Unintended
26 Capítulo 25 - Exposição
Notas iniciais
Rin tentou não olhar enquanto sentia o vento forte bater contra o seu rosto, com medo de ficar enjoada e envergonhar a si mesma, mas não resistiu a abrir apenas o olho direito, vendo primeiro o céu estrelado muito mais perto do que jamais vira em sua vida, e em seguida as montanhas que delimitavam o castelo se aproximando a uma velocidade alarmante.
Quando estava prestes a gritar como uma tola para Sesshomaru tomar cuidado, como se ele não tivesse perfeita noção de que estavam a curtíssima distância de colidir com as pedras, ele facilmente os elevou acima dos picos arredondados, deixando para trás a cadeia rochosa.
Perdendo a coragem após aquele susto, Rin voltou a fechar os olhos com força, enterrando o rosto no peito dele apenas para ter certeza de que não ia arriscar olhar de novo.
Apenas quando ela sentiu o vento violento cessar junto ao barulho horrível em seus ouvidos, a humana se permitiu abrir os olhos novamente. Apesar de não ser tão forte quanto antes, ela ainda podia sentir correntes de ar jogarem seus cabelos caoticamente para todos os lados, e mesmo com o zumbido insistente dentro dos ouvidos, ela ainda podia escutar o som suave e relaxante de ondas quebrando em uma explosão de espuma.
Sesshomaru a colocou de pé no chão, segurando-a rapidamente quando ela cambaleou, sentindo-se levemente tonta com a experiência do voo. Ela se apoiou no ombro dele, os olhos curiosos analisando cada detalhe do ambiente ao seu redor, a água negra brilhando com a lua, refletindo as mil estrelas no céu; a areia fofa sob seus pés; a pequena floresta que se misturava timidamente à praia; e as montanhas altas atrás, como uma cortina para o resto do mundo, certificando-se de que ninguém mais pudesse ver o casal ali naquele lugar secreto.
— Então é isso que há atrás das montanhas. — Ela disse, maravilhada, voltando a olhar o mar e o horizonte além. — E o que há depois, o senhor não se pergunta?
— O continente. — Respondeu ele, prontamente. — As terras de onde os inuyoukai vieram originalmente. O extremo Oeste.
— O senhor esteve lá? Além do mar?
— Umas duas vezes. É um lugar entediante. — Ele deu de ombros.
Rin inclinou a cabeça para olhá-lo, sorrindo o seu sorriso mais radiante. Sentindo-se melhor, ela se permitiu soltá-lo, dando passos cautelosos na areia, seu longo quimono arrastando-se pelos grãos. Incomodada, ela voltou a usar o youkai como suporte, segurando o seu braço, enquanto erguia um dos pés para remover a sandália e meia com a mão livre, fazendo o mesmo com o pé oposto.
— Bem melhor. — Ela disse, com um suspiro de satisfação, os dedos cavando reentrâncias na areia fria, aproveitando a sensação única de pisar naquele terreno macio.
— Você sempre fica muito melhor ao ar livre, assim. — Sesshomaru comentou, oferecendo uma mão para ela. — É onde você fica mais à vontade.
Sem conseguir esconder o sorriso esplendoroso, nem vendo motivos para tentar, ela aceitou o gesto do companheiro, colocando sua mão na dele, permitindo que seus dedos se entrelaçassem.
— O senhor também. — Concordou, enquanto os dois caminhavam juntos pela curta faixa de areia até a beirada do mar. — É uma pena que a vida que lhe foi desginada constantemente te prive disso.
Aproveitando das mãos unidas, o daiyoukai a puxou para junto de si, sentindo o corpo dela encostar no dele, a espuma remanescente das ondas lavando os pés de ambos por um breve instante antes de retornar ao mar.
— Minha vida me priva de muitas coisas. — Ele respondeu, usando a mão livre para erguer o queixo dela, posicionando-a na inclinação ideal. Ele a olhou nos olhos, aproximando-se até poder sentir a respiração dela soprar sobre a ponta de seu nariz. — Coisas essas que eu nunca imaginei que um dia almejaria ter.
Rin pensou mais uma vez nas palavras da youkai ursa, repetindo-as para si mesma em sua mente na tentativa de reunir sua coragem, as batidas frenéticas de seu coração se juntando ao som do oceano.
Se você não consegue dizer não, faça com que ele lhe diga sim.
Não importava realmente se o relacionamento que eles nutriam era incerto e inseguro, se ela desconhecia os reais sentimentos por trás das atitudes ternas de seu senhor. Afinal, ela o conhecia tão bem, será que era tão difícil acreditar que, mesmo que ele não dissesse em palavras, mesmo que ele nem ao menos reconhecesse, o que eles estavam fazendo ali significava alguma coisa? Mesmo que ela fosse humana e ele um youkai, e todo o resto de baboseiras que os dividiam. De outra forma, ele nem teria se incomodado de trazê-la até ali. Tinha que significar alguma coisa, e Rin podia apenas rezar para que fosse o que ela vinha esperando toda a sua vida para ter.
