Unintended

36 Capítulo 35 - Imprevisto


Notas iniciais
Então... Oi? Não sei nem com que cara eu apareço aqui depois de todo esse tempo. Sou muito apegada com horários, rotinas, compromissos, etc., então quando dou vacilos com essas coisas fico chateada comigo mesma. Primeiramente, peço desculpas pela espera prolongada. Eu puxei mil matérias esse semestre e com as provas se aproximando decidi criar um cronograma rígido de estudos que me levou o mês inteiro pra dar conta de tudo. Felizmente, as provas acabaram por enquanto então estou dando uma relaxada e estou de volta! Aeee! Aqui está o esperado capítulo atrasado. Espero que gostem :3

Rin suspirou em contentamento, despertando com um sorriso preguiçoso brotando em seus lábios quando ela rolou pelo espaçoso futon, um braço se estendendo para abraçar-

Nada além de um amontoado de almofadas e lençóis.

Ela bufou em frustração, não conseguindo evitar o sentimento amargo de decepção que a atingiu.

Apenas na noite anterior, quando ambos finalmente revelaram a todo o Oeste o segredo de seu relacionamento, ela havia estado tão feliz. Até que, pouco depois do jantar, quando ela se distraía em uma conversa com seu mais novo marido, um soldado os interrompeu.

Com algumas rápidas palavras sobre o exército nortenho que Rin não entendeu muito bem, seu senhor a estava dando um último beijo e escapando junto ao soldado, desaparecendo na escuridão e a deixando ali, completamente sozinha no evento que pretendia festejar a união dos dois.

Resignada, ela havia se retirado quando ficou tarde demais para que ela fosse vista desacompanhada por aí. Esperou pelo youkai no futon pela maior parte da madrugada, até que acabou caindo no sono.

Não era normalmente tão exigente quando ele precisava deixa-la de lado para resolver problemas, ela sempre compreendia. Mas aquela deveria ter sido a noite de núpcias, era uma noite especial! Era verdade que a verdadeira consumação já havia sido adiantada mais de um mês atrás, de forma que suas esperanças não passavam de vão tradicionalismo humano sem propósito. Mas ainda assim, era especial para ela.

Aparentemente, não para ele.

— Argh, senhor Sesshomaru, seu... -

— Eu estou te ouvindo. — A voz grave familiar avisou, fazendo-a gritar de susto e se sentar abruptamente na cama.

Seus olhos castanhos fitaram o youkai no centro do quarto, esperançosa de que ele finalmente tivesse vindo lhe fazer companhia afinal. Seu quase sorriso se transformou rapidamente em uma careta de insatisfação, ao reparar que ele tinha o cabelo molhado de um banho recente e já estava completamente vestido para mais um dia, apenas terminando de prender a Bakusaiga em sua armadura.

Ele reparou na testa franzida da parceira e, embora sua expressão inflexível não se mostrasse nem um pouco arrependida ou mesmo solidária, as suas ações contavam uma história diferente quando ele caminhava até ela na plataforma, sentando-se ao lado da humana entre os lençóis.

— Os assuntos da batalha não podem mais ser postergados. — Ele explicou, oferecendo uma leve carícia de conforto à bochecha morna dela. — Toda a situação com o conselho acabou me atrasando. Agora que isso já está resolvido, devo fazer minhas preparações junto aos soldados.

O assunto da batalha a atingiu como um tapa mais uma vez, como um balde de água gelada que sempre lhe era jogado quando estava começando a se sentir despreocupada. Um aviso constante de que não podia relaxar e ser feliz, enquanto aquele empecilho permanecesse em seu caminho. E era Sesshomaru quem precisava partir para garantir a paz, em troca arriscando a própria vida.

— Mas já?

— Finalmente. — Ele corrigiu.

Rin calou-se por um momento, sentindo suas mãos coçarem, como se lhe implorassem para agarrá-lo e nunca mais soltá-lo, para mantê-lo ali com ela para sempre, onde era seguro. Onde estavam juntos.

Sesshomaru percebeu o temor no olhar dela, sentindo-se levemente culpado por deixá-la sozinha em um momento tão delicado. Ele tinha razão quando dizia que a batalha já havia esperado muito, considerando o plano geral das coisas. Mas, considerando que estavam oficialmente unidos há apenas um dia, era realmente cedo para se separarem. Mas com a crescente ansiedade e todo o tempo já desperdiçado, a batalha precisava ser uma prioridade.

Primeiro deveria garantir a segurança dela de uma vez por todas, para apenas depois poder desfrutar despreocupadamente de sua companhia. E a principal lição que aprendera com o pai ainda era forte:

O único jeito de garantir que seus inimigos deixem de ser uma ameaça é se certificando de que estejam todos mortos.

— Agora mais do que nunca, você tem muitas pessoas dispostas a te fazerem companhia. — Ele lembrou, em uma tentativa de animá-la um pouco. Não era sua melhor habilidade, mas se fosse para tentar ver ao menos um fantasma de seu sorriso favorito, valia o esforço.

Completamente à vontade, ela o puxou para si, os lábios pressionando-se contra os dele por apenas um momento, antes de seus olhos firmes o encararem.

— É o senhor quem eu quero.

— Eu estarei de volta esta noite. — Ele garantiu, cedendo ao desejo que inevitavelmente vinha à superfície, deixando que uma mão descesse até o quadril dela, atiçado pelo beijo atrevido.

Ela permitiu um sorriso em seu rosto, sentindo o corpo arrepiar-se com a expectativa daquela promessa, ansiando mais do que nunca pela saciedade que seria estar com o homem que agora era finalmente, oficialmente e derradeiramente, seu.

