Universos Interligados

2 Capítulo 2 - Descobertas


Notas iniciais
Espero que gostem desse cap pessoal Beijos

- Ai acaba logo com esse drama! Fala, foi com um menino gato ou coisa do tipo? – Ela me perguntou, dando um empurrãozinho no meu ombro. Essa Jéssica...

- Que nada! Foi mil vezes melhor! Deixa eu te contar – Eu disse, e comecei a narrar o sonho pra ela.

Contei a ela todo o meu sonho, inclusive as partes mais chocantes e os detalhes sobre a paisagem e a tempo. Ela apenas ouviu com atenção focada em mim, e começou a enrolar os cachos de seu cabelo, pensativa. Era uma das manias dela: enrolar os cachinhos quando estava pensando. Depois de um tempo, ela finalmente disse o que achava.

- Quem sabe isso não está ligado a algo mais pessoal? Algo talvez profundo? Ou quem sabe um presságio sobre alguma coisa grande que vai acontecer? Você acha que esse sonho tem algum significado mais pessoal ou algo do tipo?

Ela me pegou de surpresa. Eu na verdade não sabia ao certo.

- Não sei... Mas como você sabe tanto sobre o assunto? Consegue interpretá-lo?

- Bem interpretar eu não sei – Ela deu de ombros. – Mas minha mãe antigamente gostava muito dessas coisas esotéricas e sobre interpretação de sonhos, ler a mão, tarô... Coisas do gênero. Eu pra ser sincera não acredito muito que os sonhos possam dizer sobre o nosso futuro. Comigo pelo menos isso nunca aconteceu. Ela tem um monte de livros sobre interpretação de sonhos, se quiser eu posso dar uma olhada e trazer alguns pra você.

- Claro que eu quero! Obrigada! – Eu disse, animada. Eu queria muito saber o que o sonho significava.

O ônibus parou e nós saímos, indo até o pátio do colégio. Andamos sem pressa, até chegar ao corredor e de lá fomos colocar nossas coisas nos nossos lugares. Não nos preocupávamos porque sabíamos que nossos lugares eram todos marcados.

Nossa escola é grande. Um prédio de quatro andares, elevadores, biblioteca, enfermaria, diretoria, sala de música, sala de artes, sala de dança, laboratório, laboratório de informática, cantina, um pátio com algumas árvores, várias salas de aula e também um teatro. É conhecida como a escola mais moderna da região. Pra falar a verdade não gosto muito dela. Os professores todos são meus amigos e sempre falam bem de mim pros outros, porque eu sou uma ótima aluna, mas como nem tudo é perfeito, existem várias panelinhas e muitas meninas estilo “Eu sou infinitamente melhor do que você” e ainda aquelas outras “Você nunca vai ser tão gostosa quanto eu”. Mas ainda tem as pessoas mais legais do mundo, que eram os meus melhores amigos. Jéssica, Alice, Matheus, Lucas, Gabriel... Pra falar a verdade Matheus era mais do que um amigo pra mim, era como um irmão. Nós somos amigos desde o jardim de infância e estamos juntos em tudo desde que eu me conheço por gente. Nós formamos uma turma. Mas nossa turma era diferente das outras panelinhas. Nós sempre estamos abertos pra receber mais alguém no grupo. Sempre zelando uns pelos outros e cuidando do bem estar do todo. Se alguém viesse mexer com qualquer um de nós, era como mexer com o grupo todo.

A primeira aula seria de ciências, e o professor chegou na sala com um grande sorriso no rosto. O professor Rafael tinha um nome apropriado para ele, porque tinha um rosto parecendo que foi esculpido por anjos. Era bem malhado e sempre estava com um sorriso estampado no rosto. Eu e ele somos bons amigos, e muitas meninas morrem de inveja de mim porque um dia ele me convidou pra ir jantar na casa dele, depois de eu ter tirado um dez, pra comemorarmos. E também porque eu sou a única que ele deixa chamá-lo de profs Rafinha. Não sei pra quê, ele é só um bom amigo.

- E aí, pessoal? Prontos pra explorar o universo? – Assim que ele disse isso, todos deram suspiros de desapontamento, menos eu. O universo era um de meus assuntos prediletos.

- Ah, professor, a gente aprendeu isso na 5ª série! – Disse Micaela, uma das garotas mais exibidas da classe.

- É, não precisamos mais estudar assuntos de bebês! – Disse Rafaela, o braço direito de Micaela. Apoiava tudo o que Micaela dizia e andava atrás dela, como um cachorrinho.

- Errado, Rafaela. Assuntos sobre bebês nós aprendemos em reprodução e corpo humano. – Rebateu o profs Rafinha, e eu ri baixinho. Adorei a resposta.

Não adiantava reclamar, ele ia dar o assunto de um jeito ou de outro, não ia? Porque eles não conseguiam entender isso? Bom, eu estava adorando. Esse era um dos meus assuntos preferidos, e o de Bruno também. Posso passar horas explorando imagens de estrelas, planetas e suas luas, constelações e etc. Mamãe e eu costumávamos olhar para as estrelas no céu e criar constelações só nossas. Tinha a constelação do homem torto, a constelação da mulher montada no poodle, a constelação do careca segurando o queijo... Nos divertíamos muito juntas dando nomes engraçados à elas. Quase todos ela que deu. Passávamos horas juntas, observando o céu.

