Unlike Cinderella...
12 Capítulo 11 - Reunions
Notas iniciais
POV Ally
– Ally? – ouço Austin sussurrar.
– Austin? O que está fazendo aqui? – sussurro de volta, surpresa e assustada.
– O que aconteceu? – pergunta, parecendo preocupado, no entanto ainda sussurrava.
– É, novata. O que aconteceu? – o tom irônico usado por Brooke fez meu estômago embrulhar com ansiedade.
Eu não faço ideia do que falar. Ao mesmo tempo em que não quero mentir para Austin, não quero complicar ainda mais a situação. E meu dia melhora cada vez mais.
– Não aconteceu nada. – digo sorrindo falsamente. Percebi que Austin notou que eu estava mentindo e antes que ele falasse qualquer coisa, complemento: — Eu imagino que queiram ficar sozinhos. Se me derem licença.
Saio o mais rápido possível da biblioteca. Eu nunca pensei que conviver em meio a inúmeros adolescentes poderia ser tão problemático. Eu só espero que Austin consiga resolver a situação.
Enquanto andava sem rumo pela escola, esperando o término do intervalo, esbarro em alguém. Após o impacto, vejo que é uma garota loira, um pouco mais alta que eu.
– Sinto muito. – digo assustada. A garota me olha confusa e logo ri.
– Não tem problema. A culpa foi minha, também, por não olhar por onde ando. – fala. Solto um suspiro de alivio e estendo minha mão para a garota levantar. Ela aceita e logo começa a se limpar. – Sou Cassidy Turner.
– Sou Allycia Dawson, mas pode me chamar de Ally. – digo sorrindo. Cassidy. Esse nome não é estranho. Espere, esse é o mesmo nome da ex-namorada de Austin.
– Ally? Tudo bem? – pergunta a loira, parecendo confusa.
– Hãn? Ah, sim, estou bem. – respondo, sorrindo sem-graça.
– Certeza? Você ficou branca de uma hora para outra. Parece até que viu um fantasma. – Cassidy pergunta.
– Sim. Obrigada pela preocupação. – agradeço, recuperada do susto inicial. – Eu tenho que ir.
– Você vai para que lado? – pergunta sorrindo simpática.
– Para lá. – respondo apontando para frente.
– Eu vou com você. – diz e logo começamos a andar. – Você é nova por aqui, não é?
– Sim, eu sou. Como sabe disso? – questiono, confusa.
– Normalmente, as pessoas daqui são mais metidas e costumam me ignorar. – fala, entristecida.
– Por quê? Você parece ser tão legal. – digo com sinceridade.
– Obrigada, Ally. – a garota volta a sorrir. – Bem, o nome dos meus problemas é Brooke Clark. Imagino que já a conheça ou ouviu falar.
– Acertou, novamente. – falo, suspirando cansada.
– Ela mexeu com você, não é mesmo? – afirma, balançando a cabeça negativamente.
– Sim. – confirmo cansada.
– Eu sabia. – diz, Cassidy, irritada. – Antes de sair desta escola, Brooke vivia para me importunar. Ela é o tipo de garota que eu mais detesto e desprezo no mundo.
– Mas, ela fazia isso por algum motivo? – pergunto, já sabendo a resposta, no entanto, preciso confirmar que ela é mesmo a ex-namorada de Austin.
– Para dizer a verdade, sim. – diz, suspirando frustrada. – Ally, você pode guardar segredo? Esquece, isso é loucura. Não conheço você a tanto tempo assim. – completa rindo com tristeza.
– Pode confiar em mim, Cassidy. – falo com sinceridade e olhando em seus olhos.
– Certo. – responde seriamente. – Você conhece Austin Moon? Nossa, que pergunta idiota. Se estuda aqui, com certeza, o conhece. – fala rindo de sua pergunta. Deus! Essa é a mesma Cassidy que Austin havia falado!
– Sim, eu conheço. Mais do que você imagina. – sussurro a última parte para mim mesma.