— Mas, por hora, devo ir.

Rin o encarou com indignação diante das palavras que arruinaram sua fantasia, mas seu olhar mortal foi devidamente ignorado quando Sesshomaru se desvencilhou de seus toques e rapidamente caminhou até a porta, lançando-lhe mais um último olhar de despedida antes de desaparecer por ela mais uma vez.

Ela murmurou palavras indecifráveis por baixo do fôlego, voltando a se deitar na cama, sentindo-a insuportavelmente vazia. Pelo menos não precisava se apressar para sair dali e ir para o próprio quarto daquela vez. Seus dias de encobrimento haviam chegado ao fim.

Rin não queria realmente ficar chateada, sabia que ele estava certo. A batalha era importante, e quanto mais tempo cediam a Takayama, mais forte ele podia ficar e mais tempo ele teria para aperfeiçoar qualquer que fosse o plano que estivesse tramando. Sim, pois ninguém em sã consciência desafiaria Sesshomaru sem ter um bom plano.

E talvez um bocado de fé.

Mas, pelos deuses, ela estava recém-casada! E grávida! Só queria passar um pouco mais de tempo com seu amado, mas tempo era algo que eles nunca pareciam ter.

Conformando-se por hora, já que não havia nada que pudesse fazer além de aguardar pacientemente para que as coisas se ajeitassem, ela saiu da cama, juntando a coragem para passar por aquele dia. Toda aquela situação já trazia uma dor de cabeça insistente que a incomodava apesar de tentar não se preocupar, mas ela deu seu melhor para ignorá-la também.

Afinal, assim como Sesshomaru tinha seus deveres inadiáveis para mantê-lo ocupado, Rin devia ter coisas a fazer igualmente.

Pois, com o nascer daquele novo sol, também vinha o de seu novo título. Sim, devia haver afazeres para a Senhora do Oeste também.

xXx

Ajeitando os quimonos, a humana suspirou, descansando um pouco sobre um velho tronco de árvore caído entre outras que começavam a perder as folhas com o início do outono. Mesmo que Sesshomaru estivesse ocupado demais para lhe designar tarefas, seu povo certamente não falhara em fazê-lo.

Em duas semanas, Rin perdeu a conta de quantos pequenos problemas e conflitos havia ajudado a resolver. Deuses, youkais tinham temperamentos tão ruins assim a ponto de querer matar o outro por causa de um saco de batatas perdido? Era esse o nível de mediações com as quais ela precisava lidar todos os dias.

Com o conhecimento de sua nova posição oficial aliado à relação de proximidade que ela nutria com as pessoas do Oeste, a população sentia-se confortável para solicitar-lhe as mais diversas coisas. Felizmente, na maioria das vezes, Rin ficava feliz em ajudar. Era bom sentir-se útil e, principalmente, tirava a sua mente um pouco de Sesshomaru.

Por todo lugar onde olhava no castelo, a movimentação de homens era sempre tensa, apressada, guerreiros preparando-se para derramar sangue. E seu amado marido esforçava-se ao máximo para garantir que aqueles homens tivessem a batalha prometida logo, para garantir que ele tivesse a vingança pela qual ansiava. Rin mal o via, nada além de meros vislumbres de cabelos brancos virando em um corredor ou olhos dourados errantes que cruzavam com os seus no meio de alguma discussão de estratégias com rodas de oficiais que pareciam circundá-lo em todo lugar onde ele caminhava.

Sentia a falta dele. Na maioria das vezes não aguentava ficar acordada a tempo de vê-lo chegar para se recolher, isso quando ele sequer o fazia. Então, era uma boa coisa que ela pudesse se manter ocupada também, ajudava um pouco a aliviar a dor de cabeça que apenas parecia piorar desde que aquele problema havia começado. Analisando melhor, os sintomas de mal-estar pareciam piorar gradativamente, mas ela sabia que teria que passar em breve, talvez quando todo aquele estresse cessasse de uma vez por todas.

A humana levantou os olhos do chão de terra ao ver um par de sandálias à sua frente, observando uma youkai vestida em um quimono simples se curvar brevemente com um sorriso que parecia levemente pedir desculpas.

— Senhora Rin, a senhora teria um momento?

Sem hesitar, Rin pôs-se de pé. Alguns instantes de descanso e ela já estava ali se remoendo de saudades de Sesshomaru. Precisava distrair-se.

Virando-se para acenar à Guarda do Lírio que a aguardava a uma certa distância, ela assentiu para a moça que lhe sorria.

— Mas é claro.

A Guarda, que agora usava uma peça de metal com a estampa de um pequeno lírio ao lado do emblema dos inu na armadura, veio até ela e, assim, o pequeno grupo seguiu em direção a qualquer que fosse a urgência da vez.

No meio do caminho, entretanto, a humana pausou. Levando uma mão até a testa, ela observou a floresta nos arredores parecer tremer por um instante, uma sensação deveras desagradável surgindo por sua coluna. De repente, sentia-se realmente horrível, com um pressentimento ruim que imediatamente a fez pensar em Sesshomaru. Talvez devesse ir vê-lo, mas antes, precisava realmente cuidar daquele insistente mal estar que estava começando a dar-lhe nos nervos.

— Senhora Rin? — A moça falou, preocupada.

Kotarou pousou uma mão sobre seu ombro, os olhos analisando-a, questionadores.

— Eu... Me desculpe, não me sinto muito bem. — Confessou, sentindo-se piorar a cada instante que permanecia de pé. — Era muito importante?

— Não, não! De forma alguma minha senhora. — A youkai procurou afirmar. — A senhora devia descansar um pouco.

