Universo 2209.0401 - Vida
1 Sem perdas
Notas iniciais
– Mãe, aonde está o meu passarinho?... — Ela perguntou quando encontrou a gaiola vazia.
Desde pequena, ela sempre adorou animais. Primeiro ela teve um pássaro, depois um gato, e então um cachorro. Todos eram seus amigos, e elas os amavam imensamente. Mas todos, sem exceção, partiram.
– Por que eles tem que partir?... — Foi isso que ela pensou quando enterraram seu cachorrinho.
Os anos passaram, e a dor nunca se tornou mais fácil. Cada novo amigo era amado com todo o coração, e cada despedida deixava um buraco impossível de preencher. Ela achava que o tempo curaria, que a perda fazia parte da vida. Mas nunca foi o bastante.
– Por que sempre dói?... — Foi isso que ela pensou ao segurar o corpo de sua gata idosa, já sem vida.
Ela implorou ao universo. Pediu que parasse. Pediu que nunca mais precisasse dizer adeus. Chorou, gritou, amaldiçoou tudo o que existia. Até que um dia, ela encontrou o impossível. Um poder, infinito e imensurável, que lhe foi concedido sem questionamentos.
Foi então que aconteceu.
Primeiro, foram os que partiram. Ela não podia trazer eles de volta, não podia os ressuscitar. Mas podia criar eles novamente, iguais já foram um dia.
E então um por um, eles voltaram. Consegui ouvir os latidos de seu cachorrinho de quando tinha 15, o miado carente da gata que cuidou em seus 22, o cantarolar do passarinho que teve aos 8. Todos eles, vivos. Como se nunca tivessem ido embora.
Após toda essa alegria, ela pensou e teve uma ideia. As outras pessoas, elas também se sentiam tristes quando perdiam aqueles que se importavam, sejam pets, pessoas ou plantas. Tudo que já foi vivo e amado, retornaria.
Então ela começou a recriar as pessoas de sua vida, igual ela lembrava, e então foi para todas as outras pessoas no mundo mundo, outros animais e outras plantas.
Mas ela não queria só a alegria do retorno das pessoas amadas, ela queria evitar a dor da perda, e então ela foi além. Agora nada mais morria. Nenhum coração parava de bater. Nenhuma folha caía das árvores. Nenhuma vida se extinguia.
Tudo duraria para sempre nesse novo universo, a vida se multiplicaria, e com isso, a felicidade.
Porque em seu universo, todos são felizes, todos adoram o que ela faz e concordam com ela, todos... sem exceção.
Fale com o autor