhas que presenciaram a entrada do rei ao pronto socorro, a situação pode ser mais grave do que se parece...”
Paro de ler a reportagem que Austin recebeu e o encaro, sem saber o que fazer. Meus amigos me olhavam preocupada, tentando entender o que estava acontecendo.
O desespero toma conta do meu corpo. Eu não podia acreditar que isso está acontecendo. E antes que eu pensasse em qualquer coisa, sinto os braços de Austin ao meu redor e a única ação que tenho é começar a chorar, correspondendo ao abraço do loiro, sem me importar com nada nem ninguém.
Diferente do que foi ensinado a mim, hoje, eu não fingiria que estava tudo bem. Eu não iria fingir que sou forte ou que isso não é nada demais. Pela primeira vez, após muitos anos, eu iria ser eu mesma, porque hoje, eu sou só uma garotinha que está com medo do que pode acontecer com seu pai.
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Continua...
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