Faça com que ele lhe diga sim.
Liberando sua mão da dele, ela puxou o rosto do youkai para si abruptamente, selando os lábios nos dele em um quase desespero, esperando com todo o seu ser que ele lhe correspondesse, o que ele fez avidamente, tomando-a pela cintura e trazendo-a para ainda mais perto, até que eles estivessem perfeitamente colados. O vento marítimo soprava insistentemente, fazendo os fios de prata e de mogno dos seus cabelos se misturarem violentamente um com o outro no ar, enquanto o casal misturava-se de uma maneira completamente distinta.
— Pelos deuses, como eu o amo. — Rin sussurrou impulsivamente, ofegante, afastando-o apenas o suficiente para poder respirar o ar salgado ao seu redor.
— Não deveria. — Ele respondeu, igualmente afetado pelas afeições trocadas.
Encostando sua testa levemente no queixo dele, ela sorriu um sorriso triste, tentando manter sua positividade, as pontas dos dedos traçando as listras nas laterais do rosto dele com delicadeza.
— Mas vai me deixar amá-lo, mesmo assim? — Perguntou, resiliente. — Pois temo que não haja nada que eu possa fazer a respeito disso.
Rin sabia que era verdade. Querer sufocar esse sentimento seria tão útil quanto querer impedir a chuva de cair. Já estava cravado em seu coração, já era parte de quem ela era, não havia como voltar atrás agora.
— Você deve saber, Rin. A situação onde nos encontramos não é exatamente... Ideal.
Ela se afastou dele finalmente, mas mantendo a proximidade de seus corpos, que pareciam incapazes de abrir mão do calor um do outro. Era raro ver Sesshomaru procurar palavras dessa maneira, ele sempre parecia certo de qualquer coisa que dissesse.
— Eu sei. Mas não importa, não muda o que eu sinto.
Sesshomaru suspirou em pesar, voltando seu olhar para o mar revolto e infinito à frente deles. Sentiu Rin tocar sua mão delicadamente, os dedos desenhando padrões aleatórios em sua palma.
Ele fechou os olhos quase automaticamente, deixando que apenas o som suave das ondas, o cheiro salgado do mar e os toques gentis da humana alcançassem seus sentidos. Quantas vezes mais ele precisaria cometer aquele erro até que finalmente aprendesse? Arriscar um relacionamento como aquele era arriscar a própria segurança dela, se nada mais importava, pelo menos aquilo devia importar. Mas, sozinhos naquela praia, encobertos pela escuridão da noite, ele não conseguia se incomodar com coisas tão banais quanto as consequências desastrosas que aquilo tudo certamente traria.
Rin levou a outra mão até o rosto dele novamente, alheia às ponderações e receios de seu senhor, distribuindo suas carícias pela pele pálida, traçando as marcas de nascença que reforçavam sua origem nobre, apenas mais um lembrete do porque eles não deviam estar fazendo aquilo. Ela ignorou veemente aqueles detalhes, sua mão guiando-o de volta para ela, seu corpo se esticando ao máximo para que ela pudesse depositar um beijo terno na bochecha do poderoso youkai, os lábios se demorando ali, deslizando com uma delicadeza tão insuportavelmente doce que Sesshomaru só pode apertar ainda mais os olhos, antes de tomá-la abruptamente pelo queixo e beijá-la mais uma vez, com tanta paixão que os dois mal podiam ouvir o barulho do mar ou do vento, diante da intensidade de seus suspiros e arfares e-
— Hmm... — Ela gemeu baixinho contra seus lábios, a respiração saindo com dificuldade, mas clara e inconfundível para ele.
Sesshomaru rompeu o beijo por um momento, tentando recuperar a própria sanidade, tentando colocar os pensamentos no lugar, o que se tornava cada vez mais difícil à medida que ele voltava a se aproximar para beijá-la novamente. Como o ar sendo sugado para dentro do Meidou Zangetsuha, ele era atraído para ela com uma força irresistível e avassaladora. E o jeito como ela o tocava, quase inocente, mas ousada o suficiente para atiçá-lo a querer chegar só um pouco mais longe...
— Maldição, Rin. — Ele murmurou em frustração, mantendo-se perto o suficiente para sentir a respiração dela em seu rosto. — Você não devia ser capaz de fazer isso.
— Isso o quê?
Sesshomaru pegou a mão dela gentilmente, sentindo a textura da pele macia por um tempo antes de trazê-la para si e pressionar sua palma aberta contra o peito, ao lado esquerdo.
Rin o olhou em confusão por um instante, a cabeça se inclinando levemente para o lado, antes da compreensão inundar sua expressão, os olhos se abrindo em surpresa quando ela sentiu o que ele queria lhe mostrar, as batidas descontroladas e incessantes de um coração que muitos duvidavam sequer existir, ou funcionar. Mas a prova estava ali, bem nas mãos dela, um coração que aos poucos parecia descongelar e despertar para o mundo, para ela.