Depois da aula de ciências, que passou particularmente rápido demais pra mim, veio a aula de português. Depois dela, a aula de matemática e assim sucessivamente. O dia passou voando, e logo já eram três da tarde. Acabou a aula, e assim eu, Alice, Jéssica, Matheus, Lucas e Gabriel fomos ao ponto esperar o ônibus chegar. Nós conversamos e rimos, a maioria da conversa era sobre o baile de formatura que iria ter na minha escola de inglês. Eu estava praticamente formada em inglês, e no final do curso sempre fazem um baile de formatura, iguais àqueles americanos que a gente só vê em filmes, com vestidos bonitos e músicas lentas daquelas de se dançar coladinho. Eu achava super legais esses bailes, e nessas horas gostaria de ter um namorado pra levar junto. Tinha amigos, mas não assim tão próximos, fora Matheus. Acho que vou chamar ele pra ir ao baile, nós vamos nos divertir.

- E então, Mel, já tem companhia pra ir ao baile? Ou vai ficar na seca dessa vez? – Perguntou Jéssica, curiosa.

- Eu não. Não tenho namorado pra levar nem nada... Acho que vou ser a única sem um par no baile todo. – Eu disse, e suspirei.

- Pode deixar que eu vou com você! Aí vamos nós duas à luta! – Disse Alice, e nós três rimos.

- Eu também vou, nem que suborne o porteiro! Não perco isso por nada. – Disse Jéssica, com um sorriso.

- Eu também queria ir. Parece ser legal e não queria que você fosse sozinha. – Disse Matheus, sorrindo, e eu retribui o sorriso.

- Eu estava pensando nisso. Gostaria de ir comigo? Parece que vai ser bem divertido. O baile vai ser mês que vem, ainda tem muito tempo pra arranjar uma roupa – Eu disse, rindo. Ele foi pego de surpresa.

- Você quer... Que eu vá com você? – Ele me perguntou, um pouco incrédulo. Eu sorri com a cara que ele fez.

- É! Ficou surdo por acaso? Aposto que esqueceu de limpar as orelhas de novo, eu dou um jeito nisso – Eu disse, e fui até ele e comecei a limpar os ouvidos dele com o dedo, como fazia quando éramos pequenos pra abusá-lo. Ele riu e me empurrou.

- Limpei os ouvidos sim, não precisa fazer isso por mim – Ele disse rindo. – E claro que eu vou com você.

O ônibus chegou, e como sempre sentamos eu, Jéssica, Lucas, Gabriel e Matheus no banco do fundão do ônibus. Lá era o único lugar onde podíamos sentar juntos, por isso um de nós era sempre o primeiro a entrar pra guardar logo os lugares. Assim nos despedimos, um por um, até chegar na minha casa. Assim que eu cheguei, encontrei Bruno no computador, e ele, assim que me viu chegar, abriu um sorriso. Aposto que estava olhando coisas sobre o espaço de novo pra abrir um sorriso tão grande.

- Mana, vem cá rápido! Olha que legal o que eu achei sobra o tal Olho de Deus que você me pediu pra pesquisar! – Ele disse, animado, e eu, que ainda me lembrava vagamente da imagem do olho no meu sonho, fiquei super animada por ver que ele achou algo sobre o tal olho de Deus.

Eu fui olhar na tela do computador, e me deparei com uma imagem que nunca tinha visto antes na minha vida, mas que se encaixava perfeitamente com o que eu vira em meu sonho.

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- Mas isso é idêntico ao que eu vi no meu sonho! – Eu gritei, atônita, espantada por nunca ter visto isso antes e ter visto em meu sonho.

- Você viu no seu sonho? – Bruno me perguntou, levantando a sobrancelha. – E como foi ele?

- Espera um pouco, Bruno, eu tenho que ir pro meu quarto e colocar a cabeça no lugar. – Eu disse, me afastando e subindo as escadas, em direção ao meu quarto.

Assim que entrei, fechei e tranquei a porta, e me sentei na cama. Eu respirei fundo e massageei as têmporas, tentando relaxar. “Isso não é possível... Como uma pessoa pode sonhar com uma coisa que existe, exatamente igual a que existe, sem nunca ter sequer visto essa coisa em toda a vida? Não pode ser... Deve ser só coincidência.” Eu pensei, e depois me deitei, colocando a cabeça no travesseiro, mas senti algo duro embaixo do travesseiro que bateu em minha cabeça quando me deitei.

- Ai! O que é isso? – Eu disse, massageando a cabeça onde a pancada tinha atingido.

Eu tirei o travesseiro pra ver no que foi que bati, e vi uma pedra pequena e redonda, do tamanho de uma bola de tênis. Ela parecia ser estranhamente familiar... Não! Não pode ser! Isso é impossível! Eu dei um grito de pavor e me encostei contra a parede, aterrorizada. Isso é impossível. Não pode estar acontecendo. Não é real!

- Não... Não! NÃO! – Eu gritei, com as mãos abafando a minha voz. – Isso não é real... Isso não é real... – Eu repetia a mim mesma, olhando a pedra. Ela era exatamente igual ao meteoro, no meu sonho.

Notas finais
Me perguntaram em uma review o que era Olho de Deus. Olho de Deus é uma nebulosa muito linda Se quiserem ver imagens dela, tem no google imagens Mas a minha nebulosa preferida ainda é a que eu coloquei na capa, a nebulosa Phoenix Tenho um fascínio particular pelo espaço e o universo, daí o interesse da personagem XD na verdade Melissa é quase uma eu, só muda os olhos
Espero que tenham gostado desse capítulo a partir daqui, as coisas vão esquentar de verdade hehehe B3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.