Unintentionally you loved ♥
25 24 de Setembro de 2013
Abri meus olhos lentamente, eu estava sonolenta e me recordava de algumas coisas um pouco perdidas em minha mente. Olhei para o teto do local em que eu estava e lembrei quando me senti assim a vez que dormi na casa de Ross, quando éramos apenas amigos ainda. Eu me senti perdida, a diferença é que eu não me sentia tão dopada assim.
Olhei ao meu redor e vi o pedestal com o soro correndo diretamente em minha veia. Que droga eu estava em um hospital, e eu simplesmente odiava hospitais, apenas odiava.
– Ainda bem você acordou! – ouvi a voz de Molly surgir através da porta que deveria ser o banheiro e a olhei com surpresa. O que Molly estava fazendo ali?
– Molly? O que faz aqui? – perguntei me ajeitando melhor na maca.
– Nossa, muito obrigada minha querida irmã pela parte do olá, como vai você? Como foi sua viagem para ver sua irmã que sempre se mete em confusão e só não morreu porque o namorado dela conseguiu impedir? – Molly cruzou os braços e me olhou como se fosse minha mãe. Engoli em seco, ok eu não quis ser grosseira com ela.
– Desculpe , não quis que entendesse assim – falei e logo ela desfez a cara de brava e voltou a sorrir .
– Tudo bem, fique tranquila foi só para aumentar meu dramalhão mexicano – ela falou rindo e eu dei uma pequena risada, meu corpo estava completamente dolorido.
– Ei eu já posso ir embora daqui? – perguntei e Molly negou com a cabeça.
– O Médico já já vai vir falar com você e aí você vai saber. Mas, me diz.. como você está se sentindo? – ouvi a pergunta dela e me recostei melhor na maca.
– Estou completamente dolorida, mas estou bem, estou me sentindo bem até . – dei um pequeno sorriso e olhei em volta do quarto. – Onde está o Ross?
– Ah fique tranquila ele só está acabando de fazer um curativo no tiro que ele tomou no ombro, mas, logo ele vem aqui te ver. Ele estava bem preocupado com você – as palavras de Molly soaram como uma pontada. Droga, eu queria ele ali comigo.
– Se não fosse por ele.. eu não estaria aqui. – falei começando a lembrar de cada momento da noite passada.
– Ah, falando em quem estaria aqui ou não. Bem.. você tem duas visitas – ouvi a voz de Molly e antes que eu pudesse completar vi meus pais entrando no hospital. Qual é ? Eu morri e esqueceram de me avisar? Pra que tudo isso? Me diz!
– Meu amorzinho – minha mãe disse chegando perto da cama e apertando minhas bochechas.
– Mãe, para! – falei com a voz estranha enquanto minha mãe estrangulava minhas bochechas. – Não precisavam ter vindo se incomodar, eu estou bem – falei e ela continuou com o mesmo jeito de sempre. Revirei meus olhos lentamente e dei um sorriso pequeno.
– Filha, você precisa de mais cuidados vai acabar se matando – meu pai falou e eu bufei. Toda vez era a mesma coisa. Olhei para Molly com meu olhar fuzilante, sempre que algo acontecia meus pais faziam o mesmo sermão de que é muito perigoso, de que eu não sei me controlar e que eu morreria nas mãos de um bandido, até quando seria isso?
Fui tirada de meus pensamentos assim que ouvi alguém bater em meu quarto.
– Entra! – falei lentamente e vi Ross passar por entre a porta. Meu coração disparou, dei um pequeno sorriso e ele sorriu ao me ver. Notei o curativo em seu ombro e fiz uma pequena careta.
– Com licença – Ross falou e minha mãe olhou de mim diretamente a ele.
– Cunhado! – Molly gritou e eu senti minhas bochechas corarem. O olhar desconfiado de meu pai foi o suficiente para eu desejar muito uma pá e muita terra, apenas para me enfiar no buraco.
– Olá – ele disse sem graça e meu pai esticou a mão a Ross. Ele me fitou por alguns instantes e senti meu rosto queimando. Ross esticou a mão ao meu pai apertando-a.
– Qual seu nome rapaz? – meu pai perguntou em um tom sério. Eu queria tanto rir mas, eu estava me segurando. Quem diria que Ross ficaria tão sem jeito assim. Uma cena que eu nunca pensei em ver na vida.
– John Ross senhor – ele falou e a pose de militar surgiu em seguida em seu corpo. Ross nunca perdia a pose de policial, sempre era assim.
– Ai meu bem, pare de deixar o rapaz desconsertado – minha mãe falou e logo em seguida cumprimentou Ross. – Olá, meu querido! É um prazer conhece-lo – ela falou sorrindo de orelha a orelha e Ross agora era quem estava ruborizado.
– Mãe.. Ross é o namorado de Nick. – Molly falou obviamente, Molly morta até o final de tudo, sim ou claro? – Ah e..foi ele quem salvou a Nick de tomar um tiro. – Neste momento os olhos de minha mãe miraram o ombro de Ross e senti os olhos dela ficarem completamente cheio de lágrimas.
