Unkiss Me
7 Who is he?
“Parabéns! Você passou no primeiro teste da fraternidade! Comemore sexta, às 21h00 no nosso prédio.
PS: To torcendo por você ;) — Adam”
– Passou? — Carly perguntou lendo o bilhete por cima do ombro. Ainda era cedo. Faltava meia hora pra aula começar.
– No primeiro teste. É mesmo tão legal como todos falam?
– Bom, como você pode ver, eu não pertenço a fraternidade. Eu ainda moro na república feminina. Mas nunca tentei entrar. Não acho que é algo que vá mudar muita coisa na minha vida.
– As pessoas de lá são legais. Eu sempre pensei o contrário.
– Até conhecer o Adam. — Carly falou com um sorriso sapeca no rosto.
– Eu e o Adam... Quer dizer, nem existe “Sarah e Adam”. É só físico, entende? A gente só se beija. Mas ele é legal. E você? Nunca se interessou por ninguém?
– Prefiro ficar na minha. E prefiro também os garotos normais. — Olhei pra ela com uma sobrancelha arqueada.
– Por que não gosta da fraternidade?
– Só tem riquinhos que acham que são os melhores.
– Eles já fizeram alguma coisa pra você?
– Não. Eu só não curto, ok?
– Mas tem que ter alguma explicação.
– Sarah, eu só não vou com a cara deles, tá? Só porque eu não tenho um pensamento como a maioria, não quer dizer que algo aconteceu.
– Pelo menos você se dá bem com todo mundo aqui na república.
– Você tá tentando me encurralar? — Parece que alguém ficou nervosa.
– E por qual motivo eu faria isso?
– Tá parecendo um interrogatório isso. É por causa do seu novo namorado? Ele não é o cara mais legal da universidade só porque é da Omega.
– Novo namorado? Eu acabei de te falar que não temos nada.
– Certo... Quero só ver nessa nova festinha da fraternidade. — Ela falou rindo. Carly deve ter pensado que eu não reparei quando ela jogou o assunto de volta pra mim, me colocando no centro da coisa toda. Ela realmente achava que eu sou uma menininha ingênua. Ela sabia de alguma coisa. Isso tinha ficado claro pra mim.
(...)
– Para de falar que nem desesperada. — Stevens reclamou. Eu saí da primeira aula pra falar com ele pelo celular. Eu tinha entrado no banheiro pra que ninguém ouvisse.
– Ela sabe de alguma coisa. — Suspirei. — Tudo começou quando eu perguntei sobre o porquê de ela não ter tentado entrar na Omega. Até pensei “pra ela disfarçar a coisa toda, pode ser”. Ela começou a ficar nervosa com as perguntas. Ela sabe de alguma coisa.
– Espera. Ela quem? — Revirei os olhos.
– Carly. Você prestou atenção no que eu falei?
– Eu me viro com ela. Cuida dos riquinhos da Omega. Se eu conseguir algo, te ligo. — Voltei pra aula. Todos os grupos já tinham se reunido. Fui até o meu.
– Oi. — Falei sorrindo de canto.
– Achei que estaria aqui pra fazer o trabalho. — A mesma menina do outro dia, que acenou pro Isaac, cutucou.
– Bom... Eu não sou um holograma. — A outra garota deu um risinho baixo. — Problema de família. — Dei um sorrisinho falso erguendo o celular.
– Tá tudo bem? — Isaac perguntou.
– Acho que sim. Tudo ótimo. — Falei sorrindo.
– Já que vocês são amigos, explica o trabalho pra ela, Isaac. — Essa menina implicou comigo, não é possível!
– Qual seu nome? — Perguntei.
– Samanta.
– Certo, Samanta. Eu sei sobre o que é o trabalho. Vamos ter que explicar a grandeza vetorial de um modo visível, podendo usar até vídeo. Eu voto por maquete. E qual seu problema comigo?
– Ela não passou no teste da fraternidade. E, além de você ter passado, tá saindo com um cara de lá. — Isaac falou baixo no meu ouvido e deu um sorrisinho simpático pra ela. — Maquete é uma boa. Todo mundo vai usar vídeo.
– Acho que é isso que a professora quer. — O menino, que eu não sabia quem era, falou.
– É que vendo como funciona, fica mais fácil pra pessoa do outro lado entender. Algo que dê pra tocar, você sentir a coisa, entende? — Falei.
– Isso ficou esquisito. — Isaac resmungou do meu lado.
– O que foi agora? — Perguntei revirando os olhos.
– Nada. É que pareceu uma coisa erótica. — Todos do grupo riram, inclusive eu, mas empurrei ele pro lado.
