Notas iniciais
Holaaa! Espero que vocês gostem da história amores ♥

Eu estava no trigésimo sono quando senti umas coisinhas irritantes (também conhecidas com braços) passarem por cima de mim.

—TIRE ESSAS COISAS DE CIMA DE MIM! – Gritei.

Simon deu risada.

—Funciona melhor do que despertador. – Ele disse.

O fuzilei com os olhos.

—Você só precisava dizer que tinha preparado o café da manhã para mim.

—Levanta logo antes que eu te de um beijo.

—JÁ LEVANTEI.

—__**___

Depois de pronta desci a escada para a cozinha.

Tudo estava como deveria estar. Exceto por uma coisa senta à mesa com meus pais. Ótimo, era tudo o que eu precisava.

Tentei me afastar sem ser percebida, mas meu pai me viu.

—Madlen, venha aqui. Quero lhe apresentar alguém.

Revirei os olhos sem que ele percebesse. Vai começar...

Fui meio relutante para a mesa, mas não sentei.

A coisa que estava sentada com meus pais era um garoto, parecia ter a minha idade. Ele levantou-se quando viu que eu me aproximava. Meu pai sorriu aprovando sua atitude, segundo ele, “eram poucas as pessoas educadas no mundo”.

—Filha, este é Ryan Carter, ele é filho de Steve, lembra-se do Steve? – Fiz que sim com a cabeça. – Ótimo. Ryan vai estudar com você, espero que se dêem bem.

Ryan sorriu para mim. Eu fiz o máximo de esforço possível para retribuir.

—Onde está Simon? – Meu pai me perguntou.

Ele não queria mesmo que eu respondesse, não é? Não podia ser possível, ele não viu que tinha um estranho na minha frente?

—E-eu vou chamar ele. – Falei. Minha voz saiu estranha. Minha garganta estava seca.

Eu estava louca para sair dali, mas Simon apareceu na hora.

Quando viu Ryan sorriu.

—E ai Carter?

Ryan o cumprimentou com um gesto de cabeça.

—Acho melhor irmos, senão vou acabar chegando atrasado à faculdade. – Disse Simon.

—__**___

—Seu amigo é mudo? – Sussurrei quando Ryan foi buscar a mochila.

—Aposto tudo o que tenho que assim que vocês ficarem a sós no carro ele vai falar alguma coisa. – Simon sussurrou de volta.

Um arrepio percorreu minha espinha.

Simon estava na faculdade e entrava mais cedo do que eu, o que queria dizer que eu o levava e depois ia dirigindo para a escola, para voltar ele arrumava carona. Ou seja, vou meia hora sozinha no carro com um cara que nunca vi antes na minha vida. Minha família não me ama mais?

Simon viu minha expressão e conteu uma risada.

—__**___

Durante todo o percurso para a faculdade Simon e Ryan conversaram. Não sei se é possível acreditar, mas Simon me deixou na frente sozinha e foi atrás com Ryan, assim a única coisa que eu escutava eram as risadas de Simon, eu só sabia que eles estavam conversando pelas vezes em que Simon elevava um pouco a voz que era seguida de uma gargalhada. A voz de Ryan ainda era um mistério para mim.

Infelizmente chegamos e Simon disse para Ryan sentar-se na frente, o que, para minha completa decepção, ele fez.

Vinte minutos até o colégio. Eu não seria capaz de morrer de vergonha até lá, seria?

—Você me deixaria ligar o rádio? – Ele perguntou com um sotaque inglês carregado, quase não entendi o que ele disse.

Emiti uma espécie de grunhido afirmativo.

Ryan ligou o rádio e começou a tocar a música Fine By Me de Andy Grammer. Fiz o máximo para mostrar que eu estava indiferente ao que tocava, mas quando escutei a primeira nota sorri espontaneamente, eu amava aquela música. Infelizmente ele notou.

—Gosta dessa música?

Ponderei se respondia com a cabeça, com outro som estranho ou com a minha voz. Acho que demorei a escolher.

—Sim. – Disse.

—Sim, o que? – Ele perguntou. É, eu demorei demais.

