Era segunda-feira e eu não podia faltar aula novamente.

Olhei para o espelho tentando encontrar forças para passar, pelo menos, pelo longo caminho até o colégio.

Durante o café da manhã Ryan parecia confuso e olhava para o meu rosto e meu pulso alternadamente. Eu estava usando a pulseira que ele me deu, até eu estava confusa por ter feito isso, mas aquela pulseira fazia com que eu lembrasse tanto de minha avó que não consegui tirá-la.

Meus pais me lançavam alguns olhares de vez em quando, mais para checar do que qualquer outra coisa.

E aí tinha Simon. Ele não havia falado comigo desde a sexta-feira e agora nem olhava na minha cara.

Senti-me completamente perdida.

No caminho para a faculdade Simon sentou no banco da frente, fora isso nem parecia que estava lá. Quando chegamos, se despediu de Ryan e foi embora.

Ryan, por sua vez, não sentou no banco da frente como ele sempre fazia e seguimos para o colégio em um silencio perturbador.

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Fiquei decepcionada ao pegar meu horário novo, alguns professores haviam entrado de licença e agora eu teria três aulas de química logo no inicio. Há algumas semanas isso teria sido algo maravilhoso para mim, mas agora era a ultima coisa que eu queria.

A Sra. Monroe estava alegre e, por incrível que pareça, ela não brigou com ninguém na sala.

Na ultima aula ela decidiu nos passar as notas do trabalho. O sinal para o recreio bateu antes que ela conseguisse falar a minha nota e ela pediu que eu e Ryan esperássemos um pouco para conversar conosco.

—Confesso que estou decepcionada com sua nota Srta. Thompson, uma menina tão inteligente e com um futuro tão brilhante... Essa nota pode afetar sua entrada na faculdade, pois é um trabalho que não terá recuperação.

Controlei-me para não suspirar, essa era uma atitude muito reprovada pela Sra. Monroe e fiquei com medo de que minha nota baixasse ainda mais.

—Quanto nós tiramos? – Perguntou Ryan.

—Bem... Antes de falar a nota de vocês, quero dizer que não tem como recuperar, seria injusto com os outros alunos se eu deixasse vocês fazerem isso. – Ela deu uma pausa olhando para nós para ter certeza de que entendemos. – Vocês zeraram no trabalho.

Meus olhos se arregalaram.

—O que? – Ryan também parecia chocado.

—Vocês tiraram um zero.

—Não! – Explodi revoltada. – Você não pode dar um zero! A experiência funcionou isso já vale, pelo menos, dois pontos!

—É verdade – Ela disse. – Mas venhamos e convenhamos, ficamos exatos onze minutos esperando algo acontecer, e realmente aconteceu, o Sr. Carter decidiu que era hora de dar uma surra em Jason Parsons, foi isso o que aconteceu Srta. Qualquer coisa depois não será levada em conta.

—Mas funcionou, e, me perdoe, foi bem melhor do que a maioria das merdas que apresentaram aqui. – Eu estava com tanta raiva que nem percebi o que eu estava falando, e pior, com quem.

—Como disse? – Ela perguntou. Optei por ficar calada. – Eu sou a professora, darei a nota que eu quiser, não importa se a experiência funcionou ou não, a última palavra é minha. – Ela me olhava com ódio. – Fique sabendo que, a partir de agora, vou arruinar toda e qualquer chance que você tenha de algum dia entrar em uma faculdade de química.

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Ryan não me passou nenhum bilhetinho na ultima aula dando uma desculpa para não ir para casa, o que me pareceu estranho, eu não sabia se devia esperá-lo ou não.

Decidi esperar.

Depois de um longo tempo só havia o meu carro e o do diretor no estacionamento, eu já ia deixá-lo ir andando quando ele apareceu no portão.

Ryan abriu a porta de trás e sentou bufando, ele parecia muito bravo.

Entrei no carro, já estava pronta para outra longa volta para casa, mas assim que bati a porta ouvi a voz de Ryan.

—Não existe algo suficiente para um Carter. – A voz dele emanava raiva.

—Como?

—Nada pode deter um Carter e nada pode satisfazer suas ambições, principalmente se seu nome for Steve.

-Você está falando de seu pai?

Ryan respirou fundo.

—É. – Ele disse apenas.

Eu não sabia se perguntava alguma coisa ou se ficava calada.

Antes que eu pudesse decidir ele continuou:

—Ele sempre diz que eu tenho que ser perfeito em tudo. Apresentação perfeita, modos perfeitos, linguagem perfeita, comportamento perfeito, notas perfeitas. “A perfeição é o nível básico de um Carter” _imitando seu pai_ Eu não aguento mais isso, perfeição nisso, perfeição naquilo, não manche a reputação de perfeição na família. – Ryan deu um soco no banco do carona. – Eu odeio isso!

Ryan estava com tanta raiva que eu nem sabia o que responder. Decidi ficar quieta.

—Sabe, você é muito útil quando quer. – Ele disse sarcástico.

—Eu não pedi pra você me contar nada. – Respondi indiferente.

Ele suspirou.

—Você tem razão. Eu só... – Outro suspiro. – Só precisava desabafar.

—E porque comigo?

Quando olhei pelo retrovisor vi que ele tinha um sorriso fraco no rosto.

—Você está usando a pulseira. – Ele respondeu. – Isso quer dizer que não me odeia por completo, e que eu posso me redimir seja lá do que eu tenha feito. E também porque eu confio em você, é bem louco né? Sim, Madlen Thompson, eu confio em você. Mas agora ficarei quieto, prometi que não lhe incomodaria com minhas palavras.

Tentei esconder o sorriso que se formou. Sim, ele ainda era um idiota, mas estava tentando me agradar, e pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista) ele confiava em mim.

Notas finais
Beijos da Mary, povo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.