Notas iniciais
Oi. Eu revisei o captulo, espero que aproveitem a leitura.
ps: se encontrarem erros, me avisem, por favor.

Capítulo único

Ele estava acorrentado.

Sua liberdade, como um shinigami ou como um adolescente que poderia simplesmente esquecer-se de certas coisas e aproveitar a vida, se foi. Tudo se foi. As pessoas que um dia amou, o mundo que um dia prezou. Tudo se foi. E, como escape, sobrou apenas uma coisa...

Hueco Mundo nunca foi mais aterrorizante. O ar era quase rarefeito. Ou talvez fosse apenas ele que estivesse com uma dificuldade tremenda para respirar. Quem sabe isso não é apenas a vergonha, o sentimento de estar impotente, de estar à mercê de um louco. Ou não. Quem sabe não é o sentimento de desprezo e nojo de si mesmo por não ter defendido quem mais achava importante.

Quem sabe?

Ichigo Kurosaki não sabe, que coisa.

O som de passos, mesmo que estes fossem leves como o bater de asas de um pássaro, foram ouvidos, tirando-o de seus pensamentos repletos de auto-piedade. O medo fazia sua pele começar a formigar, o coração liberava adrenalina, estava alerta. Mesmo que de nada adiantasse.

Iria ser subjugado novamente, sofrer toda aquela dor novamente...

A porta, sempre oculta para sua visão pela falta de iluminação ou iluminação nenhuma, foi aberta. Os leves passos estavam perto e não mais ecoavam em seus ouvidos como em um filme de terror. Era pior. Era real e estava ali. Era aterrorizante. Tudo naquele homem era repulsivo e...

– E então? Como tem sido a sua estadia em Las Noches? – Cinismo. Era um dos muitos adjetivos infames que poderiam ser associados à voz de Aizen. “Sedutora”, “ aveludada" e "venenosa" também eram bons. Mas, Ichigo não se deixava enganar, nunca deixou.

– Por que você não vai pro inferno? – Praticamente rosnou a deixa. Não viu, mas o calafrio que subiu por sua espinha indicou que o moreno sorriu.

– Não importa quanto tempo se passe, você continua com uma língua afiada. Parece que ainda não se acostumou com a sua nova casa. – Ele se aproximou mais do pobre indefeso.

– Você não se sente satisfeito apenas sabendo que venceu? Por que diabos você ainda se importa comigo? Por que não me mata de uma vez? – O desespero por saber estar seguindo um roteiro era sufocante, porém, sabia que não conseguiria viver com mais uma vergonha: a de sofrer calado.

– E isso seria interessante? Qual a graça de ter um despojo de guerra morto?

– Você é doente...

– E você, um humano. Acha que uma anomalia pode falar algo?

– E você? O que é você?! – Estava se sentindo cada vez mais humilhado. Primeiro porque deveria ter sido morto na primeira oportunidade. Será que nunca foi nem mesmo considerado um adversário digno do saque da espada? Segundo, porque sabia exatamente o que estava para acontecer.

– Eu sou deus. E você deveria estar feliz por me servir. – Ele agora estava agachado na sua frente, o hálito morno batendo em seu rosto. Ichigo fechou os olhos e desejou morrer. O que poderia ser pior que essa situação? Não responda. Quando o ruivo ia falar algo para, sei lá, calar a boca do infeliz, sentiu seus lábios sendo esmagados com força desnecessária, não era realmente um beijo. Era... asqueroso. Sua boca foi invadida, ele sabia o que aconteceria em seguida e, mesmo assim, ainda era difícil se preparar psicologicamente.

Se aquela era a primeira vez? Não. Na primeira, é provável que todo o Hueco Mundo ouviu seus gritos de agonia. E, bem, não eram gritos castos. Foi horrível, sentiu asco de si mesmo em seguida... Mas foi o seu único escape. Era o único momento que conseguia um pouco de... algo que não fosse pura culpa. Não se engane, ela ainda existia, mas... Era diferente, simples assim.

As correntes que prendiam seus pulsos e suas pernas serviam para reter a reiatsu poderosa do shinigami substituto, e para deixá-lo mais indefeso e submisso. Era tudo tão degradante… Mas não importava! Resistiria o quanto pudesse... Tentou, chutando o ar com as forças e os movimentos limitados, socando o que via pela frente. Infelizmente para Ichigo, sua força naquele momento comparada à de Aizen era quase piada.

Foi rendido.

Podia sentir os lábios dele passeando por seu corpo enquanto se despia e despia o próprio Ichigo. Podia sentir o quanto ele ficava excitado enquanto o dominava. Podia sentir a vontade de morrer para acabar com aquilo de uma vez, podia sentir a violação, o ódio da própria impotência.

E, temperando tudo isso, estava o prazer. O prazer de ter o corpo deflorado pelo antagonista de sua história, de ser tomado com tamanha destreza, ainda que esta fosse violenta. A dor, a vergonha e o deleite pareciam ser entendidos pelo maldito estuprador (?). Tamanha mortificação parecia diverti-lo. Ichigo se sentia sujo, se sentia podre... E ainda assim era tão bom.

Marcas de mãos estariam ali na manhã seguinte, alguns cortes e marcas de mordidas também, para ilustrar a violência do ato. Olhou-o com todo o desprezo que conseguiu reunir, porém, parece que não era suficiente. Aizen apenas deu um sorriso de lado, enquanto se vestia novamente.

– O que há, pequeno Kurosaki? Achas que eu faço isso apenas para o meu prazer? – Ichigo ainda conseguiu reproduzir um som de puro escárnio.

– Você faz isso porque é podre. – Cuspiu as palavras.

– Não. Eu faço isso porque, enquanto te observava, me fascinava com a sua própria estupidez. O quê? Não faça essa cara de bravo. Eu apenas queria saber se a sua pele era tão boa quanto aparentava pelas câmeras.

– Você...

– É. E eu provei que era verdade. – Antes de Ichigo desferir uma série de palavrões, xingamentos e pôr para fora todo seu ódio contra o maldito psicopata louco, este saiu do quarto/cela e impossibilitou que isso ocorresse.

Ichigo olhou para o nada e sentiu, depois do vazio, novamente preenchido pela culpa. Só que, dessa vez, havia algo mais. Dúvidas, provavelmente.

Notas finais
E então, o que acharam? Podem me chamar de doida por shippar esse negócio, pode até ser verdade, mas... ah, fala sério, eles combinam. Então, é isso, obrigada a quem leu até aqui ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!