Unintended
34 Capítulo 33 - Hipocrisia
Notas iniciais
A tarde avançava e trovoadas violentas soavam com o som das gotas de água, tão forte que podia ser ouvido quando elas batiam na parede pelo lado de fora, como um punhado de grãos de arroz caindo no chão. Sesshomaru começava a ponderar se devia ir até Rin no fim das contas, se ela já havia tido tempo o suficiente para se acalmar do que quer que a tivesse incomodado tanto assim.
Decidiu finalizar apenas algumas tarefas pendentes antes de ir, sabendo que se parasse agora não iria querer voltar a isso depois. Mas, enquanto estava absorto em suas estratégias, horas se passaram sem que percebesse, até uma batida urgente em sua porta quebrar toda a sua concentração. Seu olfato identificava facilmente a Guarda do Lírio do outro lado, mas nenhum traço do Lírio a ser guardado.
— Entrem.
Mal ele havia falado, os cinco youkais exasperados adentraram sua sala, imediatamente ficando de joelhos, as cabeças abaixadas. Sesshomaru levantou-se, sua postura acentuando ainda mais a diferença de posição entre eles. Ele não perdeu tempo em fazer a única pergunta pertinente, antes mesmo de os guardas poderem falar qualquer coisa:
— Onde está Rin? — A sua voz era ansiosa e perigosa.
— Não conseguimos encontrá-la, senh-
— Não conseguiram encontrá-la?! — Ele repetiu, não conseguindo acreditar no que estava ouvindo. A fúria em sua voz fez as paredes tremerem. — Ela não devia nem sair da vista de vocês, inúteis!
Sesshomaru só conseguia pensar no significado daquela informação. Rin estava só, desacompanhada e mais do que isso... desaparecida. Era verdade que já quase não havia uma pessoa no Oeste capaz de fazer algo contra ela, mas mesmo assim, a possibilidade estava sempre lá. E bastava um único descuido para...
Um dos homens levantou a cabeça brevemente, se apressando em sua explicação.
— Ela nos dispensou só por um momento, disse que queria ficar sozinha! Nós estávamos atentos o tempo todo a ameaças externas, não imaginamos que a própria Rin iria fazer algo-
Sesshomaru silenciou o guarda com um rosnado violento. Não queria desculpas, queria Rin!
Mas o que ela estava fazendo, usando seu poder de persuasão para convencer os homens dele a ignorarem seus comandos por um pedido dela? E nem ao menos era de conhecimento público a real autoridade dela, por enquanto ainda era apenas uma hóspede. Mas, para Sesshomaru, ela era tudo o que importava, a única coisa que ele não mediria esforços para proteger. E agora havia simplesmente escapado por entre seus dedos... Não, ele não acreditava nisso.
— Ela tem que estar aqui em algum lugar... — Murmurou, tentando pensar no curso de ação a tomar, tentando acalmar o turbilhão de infinitas preocupações que ameaçavam consumi-lo.
— Nós procuramos por toda parte, senhor. Todos os rastros são antigos ou apagados pela chuva. Mas tudo indica que o último lugar onde ela esteve foram os estábulos.
Sesshomaru congelou no lugar, questionando-se o que diabos ela estaria fazendo lá, talvez visitando Ah-Um. Mas, para desaparecer logo em seguida...
— Talvez o dragão saiba de algo. — Ele falou, mais para tranquilizar a si mesmo do que qualquer outra coisa. — Ele não é muito comunicativo, mas...
— Er... Senhor... — Um outro guarda o interrompeu hesitantemente. — Se está falando do dragão de duas cabeças que veio junto com seu grupo, ele também não está lá.
Dessa vez o youkai não conseguiu esconder o choque em suas feições, enquanto ele tentava raciocinar, decifrar o que aquilo significava. Por um lado, era um alívio. Um sequestrador não teria motivos para levar Ah-Un também. Por outro lado, o animal não cooperava com qualquer pessoa, normalmente apenas com ele mesmo, Jaken ou a própria Rin.
Então Rin o havia levado, no meio de um temporal, a um passeio. Sem guardas, sem avisar absolutamente ninguém. Ele rosnou mais uma vez, a mão impulsivamente derrubando tudo que estava sobre sua mesa como uma forma de extravasar sua fúria, que, por sua vez, era uma forma que ocultar sua preocupação imensurável.
Não entendia o que Rin pensava que estava fazendo, escapando daquele jeito em um momento como aquele! Agora que Takayama a havia visto através do portal, que ele conhecia sua aparência...
Ele entrou em pânico, a tranquilidade tão característica dele desaparecendo completamente enquanto sua mente estratégica começava a formar diferentes possibilidades de desfechos para aquele descuido. Quase nem podia respirar ao pensar no que poderia acontecer à sua humana lá fora, sozinha, com mercenários, um psicopata e de quebra uma chuva colossal. O que ela estava pensando?!
