Notas iniciais
Holaaaaa!! Capítulo fresquinho para vocês amores ♥ Boa leitura u.u

Na quinta-feira a desculpa foi uma dor no estomago, na sexta, dor de cabeça. Eu não estava pronta. Não estava pronta para voltar à escola, não estava pronta para voltar a ser a Garota Bomba, não estava pronta nem para ver a cara de Ryan na minha frente.

Sentei em minha cama sentindo-me um lixo. Eu havia criado uma barreira ao meu redor, Jason Parsons não importava para mim, as pessoas me olhando de forma estranha não me fazia sentir triste, mas aí Ryan chegou e estragou tudo. Agora eu lamentava a deplorável nota que eu provavelmente tinha tirado, lamentava ser a estranha do colégio, e, principalmente, lamentava ter conhecido o filho de Steve Carter.

Joguei a primeira coisa que vi no chão. Não era justo! Ryan estava acabando comigo.

Quando voltei para casa na quarta, comecei a refletir sobre isso. Foi ai que decidi evitar Ryan Carter, uma coisa que eu havia conseguido até aquela noite de sexta.

Estava quase na hora de Ryan chegar e peguei toda a comida necessária na correria a fim de não vê-lo.

O que eu achei que poderia ser bom para mim acabou sendo algo ruim. Eu não sabia o que era aquilo, mas, ainda que eu não quisesse ver Ryan, eu precisava. Eu estava tendo quase um colapso nervoso quando lembrei o que eu poderia fazer para, em apenas alguns minutos, esquecer toda a minha vida.

É isso mesmo. Maratona de filmes.

Eu estava sofrendo para carregar todos aqueles potes e sacolas quando Simon entrou pela porta.

—Wow! Olha quem saiu do quarto. – Ele disse me provocando. – Aonde pensa que vai com o nosso estoque de inverno em mãos?

Revirei os olhos.

—Irei passar um tempo com meu marido, e precisamos de comida, agradeço a compreensão, até semana que vem.

Com isso fui saindo, mas não consegui dar nem dois passos antes ser acertada por uma almofada na cabeça que me fez derrubar tudo o que eu segurava.

Virei para Simon inundada de raiva.

—VOCÊ NÃO VIU A COMIDA?! – Apontei para o chão. – TA VENDO AGORA? COMIDA DESPERDIÇADA, QUAL É O SEU PROBLEMA?

Simon apenas ria.

Normalmente eu iria pular em cima dele e desferir socos e tapas, mas eu não estava bem no momento para isso, então simplesmente virei e comecei a juntar as coisas que ainda dava para comer (leia-se o que estava fechado).

Simon, percebendo que algo estava errado, parou de rir e sentou na escada de frente para mim.

—Madlen... O que está acontecendo?

Não vou chorar, não vou chorar, não vou!

—Nada.

-Madlen, você mente para mim desde que tinha três anos, eu sei quando faz isso. O que aconteceu?

—Nada.

Eu estava ainda abaixada “pegando” o que ainda podia ser resgatado.

—Ok. – Ele disse. – Então faça algo para mim.

Suspirei, por que ele não calava a boca?

—O que?

—Olhe nos meus olhos e responda novamente a pergunta.

Levantei a cabeça vagarosamente. Eu conseguia, sim, eu conseguia fazer aquilo.

Respirei fundo, olhei em seus olhos e disse:

—Nada.

Simon pareceu decepcionado.

—Ok Madlen, se não quer me contar não posso fazer nada. Eu só... – Ele suspirou. – Só achei que você confiava em mim.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele foi embora.

Aquilo foi como uma facada. Fiquei paralisada por um momento tentando puxar o ar de volta aos meus pulmões.

Aparentemente eu demorei a conseguir voltar à realidade, e, quando isso aconteceu, Ryan abriu a porta. Sua expressão quando me viu variou de apreensão para dúvida.

Não suportei olhá-lo. Corri em direção à porta, passei por ele como um jato arrancando a chave do carro que estava em suas mãos.

Só tinha um lugar onde eu podia estar. O meu lugar. E era para lá que eu ia.

—__**___

Muitas pessoas podem discordar, mas a coisa mais importante em uma explosão é o que vai explodir e não como vai acontecer a explosão e, adivinhe só o que faltava?

Para explodir algo é preciso ter algo para ser explodido.

Sentei em uma cadeira no bunker de observação pensando em tudo o que estava acontecendo na minha vida. Tudo aconteceu tão repentinamente que eu nem podia acreditar como as coisas estavam normais há pouco tempo.

Sentada com a cabeça escorada na parede chorei. Chorei por tudo e tudo o que podia. Chorei até pegar no sono.

—_**__

Acordei no chão, eu não lembrava que tinha caído, mas aparentemente eu tinha. Eu havia passado a noite lá, deviam ser, mais ou menos, oito horas.

Levantei e me espreguicei, cada músculo do meu corpo doía terrivelmente.

O dia estava lindo, o tempo perfeito.

Vi o carro de Calebe um pouco distante.

—Bom dia, Madalena. – Ele disse.

Revirei os olhos ao ouvi-lo me chamar daquele jeito.

—Bom dia, Calabresa. – Devolvi a provocação sorrindo.