– Ah meu filho, obrigada! Obrigada mesmo por ter salvo minha menininha! Nossa, eu não tenho como te agradecer. Se algo tivesse acontecido com ela, eu morreria , não sei o que faria. Ela e Molly são minhas preciosidades – minha mãe falava sem parar.
– Mãe.. – falei e ela começou a rir em seguida percebendo que ela não parava de falar e que Ross já estava sem jeito.
– Desculpe meu querido. – ela falou e ele sorriu. Ai o sorriso galanteador que eu tanto amo. Que saudades de ver esse sorriso, céus!
– Não se preocupe, eu entendo Sra Crawford. — ele respondeu finalmente depois de tanto tempo em silêncio.
– Não me chame de Senhora, por favor. Aceito mãe ou sogra. – ela falou sorrindo e Ross afirmou com a cabeça sorridente.
Estiquei a mão a ele e logo senti os dedos dele sobre os meus. A sensação de paz estava me invadindo de novo. Parecia que não sentia isso a dias, mas, na realidade as horas que passei longe de Ross desde aquele maldito cativeiro me fizeram sentir isso. Sentir saudades da voz dele, do cheiro, da pele, do toque, da sensação de paz de tudo que ele me proporcionava.
– Bem, eu e seu pai já conversamos com seu médico, ele disse que logo você estará em casa, mas, ele vai vir falar com você. Eu queria muito ficar ..mas.. – ela olhou para Ross e voltou seu olhar para mim. – Eu acho que ele vai cuidar bem de você – ela sorriu e senti seu beijo em minha testa. – Fique bem meu amor. – eu assenti com a cabeça. – E você, cuide da minha menininha em? E se cuide meu querido, tome cuidado com esse machucado e nada de se meterem em confusão de novo viu? – minha mãe deu um abraço em Ross que sorria ainda divertido. – Ah filha, amanhã se você tiver alta vamos vir te buscar.
– Buscar pra que ? – perguntei sem entender.
– Como pra que? Você passar uns dias em casa, pra eu cuidar de você .
– Mãe, eu acho que ela vai querer ser cuidada por outra pessoa – Molly falou e eu a olhei no mesmo instante.
– Molly! – falei e ela mostrou a língua pra mim. Eu nunca conseguia ficar brava com Molly ela era uma palhaça!
– Ah, mas vocês poderiam ir para lá, nossa casa é no interior é tão gostoso poxa – minha mãe falou triste e eu senti um nó em minha garganta. Eu não andava mais dando tanta atenção para a minha família, e isso me corroía sempre. Mesmo que eu não falasse, sentia uma falta imensa de minha irmã, meu pai, minha mãe, de todos eles.
– Sra. Crawford, nós iremos pode deixar, vamos lá sem falta eu prometo – ouvi Ross falar e um sorriso imenso surgir nos lábios de minha mãe.
– Ok, prometido então! Fique bem minha princesa eu te ligo mais tarde – ela deu mais um beijo em mim e meu pai se despediu de nós.
– Eu vou também, vou pra casa da mamãe que é mais perto, amanhã venho buscar vocês. Juízo meus amores! – Molly se despediu de nós com o sorriso contagiante.
– Pode deixar – falei sorrindo e vi Molly também sair porta afora.
Ross me fitou no mesmo instante e caímos na gargalhada. Era muito engraçado ter visto toda aquela cena, e o melhor de tudo depois de tudo que passamos, aquilo era a melhor coisa do mundo. De cara com a morte, direto para um momento leve e feliz em família.
– Me desculpe por minha mãe – falei rindo ainda e Ross deu um beijo demorado em minha mão. Abri um sorriso imenso com aquilo, paz, paz e paz!
– Fique tranquila, eu adorei ela. Só acho que seu pai não gostou muito de mim. – Ross fez uma careta e eu apertei seus dedos levemente.
– Ele é assim mesmo, logo vocês dois serão grandes amigos, tenho certeza! – falei empolgada e logo voltei meu olhar para o ombro de Ross, fiz uma careta ao lembrar da noite anterior. – Está doendo? – perguntei e senti meus olhos arderem. Meu Deus, eu não chorava a muito tempo, muito tempo mesmo.
– Ei, nada disso. – Ross falou carinho e sentou-se na beira da cama. – Nada de sentir culpa, tomei um tiro por você e tomaria mil se fosse preciso. Eu estou bem, estou só com um pouco de dor, mas, nada fora do normal. E você? Fiquei preocupado, me desculpe se agi como um imbecil naquele momento e não fiquei do seu lado. – ouvi ele falar com a voz embargada, Ross também estava mexido com aquilo tudo, mas eu sabia que não havia porque se desculpar, ele não havia feito nada de errado, foi tudo por conta do momento, por conta da tensão, apenas isso.
– Não precisa se desculpar. Eu estou bem, estou com dor pelo corpo, e meu tornozelo está doendo bastante, mas, fora isso estou ótima. – falei sorrindo e ele me abraçou com cuidado. Era tão bom sentir o calor do corpo de Ross, sentir sua pele, sentir seus braços, sentir uma proteção imensa. Ai que saudades de sentir meu coração assim, descansando e em paz.
Fale com o autor