—Gosto da música. – Foi aí que notei que já era outra música tocando.

Minhas bochechas começaram a queimar na hora.

Ryan riu.

—Você não fala muito, não é mesmo?

Olha quem estava falando!

—É. – Respondi e ele riu novamente.

Para o meu alívio ele não falou mais nada o resto do caminho.

Finalmente chegamos à escola.

—Então, você pode me mostrar o lugar? – Perguntou Ryan, só então foi que dei uma boa olhada nele. Alto, forte, cabelo preto e olhos azuis. Quase perdi o ar ao dar uma melhor olhada naquela beldade.

Tentei disfarçar.

—Ok.

Mostrei a ele os lugares que mais usaria: o pátio, o ginásio, a cantina e até algumas salas de aula. Ao fim de tudo sentamos em uma escada e esperamos.

—Garota Bomba! Procurei você em todo o lugar! – Ao ouvir as duas primeiras palavras virei para trás e vi Jason Parsons vindo em minha direção. Aquilo só poderia terminar em uma coisa: humilhação. – Ei, Madlen, abriu uma vaga na Al Qaeda, ouvi dizer que você é uma das candidatas favoritas. – Ele disse bem alto. Todos deram risada.

Vi apenas por um segundo todos me olhando e rindo. Mas foquei no que vi com o canto do olho: um Ryan envergonhado se afastando lentamente de mim.

—__**___

As primeiras aulas passaram mais rápido do que eu gostaria, e aí chegou o inferno..

Em qualquer escola é assim. Toca o sinal e começa o inferno, algumas pessoas chamam de recreio.

Enrolei para sair da sala, até que não pude mais ficar mesmo. Saí da sala e me deparei não com um corredor vazio, mas com um corredor onde havia um casal se agarrando. Eles olharam para mim ao mesmo tempo. Dei de ombros, eles eram quem estava fazendo coisa errada, não eu.

Como abaixei rapidamente a cabeça quando me olharam, não pude ver quem eram, mas ouvi uma risada debochada da garota, e o garoto perguntou:

—Quem é essa? – Ele tinha uma voz forte com um sotaque inglês muito puxado. Reconheci Ryan na hora, mas decidi dar uma olhadinha para ter certeza.

Era ele.

Voltei a olhar para baixo e saí andando em direção a cantina. Olhei para o relógio e ainda faltavam dez minutos para o fim do inferno.

Comprei um cachorro-quente e um pacote pequeno de salgadinho e sentei-me na mesa mais afastada que achei.

Assim que sentei meu celular tocou.

Olhei para a tela. Simon.

—O que é bicho do mato? – Atendi.

—Olá querida, seu bicho do mato está fora, é o seu príncipe mesmo. – Uma voz conhecida falou. Era Calebe, um amigo que Simon e eu temos em comum.

—O que está fazendo? Por que não me ligou com seu celular?!

Ele riu, eu estava falando com a boca cheia.

—Meu celular quebrou, vou comprar um novo depois da aula e é por isso que vou passar na sua casa de noite.

—Ok, e por que me ligou?

—Para ouvir sua voz, retardada! – Ele riu e ouvi Simon o acompanhando.

—Essa merda está no viva-voz, não é?

—Claro...— Simon cantou.

—Não fale merda garota! É feio. – Calebe reclamou. – É verdade que Ryan Carter está estudando com você?

—Talvez seja. – Respondi.

—Ele está ai com você?— Perguntou Simon.

—Você acha mesmo que se ele estivesse eu estaria falando?

Simon riu.

—Eu tenho que desligar agora, ok? Falo com você depois. – Disse Calebe.

—Ok, tchau bobões.

—Tchau bobona. – Eles disseram juntos.

O motivo de eu falar com Calebe sem morrer de vergonha é que ele ganhou minha confiança. Calebe conheceu meu irmão quando eles estavam na quinta série, eu estava na quarta e levou dois meses para que eu conseguisse falar com ele ou com seus pais sem ter vontade de cair num buraco e morrer, a partir daí nossa amizade começou, aos poucos fui me soltando com ele e há pouco mais de dois anos confio nele 100%.