Rin apenas assentiu, sem energia para continuar omitindo a verdade como vinha fazendo. Talvez realmente tudo de que precisasse fosse um pouco de repouso.

— Obrigada, querida. Acho que farei isso.

Rin entrou no quarto vazio, decidida a ir se deitar um pouco. A dor de cabeça apenas se tornara maior e maior ao longo da curta caminhada até o castelo, a ponto de um de seus guardas ter se oferecido para carregá-la, embora ela tivesse dispensado a ajuda. E havia aquela sensação extremamente incômoda no âmago de seu ser que continuava dizendo à ela que algo ruim podia acontecer. Sesshomaru ficaria bem, ele era forte, ela tentava dizer a si mesma, mas de nada adiantava, a sensação só parecia crescer até o ponto em que era quase enlouquecedora.

Sibilando, ela lembrou de que suas coisas menos frequentemente usadas ainda estavam todas no quarto antigo, inclusive o remédio que estava ponderando tomar para aliviar um pouco aquela pulsação insuportável bem no dorso de sua cabeça. Ela deu meia-volta, pretendendo retornar ao corredor e pegar o que precisava, mas seus pés pararam antes que pudesse chegar até a porta.

De fato, todo o seu corpo estava paralisado, o ambiente ao seu redor parecia ter ficado escuro e frio de repente, ao ponto de todos os pelos do corpo da humana se arrepiarem em calafrios incessantes que nunca se esvaíam. Ela colocou uma mão sobre o coração absurdamente acelerado como nunca o havia sentido na vida. Completamente confusa, percebeu lágrimas caírem de seu rosto sem motivo algum, enquanto aquela sensação incômoda de que algo de muito ruim espreitava ao seu redor pareceu explodir a níveis inimagináveis, quase fazendo-a gritar, como se o perigo já estivesse ali. Era como se houvesse alguma voz imponente em sua cabeça.

Corra, corra para longe! Corra!, parecia gritar, mas não havia para onde correr, onde quer que olhasse havia escuridão a cercando, a devorando. Não havia se sentido com tamanho medo nem ao olhar a face de Naraku cara-a-cara, ou quando Kohaku levantou uma arma contra ela, ou mesmo quando lobos famintos a perseguiram. Nada se comparava ao que sentia agora.

Enfraquecida, ela caiu de joelhos no chão, a respiração ofegante, o rosto começando a suar em desespero.

Antes que pudesse chamar por socorro, se ela ao menos pudesse encontrar sua voz no meio daquela experiência aterrorizante, Sesshomaru estava entrando no quarto com uma estranha expressão de expectativa em seu rosto, que rapidamente mudou para preocupação quando avistou a humana caída ali, completamente desamparada e aos prantos. Sem pensar duas vezes, ele correu até o lado dela, acolhendo a figura trêmula em seus braços.

— Rin, o que houve? Rin?

Ela tentou engolir aquele choro irracional e atender ao chamado dele, mas as palavras se perdiam em meio aos soluços em sua garganta. Suas mãos agarravam as roupas dele, buscando desesperadamente por um pouco da segurança que ele sempre emanava, mas de nada adiantava.

— Rin! — Sesshomaru chamou mais uma vez, começando a ficar realmente preocupado. Ele tirou o cabelo dela da frente do rosto para que pudesse olhá-la, nunca a havia visto tão assustada.

— Que... Que sensação horrível é essa, senhor Sesshomaru? — Ela conseguiu dizer por fim, respirando fundo e liberando o ar pela boca. — O que é isso?

— O que está sentindo? — Ele perguntou, pousando uma mão sobre a testa úmida dela, sem conseguir constatar algum sintoma. — Está com dor?

Ela meneou a cabeça em negativa, tentando se recompor, mas a sensação não a abandonava em momento algum.

— Não... Não é dor, é algo... — Ela hesitou, procurando as palavras para explicar. — É uma sensação tão horrível, um sentimento muito, muito ruim. É um tipo de desespero, uma desesperança na verdade, uma aflição que parece me consumir e me incapacitar por completo. É horripilante, como um pesadelo, mas pior, porque é real demais! Eu consigo sentir aqui, bem aqui! Olhe, estou toda arrepiada!

Ela ergueu o braço para provar, e o youkai analisou cuidadosamente, tentando compreender o que ela descrevia.

— Eu nunca imaginei que nada assim pudesse existir, é tão sombrio! Eu não sei o que fazer, eu já tentei relaxar mas parece que só piora e estou com tanto medo!

Sesshomaru a abraçou mais apertado, intrigado com aquele comportamento e justo agora que-

Ele pausou, afastando-a por um instante, para que pudesse olhá-la mais uma vez. Ela pareceu perceber que ele havia pensado em alguma coisa, observando-o com atenção, lágrimas ainda escorrendo por suas bochechas.

— Senhor Sesshomaru?

— Rin, sabe por que eu vim aqui? — Ele perguntou, confundindo-a ainda mais. Ela apenas negou com a cabeça. — Eu senti, lá de fora, uma energia sinistra poderosa. E muito familiar.

Rin arregalou os olhos, ainda tentando controlar os espasmos que seu corpo continuava a reproduzir, lutando para prestar atenção no que ele dizia e não na sensação horrível que se alastrava pelo quarto.

— U-um inimigo?

Uma das mãos dele se moveu em resposta, pousando delicadamente sobre a barriga dela, a palma voltada para baixo.

— Não, um aliado inesperado. — Ele disse, a voz mais suave que ela já o vira usar para qualquer coisa, até mesmo quando falava com ela. Quase não compreendia como ele podia falar daquele jeito tão tranquilo quando o mundo parecia estar desabando ao redor dela.

