Capitulo 18

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~Thalia~

Por sorte não passamos muito tempo colados ao portão, o soldado conseguiu nos descolar á tempo de seguirmos os outros soldados com as malas que não eram poucas.

— Pensei que só mulheres levavam quilos de bagagem nas viagens. – Falei olhando os guardas nos ultrapassarem com todas aquelas malas.

— Não são minhas roupas e sapatos se é isso que você está pensando. – Ele falou e antes que eu pudesse responder ele me puxou para um segundo corredor que parecia deserto. – Esse é meu corredor preferido.

— O que tem de mais nesse corredor? – Perguntei olhando o corredor, havia algumas portas e algumas mesas de enfeites tirando que tudo ali era de gelo, menos as flores que pareciam totalmente congeladas.

— Você vai ver. – Ele falou sorrido de lado. Olhei para o teto e eu conseguia ver os pés de pessoas que estavam no andar á cima e me perguntei se eles poderia me ver. – Aqui está a obra mais bonita de todo esse castelo de gelo.

Ele falou e me virou de lado, havia uma escultura de gelo em tamanho real idêntica ao Richard em que ele segurava uma espada que parecia cravada é uma pedra em que ele tinha um dos pés apoiado.

— Eu sei que o real é muito mais bonito e sexy. – Ele começou a falar quando eu percebi que ao lado da escultura dele havia flores como as outras do corredor mas essas não eram flores congeladas eram só flores de gelo.

— O que houve com essas flores? – Perguntei apontando o jarro com as flores de gelo.

— Elas nunca foram flores de verdade. – Ele falou pegando uma das flores do jarro e colocando atrás da minha orelha. – Alguém deve ter achado que me representava melhor com flores de gelo.

A voz dele ficou meio estranha por um segundo e sorriu quando percebeu que eu o encarava.

— É aqui que ficaremos. – Ele falou indo abrir á porta ao lado das flores.

— Que idiotice. – Falei e peguei o jarro de flores e voltei pelo corredor.

— O que vai fazer? — Richard me perguntou mas eu o ignorei.

Ele me seguiu até que eu parei numa mesa idêntica com as flores peguei uma flor vermelha e coloquei no jarro que eu estava segurando e peguei uma flor de gelo e coloquei no vaso que estava na mesa. Fiz isso em vários jarros até que o jarro que eu segurava ficou metade flores normais e metade flores de gelo.

— Digamos que eu continuo a ser as flores de gelo, e você é as flores vermelhas. – Ele falou em quanto caminhávamos de volta. – Agora o jarro não parece mais tão triste.

— Pronto. – Falei colocando os jarros no lugar. – Então o que você estava falando mesmo do Richard original?

— Que ele é mais bonito e sexy que o de gelo. – Ele falou abrindo a porta do quarto.

— Eu ainda prefiro o de gelo. – Falei e sorri para ele. – Esculturas de gelo não ficam se achando.

— Eu não me acho, simplesmente sou procurado. – Ele falou rindo.

O quarto era bem parecido com o outro tirando alguns detalhes ainda feitos de gelo como um cubo, andei até a cômoda e o peguei analisando.

— Então o mundo aqui é quadrado. – Falei sorrindo irônico.

— Claro que sim, seu mundo não é quadrado? – Ele perguntou atrás de mim.

— Não, meu mundo é redondo. – Falei colocando o cubo no lugar.

— Que estranho. – Ele falou. – Há quero te mostrar uma coisinha.

Ele falou e me puxou para cama e simplesmente me derrubou nela, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele pegou minha mão e lambeu e mais rápido ainda encostou na cama, e mais rápido ainda fez a mesma coisa com a outra mão.

— O que é que você está fazendo heim? – Perguntei fazendo uma careta pra ele.

— Me vingando. – Ele falou e sorriu de lado, não conseguia acreditar que a cama era de gelo também tentei mexer minhas mãos mas elas estavam presas. – Sem saída.

— Tem certeza? – Perguntei levantando uma sobrancelha e antes que ele pudesse fazer algo eu tentei dar uma joelhada nele.