Emocionada, ela manteve sua mão ali por mais tempo, sentindo a pele dele aquecer sua palma por baixo de todas aquelas roupas. Ela deslizou os dedos pelo tecido elegante em hesitante curiosidade, traçando com a ponta do indicador os padrões geométricos da estampa. Seus dedos chegaram até a abertura da camada mais externa de quimonos, percorrendo a linha formada pela bainha bem feita, quase desafiando a si mesma para ver até onde iria sua ousadia se ela se permitisse ser imprudente por apenas um momento.
Antes que ela pudesse tomar qualquer atitude, o youkai a estavam puxando para baixo, os lábios colados em seu pescoço fino e frágil, enquanto os dois sentavam-se desleixadamente na beirada do mar, arruinando suas roupas impecáveis com sal e areia, ele se inclinando sobre ela avidamente, forçando-a a se apoiar nos antebraços em uma tentativa de não se molhar completamente com as ondas que iam e voltavam em um ciclo sem fim.
A água fria era bem-vinda depois de um dia tão quente ensolarado, mas o casal poderia estar se banhando em lava fervente que não teriam se importado. De fato, era exatamente o que parecia enquanto ambos sentiam um calor se alastrar por eles, a despeito das gotículas que espirravam sobre os dois enquanto eles voltavam a se perderem em beijos cada vez mais indecorosos.
Sesshomaru puxou a humana para impossivelmente mais perto de si, abraçando-a apertado contra o peito, frustrado com o quanto seu interior ainda clamava por tê-la ainda mais perto. Colocando o cabelo úmido dela para trás, ele voltou a depositar beijos intensos ao longo de seu pescoço, saboreando o gosto salgado de mar em sua pele como um esfomeado se alimentando pela primeira vez.
Ela respirava em suspiros audíveis diretamente em seu ouvido, o som não o ajudando em nada a recuperar o controle cada vez mais perdido, deixando-o cada vez mais desejoso por ela e, consequentemente, cada vez mais furioso consigo mesmo.
O incomodava que ele não conseguisse controlar, aquela necessidade insaciável dela, de estar perto dela e agora ainda mais. Se fosse apenas a vontade de beijá-la, talvez não o irritasse tanto, mas a falta de controle, a pressão que ele sentia para fazê-lo, à qual ele era incapaz de resistir, era o que o o enfurecia.
Porque ele era Sesshomaru, o portador da mais poderosa aura demoníaca da qual ele tinha conhecimento. Mesmo na infância, seu youki havia sido forte e, uma vez que ele aprendeu a controlar todo aquele poder que crescia dentro dele, selvagem e indomável, não devia existir nada mais que ele não pudesse submeter à sua vontade. Era devido a isso que a espada Toukijin fora incapaz de possuí-lo, nada jamais poderia.
Mas aquela garota... Rin... Ela de repente o tinha de joelhos aos seus pés e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Seu corpo clamava por ela como um homem no deserto clamaria por água. Mas não seria qualquer água a saciar sua sede, somente impreterivelmente aquela humana em específico e nada mais. E ele não conseguia mais conter. Estava simplesmente além de suas habilidades, o que devia ser impossível. Não devia haver nenhuma tarefa naquele mundo que ele não pudesse executar. Como ela conseguia fazer aquilo? Como ela conseguia fazer o coração dele bater tão depressa e todo o bom senso desaparecer por completo? Como?
Isso não devia acontecer. Não comigo.
Mas estava acontecendo, e ele se via afundando cada vez mais naquele poço sem fim, afogando-se nela à medida que deitavam sobre a areia molhada, cobertos por carícias e lábios que exploravam cada centímetro da pele exposta à luz do luar. Logo dedos começavam a puxar tecidos, procurando desesperadamente mais territórios ocultos para descobrir e Sesshomaru se viu depositando beijos urgentes ao longo da clavícula dela, suas mãos impulsivamente puxando as diversas camadas dos quimonos que ela vestia para expor um ombro delicado pronto para ser saboreado.
Apesar de todas as distrações que o envolviam, havia uma parte dele que estava perfeitamente consciente de que aquilo que eles faziam ali era absolutamente errado. Talvez fosse essa parte que acabara invocando a memória de seu pai à sua mente, talvez em uma tentativa de fazê-lo lembrar das consequências que um envolvimento como aquele poderia ter se eles fossem adiante. Mas tudo que ele conseguia lembrar, estranhamente, era uma das lições que InuTaishou o ensinara quando ele errara o alvo durante um treinamento, muitos séculos atrás.
“São os erros que fazem o homem, meu filho.”
