Notas iniciais
Boa leitura!

Made me promise I'd try to find my way back in this life...

— Eu sabia que ele estava envolvido – a noite havia chegado mais rápido do que o normal. Hook andava de um lado para o outro batendo nervosamente o gancho em sua perna direita, enquanto a outra mão caía ao lado de seu corpo, fechada em punho.

- Você o conhece, então? – Emma quis saber.

- Já tivemos algumas desavenças a respeito de um dos meus garotos – ele olhou de rabo de olho para Rumpelstiltskin, que ouvia a tudo atentamente, para a surpresa de todos os outros.

Emma e Regina não se importavam com a presença dele nessa viagem de resgate desde que ele não atrapalhasse. Hook estava irritado por motivos óbvios, mas se sentia na obrigação de ajudá-los a encontrar o garoto – e encontrar Bae, é claro – e por isso “aturava” o velho Senhor das Trevas. David entendia que Henry era tanto neto da Fera quanto seu, e usaria de toda ajuda possível para encontrar Henry. Mas Snow, com as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados firmemente contra o peito, estava inquieta demais. Ela sabia que Rumpelstiltskin estava ali por Bae, provavelmente, para que quando o encontrasse ele pudesse mostrar o quanto havia mudado. Mas se fosse apenas por isso ele não estaria tão preocupado quanto demonstrava estar. Havia algo errado ali e Snow sabia disso, só não conseguia identificar o que era.

- Não adianta, ela não vai falar com ninguém que não seja a Regina – David, que antes estava tentando conversar com Tinker Bell, apareceu com as duas mãos na cintura e suspirou pesado. – Pelo menos não por agora.

- O que vamos fazer, então? – Rumpelstiltskin perguntou.

- Ir em frente – Regina sugeriu. – Vamos continuar com a busca e a levaremos junto conosco. Ela vai ter que falar algo em algum momento, afinal.

- Concordo com ela – Emma assentiu dando um passo à frente para espiar a garota loira que agora estava deitada em um colchão que Rumpelstiltskin fizera aparecer. Após reunir o grupo, eles voltaram até a caverna que Emma, Regina e Gold encontraram na noite anterior. – Ela está cansada e machucada. Ninguém quer e nem deve ser interrogado nessas condições.

Um silêncio se estabeleceu entre eles. Os olhares de Emma e Regina se encontraram brevemente e então se afastaram, e nenhuma palavra precisou ser dita para que elas se entendessem.

- Vamos deixá-la descansar – a Rainha disse se dirigindo à saída. – E sugiro que vocês descansem também, afinal amanhã teremos um dia longo.

E, após dizer isso, ela se retirou.

- Vamos dormir David – Snow abraçou seu marido e os dois adentraram mais a caverna, até chegar à sua barraca. Rumpelstiltskin e Regina trouxeram, através da mágica, barracas para todos, que estavam cercadas por biombos as dividindo, o que dava à caverna um ar de “casa” e, claro, mais privacidade. Hook se dirigiu à sua barraca que ficava mais perto de onde Tinker Bell estava e Rumpelstiltskin mancou até a dele. Depois de ouvir o barulho do último zíper sendo fechado, Emma andou rapidamente até a saída, encontrando Regina sentada na grama a alguns metros da caverna.

- Ela vai acabar falando, Reggie – Emma sentou-se ao lado da morena e a abraçou. Regina apenas assentiu, recostando sua cabeça no ombro de Emma e encarando o céu. Ele estava preenchido com um cinza claro dessa vez, e a Lua cheia brilhava com um belo vermelho opaco.

Elas ficaram em silêncio por alguns minutos até que Regina se manifestou.

- Emma? – ela sussurrou.

- Sim? – a loira respondeu prontamente.

- Eu... Eu acho que eu gosto de você...

Emma sorriu ao ouvir as palavras da Rainha. Colocou sua mão no queixo da morena e puxou seu rosto delicadamente, fazendo-a olhar em seus olhos verdes que brilhavam de excitação.

- Eu também gosto de você.

**

Assim que o sol surgiu eles retomaram viagem, dessa vez com o grupo inteiro unido. Hook, como de costume, andava na frente, guiando-os e conversando animadamente com Tinker Bell, que contava a ele diversas histórias, tristes e engraçadas, sobre sua vida. Gold, Snow e Charming andavam lado a lado, em completo silêncio se não fosse pelas músicas animadas – irritantes, Gold diria – que Snow cantarolava. Já Regina e Emma conversavam alguns passos atrás dos três.

- E isso acontecia em todos os dias das mães? – Emma perguntou maravilhada.

- Sim, todos eles – Regina abriu um largo sorriso com a lembrança. – Era como um “ritual”. Ele levantava alguns minutos antes, preparava um café da manhã do jeitinho dele e levava até minha cama, juntamente com o presente que eles confeccionavam na escola e o abraço mais delicioso do mundo inteiro.

