Unkiss Me
2 First Day
Notas iniciais
Steves foi me pegar em casa era seis da manhã. Reparei que ele levava mais coisas que eu. Mas preferi não comentar. Não estava afim de levar uma patada logo de manhã. Ele me deixou na frente da república feminina com um “se cuida, irmãzinha”. Fiz uma careta e entrei na casa, que tava mais pra mansão.
– Sarah Campbell? — Levei alguns segundos pra me lembrar que eu era Sarah Campbell. Direcionei meus passos pra garota que me chamou. — Sou Carly McAndrew. A responsável pela república. — Sorri e apertei a mão dela. — Seu quarto vai ser o sétimo. Vamos dividir. Espero que não se importe. Qual curso você vai fazer? — Continuei sorrindo, mas pensando que fodeu. Eu não lembrava. Quer dizer… Não lembrava uma parte.
– Engenharia. — Isso é totalmente péssimo. Eu e matemática realmente não nos damos bem.
– Legal! Eu faço também. Mas é engenharia química. Qual área é a sua?
– Ahn…
– Carly! Preciso da sua ajuda. — Uma menina a chamou e eu dei graças a Deus. Carly lançou uma sorriso pra mim e foi ajudar a garota. Eu fui pro meu quarto. A primeira coisa que eu fiz foi ler minha ficha de novo. Engenharia Civil. Liguei pro Steves.
– Em qual curso você tá? — Perguntei assim que ele atendeu.
– Direito. É uma boa. Por que? Responde rápido que meu colega de quarto já tá voltando.
– Engenharia Civil. Por que só eu me ferrei?
– Bem feito. — Ele desligou na minha cara. Valeu! Comecei a arrumar minhas coisas. 07h50 peguei uma bolsa com os materiais e fui pro campus, na companhia da Carly.
– Irmãzinha! — Revirei os olhos.
– O que você quer? — Quando olhei pro Steves, ele tava acompanhado de um garoto. Era quase certeza de ter no máximo 20 anos.
– É sua colega de quarto? Eu tenho que saber onde você se enfiou, certo? Afinal, sou seu irmão mais velho. — Forcei um sorriso.
– Carly, meu irmão. Howard, Carly. — Ele deu um sorriso pra ela, que devolveu o sorriso. Ele não vai querer dar em cima da pobre garota, né?
– Esse é o Isaac. Ele vai fazer o mesmo curso que você.
– Sarah. — Estendi minha mão e ele apertou, sorrindo. Eu era a única pessoa ali que não estava feliz?
– Bom, já que vamos todos pro mesmo lugar… — Steves fez um gesto pra seguirmos caminho.
– Na verdade, o campus de humanas é pra lá, cara. — O tal Isaac apontou pro outro lado.
– Se você quiser, posso te levar lá. — Carly se ofereceu. Literalmente. Desse mato sai cachorro. E lá se foram os dois.
– Quando o Howard falou que tinha uma irmã, eu achei que fosse parecida com ele.
– Deus que me livre. — Resmunguei e ele riu.
– Realmente… Vocês não tem nada a ver um com o outro. Isso é um ponto positivo pra você. — Olhei pro Isaac de canto de olho. — Então… Seu irmão falou que vocês vieram de New Jersey.
– É…
– Eu vim de lá também. É bom conhecer alguém que veio do mesmo lugar. — Não falei nada. Chegamos no campus, mas não nos separamos. Ele era do mesmo curso que eu. Entramos na sala. O tal Isaac tentava uma conversa, mas eu não tava afim. Eu tinha que fazer amizade com os veteranos, não com os novatos.
Falando neles… Três caras apareceram na sala.
– Olá, novatos! — O que parecia ser o mais popular sorriu. Um deles olhou pra mim sorrindo também. Olhei pra trás pra ter certeza de que era comigo. Quando olhei pra frente, ele pareceu achar graça da situação. Sorri também. Do jeito mais simpático que consegui. — Como tradição, terá a festa de boas vindas pra vocês. — Claro que a maioria já achou que seria algo tipo American Pie e começaram a comemorar. — Sábado, prédio da Omega, às oito. — Ele e um outro cara saíram da sala, mas o que sorriu pra mim veio na minha direção.
– Vai na festa?
– Hm… Não sei. Não vai ter nada que me prenda lá. — Falei sorrindo e o Isaac olhou pra mim parecendo indignado.