— O bebê? — Ela questionou, boquiaberta com a possibilidade. Sua mão automaticamente se postou sobre a dele, como se pudesse sentir alguma coisa também.

— O filhote. — Ele corrigiu prontamente, quase inconscientemente. Ela revirou os olhos, isso lá era hora de se prender a nomenclaturas! — Não se preocupe, você vai ficar bem. Não é nada sério.

— M-mas então o que...

— É apenas a energia sinistra do filhote, finalmente começou a se manifestar. — Ele explicou, mantendo uma mão sobre o abdômen dela enquanto a outra acariciava seus cabelos em uma tentativa de acalmá-la. — É um bom sinal.

Rin queria sorrir com aquela notícia, realmente queria. Se o bebê já estava forte daquele jeito, realmente era um bom sinal. Estava saudável, estava crescendo! Mas não conseguia encontrar em si o sentimento adequado de alegria, não quando aquele terror paralisante continuava presente em cada parte de seu ser.

— Mas como pode ser? — Ela ainda não entendia, será que a energia de seu filho era tão poderosa assim, mais ainda do que a do pai, para que ela a sentisse tão presente? Impossível, ainda era um meio-youkai apenas... — Eu nunca fui treinada para ser sensível a essas coisas, eu nunca senti a sua...

Quando criança, ela havia pedido que Miroku, Sango, ou Kaede lhe ensinassem a ser perceptiva a auras demoníacas como eles conseguiam ser. Tinha vontade de ser capaz de dizer com antecedência quando seu senhor estivesse chegando para visitá-la, como todos os outros pareciam sempre saber. Entretanto, eles a dissuadiram da ideia, argumentando que ela se arrependeria de pedir por isso. Rin nunca havia questionado mais a fundo, tendo apenas aceitado o conselho dos amigos.

— Bem, ela vem de dentro de você. — Ele lembrou, os dedos alisando a pele por cima das roupas que ela vestia. — Não é exatamente fácil de ignorar tanta proximidade.

Rin piscou repetidas vezes, absorvendo aquela informação aos poucos. Sua atenção acabou se esvaindo porém, e ela trincou os dentes ao ser atingida por mais uma onda pesada e densa de medo e pavor, de frio congelante e escuridão.

— Argh, o senhor não está sentindo isso?! Como pode suportar algo assim por tanto tempo?

— Não, eu o sinto como se fosse apenas mais um sentido, como olfato ou audição. — Esclareceu, paciente e compadecido do sofrimento que ela aparentava enfrentar. — Para vocês humanos, a sensação vem como um aviso de um mal presságio, uma reação instintiva que os forcem a se afastar da ameaça. É normal que você se sinta assim, não está acostumada, ainda mais com algo dessa escala. Vai passar, ou pelo menos melhorar.

— Que os deuses te ouçam. — Ela rogou, os olhos se fechando com força, a respiração ainda acelerada. — Eu não posso passar oito meses assim.

Sesshomaru suspirou pesadamente, não conseguindo evitar a preocupação com sua parceira. Embora a saúde dela não estivesse diretamente em risco, ele imaginava que não devia ser um sentimento nada agradável ter uma constante fonte de medo a seguindo.

De qualquer maneira, ele a levantou do chão, sabendo que não seria fácil para ela lidar com todo aquele pânico de uma só vez. Ela se acostumaria, de fato, mas até lá, precisaria aguentar as constantes descargas de adrenalina, aquele pesadelo vivo, como ela descreveu. Cuidadosamente, ele a levou até a cama que eles agora dividiam, deitando-a confortavelmente entre as cobertas. Quando recuou, ela imediatamente segurou a mão dele, parecendo apavorada.

— Não me deixe!

— Não irei. — Garantiu, apenas tomando o tempo necessário para remover sua incômoda armadura e se deitar ao lado dela, deixando que ela se aninhasse em seu peito.

Ela ainda tremia, ainda ofegava. E ele ainda não sabia o que fazer para melhorar aquela experiência, de forma que apenas a abraçou da forma mais reconfortante, depositando um breve beijo no topo de sua cabeça, decidido a aguardar ali até que ela se sentisse um pouco melhor.

Em sua mente, a batalha estava completamente esquecida, nenhum pensamento sequer se dirigindo às linhas infindáveis de youkais que ele deixara plantados no campo de treino assim que reconheceu uma fração de si mesmo naquela aura distante. Não pensava em Takayama, não pensava em qualquer outro compromisso. Naquele momento, sua única obrigação estava ali entre seus braços e ele não sairia do lado dela até que ela lhe garantisse que estava bem.

A noite caiu sobre o Oeste, as sombras invadindo o quarto, entrando pelas janelas sem pedir permissão. A escuridão era absoluta, a lua nova contribuindo para o breu que se alastrava. De alguma forma, a chegada da noite apenas serviu para agravar o estado da humana, forçando-a a se abraçar mais apertado a Sesshomaru, seus dedos agarrando porções das roupas dele, como uma forma de garantir que ele estava bem ali com ela, que não desapareceria também como o restante da luz.

Com as batidas na porta, Rin gritou, sobressaltada. Sesshomaru apenas continuou a acariciar o rosto dela, deixando que se acalmasse.

— É apenas um criado. — Ele falou em um sussurro reconfortante, como alguém falaria com uma criança que insiste na existência de um monstro em seu quarto. — Vou deixá-lo entrar.

O servo adentrou o cômodo cautelosamente sob permissão do superior, a cabeça abaixada em respeito, os olhos propositalmente evitando olhar diretamente para o casal que permanecia nos braços um do outro, sobre seu futon.

