Notas iniciais
Espero que vocês se agradem com meu escrito.

Sabe quando bate aquela vontade desesperada de fazer alguma coisa? Pois é, eu sei bem o que é isso. E o pior é que tudo o que eu poderia imaginar fazer nem começo porque eu sei que será um desastre. Mas nem sempre é assim; principalmente quando o GUP (Grupo dos Primos Unidos) está reunido. Sei que as siglas não correspondem à mesma ordem das palavras, mas quando se trata de mim e meu “bando”, nada faz sentido.

– Eu sei um nome perfeito pro nosso grupo! – o Chupeta se manifestou como sempre animado.

– Fala Cabeção. – falei sem muito ânimo. É claro que não viria algo bom.

– Que tal: Aventureiros Destemidos!!

É claro que não ia colar. Posso ser tudo, menos uma “aventureira destemida”.

– Nossa que legal! – falei zoando – Ai a gente vestia uma capa azul e saía por aí gritando que somos super heróis.

– Não seria maneiro?

Não acredito que ele acreditou na ironia.

– Claro que não, Chupa Chupa!

Não fiquem confusos, eu chamo meus primos de tudo quanto é nome esquisito.

– Ah, para de me chamar de Chupa Chupa!

– Ah, esquece. O nome tem que ter alguma coisa a ver com nossa ligação primática.

Ninguém se manifestou. Eu prossegui:

– Será GUP.

– Por que GUP? – a Lana perguntou.

– Grupo dos Primos Unidos.

O Chupeta começou a sussurrar umas palavras e fazer caretas antes de falar:

– Mas GUP não segue a mesma ordem disso ai que tu dissestes! Não tem lógica.

– E quem disse que é pra ter lógica? De qualquer forma, é melhor que Patrulha Salvadora.

Entramos em uma concordância.

O que eu mais gosto de quando a gente ta junto é que a zoeira é liberada. Lembro-me de uma vez que o Davi, Chupeta e eu fomos brincar de Jogos Vorazes. É nós realmente queríamos matar uns aos outros. Só que o Davi (meu primo que não tem muita sanidade) não quis entrar na briga, ai eu e o Chupeta ficamos nos matando no quintal.

– Eu vou te matar! – ele gritava.

– Calado, vou já te dar umas amoras venenosas.

Ai do nada o Davi entrou gritando na cozinha:

– AHHHHHHH, a Bia e o Matheus tão se matando no quintal! A Bia falou que ia dar veneno pra ele e ele ia esmagar ela!!!

Tá, temos que relevar que ele não é muito normal, mas ele teve um surto bem grande nesse dia. Ele puxou a mãe dele até o quintal e depois teve um ataque de risos misturado com uma sessão de tapas que ele saia distribuindo em todos quer ele via pela frente e saia gritando:

– A Bia vai matar o Matheus.

Essa foi uma assustadora edição dos Jogos Vorazes.

Na semana passada o Cabeção deu as caras lá por casa. A tarde tudo tem que ficar em silêncio então eu e o Cabeça não fizemos muita zoeira. Abri o notebook e continuei a escrever AMSF. Só que fazer qualquer coisa útil perto do Chupeta não dá muito sucesso.

– Ainda é aquele mesmo livro? – ele perguntou metendo a cara no notebook.

– É, mas não precisa ficar em cima.

– Por quê? Ficas escrevendo besteira é? Hm...

Às vezes dá vontade de matar, mas ai eu percebo que sem ele eu não vou ter mais a quem perturbar.

– Tá me achando com cara de quê?

– Pornográfica.

– Eu vou te fazer engolir esse notebook!

– Barbara, olha a Bia escrevendo pornografia!

– E eu com isso? – a Barbara respondeu.

Não dá muito certo eu discutir verbalmente com alguém, principalmente com o Matheus então eu fiz o que eu faço melhor: dei uns tapas nele. Enfim, eu não consegui fazer muita coisa com ele me perturbando, mas eu aproveitei quando ele foi comer de tarde. Ele é como eu, não pode ver comida. Eu estava com fome sim, mas eu preferia atualizar minha história e depois comer e foi o que eu fiz. Comecei a digitar sem ninguém me atrapalhar. Estava tudo perfeito, já estava quase acabando o capítulo, mas eu percebi que tinha um ser pensante atrás do notebook me olhando com cara de retardado.

– Ah, seu doido! – eu gritei.

– O que foi, tava só te olhando.

– Com essa cara? Parece um pisicopata!

– Ah, Bia, para com isso. Vamos brincar, vem comer, sai daí.

– Por quê? Eu tô quita aqui.

Ele me perturbou, me encheu, não deixou eu ficar sossegada.

– Vai comer, Matheus!

Eu só o chamo pelo nome quando já fico irritada. Só que ele também se irritou comigo.

– Algum dia tu ainda vais ficar doida de tanto escrever!

Já me falaram isso muitas vezes, mas é claro que eu não ligo. Por fim, eu acabei comendo bolo em seguida e desliguei o notebook.

Nessa próxima sexta provavelmente irei viajar com meu pai; e acho que o Chupeta vai também. Isso significa que a zoeira terá início desde 5 da manhã. Foi assim a última vez que viajamos:

– Bia, acorda. – minha mãe me chamou.

Depois de uma enrolação básica, eu fui até a cozinha. Adivinha com quem eu dei de cara? É, com o Chupeta. Ai começamos a gritar de manhã cedo. Quase acordamos o Dédinho. Quando a gente pegou o ônibus, demos o prazer aos passageiros de cantarmos bem alto tudo quanto era tipo de música. Os cantando sertanejo de manhã cedo quando ainda tinha gente no ônibus dormindo. Mas ninguém mandou a gente calar a boca e mesmo se mandasse a gente não ia calar.

Tá, mas agora chega de falar do Chupeta. Que tal falar sobre meus novos irmãos? Eu lembro que há alguns meses eu tinha só a Barbara de irmã, mas hoje... Bem, mas esse é um assunto para a próxima oportunidade. Já me satisfiz por hoje.

Notas finais
Deixem um comentário para eu saber o que vocês acharam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!