– Ridículo. — Isaac deu um risinho. — Vocês entenderam o que eu quis dizer. — Continuamos discutindo sobre o trabalho, vendo como iríamos fazer as coisas. No intervalo, decidi ver se tinha algo nas coisas da Carly, mas acabei encontrando o Jordan pelo caminho. E ele parecia angustiado, com falta de alguma coisa. Não preciso falar de que.
– Tá tudo bem? — Perguntei sentando do lado dele. Era uma parte do jardim mais afastada dos prédios. Não havia quase ninguém.
– É que... Sumiram umas coisas minhas.
– Não seria o caso de falar com a polícia do campus?
– Melhor não. Eu ia acabar me ferrando.
– É pornô? Você já é maior de idade. Eles não iriam ver problema. — Jordan riu.
– É outra coisa.
– Algo ilícito?
– Tipo isso.
– Não tem nem ideia de quem tenha sido?
– Não. Eu posso arrumar de novo. Mas to sem grana.
– Eu posso te emprestar. — Ele me olhou desconfiado. — Eu já tinha ouvido falar que rola algo assim aqui dentro.
– E você quer saber sobre isso porque...
– Eu... Talvez eu esteja interessada em algumas coisas.
– Bom... Você me empresta o dinheiro e eu te mostro. — BINGO! Sorri.
– Obrigada.
– Se quiser, eu posso te mostrar agora. — E lá fomos nós. Passei no meu quarto pra pegar dinheiro e depois o segui. Chegamos até o porão do prédio de humanas. Não era bem um porão. Parecia a parte restrita de algum museu. O certo seria só funcionários circularem por ali. O que me diz que algum deles sabe ou já ouvirem sobre o tráfico de drogas.
– Como ninguém descobriu isso ainda? — Perguntei em voz baixa.
– Quase ninguém vem aqui. Ei, Scoot. — Avistei um cara na nossa frente. Se ele era da universidade, era de outro campus. — Tem quantos?
– Fala baixo, cara. Já falei sobre ser tão explícito. E quem é ela? — Ele me analisou de cima a baixo.
– Ela tá interessada. — Olhei bem pro rosto dele. Seria difícil fazer um retrato falado. Suas características eram muito comum. Mas ele tinha um piercing na orelha e uma cicatriz no canto do lábio, o que ajudava muito.
– Faço 10 por 50.
– Isso é uma oferta? — Perguntei.
– Pegar ou largar, loirinha. — Tirei uma nota de 50 do bolso e entreguei pro tal Scoot. Ele nos deu os pacotinhos e saímos do porão. Dei 4 pro Jordan e fiquei com o resto.
– Ele estuda aqui? Nunca o vi pelo campus.
– Não. Mas ele frequenta bastante aqui. Vai em todas as festas. Principalmente da Omega. — Me despedi dele e voltei pro prédio de exatas. Cheguei atrasada porque parei pra comprar alguma coisa pra comer.
– Isso é uma recompensa por todos os salgadinhos que você roubou de mim?
– Nem vem, Isaac. To morrendo de fome. — Ele fingiu que não me ouviu e enfiou a mão dentro do pacote.
(...)
– Pede pro meu irmão me procurar depois? — Pedi pro Isaac enquanto íamos para as nossas repúblicas.
– Claro. Espera aí que sua mochila tá aberta. — Ele foi fechar pra mim. — Hm... Sarah...
– Oi. — Eu respondia uma mensagem do Adam, que perguntava se eu realmente iria na social da fraternidade.
– Isso é sério? — Ele colocou um dos pacotinhos na minha frente. Peguei da mão dele.
– Nem fala nada. — Enfiei na mochila e fechei.
– Eu achava que você não era dessas. Seu irmão sabe disso?
– Te disse pra não falar nada. Olha, eu não uso sempre, tá?
– Você não é burra. Sabe que isso vicia que nem crack. — Revirei os olhos. — Eu te conheço faz pouco tempo, mas não quero você metida com coisas que possam te prejudicar.
– Já disse que não uso sempre. Não sou uma drogada louca pra cheirar a toda hora. Obrigada pela preocupação, mas sem lição de moral, Isaac. Até amanhã. — Acenei e continuei o caminho pro meu quarto. Carly ficou lá o dia todo. Desci com a mochila quando o Stevens me avisou que tinha chegado. Fomos até o escritório do chefe pra entregar os pacotes e eu contei sobre tudo pra ele durante o caminho.
– Você perguntaria pra ela sobre isso?
– Fala que você ouviu falar sobre ele e que muita gente conhece esse Scoot. Pergunta se ela conhece também. Você sabe reconhecer um mentiroso, Laura.