— Saiam do meu caminho! — Ele rugiu as palavras, os sons guturais de sua voz imediatamente fazendo os guardas abrirem espaço para que ele passasse pela porta com a cólera de um furacão.
Sesshomaru nunca havia sentido tanto desespero em sua vida enquanto percorria os corredores como um vulto. Mesmo quando achou que poderia perdê-la para o frio invernal do norte, não se comparava ao que sentia agora que ela significava ainda mais, agora que ela era quase como uma extensão de si mesmo sem a qual não poderia seguir em frente. Sesshomaru temia perdê-la como temeria perder a si mesmo. Era assustador e insuportável.
Seu olfato freneticamente procurava algum sinal recente do cheiro dela. Como precisava sentir aquele cheiro, encontrá-la e abraçá-la tão apertado que ela jamais conseguiria sair de perto dele e desaparecer de novo. E depois iria querer matá-la por deixá-lo tão preocupado assim. Mas só depois.
Verificando que a Guarda realmente estava certa e não havia rastro fresco ali, ele simplesmente saltou pela primeira janela que avistou, pousando em meio ao temporal no pátio, frustrado com todas aquelas gotas de água no ar extremamente úmido, bloqueando seu sentido olfativo quase completamente. Tudo que conseguia sentir era água e terra molhada, nada do aroma de pêssegos que ele tanto adorava.
Pela primeira vez em sua vida, Sesshomaru estava ofegante, o peito subindo e descendo em uma frequência acelerada. Precisava encontrá-la, e quase podia rezar a todos os deuses para que o fizesse antes dos inimigos que também procuravam por ela. Se algum deles chegasse perto dela, se tocassem nela... Apenas a possibilidade doía a ponto de ser inaceitável, inconcebível. Ninguém deveria querer ferir uma criatura tão fascinante quanto Rin, mas a verdade era que queriam.
E ele era o único que poderia impedi-los, se ela ao menos estivesse ali.
Lutando para dispersar seus pensamentos apavorados, ele procurou manter o foco. Entrar em pânico não traria Rin de volta para a segurança de seus braços, precisava agir. Determinado, ele deixou seus pés se elevarem do chão, apressando-se até a pista mais recente, pousando nos estábulos e verificando que de fato ela havia estado lá, e que o rastro era mais fresco do que nos outros lugares. Porém, a trilha terminava do lado de fora, simplesmente sendo lavada pela chuva ou elevada aos céus por uma certa criatura voadora.
Decidindo seguir o último palpite, ele voou até o alto do muro que rodeava o castelo, caminhando pela borda espessa, seus olhos atentos ao horizonte, esperando ver alguma sombra no céu que pudesse denunciar o paradeiro da humana que ele procurava, sem sucesso. Ele parou ao alcançar uma das torres de vigilância, abordando o guarda responsável por ela naquele momento.
— Você aí. — Chamou, impaciente. — Por acaso viu Rin por aqui?
O homem assentiu tranquilamente em reconhecimento, todos ali já a conheciam por nome àquela altura. Ele não parecia compreender a seriedade da situação, entretanto. Sesshomaru quase podia estrangulá-lo ali mesmo por ousar estar tão calmo. Ninguém tinha o direito de estar calmo até que ele tivesse sua humana de volta!
— Sim, senhor. Ela estava brincando com uma das montarias, voou além do muro já faz algum tempo... Naquela direção, talvez. — Apontou.
O daiyoukai expôs seus caninos afiados ao vigia, puxando-o pela armadura até que estivesse encarando-o cara a cara.
— E você deixou que ela saísse assim?! — Ele rosnou, se perguntando se não havia um único homem competente naquele castelo. Como Hayashi lhe fazia falta...
— M-mas senhor... A garota nunca foi nenhuma prisioneira! — O guarda tentou justificar, os olhos arregalados em desespero. Desespero sim era uma reação adequada à situação, na opinião de Sesshomaru. — Ninguém tinha ordens de não deixá-la sair!
É claro que não tinham, ele pensou. Afinal, Rin sabia muito bem que precisava se manter do lado de dentro dos muros e nunca sair sozinha, para a própria segurança dela. Por que ela colocaria a própria segurança em risco propositalmente? Por que ela se auto sabotaria daquela maneira?
Sesshomaru não perdeu mais tempo questionando as atitudes inconsequentes de sua parceira, decidido a encontrá-la a qualquer custo e arrancar explicações dela pessoalmente. Levantando voo uma outra vez, ele começou sua busca desenfreada por aquela que ele não podia suportar perder, não podia suportar a possibilidade de não ver mais seus sorrisos, de não ter mais sua pele quente envolvendo-o à noite.