— Absoluta. – Ele falou segurando meu joelho antes de bater nele, e logo em seguida ele prendeu minhas duas pernas com as pernas dele.

— E o que pretende fazer agora general? – Perguntei ironicamente.

— Eu estou muito ocupado por isso não vou poder brincar com você agora. – Ele perguntou saindo de cima de mim e indo em direção á porta. – Se eu me lembrar peço para algum dos guardas vir te soltar.

— Oque?! – Gritei. – Isso é golpe baixo, volte aqui se você é homem.

— Isso sim é um golpe baixo. – Ele falou e no mesmo segundo estava em cima de mim de novo, ele me deu um beijo em minha testa e quando olhei novamente ele já estava na porta. — Volto logo.

Ele falou e fechou a porta, não entendia como ele conseguia ser tão rápido, talvez tivesse algo nos livros da Luiza que eu não tivesse visto ou em um livro que eu não peguei poderia se dizer que eu li quase todos os livros que tinha naquele quarto, talvez ela tivesse outros.

Fazia tempo que eu não falava com ela, nem com o Pablo eu realmente estava com saudade deles, e queria saber se o Yan já tinha chegado e se ele estava bem e além disso queria saber como o Pablo estava, se essa porcaria de medalhão saísse eu poderia pedir para a Luiza e o Yan mandarem o Pablo de volta mesmo que fosse a força eu ficaria bem mais tranquila.

Bem lá no fundo eu tinha medo de que o Richard pudesse fazer algo contra ele.

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~Richard~

Fazia pouco tempo que tínhamos dominado aquelas terras e principalmente aquele castelo, mas como acordo de paz o próprio rei ainda governava á nossas ordens. Era ridículo eu tinha mais que certeza que ele estava bolando algum plano para poder voltar á tona, mas não seria tão fácil quanto ele pensava eu tinha pessoas infiltradas em suas tropas e sempre fazia uma visitinha como essa.

Havia dois guardas com armaduras brancas em frente aos portões, ele tinha um gosto bem ruim á ponto de vestir todos seus guardas de branco. Eles fizeram uma reverencia rápida podia ver que eles não tinham o olhar de medo que eu via em meus soldados e subordinados, eles tinham um olhar de ódio era bem compreensível levando em conta que metade da população foi totalmente massacrada, homens, crianças, mulheres todos mortos. E eu realmente não ligava.

Eles abriram os portões que dava para um salão coberto por um tapete imenso, era de se invejar a parede principal parecia brilhar ao por do sol e a luz que atravessava um único vitral iluminava uma pequena caixa fina de gelo transparente no meio da sala onde havia uma coroa, poderia se dizer que era uma coroa normal se não fosse feita de gelo com varias pedras de diamante encrustadas.

— É uma coroa realmente bonita. – Uma voz falou atrás de mim.

— Realmente é. – Respondi me virando para olha-lo, ele estava sentado em uma poltrona azul marinho, parecia bem calmo.

— Sente-se. – Ele falou apontando uma poltrona perto de uma das lareiras, da primeira vez que estive naquela sala eu realmente me impressionei com todos os detalhes principalmente com uma lareira num lugar onde tudo é de gelo, mas agora nada disso era novidade para mim.

Me sentei na poltrona que ele me indicou, talvez fosse uma perda de tempo estar ali sendo que meu mensageiro não tinha detectado nada suspeito, mas de qualquer modo não seria uma total perda de tempo, tinha mais que certeza que a Thalia se surpreenderia com aquela sala, e não só aquela muitas outras nem mesmo eu já tinha ido em todas as salas e quartos daquele castelo.

— Soube que trouxe uma garota com você. – Ele falou com um sorriso nos lábios um sorriso que simplesmente me irritava.

— Sim trouxe. – Respondi.

— Então ela é a sua “protegida”? – Ele falou pegando uma taça com vinho em cima de uma pequena mesa de gelo. – Digamos que ela ficou bem famosa em pouco tempo, tenho certeza que ela deve toda essa fama á você.

