Uninviting
4 Capítulo 3
Notas iniciais
E nós ficamos lá rindo sem nenhuma razão. Fiquei sem entender todos meus sentimentos então. Naquele momento parecíamos só dois grandes amigos... Sem nada de especial ou intenso. Apenas uma grande amizade. Toquei-me que nem isso eu tinha com ela.
Uma figura chama minha atenção no canto e mesmo rindo consigo reconhecer. Lá estava Bianca. Uma garota um pouco mais alta que eu de cabelos loiros que às vezes dependendo do lugar onde o Sol batia se tornavam castanhos. Usava um moletom verde cristalino e uma calça jeans surrada junto com um tênis AllStar de couro preto. Moletons eram praticamente sua marca registrada. Ela poderia estar usando até mesmo um pijama e ainda assim continuaria com a mesma expressão calma e social de sempre. Ela parecia fazer parte da batida perfeita do Universo que na minha sincera opinião era Arabella (não me pergunte o porquê...). Ela era uma de minhas melhores amiga e foi alguém que eu pude confiar por um curto período de tempo, mas quando começou a se encaixar em um grupo me deixou para trás. Acho que quando estamos sozinhos ficamos desesperados e sedentos para se comunicar, por isso ficamos vulneráveis e começamos a falar com primeira pessoa que se vê pela frente e sabe lidar com a solidão. Fiquei triste por perder sua amizade. Era uma ótima pessoa com quem você podia dialogar.
Ela continuava a me encarar e quando se tocou que eu a notei desviou o olhar rapidamente cruzou os braços e olhou para o outro lado. Carol também percebeu o que acontecia a seu redor e indagou:
—Sua amiga? Disse em um tom baixo franzindo a testa.
—Não mais... Respondi pensando se eu deveria continuar o assunto com ela do lado.
Carol me perguntou se eu podia falar sobre e o que me preocupava eu expliquei junto com minha teoria sobre a solidão. Confiei plenamente nela, mas não sabia se foi uma boa escolha. Ela falou:
—A uma teoria melhor sobre isso. Você se envolveu mais desesperadamente com ela do que ela com você e ela percebeu o quão sozinho você está nesse Universo. Para não se tornar você ela procurou e achou um grupo de pessoas para se envolver. Um foi igualmente mais inseguro que o outro, mas isso não releva quem foi o mais otário... Disse tragando outro cigarro e mexendo em seus negros cabelos.
Nada melhor do que a opinião de alguém de fora do conflito sobre ele para ver quem estava certo ou errado. Olhando por aquele ponto de vista eu concordava com Carol... Mas quem não é um otário nesse mundo? Você pode estar feliz ou triste, porém continua na merda... Nascemos, crescermos e morremos na merda e isso não vai mudar nunca. É o ciclo natural da vida. Pergunto a ela:
—O que você faria numa situação como essa? Digo pegando um cigarro do maço ao lado da mão dela.
—Falaria foda-se, desligaria o orgulho e iria tentar falar com ela. Diz pegando o isqueiro e acendendo meu cigarro.
Dou uma tragada e tento aguentar o Maximo possível sem tossir. No final acabo tossindo e Carol abre um sorriso.
—Aposto 50 Reais que ela nem mesmo falaria comigo. Encaro Carol e seguro o cigarro firmemente.
Ela abre um sorriso ainda maior e diz:
-Vamos descobrir...
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