Terminei o meu cachorro-quente e, como eu havia previsto, nem toquei no salgadinho.

Guardei o salgadinho na mochila exatamente na hora em que o sinal tocou.

Aula de química, nem dava para imaginar como eu estava animada.

Fui a primeira a chegar à sala e sentei no meu lugar segundo o espelho de classe, sim, a minha turma de química precisava de espelho de classe.

Mas esse querido espelho dizia que a única mesa livre era a mesa atrás de mim, e, infelizmente, essa mesa foi ocupada por Ryan.

A aula de química estava indo muito bem, estávamos estudando sobre as cadeias carbônicas quando alguma coisa me espetou nas costas, do lado da parede. Levei um susto e quase pulei da cadeira.

Ouvi Ryan fazer um barulho para que eu ficasse quieta e sem que ninguém percebesse me passou um bilhetinho por baixo da mesa.

O bilhete dizia o seguinte:

"Não se preocupe, arrumei carona, por favor, fale aos seus pais que tive que resolver alguns problemas, mas que volto antes do jantar. Agradecido."

A única coisa que pensei depois de ler foi: “kkkkkkk. Agradecido? Quem fala agradecido?”

Não me julguem. Agradecida.

—__**___

Entrei no carro me sentindo aliviada por Ryan não vir junto.

Cheguei em casa em cinco minutos e corri pra meu quarto, tomei um banho, me troquei e fui para o meu cômodo preferido da casa: a cozinha.

Preparei um belo de um sanduíche e sentei para comer.

—Madlen? – Ouvi meu pai chamar, logo depois ele apareceu na cozinha. – Onde está Ryan?

Engoli antes de responder.

—Ele foi resolver alguma coisa, disse que volta antes do jantar.

Meu pai olhou para mim desconfiado.

—E o que você respondeu?

—Nada. – Dei de ombros.

Ele me lançou um olhar de reprovação.

—O que? – Perguntei.

Ele só deu risada e foi embora.

—Hein? Sei não, é cada um que me aparece. – Falei comigo mesma.

Terminei meu delicioso e maravilhoso sanduíche e sentei no sofá para assistir TV.

Algum tempinho depois uma sombra se projetou atrás de mim, e algo como braços vinha lentamente em minha direção.

Não pensei duas vezes. Peguei o controle e joguei na cara de quem quer que seja.

Ouvi o grito de Simon e a risada de Calebe.

—SEUS VERMES INSIGNIFICANTES! – Gritei. – É BOM QUE SEJAM ATROPELADOS POR UM AVIÃO!

Calebe riu ainda mais.

—Um avião?

—Que seja. Vocês são uns idiotas.

—Também sentimos sua falta M. – Disse Simon.

—Não me chame de M.

Simon e Calebe sentaram no sofá. Cada um de um lado. E eu tive de ficar entre os bobões.

—Então, quantas ele já pegou? – Calebe perguntou como quem não quisesse nada.

—Ele quem?

— Ryan. – Simon respondeu.

Ri.

—Que eu saiba, só uma.

—O QUE? – Simon gritou pulando do sofá.

—Ei cara, esse é o recorde dele. Nunca vi ele pegar menos de cinco no primeiro dia de aula. – Calebe riu.

—Eu achei que vocês fossem amigos dele! – Falei.

—Só porque nos falamos não quer dizer que somos amigos, ele é legal, mas quando se trata de garotas, é um babaca. – Disse Calebe.

—E qual garoto não é?

Calebe me tacou uma almofada na cara.

—Por que fez isso?!

—Por nada. – Ele disse. – Você estava completamente certa.

Eu ia responder, mas a campainha me fez parar. Meu coração acelerou, o sangue deixou meu rosto e minhas mãos começaram a tremer.

—Vem. – Disse Calebe. – Vou te ajudar a chegar ao quarto.

Calebe me ajudou a levantar e com um tanto de esforço conseguimos chegar à escada.

A campainha tocou mais uma vez e Simon foi atender.

Ouvi-o cumprimentar Ryan antes da porta do quarto se fechar.

Notas finais
Gostaram? Sim? Não? Mais ou menos? Comentem por favorzinho. Beijocas da Mary