Silenciosamente, o homem procedeu a executar a tarefa diária que vinha com aquele horário do dia. Uma a uma, foi acendendo as velas no quarto, para o alívio de Rin. A escuridão estava começando a realmente perturbá-la mais do que podia suportar.

— Obrigada. — Ela murmurou. Embora a voz estivesse fraca, estava realmente grata.

— Mande alguém aqui com o jantar de Rin. — Sesshomaru comandou, antes que o homem pudesse responder ao agradecimento.

— Sim, senhor. — Acatou prontamente, apressando-se para sair e cumprir a nova tarefa.

Rin se virou levemente para olhar o parceiro, admirada com os olhos dourados que a olhavam de volta, aquecidos pela luz alaranjada das chamas recém-acesas. Teria sorrido em fascinação, não fosse pelo pequeno detalhe de que toda a sua alma parecia completamente tomada por pavor.

— Não estou com apetite. — Ela disse, certa de que a última coisa que queria fazer no meio daquela crise seria comer. Seu estômago estava inquieto, ainda sentia um frio na barriga que não cessava.

— Mas precisa comer. — Insistiu, a voz deixando claro que o tópico não estava aberto à discussão. — Não se esqueça que não é a única que precisa alimentar agora.

Ela suspirou com o jogo baixo, sabendo que ele estava certo. Não podia usar aquele inconveniente como desculpa para ser negligente.

— Devia ter ouvido os avisos de Sango para nunca engravidar. — Ela desabafou, voltando a se acomodar no peito de seu senhor, sem muita energia para discutir com ele.

O youkai bufou, erguendo uma sobrancelha em ironia.

— A taijiya não parecia seguir os próprios conselhos.

Não, não seguia, Rin precisava concordar. Ainda estava chateada de não ser capaz de rir da situação. Soprando uma lufada de ar, ela voltou a se aquietar, decidida a aguardar até o fim daquela situação agonizante para que pudesse ser ela mesma novamente.

xXx

A Senhora do Oeste observava a passagem do lado de fora da janela com pesar. Aquele era o seu tipo de dia, ensolarado, fresco, nenhuma nuvem no céu azul. Um acontecimento cada vez mais raro naquela época do ano. Mas ali estava ela, na sombra do quarto que agora compartilhava com o cônjuge, embrulhada em lençóis que se arrastavam pelo chão, tentando conter o frio e arrepios que ainda percorriam sua pele.

Já havia se passado uma semana, e começava a se sentir sem esperanças, como se Sesshomaru estivesse errado e ela nunca mais fosse se livrar daquele sentimento horrível em seu coração, pelo menos não até a hora do parto. Não imaginava mais como poderia se acostumar com aquilo algum dia.

Por um lado, sentia-se apavorada que ele tivesse saído por um momento. Por outro, estava aliviada. Sentia-se mais segura com ele por perto, mas detestava deixá-lo tão preocupado.

Suspirou pesadamente em exaustão, lembrando-se de que ele passara a noite inteira tentando convencê-la a dormir um pouco, como só conseguia fazer quando suas últimas energias se esgotavam por completo. Seus olhos ardiam, mas como podia dormir calmamente, como podia relaxar com aquela impressão ruim de que havia algo mortífero a rondando? Mesmo sabendo que não era nada, seu corpo não parecia se convencer, continuando a enviar-lhe constantes avisos de perigo.

Sentia-se cansada, desanimada e ainda apavorando-se o tempo todo com a própria sombra. Quando ouviu as portas se abrirem, quase perdeu o equilíbrio com o susto absurdamente desproporcional para a situação. Ela se apoiou na moldura da janela a tempo, observando o youkai de longos cabelos brancos vir até ela. Ele parecia cansado também, o que só aumentou a culpa de Rin.

— Senhor Sesshomaru, não passou nem uma hora fora!

A voz dela soava como uma bronca e, de certa forma, não deixava de ser. Não queria ser um fardo constante, seria bom para ele esquecer dela por algum tempo e se distrair um pouco. Mas Sesshomaru parecia discordar ao afastar a franja do rosto dela e presenteá-la com um breve beijo que parecia lhe pedir desculpas.

— Um imprevisto tomou mais tempo do que eu pretendia levar. — Explicou, como se ainda precisasse, depois de ter passado os últimos dias grudado nela. — Uma multidão de pessoas nos portões do castelo exigia saber o que aconteceu com você.

Sesshomaru havia compartilhado a informação com esperança de que fosse animá-la um pouco, mas o franzir em sua testa apenas se intensificou.

— Ainda estou deixando as pessoas preocupadas. — Ela lamentou. — Me desculpe, eu só te dou trabalho.

— Está enganada. — As mãos do inu se embrenharam entre os lençóis que ela vestia sobre os ombros, pousando ternamente sobre a fonte de todo aquele problema e, ao mesmo tempo, também a fonte de tanta expectativa. — Você está me dando isso também. E, embora eu saiba que te causa desconforto no momento, e isso me incomode também, essa aura... Toda vez que a sinto, é a experiência mais única de minha existência. Esse poder é a coisa da qual mais me orgulho em um bom tempo.

Rin apenas olhava o rosto de seu senhor, embora os olhos dele estivessem fixos na barriga dela enquanto ele falava. Mas a luz que ela via ali, aquele centelho de emoção, aquele tom tão estranhamente doce na voz dele, eram coisas que ela nunca tinha visto. Ele não olhava nem para ela daquele jeito, e Rin não ousava dizer uma única palavra, morrendo de medo de interromper o momento e nunca mais ter a oportunidade de vê-lo se repetir.

Durou apenas um instante, mas durante apenas aquele instante, Rin pareceu esquecer por completo a sensação sombria que vinha de dentro dela, e tinha quase certeza de que as lágrimas que começavam a se acumular em seus olhos não eram de desespero.