– Bom, te garanto que vai ter sim. Além de começarem os testes pra irmandade. Aceitamos meninas. Creio eu que você vai se sair bem. Digamos também que eu posso ser de grande ajuda pra isso.
– Como nada é de graça nessa vida… — Esperei ele completar.
– Passo na república feminina às sete e meia, sexta. — Ele deu um beijo na minha bochecha e saiu da sala.
– Pelo menos um de nós dois vai se dar bem. — Isaac resmungou.
– Você não vai?
– Não vai ter nada que me prenda lá. — Ele me imitou e eu revirei os olhos.
– Teste de sobrevivência. Já que vou estudar aqui por anos, devo ser um pouco sociável.
– Ou popular. — Quis fazer uma careta. Eu não era muito fã disso. Mas se vai ter uma festa, nela vai ter venda de drogas. E a partir daí, meu trabalho começa.
(…)
– Coincidência vocês serem do mesmo curso, né? — Steves apareceu no almoço. Sentou do meu lado e pegou o sorvete que comprei de sobremesa.
– Vou numa festa sábado. — Falei como quem dissesse “to fazendo mais do que você”.
– E tem um encontro na sexta. — Isaac falou com a boca cheia de cheeseburguer. Steves cruzou os braços sorrindo, parecendo achar tudo divertido. Olhei indignada pro Isaac. — O que? Alguém tem que avisar seu irmão que você vai sair com um dos populares. Você já devia saber que eles nunca são confiáveis.
– Pelo jeito, nem você! — Resmunguei. — Ele é um dos caras que chamou nossa sala pra festa.
– No prédio da Omega? Eu vou também. — Pelo menos vou ter meu parceiro pra me ajudar a procurar sabe-se lá Deus o que. — Pergunta pra Carly se ela vai. — Me ajudar? Esqueçam…
– Você vai? — Perguntei pro Isaac. Ele deu de ombros. — Para de ser chato. Vai ser divertido.
– Tá. Eu vou. — Ele resmungou e eu continuei meu sorvete.
(…)
De tarde, Carly me levou pra conhecer o resto da faculdade. Conheci mais algumas pessoas da república. Elas eram legais. Depois, ela me levou na república masculina. Carly ia encontrar um amigo pra comprar algum lanche e me chamou pra ir junto, pra eu “me enturmar”. Sempre tem um amigo que conhece outro amigo que conhece outro, outro amigo que conhece o cara que vende as drogas. Poderia ser uma oportunidade. Ou ele ser logo o cara das drogas pra facilitar o meu trabalho. Mas quem desceu do prédio foi um nerd. Bonitinho até. Ainda mais quando corou depois que eu beijei a bochecha dele.
– O que minha irmãzinha tá fazendo na república masculina? — Mas puta merda…
– Você podia largar do meu pé, sabia?
– Gosto de cuidar de você. — Steves deu o melhor sorriso falso que conseguiu. Revirei os olhos.
– Você é um pé no saco. — E eu não tava representando. Ele era mesmo. Steves riu, fazendo os dois rirem também.
– Preciso de ajuda.
– To indo socializar.
– Não precisa ser agora. Pode ser na volta. Preciso de uma alma feminina. — Revirei os olhos de novo, já dando as costas pra ele.
– Seu irmão parece ser legal. — Carly comentou. Olhei praticamente indignada pra ela.
– Mas não mesmo. Ele só sabe me sacanear. — A tal lanchonete não era longe. Na verdade, era do lado da universidade.
– Carly me falou que você faz engenharia civil. Eu to no terceiro ano. — O menino comentou enquanto ela tinha ido pegar refrigerante pra nós. Tínhamos escolhido uma mesa do lado de fora da lanchonete. Estava um dia abafado.
– Hm… Acho que eu vou gostar. — Falei tentando ser simpática. A maior mentira da minha vida. Odeio matemática. Quis cometer suicídio hoje de manhã. Deixei o celular em cima da mesa e fui prender o cabelo. Uma mão entrou na minha frente, pegou meu celular e o cara saiu correndo. Fui atrás do dito cujo. O cara parou, olhou pro celular e depois olhou pra trás. Quando me viu começou a correr de novo. E eu não parei. Eu podia ter deixado pra lá, mas ali estavam todos os contatos da polícia, além da minha lista de aulas e tudo sobre a minha nova eu. Agarrei o cara por trás e o derrubei com tudo.
– Você ia morrer por comprar um celular novo? — Ele berrou irritado. Dei um soco nele. Liguei pro Steves.
– To com problema. Sem gracinhas.
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