Unkiss Me
18 A little cruel
– Sarah! — Ouvi me chamarem. Eu e o Steves tínhamos chegado na NYU fazia alguns minutos e estávamos atrás do Adam ou dos amigos dele.
– Mas ainda te chamam assim? — Ele resmungou. Carly vinha em nossa direção.
– Na verdade, acho que seu nome é outro. — Ela disse quando se aproximou.
– Me chamo Laura. — Ela não parecia brava nem chateada. Não sabia se isso era bom ou ruim.
– Confesso que eu levei um susto quando não vi mais nada seu no quarto.
– Eu fui obrigada a sair correndo. Desculpa.
– Tudo bem. E como tá o Isaac? Soube do que aconteceu com ele. Meio assustador, não?
– Ele tá se recuperando bem. Daqui a alguns dias ele sai do hospital. Você viu o Adam por aí? Ou alguma outra pessoa que o Scoot falava?
– Hm... Pensando bem, não soube do Adam desde a última vez que você foi falar com ele.
– E os amigos do Scoot?
– Várias pessoas da Omega conhecem o Scoot. E algumas meninas lá da república. Talvez devessem checar nesses lugares.
– Valeu, Carly. — Começamos a ir em direção ao prédio da Omega.
– Sabe que nenhuma resposta será oficial, não sabe? — Steves perguntou pra mim.
– Lógico que eu sei. A gente pergunta pelo Adam e pelo Scoot. Quem souber, a gente chama pra um interrogatório.
– Bom... Sair da cidade, o Adam não saiu.
– Eu sei. — Algumas pessoas olharam quando chegamos no prédio, mas ignoramos. — Oi. — Falei pra um grupo de meninos que costumavam almoçar com ele. — Vocês viram o Adam?
– Ele tá encrencado? Ou é sobre o Jordan? — Um deles perguntou.
– Sobre o Jordan. — Steves respondeu no meu lugar.
– Ele tá dando um tempo. — Um outro menino falou. — O melhor amigo do cara morreu. E tão dizendo que ele foi assassinado. Acho que isso piora a situação pro Adam.
– Jura? Quem disse? — Perguntei e eles se entreolharam.
– Você não tem cara de policial. Sabia disso, não é? Foi um pouco difícil de acreditar que a gostosa que o Adam pegava é da polícia. — Eles riram. Respirei fundo. Steves ia falar alguma coisa, mas eu impedi.
– Só porque eu sou mulher não posso ser policial? Ou se uma mulher for policial ela tem que ser feia pros padrões de menininhos mimados como vocês? Mais uma dessa, de qualquer um de vocês, e eu prendo por desacato a autoridade. — Eles pararam de rir. — Eu quero o nome. Agora.
– Joana Brown. Quer dizer, ela foi quem me disse, mas ela deve ter escutado em algum lugar.
– Onde eu posso encontrar a Joana?
– República feminina. — Great... Passei meses naquele troço pra nem sequer lembrar desse nome!
– Obrigada. — Nos afastamos, dessa vez indo em direção a república feminina. — Podemos levá-la pra delegacia.
– Isso pode encrencar a gente. — Olhei pra ele.
– O chefe disse pra entregarmos tudo sobre o caso até as 21h00. Pelo meu relógio, ainda são 14h40. Que eu saiba, o caso ainda é nosso.
– É... Nunca atirem no namorado de uma policial.
– Cala a boca. — Resmunguei. — Olá. — Falei pra uma menina. Ela olhou um pouco assustada. — Qual o quarto da Joana Brown?
– Joana tá encrencada?
– Isso é ela quem vai me dizer. Qual o quarto?
– 300. — Ela nem tinha acabado de falar e vi um vulto passando pela janela que tinha no final do corredor. Corri pra lá, falando pro Steves ir pelo outro lado. Quando pulei a janela, vi que ela estava bem mais a frente. Berrei pra ela parar com a arma apontada. Ela nem se deu ao trabalho de fingir que ouvia. Na verdade, só segui protocolo porque eles nunca param. Só sei que vi o Steves entrando na frente dela e a derrubando.
– Mas já tava correndo por qual motivo? Relaxa, gata. Nesse país todo mundo é inocente até que se prove o contrário. — Ele disse e a menina bufou. — E agora? — Ele perguntou pra mim.
– A gente leva ela pra sala de interrogatórios.
– Eu não tenho nada a ver com as drogas. — Ela resmungou.
– Ah, meu bem... Duvido muito. — Falei rindo.
(...)
– A gente encontrou 50 pacotes da droga com você, Joana. Pelo amor de Deus. Isso tudo não é pra uso próprio. — Eu tentava fazê-la falar. Mas era praticamente impossível. Esses 50 pacotes foi praticamente uma luz pra mim porque, assim, o chefe não reclamou. Só fez cara feia. Mas esse povinho não querendo abrir o bico, sinceramente, tá me cansando. — Olha só. Nós temos duas pessoas. Você e o Scoot. E ele já tá abrindo o bico, ao contrário de você. — Ela deu de ombros. — Ao contrário de você, também, ele vai ter a pena reduzida por cooperação.
– Quanto tempo?
– Depende do que você falar. Não sou adivinha.
– Eu só vendo. Eu juro! Eu não sei quem tá por trás de tudo isso. Só sei que deixavam dinheiro pra mim, eu depositava numa conta e no dia seguinte os pacotinhos estavam no meu correio.
– Por quem começou? Você conhece alguém. Não me faça de idiota.
– Até onde eu sei, o único que sabe sobre tudo é o Scoot.