– Eu namorava com ele e, bem, Brooke é obcecada por Austin. Ela me odiava por ter conseguido ficar com ele e ela não. Com isso, Brooke começou a aprontar mais e mais comigo para me fazer desistir de Austin. No começo, eu consegui aguentar a pressão de ter a escola toda contra mim, mas depois... A cada dia que se passava, mais eu sofria nessa escola. Eu não podia contar a Austin o que acontecia comigo, pois, conhecendo-o como eu conheço, sabia que ele iria se colocar em risco para me defender. – conta, Cassidy, com um leve tom de irritação e depois de tristeza. – Juro que tentei resistir as trapaças e planos malignos de Brooke, mas não sou tão forte assim. Terminei meu namoro com Austin e me mudei da cidade por um tempo. Eu precisava esquecê-lo e continuar a viver minha vida. Algum tempo depois eu comecei a namorar com outra pessoa e continuamos juntos até hoje.
– Nossa, imagino que tenha sido difícil para você. – digo sincera.
Cassidy e eu estávamos sentadas no pátio. Enquanto ela me contava sua história, mais raiva eu sentia de Brooke. Maltratar pessoas apenas por inveja é maldade demais. Cada um tem capacidade de encontrar a felicidade. Fazer as pessoas infelizes jamais trará felicidade própria, apenas mais destruição para si mesmo.
– Sim, foi difícil. Mas, sabe, Ally, hoje eu estou bem. Sou feliz com meu namorado e acho que Austin também encontrará o amor logo. Ele é um cara maravilhoso, com personalidade difícil, não posso negar, mas possui um grande coração. – diz esperançosa.
– Cassidy, sei que não é da minha conta, mas... Por que você está aqui? – pergunto com curiosidade. Será que ela veio se encontrar com Austin? Por que essa possibilidade me incomoda tanto?
– Preciso pegar alguns documentos que estão com a Sra. Gibson. – responde sorrindo simpática. – Como voltei a morar em Miami, vou precisar de algumas coisas para terminar os estudos.
– Vai estudar aqui? – questiono.
– No Marino? Não, nem pensar. Odeio esse lugar e, principalmente, as pessoas que estudam nela. – responde convicta.
– Mesmo? – falo rindo pelas caras e bocas que Cassidy fazia.
– Não odeio você, é claro. – diz rindo. – Mas, não daria certo estudar aqui de novo, por isso irei para outro colégio.
– Fico feliz que não me odeie. – digo rindo e sou acompanhada pela loira.
– Cassidy? – ouço a voz de Austin e logo paramos de ri. A loira olha em direção ao garoto e se surpreende ao vê-lo.
– Austin. – fala Cassidy com seriedade.
– O que você está fazendo aqui? – pergunta o garoto no mesmo tom de voz que Cassidy.
– Acho melhor eu sair. Vocês devem estar querendo conversar as sós. – falo, um pouco incomodada. Não entendo o porquê, mas, ver Austin e Cassidy frente a frente me deixa com uma grande angustia no peito.
– Não. – falam os dois ao mesmo tempo.
Que ótimo. Agora, como eu vou sair dessa? Não quero me envolver em uma discussão entre os dois. Além disso, o intervalo já está acabando e eu ainda não fiz nem metade do que eu queria fazer.
– Mas... – tento argumentar, mas sou interrompida por Austin.
– Ally, fica, por favor.
– Você a conhece? – pergunta Cassidy.
– Sim. – responde o loiro. Em seguida, ele continua a falar com um tom de voz esperançoso. Vê-lo assim por causa de Cassidy faz meu peito doer. Não sei ao certo o porquê. — Você ainda não respondeu minha pergunta.
– Estou aqui para buscar alguns documentos. – responde a menina com tranquilidade.
– Ah, entendo. – fala Austin, decepcionado. A cara que ele fez foi de partir o coração. Ele ainda gosta dela.
– Mas, digam-me como vocês se conheceram. – pede Cassidy a mim, animada.
Antes que eu respondesse, o sinal de fim do intervalo soou por todo o colégio. Foi inevitável não soltar um suspiro de alivio. A tensão no ambiente estava me deixando cada vez mais nervosa e eu já nem sabia mais o que falar.
– Eu preciso ir. Foi um enorme prazer conhecê-la, Cassidy. – digo sorrindo.
