Notas iniciais
Demorei? Demorei. O motivo? Tive muita dificuldade em escrever a partida do Jason. Descrever os dois dias seguintes? Pular para o avião? que comentários fazer? Foi realmente complicado, já que o Jason é um personagem muito importante para o desenvolvimento da Alex. Tirando isso, desculpa mesmo pela demora. Espero que gostem! Kisses, W.S.

Não vou contar o que aconteceu nos dias que seguiram a descoberta da doença da mãe de Jason e sua partida iminente. Foram horas tristes e íntimas, longas e curtas, apressadas e lentas, um misto de sensações e sentimentos que me entorpeceram completamente por quarenta e oito horas.

Para ser sincera, não lembro de muita coisa do que aconteceu naqueles dois dias. Meu cérebro pareceu anestesiado o tempo inteiro, mal registrando o que acontecia à minha volta. Minha próxima memória daquele período é de mim e de Jason no aeroporto, esperando a chamada para o seu embarque. Nosso adeus.

Jason tinha a expressão mais triste e ansiosa que eu já havia visto em seu rosto e mantinha um braço sobre os meus ombros, meio se apoiando e meio me mantendo perto de si. Não é como se tivesse alguma chance de nos desgrudarmos antes do último segundo possível, mas entendo a sensação.

Ele checou o celular e ficou de frente para mim, as mãos nos meus braços. Encaramo-nos por alguns instantes, eu perdida em seus olhos e, ao mesmo tempo, em lembranças, e ele, aparentemente, fazendo o mesmo. Abracei-o com toda a força que tinha, tremendo um pouco. Me recusava a chorar, mas aquela tarefa era quase impossível.

Não que eu fosse uma princesinha chorona que necessitasse de um homem pra me ajudar, mas Jason foi o meu pilar nos momentos em que mais precisei de alguém e foi basicamente o único que não me abandonou em algum ponto da vida. Eu devia toda a minha felicidade a ele.

Ainda com a cabeça enterrada em seu pescoço, sussurrei:

— Você é meu herói. Sempre será. – uma risadinha fez seu peito tremer.

— Heróis não existem. E mesmo que existissem, eu não seria um deles. – citou uma das minhas séries favoritas. Suspirei, sentindo falta da época em que tinha uma televisão e tempo para assisti-la.

— Heróis são aqueles que continuam lutando, mesmo depois de perder. Você fez isso anos atrás e continua. Por mim, pela sua mãe, pelo seu melhor amigo. E eu te amo por isso. – apertei-o um pouco mais ao ouvir a vozinha irritante que avisava que o voo de Jason estava prestes a decolar.

— Se cuida, Alex. – pegou as malas e foi para o portão de embarque. Fiquei parada observando-o caminhar. Ele tinha os ombros curvados, como se todo o peso do mundo estivesse sobre eles.

Observei pela janela do aeroporto enquanto ele embarcava e observei o avião decolar, levando para longe a única pessoa que eu ainda tinha. Fiquei alguns minutos encarado o nada e peguei o celular, seguindo o plano que eu e Jason havíamos feito antes da sua partida. Digitei o número da pessoa X e esperei que atendesse.

“ -Você ainda tem um quarto sobrando no seu apartamento? – perguntei. A pessoa demorou alguns segundos para responder. – Tem alguém aí?

— Ah, desculpa. É que eu não esperava que alguém fosse aparecer tão rápido. Ainda temos o quarto. – a voz, masculina, começava a falar mais alguma coisa, mas cortei-o.

— Me encontre na Doc’s Dog amanhã às duas da tarde. Mesa 10. Tchau.”

E desliguei. Saí vagarosamente do aeroporto e voltei para casa, onde comecei a empacotar todas as minhas coisas, que não eram muitas. Ao final, consegui ajeitar as roupas em uma bolsa de ginástica grande, os sapatos em uma caixa e pertences mais pequenos em outra.

Depois de ajeitar tudo perto da porta, tomei um banho demorado, vesti a camisa do J, engoli o último calmante que ainda tinha e adormeci sozinha no sofá-cama, a primeira vez em dois anos. Mesmo sem o lençol que mantínhamos lá, que agora estava numa caixa, o cheiro de Jason prevalecia sobre qualquer outro odor. Adormeci inalando seu perfume amadeirado pela possível última vez.

~*~

Geralmente, era Jason quem me acordava, já com seu café da manhã pronto e um sorriso no rosto. Naquela manhã, não havia ninguém para me acordar, ou sequer vontade para sair da cama depois que eu o fiz. Por isso, permaneci embrulhada nas cobertas, pensando no que fazer em seguida.

Não sabia muito bem a resposta para aquele pensamento.

A uma e meia da tarde, obriguei a mim mesma a sair do sofá-cama e me arrumar. Precisava conseguir o quarto, ou estaria na rua. Precisava que o dono do aparamento exigisse um aluguel muito baixo, ou não conseguiria pagar. Precisava de um emprego, mas ninguém na cidade parecia querer me contratar.

Ter uma reputação como a minha não era um mar de flores.

Peguei o último cigarro que ainda tinha e saí de casa remoendo tudo aquilo na cabeça. A antiga eu provavelmente estaria chorando se me visse agora.

Eu não devia ter escolhido o Doc’s Dog como ponto de encontro. Entrar pela porta da frente do antigo trabalho de Jason e não vê-lo foi como um soco no estômago dado por um pugilista profissional.

Sentei na mesa dez, que ficava na parte de trás do restaurante, um tipo de deque aberto, onde a fumaça que saía dos meus pulmões não era proibida. A mesma mesa que eu e Jay costumávamos usar. Isso foi mais um golpe doloroso. Todas aquelas atitudes, antes banais, abriam ainda mais a ferida recente que era a partida do Whitmore.

Fiquei encarando a madeira brilhante e riscada por alguns minutos, até ouvir a sineta da porta tocando. Levantei a cabeça, mas era apenas o primo insignificante da Lissa. Ele estava contemplando o ambiente, como se avaliasse. Seus olhos pararam em mim por meio segundo, e depois continuaram a sua busca.

Olhei a tela rachada do celular.

14:10.

O cara não me daria um bolo, daria?

Um par de pernas parou ao lado da minha mesa.

Kurt Springs era o dono do par de pernas e do resto do corpo, incluindo os olhos que me encaravam curiosamente.

— O que foi? – questionei, sem paciência nenhuma e soprando fumaça diretamente em seu rosto. Ele tossiu e desviou.

— Aparentemente, você quer alugar um quarto do meu apartamento. – as sobrancelhas franzidas.

Merda.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.