Sua busca parecia infrutífera, considerando o fato de não conseguir farejá-la naquela floresta encharcada. Mas, se ela tinha apenas saído para um passeio, tinha que estar nas redondezas do castelo, de forma que ele iria encontrá-la em algum momento se circulasse ao redor das muralhas, em espirais crescentes. E se ela estivesse indo a algum lugar específico, suas únicas chances de achá-la consistiam em saber que lugar seria aquele, portanto ele tentou pensar um pouco naquela alternativa também.
Não conseguia imaginar nenhum lugar onde Rin iria querer ir, ela sempre havia deixado bem claro que sua preferência era estar ao lado dele o tempo todo, exceto pela discussão que tiveram naquela manhã...
Ele pausou, pensando se aquele comportamento imprevisível e irresponsável poderia ter algo a ver com a pequena briga. Lembrava-se de como ela havia começado a chorar só porque ele falou um pouco mais alto com ela, de como ela havia se afastado dele quase como se tivesse medo. E, por fim, lembrou-se do motivo da discussão, como ela queria tão insistentemente retornar ao vilarejo onde crescera. Mas, certamente, não teria ido lá por conta própria depois de ele dizer em alto e bom som que ela não deveria ir. Ela não teria essa audácia, de simplesmente fazer o que bem entendia, sem nem ao menos fazer nenhum preparativo para uma viagem ainda por cima...
Sem em nenhum momento parar para pensar no inferno pelo qual ela o estava fazendo passar naquele momento!
Apenas por desencargo de consciência, ele seguiu ao nordeste, voando na trajetória que ele conhecia de cor, sabendo que era o caminho que Ah-Un conhecia também.
xXx
A fera de duas cabeças voava a toda a velocidade, uma humana em prantos e coberta de chuva montada em suas costas.
Ela havia chorado durante todo o percurso, várias vezes pensando em retornar, mas nunca mudando de ideia completamente ao pensar no que poderia acontecer se voltasse lá. O lugar onde a mera existência de uma vida tão preciosa e inocente era simplesmente vetada. Não, ela precisava levar aquela inocência para longe de lá.
Tinha fome também, tendo negligenciado completamente sua alimentação durante todo o dia, o que apenas a compelia a seguir em frente, sabendo que quanto mais cedo chegasse, mais cedo teria acesso a um farto prato de comida.
Os dois amigos de viagem voavam sobre as árvores, as gotas violentas de chuva açoitando-lhes os rostos, propelidas pelo vento. Mas Rin já estava encharcada àquela altura, de forma que não fazia diferença. O que a preocupava mais eram os raios luminosos que caíam à distância vez ou outra. A luz desaparecia do céu aos poucos, o sol invisível por trás de nuvens negras certamente já a caminho de se pôr. Já haviam coberto uma boa distância, Rin nem conseguia acreditar que aquela fuga desesperada havia dado certo, mesmo que só tivesse Ah-Un e as roupas do corpo, a única coisa de que realmente precisava estava bem ali dentro dela.
Ela percebeu, porém, que era um pouco cedo para comemorar quando um rosnado violento rasgou a noite, logo atrás dela. Rin sentiu toda a cor desaparecer de seu rosto enquanto ela tomava as rédeas do dragão, compelindo-o a acelerar. Ela estivera temendo sons como aquele desde o início, prevendo que poderia acabar se tornando alvo de youkais malignos. Mas, de certa forma, o reconhecimento daquele rosnado em específico a fazia temer mais.
Ah-Un também pareceu saber que estavam encrencados, pois ignorou o comando da humana sobre sua sela e reduziu a velocidade ao invés disso.
— Ah-Un, o que está fazendo? – Ela falou, olhando para trás por um momento em uma tentativa de ver seu perseguidor, sem sucesso. – Por favor, vá mais rápido.
Era bobeira, ela sabia. Não havia a menor chance de que o dragão pudesse vencer o dono daquele rosnado em uma corrida, mas Rin não estava dando ouvidos a nenhum de seus pensamentos racionais naquele dia. Ela precisava ao menos tentar.
— Rin! – A voz grave e familiar de Sesshomaru soou na escuridão e, dessa vez, quando ela olhou para trás foi capaz de ver um vulto branco se aproximando. – Pouse agora!
— Por favor, Ah-Un. – Ela pediu, ignorando o youkai em seu rastro.
A pobre criatura de duas cabeças parecia confusa com o comando, não estando acostumado a ter que escolher entre obedecer à humana ou ao inu. Mas ele se decidiu ao sentir a energia sinistra furiosa do daiyoukai, reduzindo a altura de seu voo até que estivesse pousando levemente sobre o chão molhado da floresta.
Rin sibilou, desmontando em um ato mecânico e impensado. Ela simplesmente largou as rédeas e pôs-se a correr entre as árvores, o mais rápido que suas pernas permitiam, grata por ter escolhido não vestir nada muito elaborado naquele dia, como se isso fosse ajudá-la em alguma coisa.