- Eu não acredito que perdi tudo isso – a loira baixou o olhar, mas logo em seguida voltou a olhar para Regina, com um sorriso arrependido nos lábios. – Mas agora não adianta mais.

- Ele tem onze anos, querida. Ainda temos muitos dias das mães pela frente.

Em um momento de descuido, Regina deixou que seus dedos se entrelaçassem aos de Emma, que retribuiu ao toque apertando forte sua mão. Elas não mantiveram o contato físico por muito tempo, mas foi o suficiente para que Mary percebesse. Ela parou de cantar de repente, fazendo Gold quase agradecer aos céus por isso, e virou a cabeça rapidamente para frente, com os olhos arregalados e cheios de confusão. Antes que pudesse dizer algo, Hook parou e fez sinal para que todos eles ficassem em silêncio, e assim o fizeram. O Capitão reconheceu um dos garotos do grupo que conversava animadamente e ria alto em uma clareira perto dali; era o mesmo Garoto Perdido que revistara seu navio anos atrás, a procura de Bae. Havia uma grande preda que eles usavam como mesa, aparentemente, pois vários copos e pratos estavam espalhados sobre ela, enquanto ao lado uma fogueira acesa assava alguns pássaros.

- Quem são eles? – Regina sussurrou quase colada à orelha do Capitão.

- Os Garotos Perdidos – ele respondeu e quando percebeu que Regina franziu as sobrancelhas, explicou rapidamente. – Trabalham para o Peter Pan. São eles que vão atrás das crianças que não chegam até seu chefe.

- Malditos – Tinker Bell sibilou. – Seria errado matá-los agora?

- Apenas pelo fato de que eles estão em maior número – Emma se introduziu na conversa. – Tem algo que possamos fazer?

- Poderíamos segui-los, mas não sei se funcionaria – Hook disse. — Eles iriam perceber, com toda certeza.

- E se alguns voltarem para a caverna e esperarem enquanto outros de nós tentam descobrir algo? – a Rainha disse.

- Isso que eu ia dizer – Emma sorriu e Regina sorriu também. Hook virou os olhos e chamou todos os outros para mais perto. Quando estavam reunidos em um círculo apertado, todos agachados e sussurrando, Hook começou.

- Esses são os Garotos Perdidos, eles trabalham para o Peter Pan, que é, de acordo com minhas experiências, o babaca que comandava o Greg e a Tamara – ele pigarreou. – Bom, Regina nos deu uma ideia que colocaremos em prática. David, você, Snow e... O Crocodilo voltam até a caverna e nos esperam lá. Levarei Regina, Emma e Tinker Bell comigo atrás dos Garotos Perdidos, para ver se descobrimos o local em que Peter Pan se encontra.

- E nós vamos ficar lá parados enquanto vocês podem estar marchando para a morte?! – Snow se alterou, mas rapidamente baixou seu tom de voz. – A minha filha está incluída nisso, Hook, não se esqueça.

- Eu já sou bem grandinha, mãe – Emma disse. – Obrigada pela preocupação, sinceramente, mas é desnecessária. Sabe que sei me cuidar, e não estarei sozinha.

- Snow – David tocou seu ombro. – Você sabe que ela está certa.

A morena de cabelos curtos assentiu e baixou a cabeça por um momento. Emma se despediu de seus pais que então seguiram na direção oposta do grupo dos Garotos Perdidos. Emma, Regina, Hook e Tinker Bell esperaram até que eles decidissem se deslocar e então, cuidadosamente, puseram-se a segui-los.

Eles não tinham noção de por quanto tempo estiveram andando, mas sabiam que faltava pouco para que seus pés se desprendessem das pernas, tamanha era a dor. Hook apoiava Tinker Bell ao mesmo momento que Emma tinha a cintura de Regina envolvida por um de seus braços, até que os Garotos Perdidos pararam em frente a duas grandes árvores cujos topos se encontravam, formando assim uma espécie de arco, que eles tiveram a certeza de ser um portal assim que os Garotos o atravessaram e sumiram depois das árvores.

- Então era isso! – Tinker Bell exclamou. – Peter sempre falava sobre uma entrada secreta aqui dentro da floresta.

- E durante esse tempo todo você sabia da existência de outras entradas?! – Hook alterou seu tom de voz.

- Não! – Tinker Bell disse assustada. – Eu não costumava sair muito, e sempre que saía era com uma venda nos olhos desde lá de dentro até aqui fora.

- O cara é realmente doente – Emma se permitiu rir nervosamente. – O que faremos agora?

- Entrar, quem sabe? – Regina disse ironicamente.

- Sem armas e sem saber o que nos espera do outro lado – Emma retrucou. – Super inteligente, Madame Prefeita.

Quando Regina abriu a boca para se defender, Hook interrompeu.