Finalmente, Sesshomaru levantou o olhar de volta para ela, as mãos liberando seu ventre, apenas para repousarem sobre seu rosto, as pontas dos dedos acariciando a pele macia de suas bochechas, as garras letais nunca haviam sido usadas em um gesto tão impossivelmente delicado.

— Eu resolvi deixar que isso acontecesse, majoritariamente, porque eu sabia que era algo que você iria querer. Era, principalmente, algo que eu pretendia fazer apenas por você. — Ele contou, a voz ainda incomumente suave, embora cada nota grave que ele pronunciava parecesse fazê-la tremer. — Eu havia me preparado para aceitar que o filhote não seria nada muito grandioso, honestamente não importava muito para mim que não fosse, desde que te fizesse feliz. Mas agora, me encontro positivamente surpreendido. Quando sinto sua energia sinistra, mesmo que ainda não completamente desenvolvida, sei que será poderoso.

Apesar da pressão esmagadora daquela mesma energia sinistra que Sesshomaru mencionou, Rin se encontrou sorrindo, o gesto vindo naturalmente pela primeira vez em dias. De fato, não achava que conseguiria tirá-lo do rosto, mesmo com a nuvem de agonia que lutava para nublar sua felicidade.

Sem pensar duas vezes, ela se atirou sobre ele, erguendo-se nas pontas dos pés para travar os braços em torno do pescoço dele, os lábios chocando-se contra os dele de forma quase dolorosa. O movimento foi tão espontâneo que pegou o youkai completamente de surpresa a princípio, atrasando sua resposta. E Rin não pretendia esperar por qualquer reação, tomando as rédeas da situação, as mãos deslizando do pescoço dele, descendo pelos ombros e trazendo consigo os tecidos do quimono que ele vestia.

— Rin... — Ele tentou dizer através do obstáculo que era a língua dela na dele, enquanto ela expunha seu peito para a luz do dia sem hesitar. — Você não está em condições...

— Então faça eu me sentir melhor. — Ela sussurrou, os lábios escorregando para a lateral de seu rosto, aproximando-se de uma orelha pontuda. — O senhor sempre me faz me sentir tão bem...

A voz dela era rouca e baixa, suas mãos procurando o alívio da pele dele tocando a sua, algo tão poderoso que conseguiu fazê-la esquecer tudo a respeito da inesperada maldição que vinha com a tarefa de carregar um filho dele. Ele fazia tudo aquilo valer à pena, ouvi-lo falar com tamanha admiração sobre o bebê que eles haviam feito juntos fazia qualquer arrependimento que ela pudesse ter ir embora. O amor dele, seu cuidado, o jeito que ele olhava para ela e a forma maravilhosa que ele a tocava fazia tudo que era errado tornar-se certo, tudo que era ela tornar-se dele, e todo o resto desparecia em uma nuvem fina de poeira, deixando para trás apenas suaves suspiros de afeto, apenas... Amor.

— Você está indisposta, Rin... — Sesshomaru tentou lembrá-la, embora não houvesse qualquer sombra de força de vontade em sua voz enquanto ele tinha os olhos fechados, o foco completo na sensação dos toques dela.

— Lembra-se da noite da floresta, no temporal? — Ela murmurou, a lembrança selvagem apenas alimentando o desejo de ambos os amantes. — O senhor estava furioso comigo, achei que quisesse me matar. Mas eu sobrevivi ao seu pior.

Não havia hesitação nos movimentos dela enquanto o despia completamente da cintura para cima. Sabia o que precisava e sabia que ele era o único que poderia lhe dar. Então foi em frente e tomou o que era seu por direito, exigente e desesperada. Para alguém que podia ser tão amargo e frio às vezes — na maioria das vezes -, ele tinha um gosto tão doce quando ela beijava seu pescoço e seu peito perfeito, o sentia tão quente contra a pele quando o abraçava apertado.

A partir do ponto onde as unhas da humana começaram a arranhar seu abdômen, Sesshomaru se certificou de lembrá-la com quem estava lidando assim tão descuidadamente, sem considerar as consequências.

— Meu pior? Você ainda não viu o meu pior, Rin. — Em um único movimento, a livrou dos lençóis completamente, deixando-os caírem todos ao chão, quase fazendo Rin tropeçar neles enquanto a empurrava até a cama. Ele a mordeu suavemente no ponto de pulsação, fazendo questão de não parar até que ela estivesse gemendo baixinho no pé de seu ouvido. — Você não faz nem ideia.

As roupas soltas dela desapareceram em algum canto do quarto logo antes de eles alcançarem o futon, e assim que ele a deitou sobre as cobertas, Sesshomaru procedeu para cobri-la com beijos molhados, e Rin não deixou de reparar que ele parecia dar atenção especial à sua região abdominal.

— Estou começando a ficar com ciúmes do quanto o senhor parece gostar desse bebê. — Ela brincou, a voz sumindo em um sussurro quando a língua dele circundou seu umbigo.

— Talvez eu esteja começando a ver que você não é a única coisa apreciável no mundo, no fim das contas. — Ele disse, lançando-lhe um olhar afiado que imediatamente tirou todo o seu fôlego.

— Ainda assim, eu preciso saber. — A voz dela implorou, os dedos se embolando nos cabelos dele. — Eu preciso ouvir o senhor dizer mais uma vez, senhor Sesshomaru. Só mais uma vez.

A princípio, ele não tinha muita certeza do que ela queria dizer, mas logo a mensagem clareou em sua mente e ele se viu fazendo aquela coisa que sempre fazia, aquela coisa que ele nunca cansava de fazer.