Se aquilo era verdade, Rin era definitivamente um bom erro. Seu melhor erro. E o que esse erro em particular fazia dele, Sesshomaru honestamente não se importava naquele momento, mas ele nunca se sentira tanto como um homem quanto quando a beijava até arrancar-lhe todo o fôlego, mais do que disposto a compartilhar do seu próprio com ela.
Ele podia sentir o coração dela batendo impossivelmente rápido, a respiração entrecortada e o trajeto hesitante das mãos que percorriam seus braços, apertando os músculos em alerta quando as sedas que ela trajava escorregaram mais um pouco pela pele macia.
— Senhor Sesshomaru... — Ela sussurrou em um fio de voz, o doce desejo em seu tom oscilando momentaneamente para receio.
Foi apenas um momento, mas o suficiente para que ele percebesse. Seus toques cessaram por completo no instante em que ele reconheceu que Rin estava começando a entrar em desespero.
Ele se afastou, sentando-se ao seu lado, deixando-a respirar enquanto ele a observava de cima, seus cabelos negros espalhados pela areia caoticamente, seu belo quimono desarranjado e caindo pelo ombro direito. Era uma visão absurdamente tentadora, não fosse pelos grandes olhos castanhos assustados o olhando de volta.
— Você está bem? — Ele perguntou, levemente preocupado que tivesse ido longe demais, embora não fosse nem de perto longe o suficiente para ele.
Rin assentiu, recuperando o fôlego aos poucos, até poder falar com mais clareza.
— Apenas... Nervosa, eu acho. — Ela respondeu, sentindo-se absurdamente envergonhada. — Desculpe-me.
Vendo que ela estava bem, Sesshomaru voltou a se deitar, dessa vez ao lado dela, ambos de barriga para cima, observando o céu incrivelmente estrelado.
— Não se desculpe.
Os dois permaneceram em silêncio por um momento prolongado, até que Rin decidisse quebrá-lo, virando-se de lado para poder vê-lo melhor.
— Senhor Sesshomaru. — Ela chamou, prosseguindo quando viu que ele a olhava pelo canto dos olhos. — Obrigada... Por me trazer aqui.
Sesshomaru apenas assentiu, voltando seu olhar para as estrelas, sentindo a espuma remanescente das ondas banhar os seus pés de tempos em tempos, um silêncio confortável se estabelecendo entre os dois.
Ele sentiu Rin deitar a cabeça sobre seu ombro, a respiração tranquila sendo interrompida por um longo bocejo enquanto a sonolência começava a invadi-la.
O daiyoukai aceitou a proposta de proximidade que o pequeno gesto dela apresentava, envolvendo-a com um braço e trazendo-a para mais perto de si, deixando que ela se aconchegasse enquanto ele repassava os acontecimentos daquela noite em sua mente mais uma vez, pensando consigo mesmo quão difícil seria ter que se privar dos toques dela agora que haviam passado tanto dos limites. Não, ele não achava que podia ficar sem seus afetos, sem seu amor, como ela insistia em dizer.
Mas ela era apenas humana, no fim das contas. Por quanto tempo aquele amor poderia durar?
Uma semana? Vinte luas? Sessenta verões?
Qualquer que fosse o período, a verdade inevitável era que seria apenas temporário, algo que seria tirado dele cedo ou tarde. Independentemente daquelas incertezas, ele se permitiu apenas apreciar o som tranquilo da respiração sonolenta da humana ao seu lado, satisfeito por simplesmente ter o privilégio de estar ao lado dela naquela noite específica, naquela lua específica, naquele verão específico.
Não havia uma estrela cadente sequer no céu noturno naquele momento, mas o daiyoukai se viu fazendo singelos desejos, de qualquer maneira.
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O sol estava apenas começando a nascer, os primeiros raios tímidos lentamente tingindo o céu negro de azul, quando Sesshomaru entrou pela varanda em seus aposentos, uma Rin sonolenta tentando se manter acordada em seu colo enquanto ele a carregava para dentro depois de um voo apressado.
O youkai a colocou de pé gentilmente, seus pés descalços e a cauda do longo quimono imediatamente maculando o piso polido e brilhante com finos grãos de areia. Na pressa de voltarem antes de amanhecer, quando o risco de serem vistos teria sido maior, ela não havia nem lembrado de calçar as sandálias.
A humana olhou em volta, admirada. O enorme cômodo que a cercava exalava elegância em cada detalhe, em cada móvel. Ela nunca havia visto nada daquele patamar em sua vida. As cortinas douradas e translúcidas pendendo do teto, as almofadas forradas em ricos tecidos, o enorme futon sobre uma plataforma elevada com detalhes de ouro em alto relevo nas laterais e, principalmente, a enorme tapeçaria adornando a parede dos fundos, mostrando um gigantesco inuyoukai em sua forma verdadeira, com olhos vermelho-sangue e dentes afiados e ameaçadores expostos para o observador.
— Imagino que você queira dormir um pouco mais. — Ele deduziu, caminhando até a porta de entrada. — Eu vou verificar se o caminho está livre, e então você poderá ir para o seu quarto.