– Sim, mas se ela for uma mentirosa, ela é realmente muito boa.
– Vou nesse lugar aí que você me falou amanhã pra ver se encontro alguma coisa. Ou, quem sabe, falar com algum funcionário que circule por lá, ver se viu mais alguém. Já sabemos o fornecedor. Estamos quase lá, loirinha.
– Não me chama de loirinha. — Resmunguei e ele riu baixo.
(...)
– Parece que não te vejo faz séculos. — Adam falou assim que me aproximei e me deu um selinho. Eu fui até a biblioteca e acabei o encontrando lá.
– Não nos falamos faz uns dois dias.
– Sua culpa. — Revirei os olhos rindo.
– Certo...
– Estudando muito? — Ele perguntou quando eu sentei ao seu lado.
– Um pouco. Aquele meu amigo tem me ajudado.
– Ele é bastante prestativo pelo visto.
– É. Ele tem bem mais facilidade com as fórmulas e... — Olhei pra ele. — Isso foi uma ironia? — Perguntei franzindo a testa e tentando esconder o sorriso.
– Aquele menino vive grudado em você.
– Eu sou uma das únicas com quem ele fala. E meu irmão é colega de quarto dele. Dá um desconto. E eu não sabia que você era ciumento.
– Não sou ciumento. — Adam estava com um bico gigante na cara. Tive que rir, botando a mão na boca em seguida. A bibliotecária me olhou feio — Só to falando a verdade.
– Ele é um bom amigo. — Me inclinei e dei um selinho nele.
– Eu posso ser também.
– Ah, mas eu sei disso.
– Também posso ser um bom beijador.
– Eu sei isso também. — Adam me beijou.
– Te pego as oito amanhã? — Sorri.
– Claro. — Dei outro selinho nele e voltei a sentar na cadeira.
(...)
– Seu irmão saiu. — Isaac falou pra mim, sem tirar os olhos do livro, quando eu abri a porta do quarto deles.
– Não vim por causa dele. — Fechei a porta e sentei do lado dele. — Não era pra mim. — Ele me olhou de canto. — E para de fingir que tá lendo isso porque eu sei que você não tá! — Falei brava. — Olha pra mim. — Isaac suspirou parecendo irritado, mas fechou o livro. — Não fica bravo. Não tem razão pra isso.
– Sarah, eu não sei em que mundo você vive.Não envolve só o fato de você virar uma viciada. E se um dia você estiver drogada e passar o cara errado por você? Isso é sério.
– Na verdade isso pode acontecer até quando eu estiver bêbada.
– Você entendeu o que eu falei.
– Eu não sei se você é surdo ou coisa parecida, mas tira esse bico da cara porque eu falei que não eram pra mim.
– Você me disse que não usa sempre. — Ele resmungou.
– A pessoa pediu segredo. Então, eu menti. Eu não uso. Mesmo. — Isaac me olhou. — Era pra uma menina lá da república. Mais uma vez, obrigada pela preocupação.
– Quem mais eu ajudaria com a matéria? — Ele falou sorrindo e eu sorri também.
– Falando nisso, o que é aquilo na porta do quarto de vocês?
– É que você vem sempre aqui, então deixei a fórmula que você falou que mais tem dificuldade a vista, pra você sempre ver quando vier aqui. Pode te ajudar a decorar.
– Obrigada. Tem ajudado bastante. Consegui fazer alguns exercícios hoje.
– Fico feliz em te ajudar. — Sorri. Ficamos em silêncio.
O Isaac realmente era muito legal. E eu sentia como se eu estivesse usando o coitado do menino. Primeiro, realmente virou um desafio pessoal aprender um pouco de física. Segundo, eu tinha que agir como uma estudante normal e pelo menos me dar bem em alguma matéria. Terceiro, seria muito na cara ser só sociável com os veteranos, que são os que podem saber sobre o tráfico. Quarto... Não tem um quarto. Mas só de pensar nisso já fez eu ficar com peso na consciência. Ainda mais sabendo que o Isaac é uma boa pessoa e quer me ajudar de boa fé.
– Você gosta de animes?
– Não tenho uma opinião formada sobre isso ainda. Por quê?
– Posso ter a chance de te fazer gostar? Sábado a tarde vai ter um evento de fãs de animes. To te chamando pra ir comigo.
– Ok. Só nós dois?
– É. Sei que seu irmão não gosta e seria estranho eu chamar outra pessoa. Acho eu. — Ele falou corado. Sorri de novo.
– Que horas começa?
– As duas.
– Vai ser divertido. — Isaac sorriu de canto.
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