Dar à ela exatamente o que ela pedia.

— Eu te amo. — Ele falou, firme e sério, o tom tão indiferente quanto o de alguém que dizia que a grama era verde.

Mas Rin sorriu de qualquer maneira, mesmo com a frieza do tom, ela conhecia bem o calor das palavras e mais ainda o ardor do sentimento por trás delas.

Quando ela sorria aquele sorriso, tornava muito fácil para ele lembrar porque gostava tanto de satisfazê-la. Porque de fato a amava, e nada poderia jamais descrever aquela sensação que ele tinha quando percebia que era ele o motivo para aquele sorriso estar ali. Um motivo para sua existência que fosse além de lutas e sede por poder, naquele instante ele existia apenas para fazê-la sorrir.

Aquelas palavras eram puro deleite para a humana, traziam de volta aquela mesma impressão que ela experimentou na primeira vez em que as ouviu. Como se nada no mundo pudesse jamais ser ruim, como se nenhum sofrimento pudesse alcança-la. Dissipava o seu medo completamente, da energia sinistra dentro dela, de Takayama, das expectativas sobre seus ombros. Tudo.

A senhora do Oeste o puxou para si, a boca encontrando um ombro largo, um braço musculoso que a segurava com força. Por fim, ela encontrou os lábios dele, como um rio que inevitavelmente termina no mar, não importando o quanto serpenteasse pelo relevo. Dando a ele um sinal claro, envolveu as pernas ao redor dos quadris sobre ela, prendendo a respiração ao sentir a ereção completa dele se pressionar em sua intimidade.

A reação do youkai foi muito similar, exceto que saiu como um rosnar baixo e vibrante, o som aumentando o calor entre suas pernas ao nível máximo. Não podia mais esperar um segundo sequer para tê-lo, e o parceiro parecia concordar ao mover as roupas remanescentes para fora de seu caminho, apenas o suficiente para que pudesse arranjar a conexão perfeita de seus corpos.

O mundo parecia esmagá-la sob o peso da luxúria que preenchia o ar, era tudo que ela podia respirar, tudo que ela podia ver dentro de olhos cor-de-mel que pareciam penetrá-la também, cavando mais fundo em sua alma com cada uma de suas investidas impecáveis. Era dolorosamente, insuportavelmente delicioso. Era como devorar a comida mais divina de todos os tempos e ainda pedir por mais, mesmo que já esteja empanturrado, completamente satisfeito, mas ainda assim...

Mais, ela precisava de mais.

As pernas se apertaram com mais afinco ao redor dos quadris dele, seus músculos compelindo-o a cumprir suas demandas, e ela sentiu a boca salivar quando seu homem atendeu seu pedido silencioso de prontidão.

Ah sim, era tudo que a humana pensava ao senti-lo aumentar a intensidade dos movimentos, o rosto dele se enterrando em seu pescoço e a boca sugando sua pele com um entusiasmo que certamente não seria esquecido nos próximos dias. As unhas dela estavam fincadas nos braços dele, os olhos cerrados com força, a boca aberta tentando capturar algum ar ao seu redor, emitindo sons tão absurdamente eufóricos que não faziam som algum, como um apelo que apenas seu amante poderia ouvir.

Sesshomaru, por sua vez, não podia estar mais aliviado de que ela tivesse lhe dado aval para elevar o ritmo daquele encontro. A princípio, estivera um pouco preocupado que Rin não estivesse na situação mais adequada para que liberasse seu desejo por ela na íntegra como estava ansiando por fazer, de forma que apenas se esforçou para manter-se sob controle e não exagerar. Mas, desde a noite seguinte à do jantar, eles não tiveram a oportunidade de estarem juntos daquela maneira, primeiro porque o general estava extremamente ocupado e, depois, porque o filhote havia decidido que era uma boa hora para dar sinal de sua existência.

O daiyoukai não podia esperar para fazer sua humana se desfazer naquele futon, não depois de todo aquele tempo que parecia imensamente longo para alguém que mal podia olhar para a esposa sem começar a visualizá-la sem as roupas.

Agora quase não havia qualquer vestígio de seu controle quando ele se chocava repetidamente contra ela, deixando as sensações que o calor interno dela provocava por todo o seu corpo tomarem conta de sua mente, sentindo a maciez dos músculos que o envolviam em um aperto delirante, ouvindo a voz apaixonante dela se derramar em sons de prazer e declarações de seu afeto.

Rin podia sentir o peito dele vibrando contra o dela enquanto as cordas vocais pronunciavam sílabas ininteligíveis. Caninos afiados, hálito quente, cabelo sedoso, ela sentia tudo, e tudo que era Sesshomaru a fazia se desmontar de sua estrutura quando ela arranhava suas costas, os lábios se apertando para impedir a si mesma de gritar com todo o fôlego para todo o castelo ouvir, embora seu senhor não estivesse disposto a deixá-la se safar, pressionando-a com ainda mais força para obrigá-la a demonstrar vocalmente o nível de sua perdição.

Sesshomaru não perdeu um segundo, liberando suas últimas restrições, afastando-se da parceira apenas o suficiente para que pudesse segurá-la pela cintura e facilmente virá-la de bruços, erguendo-a até que estivesse apoiada sobre os joelhos, o rosto pressionado contra os travesseiros. Apenas vê-la daquele ângulo excruciantemente excitante já desfazia completamente as últimas amarras de autocontrole de Sesshomaru, que procurara atrasar seu orgasmo até que ele estivesse finalmente ouvindo aquele som de sua fêmea. Adentrando-a novamente com entusiasmo, já pendendo por um fio, os olhos piscando perigosamente em carmim, ele se permitiu não só atingir o limite como ultrapassá-lo de uma vez só a toda a velocidade, um característico rosnado se construindo em sua garganta, seus últimos movimentos violentos fazendo a humana gritar de novo com o mesmo afinco de antes, ainda sensível de seu recente ápice.