O único motivo de ele tê-la trazido até seu quarto, com tamanha deselegância, era justamente por ser um dos únicos cômodos com uma varanda aberta, afim de que pudessem entrar de forma discreta em vez de passarem pelos portões principais do castelo. Antes que ele pudesse chegar até a porta do cômodo, entretanto, esta se abriu abruptamente, um inuyoukai exasperando entrando por ela sem cerimônias.
— Sesshomaru, eu estou procurando por você a madrugada inteira! — Hayashi entonou em voz alta, congelando em seguida ao ver Rin parada no meio do cômodo com olhos arregalados o olhando de volta.
Ele a analisou, com suas roupas úmidas e cobertas de areia. E, acima de tudo, dentro do quarto do senhor do Oeste, a uma hora daquelas. Senhor do Oeste aquele cujo estado não era muito diferente do dela, a propósito.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou à ela, erguendo uma sobrancelha.
— O que você está fazendo aqui? — Sesshomaru rebateu, salvando Rin do desconforto de tentar responder.
A pergunta de Sesshomaru pareceu fazê-lo lembrar do motivo de ele parecer tão desesperado a princípio, a urgência voltando a tomar conta de sua postura.
— Um desastre, Sesshomaru! O conselho está aqui!
— O quê?!
A voz de Sesshomaru saiu tão furiosa e alterada que Rin deu um pulo de susto, se encolhendo em seguida.
— Deuses, Sesshomaru, você quer que todo mundo venha aqui para ver o que está acontecendo? — Hayashi sinalizou para a humana, como quem indica que há uma criança pequena na sala diante de uma piada obscena. — Fale baixo!
— Quem mais sabe disso? — O líder perguntou, acatando o conselho do aliado e mantendo a voz baixa, mas igualmente violenta.
— Ninguém, além do guarda da Sala do Conselho. Eu estive tentando distraí-los, mas estão esperando por você. — Hayashi respondeu, caminhando até Rin e puxando-a pelo braço o mais gentilmente que a urgência da situação permitia. — Eu vou chamar criados para te deixarem mais apresentável para encontrá-los, Sesshomaru. E você tem que dar o fora daqui, Rin. Me desculpe estragar a manhã romântica de vocês.
Hayashi saiu arrastando a humana porta afora, xingando para si mesmo em voz baixa quando deu de cara com a criada Asai parada na frente do quarto de Rin. Asai observou-os no fim do corredor com uma expressão chocada ao ver a humana saindo dos aposentos de Sesshomaru.
— Rin, eu não sei o que vocês dois fizeram ontem, — Hayashi sussurrou no ouvido dela, enquanto os dois caminhavam até Asai. — Mas não conte nada sobre isso para absolutamente ninguém. Agora mais do que nunca.
— E-eu jamais-
— Rin, onde você estava? — A voz preocupada da criada a interrompeu, assim que os dois chegaram à porta, seus olhos negros avaliando o estado da humana. — O que aconteceu?
— Como uma serva, você deveria fazer menos perguntas e servir mais. — Hayashi intercedeu, o tom de voz rígido imediatamente deixando a criada acuada, fazendo-a se curvar em desculpas. — Sua senhorita precisa de um banho e roupas limpas.
— A-agora mesmo, senhor. — A lontra acatou, estendendo uma mão para Rin e guiando-a para dentro do quarto.
— Rin. — O inuyoukai chamou, antes que a porta se fechasse. — Somente saia desse quarto sob ordens do Sesshomaru, isso é muito importante.
Quando Rin assentiu, levemente assustada com a seriedade de seu tom de voz, Hayashi finalmente a deixou com Asai e voltou ao corredor, apertando a ponte do nariz entre seu dedo indicador e o polegar, os olhos fechados em frustração. Rin e Sesshomaru, aqueles dois só lhe arrumavam problemas.
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Os olhos dourados de Sesshomaru transbordavam fúria enquanto ele prendia a Bakusaiga em sua armadura, dispensando os últimos criados do cômodo, ficando finalmente a sós com Hayashi, a única pessoa com quem ele podia contar agora.
— Quem convocou o conselho? — Perguntou, observando a altura do sol pela janela, estimando há quanto tempo os anciãos já estavam aguardando.
Sesshomaru mal podia esperar para decapitar o responsável por aquilo, quando ele havia deixado bem claro que não invocaria o conselho. Ninguém tinha autoridade para fazê-lo, mas aparentemente alguém havia sido tolo o suficiente para passar por cima disso. Ele podia sentir o veneno se acumulando nas pontas de suas garras, ansiosas para se enterrarem em alguém.
— Eu não tenho como ter certeza. — Hayashi respondeu, enquanto os dois saiam para o corredor, em direção à Sala do Conselho. — Mas eu acho que vi Mizuno conversando com um dos guardas da sala, há alguns dias. Desde que você voltou que ela insiste em fazer essa convocação.