—Fiquei muito preocupado quando sua mãe me ligou dizendo que você tinha sumido.

—Minha mãe te ligou? – Isso não era a cara da minha mãe, a única pessoa que faria isso seria Simon.

—Sim. Isso fez com que eu me preocupasse em dobro. – Calebe suspirou. – Droga, por que você faz essas coisas?

Fiquei indignada.

—Como é?

—Sim, Madlen. Por que você faz isso? Eu poderia ter tido um ataque cardíaco. Você tem noção que passou a noite fora e ninguém sabia onde você estava? – Eu ficaria com raiva de Calebe, mas seu tom de voz mostrava que ele realmente estava preocupado.

—Desculpe. – Falei com um pouco de vergonha.

Calebe respirou fundo.

—Tudo bem... Você está bem, é isso o que importa, certo?

—Talvez. – Eu estava ficando triste de novo.

—Não! Não é para você ficar assim! Vem, vamos para a minha casa, você pode me contar a história no caminho.

—Mas e o meu carro?

—Ah, se aquele preguiçoso do seu irmão quiser o carro, ele que venha buscar. Você não vai dirigir assim, toma. – Ele me estendeu com copo.

Olhei para ele desconfiada.

—O que é isso?

—Duh! É veneno. – Então ele virou e foi em direção ao carro.

—__**___

Contei metade da história para Calebe, a parte sobre Ryan eu deixei de fora, me sentia idiota por sentir-me daquele jeito.

Passamos o dia inteiro conversando e eu teria dormido lá se pudesse, mas, infelizmente, eu precisava voltar para casa.

Quando cheguei fui recebida por Philip, o filho de nossa empregada.

—Oh! Você voltou! – Ele gritou segurando minhas mãos. Isso era como um abraço.

Sorri.

—É bom te ver também. – Baguncei seu cabelo.

Philip era uma criança adorável, confesso que o adorei assim que o vi.

—Oh céus! Madlen! Você me deixou tão preocupada! – Minha mãe veio correndo para me abraçar.

—Desculpe, não era minha intenção. Eu acabei dormindo, perdi a noção do tempo.

O olhar que meu pai me lançava era severo e inflexível, mas, quando ele falou, sua voz saiu embargada.

—Eu espero _ (momento para limpar a garganta) _ espero que isso não se repita.

Deu um sorriso leve.

—Não vai se repetir, pai. Foi um acidente, me perdoe.

Meu pai abriu um sorriso.

Deixei que os dois me abraçassem, afinal, eu não podia ignorar a preocupação dos dois. Às vezes é difícil lembrar que as pessoas ao nosso redor também tem sentimentos.

Jantei com meus pais, Ryan e Simon não deram as caras.

Entrei em meu quarto. O porta-retratos que joguei no chão ontem à noite ainda estava lá. Peguei-o e contemplei a foto. Minha avó sorria com uma das mãos em meu obro e a outra fazendo um chifrinho na minha cabeça.

—Ah vovó... Tudo seria tão mais simples se a senhora estivesse aqui.

Tirei a foto do porta-retratos quebrado e fiquei observando-a por um longo tempo enquanto brincava com seu anel de noivado que recebi quando ela faleceu. Meu avô disse que ela queria me dar quando eu arrumasse alguém para o resto da minha vida, mas, quando ela morreu, meu avô não suportava vê-lo, então ele adiantou os planos de vovó, acho que ela não ligaria para isso.

Enquanto olhava da foto para o anel e para a foto novamente, vi algo que não pertencia ao meu quarto.

Era uma caixinha. Uma caixinha preta com um laço verde e um bilhete.

“Querida Madlen, sei exatamente o que você está fazendo, está me evitando e, embora eu não entenda o motivo, respeito sua decisão, então peço encarecidamente que não considere isto como uma afronta ou provocação. Receio ter ultrapassado alguns limites nesta última semana, espero que me perdoe por isso. Acontece que você é uma garota interessante e eu estava tentando entender o mistério por trás de Madlen Thompson, agora entendo que você não quer isso e prometo não tentar mais fazer isso. Como eu disse, respeito sua decisão de me evitar, quero que saiba que não tentarei falar com você (tirando, é claro, as coisas básicas da boa educação), espero que não fique com raiva de mim para sempre, saiba que se precisar estarei aqui. Eu sei que é estranho eu falar isso, mas aconteceu algo que não posso explicar aqui, talvez um dia eu explique, se você permitir. Quero que saiba que te tenho em alta estima, e espero não mais incomodá-la.

Ass: R. Carter.

PS: eu reparei neste anel que você nunca tira e comprei um presente há algum tempo, esperei o momento certo para te entregar, mas não pude. Não tenho necessidade de ficar com ele e também não tenho para quem dar, espero que aceite.”

Abri a caixinha e lá estava uma linda pulseira com alguma pedrinhas, fiquei admirada por Ryan notar esse pequeno detalhe e não pude recusar a pulseira tamanha era a sintonia que ela tinha com o anel.

Notas finais
Vocês não tem noção da minha alegria de saber que tem gente lendo essa fic! Espero que tenham gostado do capítulo. Beijocas da Mary.