- Sem briguinha de casal, por favor – as duas se calaram e baixaram o olhar. – Temos que pensar em uma maneira de entrar.

**

Snow caminhava nervosa e rapidamente.

- Eu vi, David, eu vi as duas darem as mãos. E eu sei reconhecer um gesto apaixonado quando eu vejo um. Ah, céus, não pode ser!

- Meu amor, eu tenho certeza que não é nada de mais e... – Charming começou, mas Rumpelstiltskin o interrompeu.

- Ah, meu caro amigo, é tudo de mais – sua frase foi acompanhada de uma risada alta.

- O que você quer dizer com isso? – Snow parou abruptamente, encarando o Senhor das Trevas com os olhos arregalados.

- Queridinha, você realmente não percebeu as trocas de olhares e gestos claramente, e perdidamente, apaixonados? – seu tom de voz estava carregado de ironia. – Você é realmente tão inocente assim?

- Eu... Eu percebi, eu só... Céus, eu cheguei a considerar a hipótese, mas é impossível! – a morena dizia mais para ela mesma do que para os outros dois.

- Pelo jeito não é tão impossível assim – Gold sorriu.

- O que vamos fazer? – Snow se dirigiu ao seu marido.

- Não sei se há algo que possamos fazer, querida – ele parecia conformado. – Você sabe que quando Emma coloca algo na cabeça, não conseguimos tirar de lá tão cedo. Ela teve de quem puxar, afinal.

Snow virou os olhos com o sorrisinho provocativo do marido.

- Mas nós não podemos...

- Shh! – Gold sussurrou, fazendo Mary se calar. Ela e David se abaixaram e se esforçaram para ouvir aquilo que Gold ouvira. Passos nas folhas secas que estavam caídas no chão. Era apenas uma pessoa, pelo que eles puderam perceber, e Gold conseguiu ver os cabelos loiros tão familiares.

- Félix – Gold sussurrou com raiva.

- Ele é um dos garotos perdidos, não é? – Charming perguntou. – Você o conhece?

- É um velho amigo – ele respondeu a pergunta que David fizera. – Quero que vocês voltem para a caverna. Agora.

- E porque faríamos isso? – Snow o desafiou.

- Porque estou mandando! – Gold sibilou. Com um simples movimento da mão direita, fez uma densa fumaça roxa envolver Snow e Charming, que foram transportados imediatamente para a floresta.

Ótimo, já tinha se livrado daquele casalsinho meloso que tanto o irritava. Agora era o momento de acertar as coisas com seu querido amigo Félix e, claro, descobrir o paradeiro de Henry. Mancou calmamente até o garoto, que se virou para ele abrigando um enorme sorriso nos lábios.

- Rumpelstiltskin – o Garoto o saudou. Gold fez, de má vontade, seu clássico gesto com as mãos. – Faz tempo que não nos encontramos.

- Felizmente – o Senhor das Trevas sentou-se em uma pedra e apoiou o pé direito no joelho esquerdo. A fumaça roxa o envolveu e suas vestimentas foram trocadas; as roupas que antes usava, as que geralmente vestiam o Senhor Gold, em Storybrooke, agora eram as mesmas que costumavam vestir Rumpelstiltskin, o Senhor das Trevas, na Floresta Encantada.

- Pan sabe que estão aqui – Félix apoiou em um dos ombros o machado que segurava, dando pequenos passos até Rumpelstiltskin. – Ele quer saber de que lado você pretende ficar.

- “Você”? – Rumpelstiltskin disse e riu audivelmente logo em seguida. – Onde estão os seus modos, criança? Eu realmente apreciaria se me chamasse de “senhor”.

- Ele quer saber de que lado você pretende ficar – o garoto repetiu sem nem se importar com o que Rumpelstiltskin dissera.

- Você já sabe a resposta – o Senhor das Trevas respondeu friamente.

- Então Pan será seu inimigo – Félix sorriu. – E se você está aqui pelo garoto, lamento lhe informar, mas está perdendo seu precioso tempo. Você vai morrer.

- Acho que ambos sabemos disso, Garoto – Rumpelstiltskin disse. – Realmente, não me importo.

Félix deu uma risada estrondosa. Andou até o Senhor das Trevas e jogou nele um pequeno saco com algo dentro. Depois de olhá-lo de cima em baixo, se colocou a caminhar por entre a floresta e desapareceu. Rumpelstiltskin abriu o saco e reconheceu um boneco de pano que Bae fizera quando criança. Seus olhos encheram-se de lágrimas e tudo que ele pôde ouvir foi o riso agudo de Félix ecoar na floresta fria.

Notas finais
I hope there is a way to give me a sign you're ok...

A cena do final foi baseada no Sneak Peek de OUaT que saiu. Vocês viram? CÉUS, QUASE MORRI DE ANSIEDADE! *--* hahaha Enfim, espero que tenham gostado!

Kisses ♥

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.