Unknow

4 Capitulo 4


Peter abre a porta do quarto da minha vó e entra sem ligar a luz. Está tudo escuro, como o resto da casa, e eu não posso deixar de estranhar a situação. Minha vó nunca foi de dar umas escapadas. Não que eu tenha percebido nada. Não que eu tivesse procurado também, já que ela era uma senhora de idade. Agente nunca duvida delas, até aparecerem com um namorado.

Peter abre as janelas e sobe o parapeito escalando até a laje. Ele demora um instante antes de me oferecer a mão para que eu faça a mesma coisa. Eu tento não olhar para baixo, mesmo que não tenha muita coisa para ver já que praticamente estamos colados com o muro do vizinho.

Ele me puxa até o telhado e eu paro arfando. Está frio e chovendo. E eu amaldiçoou.

Posso ver algumas pessoas aparecem na janela desconfiadas e preocupadas com o barulho de tiros e estou certa de que logo a policia aparecerá. Só tenho que ficar viva até lá.

Sigo Peter até a frente da casa engatinhando e tentando não pensar na sujeira sob minhas mãos. Lajes não foram feitas para serem limpinhas.

Há vans paradas no meio fio e vejo movimentação no escuro,caras armados entrando na loja. Puta merda!

– Você perdeu sua jaqueta de couro – resmungo pra Peter.

– Você perdeu seus muffins – ele diz como se fosse uma competição. Como se fosse a coisa mais importante que eu tivesse perdido.

Mas não há sentido pensar nas coisas que eu perdi. Não quero ir nisso agora. Sinto que se eu fizesse ia ficar chorando e estaríamos perdidos.

Meus livros…

Engulo. São só livros. Ninguém vai rouba-los. Se acalme!

No momento, só quero sair daqui e entender o que esta acontecendo. Porque eu sei que aqueles caras lá embaixo não são bandidos normais.

Quem é que iria precisar de metralhadoras Render e duas Vans para roubar uma lojinha com uns trocados no caixa? Tenho certeza que se quisessem roubar a cafeteria da minha vó um viciado com uma Glock 40 roubada já bastava.

– E agora? – pergunto desde que Peter está quieto.

Ele olha para os dois lados e me puxa até de novo até a casa do vizinho.

– Vamos ter que pular.

Eu aceno pensando que se eu cair vão ser só provavelmente uns seis metros.

Ele pula primeiro, fazendo parecer fácil.

Eu hesito, dando um tempo para os possíveis policiais aparecerem e evitar que eu faça uma burrada. No entanto, ouço sons de passos na escada e tenho certeza que são os caras maus, então corro e pulo.

Peter me pega quando eu caio de forma errada e ralo o joelho.

– Você está bem? – eu ouço uma risada em sua voz.

Nada cavalheiristico. Cerro os dentes.

– Temos que nos esconder – digo indo para trás da caixa d’água.

Antes que ele fale algo, ouvimos comandos vindo da minha casa. São muito baixos para entender, mas não é preciso ser uma expert pra saber que a próxima coisa que vão fazer quando não nos encontrarem é procurar nas casas próximas.

– Vamos. Eles estão na nossa cola – Peter fala.

Corremos meio agachados até o final da casa e descemos escalando o muro já que não dava para ficar pulando de uma casa a outra devido a irregularidade de alturas. No final, eu estava mais que esfolada e por minha própria culpa. Nunca fui uma garota-moleque.

Nos escondemos entre as árvores da rua pensando em uma maneira de pegar a moto, até que finalmente eu ouço sirenes. Graças a Deus!

Não preciso mais do estranho bonitão, nem ficar correndo…

Vemos os caras entrando nas vans e cantando pneus. Antes que eu fique aliviada, Peter esta tentando me puxar para a moto.

– Não não não não… — eu grito – A policia esta vindo. Não vou com você.

– Você tem que vir – ele fica repetindo.

– Quem disse? – esfrego a mão pela testa- Você é o cara mais mandão que eu conheci! E não me conta nada! É muito frustrante! Eu estou machucada, cansada e tenho que procurar minha vó. Foi bom te conhecer. E espero nunca mais te encontrar.

Dou um aceno e me viro para esperar pela policia nos meus vizinhos.

– Espera – ele me para – Colbie eu tenho uma ideia do que aconteceu com sua vó. Prometo te contar tudo se você vir comigo.

Olho desconfiada. Porque no mundo é tão importante acompanha-lo?

Conheço todos os perigos de ir com um estranho, olho para trás, para a escuridão da minha casa.

Conheço todos os perigos de voltar pra lá também.

Olho de novo para Peter e sua mão estendida ponderando.

Eu consigo lidar com um cara, se ele der problema, mas não com meia dúzia armada.

No entanto, decido que prefiro correr o risco com os caras armados. Eles podem não voltar. Afinal, talvez tenha sido só uma tentativa de roubo mesmo. Isso, é explicável. A atitude de Peter não. Nem na arma que ele carrega.

– Adeus – digo decidida a parir.

Porém Peter tem ideias diferentes, porque quando me viro, e antes que eu possa perceber, ele enfia um pano no meu nariz e eu apago.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.