– Já? Bem, eu digo o mesmo, Ally. Você é uma garota incrível, por isso, não se deixe influenciar pelas pessoas desta escola. Elas são podres, mesquinhas e idiotas. – fala me dando um abraço apertado.
– Claro. – correspondo com prontidão. Jamais imaginei que me acostumaria com a demonstração de carinho das pessoas de Miami tão rapidamente. Krósvia é tão diferente daqui.
Quando estou prestes a sair do lugar, sinto Austin segurar meu braço com cuidado. Não demora muito e ele sussurrar próximo ao meu ouvido:
– O que Brooke te fez? Você prometeu não esconder nada de mim.
Olho para o garoto e depois para Cassidy que nos encarava com curiosidade. Queria muito saber o que se passa na cabeça da garota. Volto meu olhar para Austin e suspiro frustrada por ainda continuar ali.
– Conversamos depois, sim? Irei me atrasar para a aula. E não se preocupe. Brooke não me fez nada demais e eu não esqueci o que te prometi. — sussurro de volta para o rapaz.
Austin solta meu braço e suspira aliviado. Aceno para Cassidy e vou para sala. Assim que sento em minha cadeira, começo a repassar tudo o que aconteceu até agora. Faz apenas quatro dias que estou em Miami e tudo o que acontece a minha volta só me faz acreditar que não conseguirei viver como uma adolescente comum.
[...]
– Ally. – Trish me chama na porta da sala, após o término das aulas.
– Oi Trish. – cumprimento.
– Mais uma vez você não falou comigo no intervalo. – diz, parecendo chateada.
– Eu sinto muito, Trish, mas tive que resolver algumas coisas. – lamento, envergonhada. – Mas, onde estão Dez e Austin?
– Dez já foi embora. O pai dele veio conversar com a diretora e, aproveitou que as aulas acabaram e levou o panaca para casa. – respondeu. – O Austin eu não o vi desde o intervalo, que, por sinal, ele estava muito estranho.
– Estranho como? – pergunto, enquanto caminhamos rumo a saída da escola.
– Estanho do tipo sair correndo do nada feito um louco. Será que aconteceu alguma coisa com ele? – diz pensativa.
– Eu... – começo a falar, mas sou interrompida pela morena.
– Minha mãe chegou. Eu tenho que ir, Ally. Vejo você mais tarde lá no Shopping. – despede-se Trish, dando-me um abraço rápido.
– Tchau. – digo em resposta.
Começo a andar para o lugar onde Austin me deixou mais cedo. Enquanto caminho, observo a paisagem e me questiono sobre Austin. Ele é incrível, mas uma total encrenca. Não estou dizendo que é uma má pessoa, no entanto, ele não respeita regras e tem uma forma bem estranha de demonstrar preocupação. Tão diferente de mim. Então, por que o Austin? Poderia ser qualquer cara no mundo, mas por que eu tenho que me casar com ele?
E, de repente, começo a pensar em meu irmão. Assim como Austin, Philip não respeitava as regras. Não aceitava que controlassem o seu destino. Ele foi tão extremo em suas escolhas que foi capaz de abdicar do trono para viver seu sonho.
Nesse momento, eu pareço tão errada, covarde. Eu digo as pessoas que não quero me casar e que amo a música, no entanto, sou incapaz de ir atrás dos meus sonhos, porque tenho medo. Tenho medo de decepcionar o meu povo, medo de estragar tudo. Não tenho coragem de arriscar, assim como Austin e Philip.
Mas, talvez, convivendo no meio de tantas pessoas incríveis, eu consiga mostrar a todos o meu eu verdadeiro. Talvez, com a oportunidade de experimentar um mundo, completamente, diferente do meu, eu possa aprender a encarar as coisas de frente e ser uma boa rainha.
– Ally. – diz Austin, assim que saiu do carro. – Está na hora de irmos.
– Claro. – falo, entrando no carro.
– Como conheceu Cassidy? – pergunta o loiro. Eu sabia que essa pergunta seria feita uma hora ou outra.