O daiyoukai parou, um rosnado se construindo no fundo de sua garganta enquanto sua fúria aumentava exponencialmente. Virando sua cabeça para o lado esquerdo do corredor, ele caminhou a passos duros e escancarou uma porta violentamente, as duas criadas que limpavam os móveis de Mizuno gritando em desespero com a súbita invasão.
— Onde ela está?! — Ele rugiu a pergunta, as palavras saindo estranguladas por entre seus dentes cerrados em cólera.
— N-nós não sabemos, senhor. — Uma delas respondeu, enquanto ambas se curvavam ao chão, temendo por suas vidas.
Da mesma forma que ele entrou no quarto, ele saiu. Então, Mizuno havia convocado o conselho pelas suas costas, em uma clara tentativa de forçar o casamento dos dois e a almejada ascensão social que viria com ele. Ao mesmo tempo, estava entretida demais em suas pequenas aventuras para ter o cuidado de mantê-las em discrição. Ele quase riu, ao pensar na ironia do que a cadela estúpida havia feito, convidando o conselho justo no momento em que ela mesma estava mais vulnerável, sem nem ao menos perceber.
Você pensou que ia me colocar contra a parede, Mizuno. Ele pensou consigo mesmo, batendo à porta de Rin com mais calma agora que começava a vislumbrar uma luz no fim do túnel. Você cavou sua própria cova.
— O que você pensa que está fazendo? — Hayashi perguntou, ao seu lado. — Não é hora para isso.
A humana deslizou a porta para recebê-lo, um pouco temerosa sobre quem poderia ser depois de todos os avisos de Hayashi. Ela suspirou em alívio ao ver os dois ali.
— Rin, descreva o soldado com quem você viu Mizuno ontem. — Sesshomaru pediu, sem rodeios.
— Err, eu... Eu não vi direito, estava um pouco escuro. — Respondeu ela, se esforçando para lembrar dos detalhes. — Ele tinha cabelos dourados, era mais alto que ela, estava com uma fita azul no cabelo.
— Ikeda. — Hayashi murmurou em reconhecimento, trocando um olhar com Sesshomaru. — É um dos guardas da Sala do Conselho.
— Obrigado pela informação, Rin. Fique aqui por enquanto. — Ele ordenou, um perigoso sorriso de triunfo se formando em seus lábios. — Hayashi, espere por mim com o conselho.
Hayashi o observou se virar de costas para Rin e ele e começar a caminhar até a saída, preocupado com a resposta que teria para a sua pergunta:
— O que você vai fazer, Sesshomaru?
Virando no próximo corredor, a resposta que Sesshomaru ofereceu ao vassalo foi o silêncio.
Os soldados o olhavam com curiosidade e apreensão enquanto Sesshomaru passava por eles no saguão do prédio do alojamento, abaixando suas cabeças em saudação e submissão. O daiyoukai os ignorou, seus passos firmes e seu destino bem definido.
Ele ainda não conseguia acreditar que Mizuno poderia ser tão tola, ao deixar uma pista tão escancarada como aquela. Se ela não estava em seu quarto, só havia um lugar onde ela poderia estar, e Sesshomaru não hesitou em expor a traidora para o mundo ao abrir a porta que ele estivera procurando quando a alcançou.
Ele encontrou Mizuno olhando diretamente para ele com frios e desafiadores olhos azuis, nem um pouco envergonhada ou intimidada de estar de pé no quarto de um soldado, com apenas um lençol desbotado cobrindo seu corpo. Era o melhor que ela podia ter feito no curto intervalo de tempo que teve para agir a partir de quando sentiu a aproximação dele.
— O conselho está aqui. — Sesshomaru a informou, se divertindo ao ver a compreensão atingir seus olhos, lavando toda aquela calma enervante que ela fingia ter. — Talvez seu plano tivesse dado certo, se você tivesse ficado mais atenta ao tempo, se você tivesse sido avisada antes de mim.
Era difícil para qualquer um prever o tempo exato que levaria até o conselho receber uma mensagem de convocação e conseguir se reunir para atendê-la, era verdade, mas se Mizuno havia decidido fazer aquela jogada, ela definitivamente deveria ter se certificado de não se distrair com outras atividades, principalmente se fossem atividades tão comprometedoras como aquela.
Ela se recuperou da surpresa rapidamente, erguendo o queixo em superioridade, ajeitando o lençol que começava a deslizar por seus ombros.
— O que o faz pensar que isso muda algo em meu plano? Você ainda precisa se submeter ao conselho. — Ela afirmou, confiante. — Você ainda precisa de mim.
Sesshomaru franziu o cenho em insatisfação pelo pronome de tratamento desrespeitoso que ela tomou a liberdade de usar, como se não desse mais a mínima para a posição dele.
