Unknown Text

1 Capítulo Único - Unknown Text


Notas iniciais
esse cap foi escrito por mim e só por mim, não tinha nome quando criei pra ser um One-Shot e continua sem nome agora que postei como One-shot

Vida. Não sei mais o que isso realmente quer dizer.

A chuva caia, fria e melancólica, lá fora, o frio era a mais poderosa força que predominava. Aqui, nessa casa de madeira, a lareira arde, mas o frio ainda domina.

Pessoas dançando e bebendo. Meu corpo sente o calor que vem do fogo, mas minha alma, minha alma sente o frio.

''Seja normal ao menos uma vez na vida!’’
Não sou normal, nunca fui e nem faço questão de ser, não é porque você QUER que eu seja que eu PRECISO ser, eu serei normal se eu quiser, mas me diga: o que faz de mim anormal? o fato de eu ter opinião própria? o fato de que o que você fala de mim não influencia no que farei? o fato de para mim você não passa de só mais uma máquina entre tantas outras? você não sabe o que quer, só quer o que os outros querem, e o que os outros querem não é o que EU quero, por favor, me mostre UM argumento que prove que sou anormal, que tenho algum problema. Sou mais normal que você, coisa sem cérebro.”
’’...’’
''Sabia.''-O diálogo veio a minha mente.

Naquele dia eu fiquei conhecido como “Estranho”

“O ‘Estranho’ fez isso, o ‘Estranho’ fez aquilo, o ‘Estranho’ é tão anormal.” Todas essas pessoas fúteis e vazias me chamaram assim.

Levantei-me, olhando para a porta, uma coisa de madeira pintada de azul, e sai.

Sem nenhuma palavra, me sentei e olhei a chuva cair.

As gotas caíam com enorme velocidade.

“Elas começam de cima, pra morrer em baixo.” Uma vez me disse meu melhor amigo.

Andei até a chuva, olhei para cima. Uma lágrima insistia em cair, se disfarçando na chuva.

Fechei meus olhos. “É assim, sempre foi.” O pensamento veio sem ser chamado.

“Volte” alguém gritava para o Estranho, mas eu não me importava.

“Venha” alguém cobriu o Estranho e o levou de volta para dentro, lá estava seco.

“Sorria, sorriam todos!” Um bêbado gritava.

Me enrolei na manta que me cobria, perto da lareira.

Meu melhor amigo morreu há dois anos, vítima de um assalto.

“Como seria eu capaz de sorrir? Dentro de mim é vazio.” Pensei.

A morte está sempre pairando sobre nós, sempre esperando, andando lado a lado.

“Por quê?” Sempre me pergunto, poderia ter sido eu, eu preferiria que fosse eu. Ele era meu melhor amigo, o único amigo do Estranho. Estávamos andando na rua, quando ele pediu para eu comprar algo para bebermos, apenas escutei o tiro.

Essa nossa justiça falha nada fez, o assassino foi levado para uma delegacia, após subornar cinco pessoas, saiu, livre e sem medo, pôde voltar a matar e roubar.

Nos meus sonhos eu posso vê-lo, não o assassino, o meu melhor amigo. Gostaria de poder dormir e nunca mais acordar, estar sempre no meu sonho.

A vida nunca me deu essa chance, sempre acordo, pedindo pela misericórdia de minha morte, esperando que algo me trouxesse isso. Nada trouxe, continuo vivo, nessa existência vazia e sem sentido.

“Pare!” Uma pessoa gritou. Me virei para ver o que acontecia. O bêbado que queria sorrisos tinha uma garrafa quebrada na mão, apontava-a para minha irmã.

“Novamente vou ver isso, por favor, me mate também”Uma parte insistia, mas uma pequena parte, dentro de mim gritava: “Não, não, impeça, você pode, ou ao menos tentar.”

Odeio bêbados, meu pai estava assim quando esfaqueou minha mãe até a morte. Sem saber como ou porque, agarrei um copo e o atirei. Antes de perceber o que estava fazendo o Estranho estava de pé, com uma vassoura na mão.

O bêbado se virava para o Estranho, com a garrafa na mão, o namorado da minha irmã estava descendo as escadas quando viu o que acontecia. O Estranho foi desarmado, Ele correu para baixo, tropeçou e rolou as escadas até bater a cabeça no chão e desmaiar.

O Estranho apertava o pescoço do bêbado com toda a força, o bêbado esperneava e gritava, seu rosto ficava roxo. A irmã do Estranho chorava, o bêbado havia conseguido alcançar outra garrafa.

“Acabou, agora eu receberei a misericórdia da morte.” Pensei enquanto nova garrafa se partia em minha cabeça.

O sistema é frágil e falho, esse bêbado vai matar mais pessoas, e vai sair impune. Talvez tenha sido este o pensamento que fez-me levantar novamente, o Estranho e bêbado se olhavam. Não sei mais se sou eu ou o Estranho, mas um copo de chocolate quente voa no rosto do bêbado, queimando-lhe toda a face. O bêbado recebe um golpe entre as pernas, o namorado da minha irmã havia o acertado. Eu pulo em cima desse bêbado e o Estranho o soca, golpes que arrancam sangue, uma mão segura com força o pescoço do bêbado, alguém tenta tirar o Estranho de cima dele, mas eu o empurro e continuo a bater, o bêbado agoniza. O ar não chega a seus pulmões. Ele morre.

Um riso histérico invade o ar, tomando conta do ambiente. “Quem está rindo?” me pergunto e olho todos os rostos, rostos aterrorizados e cheios de temor.

“Sou eu, eu estou rindo” Percebo de súbito, lágrimas escorrem. “Estou chorando e rindo.” Vejo seu rosto flutuado a minha frente, meu melhor amigo com uma expressão de desapontamento. “Nunca me senti tão vivo, minha alma finalmente recebe o calor que buscava, e esse calor vem do sangue deste morto” Rio ainda mais histericamente.

“Foi pra isso que nasci. Matar é minha razão de viver.” Penso e vejo seu rosto ainda mais desapontado.

“Me tornei um assassino” A verdade atravessa minha mente. “Igual aquele ladrão. Pior, enlouqueci.” Alcanço uma faca que se encontrava largada em um prato. “Não, não faça isso. Você está vivo agora!” Uma parte dentro de mim gritava, então sabia que tinha enlouquecido. Eu sou eu, e não o Estranho. “Eu não posso esperar mais, só eu posso me conceder esta dádiva.” Meu último pensamento. Então, num ato de loucura, ou talvez meu último ato de lucidez enfio a faca no meu peito. A dor me relaxa. Tudo escurece, vejo-o estender a mão para mim. “Morri, é o fim.” Penso enquanto tudo se apaga para mim.

Notas finais
é só
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!