– Na hora que eu sai da biblioteca, acabei esbarrando nela e meio que começamos a conversar. Ela é uma garota incrível, Austin. – respondo.
– Sim, ela é incrível. – concorda Austin com seriedade.
– Você está bem? – pergunto. Ele estava tenso. Segurava o volante com força e sua expressão facial não era uma das melhores.
– Não, eu não estou bem. – diz irritado. — Esse está sendo um dos piores dias da minha vida.
– O que aconteceu? – questiono preocupada.
– O que aconteceu? Aconteceu que eu tive que aguentar a Brooke no meu pé em dois horários, o dono da gravadora está querendo desfazer o contrato caso eu não consiga músicas novas, fui agarrado pela vaca da Brooke, encontrei com a minha ex-namorada e você ainda não me contou o que a vaca te fez. Acha que é pouca coisa ou você quer mais? – diz com ironia.
– Brooke te agarrou? – pergunto assustada.
– Jura que você só prestou atenção nisso? – fala irritado.
– Sinto muito pelo seu dia. – falo me encolhendo no banco do carro devido ao ataque de Austin.
– Olha, desculpa, ‘tá legal? – diz, após dá um longo suspiro. – Meu dia não está sendo como eu planejei. Quando as coisas não saem como eu quero, acabo descontando minha raiva no primeiro que aparece.
– Tudo bem. – digo um pouco mais relaxada.
– Só... Só me fala o que aconteceu entre você e Brooke, ok? – pede mais calmo.
– Ela... – começo, mas me interrompo por um momento, pensando no que falar exatamente. – Ela jogou na piscina o meu livro favorito. Eu estava lendo nos fundos da escola e de repente ela apareceu. Disse que eu tinha que fazer o dever dela e o das amigas e um monte de outras bobagens. Eu não concordei com sua ordem e a mesma pegou meu livro e jogou na piscina. Depois disse que se eu não fizesse o que ela queria, Brooke faria da minha vida um inferno. – explico.
– Eu não acredito! – fala Austin com muita raiva. – Aquela cadela! Como ela tem coragem de fazer isso?
– Austin, está tudo bem. – falo, tentando acalmá-lo.
– Tudo bem? Não, Ally. Não está nada bem por aqui. Ela está fazendo de novo. E isso só vai piorar mais, porque ela nos viu conversando. Droga! Eu sou um idiota. – diz, culpando-se.
– Pare, por favor. Ela não vai fazer nada comigo, está bem? Não precisa se preocupar. – digo com convicção.
– Ela vai fazer, Ally. Eu sei que vai. – diz tenso, mas um pouco mais calmo. – Eu preciso pensar em algo para te proteger dela.
– Eu não sou um bebê indefeso, Austin! Ela aprontou uma, mas não quer dizer que eu não vou conseguir me defender dela. – argumento, começando a ficar irritada.
– Você não entende, Ally...
– Não, Austin, você é que não está entendendo. – interrompo o garoto. – Eu vivi a minha vida toda em um reino, tendo contato com todo tipo de perigo. Verdade que estou chateada pelo o que Brooke fez, mas não quer dizer que não sei lidar com a situação. Comparada com as lutas políticas que meu país já enfrentou, Brooke não chega nem a ser uma ameaça. Eu preciso aprender a lidar com Brooke sozinha. Não tenta me proteger disso, está bem?
– Não subestime Brooke, Ally. – fala Austin. Que garoto mais cabeça dura!
– Não me subestime, Austin. Precisa confiar em mim. – peço, irritada.
– Eu confiei em Cassidy e olha a que ponto chegamos. – diz o loiro, dando o assunto por encerrado.
– Eu não sou a Cassidy. – sussurro para mim mesma.
Ainda que eu tentasse dizer qualquer coisa a Austin, ele não me ouviria. Já deu para perceber isso só com essa nossa conversa. Estou feliz por saber que ele se preocupa comigo, mas ele não pode me proteger de algo que preciso enfrentar. Existem coisas da qual não podemos fugir. Por mais que a gente tente, haverá um momento que o encontro com o obstáculo será inevitável. E ai, não há nada do que se possa fazer senão superá-lo.
✻
Continua...
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