— Sim, tudo que eu preciso é de uma esposa que toma decisões políticas importantes, que eu ordenei que não fossem tomadas, pelas minhas costas, em um momento crítico. — Ele respondeu, sarcasticamente, antes de tomá-la pelo braço e puxá-la porta afora, atento à plateia de soldados curiosos que começava a se formar ao redor deles.
Ikeda, o amante de Mizuno, que observara em silêncio a interação dos dois do fundo do quarto, vestindo apenas suas hakamas, imediatamente tomou a dianteira, pronto para socorrer a fêmea. Ele mal encostou um dedo nela, antes de ser afastado pelos outros guardas, que o restringiram.
— Prendam-no nas masmorras, lidarei com ele depois. — Sesshomaru ordenou, voltando-se para sua prometida. — Com você, eu lidarei agora.
Ela riu, divertida, em uma clara tentativa de tentar se manter por cima.
— Ah, Sesshomaru, não vá me dizer que você ficou chateado por alguém ter decidido me dar um pouco de entretenimento, já que você estava tão ocupado entretendo a sua humana.
O daiyoukai não respondeu, preferindo evitar falar de Rin com tantos ouvintes ali. Em vez disso, ele a arrastou pelo braço através dos corredores do alojamento, enquanto ela tentava resistir, sem sucesso.
— Solte-me! — Mizuno ordenou, quando o par saiu à luz do do sol, no pátio aberto, chamando ainda mais atenção dos outros habitantes. Ele apenas a puxou com mais afinco, o que fez com que ela rosnasse, mostrando os caninos em ameaça, as garras vermelhas se enterrando no antebraço dele com força o suficiente para fazer brotar sangue.
— Você não vai querer lutar comigo, Mizuno. — Ele avisou, percebendo que os olhos dela já estavam dilatados em vermelho.
Ignorando o aviso, ela voltou a rosnar para ele, as listras azuis em suas bochechas se distorcendo, seu youki agitando o ar ao redor deles. Ela estava claramente tentando resistir à humilhação de ser arrastada seminua pelo castelo, sua impecável compostura desmoronando diante da situação. Parecia tão patética como um cãozinho intimidado que Sesshomaru quase teve pena dela. Quase.
Sesshomaru se afastou, bem a tempo de vê-la se transformar em uma enorme cadela felpuda, sua pesada pata investindo contra ele e errando por centímetros. Ele rosnou de volta, despertando a própria energia sinistra, seu corpo humanoide se deformando em proporções grotescas até ele estar olhando para ela de cima, na forma de um cão ainda maior, apoiado sobre quatro patas.
A multidão de expectadores rapidamente tratou de sair do caminho quando os dois cães rolaram pelo chão, mandíbulas tentando se enterrar em pescoços, garras tentando dilacerar focinhos, os rosnados ensurdecedores atraindo cada vez mais curiosos, incluindo um pequeno youkai de pele verde, carregando seu inseparável bastão de duas cabeças.
— Senhor Sesshomaru, o que está acontecendo? — Perguntou Jaken, exasperado, antes de emendar quando seu senhor abocanhou a orelha da fêmea em cheio: — Oh, isso mesmo, senhor Sesshomaru! Incrível!
Finalmente, o cão com a marca da lua crescente em sua testa fincou os dentes afiados ao redor da garganta da fêmea, rolando para cima dela, fazendo-a soltar um leve ganido. Ela parou de se mover, para a própria segurança, e ele relutantemente a soltou, mantendo as patas pressionadas contra o tórax dela, prendendo-a sob seu peso colossal. Com sangue em sua boca, ele rosnou diretamente contra a face dela, um som tão gutural e primitivo que todos os inuyoukais presentes se acuaram instintivamente, e Mizuno abaixou as orelhas, escondendo-as por baixo dos pelos longos que envolviam sua cabeça, a cauda automaticamente posicionando-se entre as patas traseiras, ao ponto de se pressionar contra seu abdômen.
Uma vez que a subjugou propriamente, Sesshomaru saiu de cima dela, sentando-se sobre as patas traseiras enquanto ela tentava se levantar, parando para lamber uma ferida na pata esquerda. Ele retornou à sua forma bípede usual, os olhos dourados observando a fêmea com desdém.
— Você virá por bem agora, ou quer continuar com essa perda de tempo?
Mizuno hesitou por um momento, antes de desistir e transformar-se de volta também, seguindo-o em silêncio castelo adentro, claramente irritada. Jaken vinha logo atrás do par, achando melhor não fazer mais perguntas diante do clima mortal envolvendo o casal.
Sesshomaru abriu as portas duplas da Sala do Conselho, Mizuno vindo logo atrás dele, seguida dos principais militares e do fiel seguidor esverdeado. Hayashi os recebeu com um alívio visível, farto de ter que lidar com a impaciência dos anciãos.