— Sim ela realmente é minha protegida. – Falei serio, realmente não sabia o por que de tantas perguntas desnecessárias.

— Nem mesmo o Agrios...

— Não, nem mesmo ele. – Falei rápido cortando ele.

— Interessante quero conhece-la, já que é uma hospede um tanto importante. – Ele falou terminando de beber o resto do vinho e acenando para um dos homens junto á parede para se aproximar, o mesmo pegou a garrafa e derramou um pouco de vinho na taça.

— Talvez, quem sabe. – Falei, aquela conversa ia demorar mais do que eu esperava e a Thalia estava ainda presa. – Poderia lhe pedir um favor?

— Claro que sim. – Ele falou sorrindo.

— Poderia mandar um dos seus homens ao meu quarto? – Falei. – Ela ficou presa no gelo de novo.

— De novo? – Ele falou meio surpreso. – Receio que ela não seja muito inteligente.

— Mais do que o senhor imagina e corajosa, bastante corajosa. – Falei eu realmente estava começando a ficar irritado com tudo aquilo. Ele acenou para o homem novamente que se aproximou.

— Vá até o quarto do general e ajude a garota...

— Se tocar nela você está morto. – Falei olhando para o homem que me encarou com um misto de ódio e medo. Ele assentiu rápido e desapareceu. – Então que tal conversarmos sobre algo útil?

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~Thalia~

Mesmo sabendo que seria inútil tentei me soltar de todos os jeitos da cama de gelo, ele pretendia me deixar ali até quando? Suspirei e olhei pela janela parecia já estar anoitecendo mais eu não tinha certeza.

Suspirei desistindo, as costas da minha mão já estavam doendo aquele gelo era realmente resistente, como todo o gelo que era aquele castelo. Queria que Pablo pudesse ver tudo aquilo queria que ele pudesse vir aqui.

Me pergunto o que o Yan falou para o Pablo ou para a Luiza, ele não é muito de falar talvez ele só tenha dito o necessário algo como “Ela está bem” ou algo parecido e de qualquer modo esperava que o Pablo não ficasse irritado pelo fato de ele não ter me levado com ele.

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~Pablo~

— Sua amiga está aqui. – Ela falou e sorriu. – Vai me poupar bastante trabalho.

— Luiza? – Perguntei indo até a grade. – Ela está aqui?

— Está bem aqui. – Alexia falou e apontou para o lado e depois de falar algo que eu não entendi direito Luiza apareceu ao lado dela de pé e os olhos dela rodaram e se fecharam e ela caiu de joelhos. – Você está bem esgotada hem.

— Luiza! – E me ajoelhei tentando chegar perto dela mesmo através das grades.

— Que tal você sair dai. – Alexia falou e estalou os dedos e o portão se abriu eu sai da cela e ajudei a Luiza a se levantar.

— Eu estou bem. – Ela falou e sorriu, como ela podia sorrir para mim daquele jeito a verdade era que eu tinha deixado ela daquele jeito. — Porque está nos ajudando?

— Quero aquela garota longe daqui, e vocês querem voltar para seu mundo. – Ela falou verificando as unhas. – Que tal vocês saírem logo daqui?

— Como? – Perguntei me lembrando de todos aqueles guardas, olhei a Luiza por um instante ela não ia conseguir ir muito longe eu ia ter que carrega-la e assim eu não poderia lutar muito bem.

— Fácil. – Ela estalou os dedos, mas nada aconteceu. – Quando as pessoas te olharem verão um dos guardas. Vamos logo!

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~Thalia~

A porta rangeu e se abriu o guarda meio atordoado entrou eu realmente preferia que o Richard viesse llogo.

— Desculpa, me mandaram aqui para te soltar. – Ele falou e se aproximou da cama para me soltar.

— Ainda bem, são só as mãos mesmo. – Falei e tentei sorrir para ele, ele parecia tão sem graça quanto eu por sorte ele conseguiu me soltar rápido e saiu da sala.

Eu já estava entediada de ficar trancada em quartos, esperei um tempo para ter certeza que o guarda já tinha ido e abri a porta e olhei o corredor estava totalmente vazio, diferente do outro castelo eu não tinha guardas.