– Acho que isso não me ajuda muito. — Disse já me levantando e vendo o desespero nos olhos dela. Adorava essa parte! Apesar de confessar que achava meio cruel ver o desespero nas pessoas e me divertir com isso.
– Espera! Eu sei quem usa. As pessoas que compravam comigo as vezes compravam com outros. Eu posso dar nomes. E você sabia que a Carly, a sua ex-colega de quarto é ex-namorada do Scoot, não sabe?
– Eu vou querer os nomes. E o que tem? Ela sabe sobre isso?
– Até onde eu sei, ela é santinha até demais perto dele. Isso quer dizer que acho que não. Mas ela pode saber coisas sobre ele que ajudem na investigação.
– Eu sei. — Saí da sala, peguei papéis e caneta, e voltei. — Escreve os nomes.
(...)
– Ele tá dormindo. — A enfermeira falou quando me viu na porta do quarto do Isaac.
– Sabe se ele realmente vai ter alta amanhã? — Perguntei e ela checou uma prancheta.
– Aqui diz que é provável. E esperamos que sim.
– Obrigada. Só... Vou dar olhada e já to saindo. — Quando entrei no quarto ouvi vozes. Mas ué... Ele não tava dormindo? — Oi?
– Oi. — Isaac respondeu com um sorriso. Acho que o meu saiu um pouco falso, mas na verdade aquilo era uma tentativa de sorriso de canto.
– A enfermeira disse que você tava dormindo.
– Acho que é porque acabei de tomar remédio. Mas até agora não fez efeito. — Laura2 ainda olhava pra mim com uma sobrancelha arqueada. Eu fingia que nem tinha reparado. — E a investigação? — Olhei pra Laura2. Mas resolvi falar do mesmo jeito.
– Prendemos uma menina da república por tráfico. Ela deu algumas informações, mas eu não sei de mais nada. Deram o caso todo pra divisão de homicídios.
– Então, você não tá mais no caso? — Fiz que não com a cabeça.
– Sinceramente? Isso não me impede muito de ter acesso as informações e investigar algumas coisas.
– Você não parece policial. — Laura2 comentou.
– Eu sei que não. Isso me ajuda bastante no trabalho. — Voltei meu olhar pro Isaac. Fui até ele e tirei um pedaço do esparadrapo pra ver como estava o machucado.
– Além de policial é enfermeira? — Laura2 perguntou parecendo irritada.
– Eu sei cuidar de um curativo. Acho que ninguém precisa de uma faculdade de enfermagem pra isso. — Isaac pareceu querer segurar o riso, mas acabou saindo. Baixinho, mas saiu. — A pele de cima já fechou. Isso é bom. Acho que te deixaram aqui pra prevenir infecção. Quando eu levei um tiro, voltei pra casa dois dias depois.
– Espero que seja só por isso. E graças a Deus que já fechou. Minha mãe quase chorava toda vez que via aberto.
– E como ela tá?
– Bem. Ela foi pra casa hoje pegar algumas coisas. Minha tia mora aqui em New York, então nós vamos ficar na casa dela até eu não precisar fazer repouso. O médico disse que eu poderia voltar pra faculdade na semana seguinte que vou sair daqui, já que foi no ombro, mas minha mãe pediu mais uma semana de atestado.
– Você devia ficar feliz. Vai ficar sem cálculo por mais uma semana.
– Qual seu problema com cálculo? Não é tão ruim. Só é cansativo.
– É obra do capeta, Isaac. — Ele riu.
– Acho que o remédio tá começando a fazer efeito. — Ele falou.
– Melhor a gente deixá-lo descansar. — Laura2 falou.
– Pode ir. Vou ficar mais um pouquinho. Até ele dormir. — Ela respirou fundo, falou alguma coisa em voz baixa com ele, deu um beijo na bochecha dele e saiu. — O que ela falou?
– Nada demais. — Sentei na cama, mais perto dele.
– Você já tá com cara de sono.
– Odeio remédio que me deixa assim. — Dei um sorriso de canto. Um que realmente saiu direito. Ele pegou na minha mão. — Obrigado por vir aqui todos os dias.
– Não é nada de mais.
– Eu gostei do beijo que você me deu ontem. — Sorri abertamente escutando uma música de vitória na minha mente. E parecia que tinha bexigas e confetes flutuando pelo quarto inteiro. Mas era só eu um pouco mais feliz que o normal.
– Eu sei. Eu sou irresistível! — Coloquei o cabelo pra trás, imitando uma modelo, e ele deu risada. — Eu posso fazer de novo. Acho que isso vai ajudar na sua recuperação.
– Eu também acho. Ajudou muito de ontem pra hoje.
– Tudo pela sua recuperação. — Falei irônica e ele sorriu.
– É o que realmente importa agora. — Me aproximei dele e o beijei. Não foi um selinho que nem ontem, mas foi que nem o nosso primeiro beijo de verdade. — Senti falta disso.
– Eu também. — Isaac me deu um selinho. Quando abri os olhos, percebi que os deles estavam quase se fechando de novo.
– Fica aqui?
– Uhum. Vou ler pra você. — Peguei um HQ e comecei a fazer o que tinha dito. Em pouco tempo ele tinha dormido, mas eu continuei lendo. Até que não era tão ruim assim. Quando o horário de visitas estava pra acabar, olhei pra ver se ele ainda estava dormindo. E estava. Deixei o HQ do lado da cama dele, lhe dei um beijo na bochecha e saí quase pulando de felicidade do quarto, realmente parecendo uma menina de 17 anos, além de já pensar onde eu o levaria quando ele saísse do hospital.
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