Não havia muito na sala, o item de destaque sendo um enorme painel com uma moldura elaborada, a tela se assemelhando a um espelho d’água, exibindo um trio de figuras do outro lado. À esquerda, um macaco de pelagem densa branca como a neve e cara enrugada, Aoki. Ao centro, Bokusenou, a árvore Magnólia milenar, cujos galhos foram usados para fabricar a bainha da Tessaiga. Por último, Ichijo, um pequeno dragão mirrado e gasto pelo tempo, com expressão mal encarada.
Sesshomaru parou de frente para o portal de comunicação movido à magia, sua expressão tipicamente indiferente.
— Senhor Sesshomaru, vemos que finalmente retornou. — Bokusenou saudou, o rosto cravejado na madeira sorrindo de forma amigável.
— Já fazem meses desde o seu retorno. — Mizuno rapidamente adicionou, ganhando um olhar de repreensão do noivo, o qual ela ignorou.
Então seria assim, ela realmente pretendia usar tudo que tinha contra ele. Dois podiam jogar aquele jogo.
— Meses? E porque o conselho só ficou sabendo disso agora? — Indagou Aoki, perplexo. — Estamos a par da morte da Senhora do Oeste. Por que não nos convidou para tratar sobre a oficialização do casamento?
— Se sabem da morte de minha mãe, devem saber que eu estive ocupado cuidando desse assunto. — Sesshomaru justificou.
As três faces na superfície fluida adotaram expressões igualmente insatisfeitas, ponderando a informação por um momento, até Bokusenou pigarrear.
— Bom, — Disse ele. — Estamos aqui agora. É importante que essa união ocorra imediatamente.
Mizuno lançou um olhar para o prometido ao seu lado, um semisorriso vitorioso se abrindo em seu belo rosto. Sesshomaru quase podia sorrir de volta, só de imaginar aquela felicidade despedaçada.
— Não haverá união. — Decidiu o daiyoukai, fazendo todos na sala arfarem em surpresa. — Eu quero dissolver nosso compromisso.
— O quê?! — A voz normalmente calma de Mizuno atingiu um tom estridente em sua indignação.
— Inaceitável! — Ichijo opinou, parecendo furioso. — Essa união está planejada há muitos séculos, já está mais do que na hora de ser consolidada. Dissolver... Ora essa!
Sesshomaru nada disse, apenas estendeu sua mão acima da tela, tocando levemente a substância etérea que forrava a superfície. Assim que seus dedos fizeram contato com o portal, a imagem dos anciãos se dissolveu em uma névoa densa, antes de passar a mostrar a cena da invasão do quarto do soldado alguns minutos atrás, a figura de Mizuno coberta com seu lençol e seu amante seminu ao fundo.
O daiyoukai recolheu sua mão, fazendo a imagem desaparecer rapidamente, voltando a mostrar os anciãos levemente surpresos. Eles observaram a fêmea com mais atenção, reparando que ela ainda não vestia mais que um lençol, além de apresentar alguns ferimentos que já estavam quase completamente curados.
— É só isso? — Aoki questionou, recuperando sua compostura. — É esse seu motivo?
— Eu não tolerarei infidelidade. Ela cometeu uma falta grave e eu estou no meu direito de exigir a anulação de todos os nossos compromissos.
A árvore suspirou, fechando os olhos por um momento.
— Seu direito, certamente. Mas nós estamos aqui para aconselhar, e lembrá-lo de que isso pode, e deve, ser deixado de lado diante das circunstâncias.
— Sim, Sesshomaru, que ideia genial. — Mizuno disse quando se recuperou do susto, confiança voltando à sua voz. — Diga-me, quantas fêmeas melhores do que eu você tem disponíveis mesmo?
— Certamente os seus pais ainda estarão abertos para um negócio, quando souberem que a primogênita caiu em desgraça. — Ele argumentou.
Ichijo bufou em resposta.
— O senhor não tem tempo para isso! — Bradou o dragão, indignado. — Quanto tempo até um novo filhote estar pronto para gerar um herdeiro?
Sesshomaru encarou os três rostos arcaicos com olhos firmes, sua resolução inabalada.
— Qualquer que seja a alternativa, eu estou veemente recusando esta fêmea. Não haverá união.
— Não pode fazer iss-
— Na verdade, ele pode. — Bokusenou cortou o macaco, embora não parecesse muito animado com a perspectiva.
— Hunf, que ultraje. — Mizuno respondeu, seu nariz erguido em superioridade, apesar de seu estado deplorável. — Deveria ser eu a pedir a anulação dessa grande piada, afinal sou eu quem eles querem empurrar para ficar o resto da vida com um macho fraco, que está apaixonado por uma humana!
Sesshomaru já esperava que Mizuno acabasse trazendo Rin à tona cedo ou tarde, ela já estava jogando sujo desde o início. Mesmo assim, ele ainda congelou com a acusação, da mesma forma que todos os outros na sala. O silêncio dominou o ambiente por um longo tempo, antes de Aoki falar, em um fio de voz:
— O quê?

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