Pulei para fora do quarto e comecei a andar pelos corredores evitando os guardas, eu realmente estava ficando boa em me esconder dos guardas o que era bem fácil eles sempre estão distraídos pelos corredores, talvez eu desse uma boa espiam como nesses filmes de ação.

Ouvi alguns guardas caminhando e conversando á tempo de eu me esconder atrás de uma escultura de gelo, cada centímetro daquele lugar era lindo. As vozes dos guardas se distanciaram eu e eu me adiantei pelo corredor que terminava numa escada enorme com ramos de flores nos corrimões, não resisti e subi toda a escadaria que não era muito grande. O corredor era enorme mas esse tinha uma diferença o teto era quase transparente o gelo ainda distorcia a imagem mas era quase perfeito.

Começei a andar pelos corredores distraída olhando o teto semi-transparente.

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~Richard~

Suspirei aliviado quando um dos meus guardas adentrou no salão provavelmente um mensageiro.

— General, tenho noticias do castelo. – Ele falou eu tinha razão era um mensageiro. – É urgente.

— Sim. – Assenti rápido estava aliviado de me livrar daquele cara e daquela conversa. – Melhor irmos á outro lugar.

O mensageiro assentiu e saímos da sala, ainda estávamos andando nos corredores que estavam quase desertos, não poderíamos ir ao meu quarto a Thalia estava lá e eu não sabia sobre o que se tratava olhei ao redor em certa parte do corredor e parei.

— Pode me contar o que houve aqui mesmo. – Falei.

— Sim general. – O homem falou meio confuso e começou a falar.

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~Thalia~

— Sim general. – Ouvi uma voz falar antes de virar a esquina de um dos corredores parei me colando á parede, general? Talvez fosse o Richard, eu já estava me virando quando ele continuou a falar. – Um mensageiro acaba de chegar dissendo que um homem invadiu o castelo.

Pablo. Não a Luiza não deixaria ele entrar no castelo pelo menos faria de tudo para impedi-lo e além disso pode ter sido outra pessoa ou pelo menos eu queria que fosse qualquer outra pessoa á ele.

— Agora ele está preso numa das celas do sub solo. – O Guarda continuou.

— Quem foi o mensageiro? – Richard falou, realmente era ele. Ouvi passos rápidos vindo do corredor em que eu estava, não tive outra opção a não ser entrar numa das portas que havia.

Era um quarto simples comparado com o de Richard e por sorte estava vazio, mas logo que fechei a porta encostei o ouvido na mesma esperando os passos se distanciarem e assim que se distanciaram sai do quarto novamente.

— Então você foi um dos homens que dominou o intruso. – Richard falou. – E o quais detalhes pode me dar.

— Não muito, ele já deveria conhecer o castelo. – O homem falou e tive que me segurar para não correr até ele e ter certeza de que não era o Pablo, mas continuei imóvel. – Ele foi exatamente ao seu quarto general e também queria lhe perguntar uma coisa...

O homem deu uma pausa, sabia que Richard olhava impaciente o guarda apreensivo mesmo sem ve-lo.

— A garota do outro mundo, o nome dela é Thalia não é? – O guarda falou em fim podia saber que ele tinha se arrependido de ter falado de mim, eu não entendi o que eu tinha a ver com aquilo tudo mas tinha certeza que não seria nada de bom.

— O que ela tem a ver com tudo isso? – Richard perguntou impaciente.

— Ele conhece a garota, provavelmente também é do outro mundo como ela...

— Tem certeza disso soldado? – Richad falou mas eu não estava mais escutando, era o Pablo agora eu tinha certeza disso. Enquanto eu estou aqui nesse palácio de gelo ele está numa sela imunda e suja de sangue. O que Richard faria quando soubesse que ele é o Pablo?

Não podia ficar ali nem mais um minuto, comecei a correr pelo corredor não tinha tempo de voltar ao quarto a única coisa que tinha comigo era o saquinho com as pílulas que Yan havia me dado e a roupa do corpo, e aquilo devia bastar.