Mas o som não se calou por completo quando o grito deu lugar a repetidos soluços, o cheiro de lágrimas frescas inundando o ar ao redor do casal, atingindo em cheio o olfato do inu. Sesshomaru imediatamente a girou mais uma vez para olhar seu rosto, por um momento deixando sua expressão se esvair em preocupação e uma pontada dolorosa de culpa, afastando-se dela como se pudesse desfazer qualquer toque que tivesse sido demasiadamente agressivo.

— Rin, eu te feri? — Ele fez a pergunta quase automaticamente, pensando no primeiro motivo para que ela estivesse chorando daquele jeito. Talvez tivesse perdido mais o controle do que deveria, talvez...

— N-não... Não, senhor Sesshomaru. — Ela respondeu docemente entre as lágrimas, e Sesshomaru estava tão preocupado com a possibilidade de tê-la machucado ao ponto de fazê-la chorar que só agora percebia que ela sorria. — Eu só... me sinto muito bem. Isso foi... incrivelmente bom.

Sesshomaru relaxou com a resposta, os ombros desfazendo a postura tensa que ele havia adotado. A humana, por outro lado, ainda estava ofegante, os olhos brilhantes não se desviando dos dele por um instante sequer. O sorriso que ela vestia era tão bem-vindo quanto a luz do sol depois de um longo inverno, como se ela trouxesse toda a primavera dentro dela. Ele não havia percebido o quanto havia sentido falta daquele sorriso durante os tantos dias em que fora privado de vê-lo.

— Como se sente?

— Maravilhosa. — Respondeu a humana, fechando os olhos e respirando fundo. — Passou. A sensação ruim passou.

O casal suspirou ao mesmo tempo em alívio. Quem diria que tudo o que precisavam era de uma distração forte o suficiente para colocar o problema em segundo plano? Sesshomaru sentia-se ainda mais satisfeito, pois apesar de não incomodá-la mais, ele ainda podia sentir aquela energia os envolvendo, tão promissora e reconfortante. E tudo estava perfeitamente como devia ser, exceto...

— É bom que você tenha superado o inconveniente, por fim. Mas acredito que eu ainda tenha assuntos pendentes para discutir com os meus capitães, agora que resolvemos isso.

— A batalha? — Rin quase arfou com o lembrete que aquela conversa trazia, a sensação perturbadoramente similar com o que viera sentindo nos últimos dias. Mas daquela vez não vinha de seu bebê, e sim de algo verdadeiramente ameaçador. Algo que ela verdadeiramente temia.

— Eu cancelei a expedição de combate. — O youkai informou, substituindo o medo na expressão dela por confusão. — Não haverá mais batalha.

Rin sentou-se abruptamente, seus longos cabelos negros caindo em ondas desorganizadas pelos ombros nus, os olhos escancarados em surpresa.

— Senhor Sesshomaru, como não?

Ele meramente estendeu uma mão até ela, usando seus dedos para alinhar os fios escuros rebeldes em sua cabeça que apontavam em todos os ângulos caoticamente. Tudo havia sido caos na vida dos dois por uns bons meses, desde que ele decidira tirá-la da pacata vida de vilarejo na qual ela crescera. Mas, dentro daquele quarto, o caos não importava. Ali, nos braços um do outro, as roupas espalhadas, os cabelos bagunçados, os lençóis desorganizados, mãos entrelaçadas, aquele caos era mais que bem-vindo. Era desejado. Aquilo era o último senso de tranquilidade que ainda conseguiam nutrir, e Sesshomaru queria se certificar de não arruinar aquele momento, tão único e novo para ambos, se envolvendo em uma guerra sangrenta. Rin e o filhote que ela carregava eram infinitamente mais importantes do que uma estúpida vingança.

Assim como não haviam exatamente previsto o quão difícil seria para ela absorver a carga demoníaca da aura da criança, poderiam muito bem enfrentar outros imprevistos pela frente. Sesshomaru jamais se perdoaria se estivesse longe de sua parceira em um momento crítico de necessidade. Afinal, ele era um guerreiro com um inimigo a eliminar, decerto. Mas, principalmente, naquele momento, era um líder de uma pequena família em formação, à qual era seu dever como macho proteger e garantir que tudo saísse como o esperado, que sua fêmea não precisasse enfrentar nada sozinha.

— Deixemos que Takayama se acovarde o quanto quiser no esconderijo dele. — Disse, deslizando a mão dos cabelos dela até seu rosto, tocando-a nos lábios delicadamente. — Eu devo ficar aqui ao seu lado. Ao lado de vocês dois.

Notas finais
EDIT: "Fanart" postada! Entãaaao, quem foi que disse que gravidez é um mar de rosas hein? (Ninguém disse, eu sei) Hahahaha Nosso casal tá enfrentando as primeiras dificuldades dessa vida de casadinhos, e AAAWN o Sesshy tá sendo um amorzinho de parceiro/pai, pelo menos no final. Que orgulho :') Also, sexo é a resposta para tudo, não é mesmo? HSIDHIAHIEA Enfim, mas será que rola adiar as tretas indefinidamente assim pra brincar de casinha? Veremos. A quem ainda está por aqui, muito obrigada pelo acompanhamento e desculpa mais uma vez a demora. Também não faço promessas sobre o próximo capítulo, ainda tem uns pepinos da vida pra resolver por aí, então quem sabe né? Até quando der! Beijos!