— Rin, o que está fazendo?! – Sesshomaru questionou em uma voz que era uma mistura de confusão, alívio e raiva.
Ele estava bem na frente dela antes que pudesse piscar, interceptando seu caminho sem a menor dificuldade. O obstáculo repentino a fez perder o equilíbrio e cair sentada para trás sobre uma moita, em uma tentativa de não se chocar contra ele.
O casal apenas se entreolhou pelo mais longo tempo, os trovões trocando mais palavras do que eles. Rin ainda chorava, desesperançada e sem saber o que fazer. Sesshomaru tentava se controlar para não fazer nenhum movimento brusco, sem ter certeza se não acabaria ferindo-a de alguma maneira com o nível de fúria que ele sentia ao vê-la deliberadamente fugir dele daquela maneira.
— Você vai me explicar o que você está fazendo aqui? – Ele falou finalmente, a voz soando tão alta que ela nem conseguia mais ouvir a chuva. – Você está tentando se matar, Rin? Perdeu a cabeça?
Ela ficou de pé, as roupas grudando desconfortavelmente em seu corpo. Respirando fundo, com lábios trêmulos de nervosismo, ela tentou se afastar dele novamente, apenas para vê-lo desaparecer em um borrão e estar logo a frente dela de novo, dessa vez segurando-a pelos braços, sacudindo-a em uma tentativa de forçá-la a prestar atenção nele.
— Por favor, não me machuque! — Ela se viu pedindo impulsivamente, pateticamente, os olhos fechados e a postura defensiva. Suas palavras escondiam o que ela realmente queria dizer, a quem ela realmente queria proteger.
Sesshomaru ignorou aquele pedido absurdo, como se fosse ele o perigo naquela floresta. Mas, agora que a havia encontrado, inteira, só conseguia pensar em questionamentos sem fim, mil perguntas percorrendo sua mente.
— Você tem ideia das coisas que podiam ter te acontecido? Será que você ao menos se importa que haja uma horda de youkais por aí, loucos para darem um fim à sua vida?
— Eu precisava ir... – Ela disse em um sussurro fraco, desviando o olhar daqueles olhos dourados que queimavam sobre ela, não suportando a reprimenda por trás deles.
Sesshomaru finalmente a soltou e dessa vez era ele quem se afastava, a tez franzida em algum sentimento que ele não conseguia identificar, algo entre mágoa e rejeição, indignação e preocupação. Por que Rin teria a necessidade de deixá-lo assim, sem mais nem menos? Não era possível que suas palavras duras mais cedo tivessem sido tão graves assim, que ele a tivesse afastado àquele nível.
De certa forma, no fundo, ele já vinha temendo que algo do tipo pudesse acontecer, desde que concordaram em estabelecer uma união oficial. Que, em algum ponto, Rin fosse perceber que ele simplesmente não era o ideal para ela, que ele fosse acabar fazendo ou dizendo alguma coisa que lhe parecesse perfeitamente natural mas que, para ela, fosse imperdoável. Todo aquele relacionamento tendia a ser extremamente complicado para naturezas tão distintas, mas Sesshomaru considerava que estavam indo tão bem... Começava a cogitar que talvez Rin não concordasse.
— Por acaso você não se lembra do que me prometeu? – Ele questionou, inseguro quanto à resposta que receberia. Com ela agindo daquela maneira, ele não sabia mais o que esperar. – Você disse que ficaria ao meu lado, que seria minha. Aonde pensa que vai agora?
A garota cobriu a boca com ambas as mãos, em uma tentativa de abafar seu choro, o que não funcionou. Não estava nem um pouco preparada para ouvi-lo brigar com ela daquela maneira, duvidar dela daquela maneira. Não tinha a menor estrutura para lidar com nada daquilo, só queria um ombro amigo, alguém que a compreendesse, mas nunca fora sua intenção atingi-lo daquele jeito.
— Você pensou mesmo que eu não ia te encontrar se você tivesse mesmo ido lá? O que você pretendia fazer, Rin, apenas me dar trabalho? Me matar de preocupação?
— Eu pensei... – Ela falou quando encontrou algum fragmento de sua voz, mas mal tinha palavras para descrever como fora idiota. – Que o senhor teria outras coisas para priorizar, então... Fosse apenas me deixar em paz por algum tempo.
O youkai a olhou com surpresa, incrédulo com aquela resposta. Como se ele pudesse simplesmente priorizar qualquer coisa que não fosse ela, como se ele fosse apenas ignorar que sua amada está desaparecida e deixar para lidar com isso mais tarde.
— Você tem ideia do que você ia fazer? Você ao menos parou para pensar nisso por um instante, Rin?
Não, não parei, ela pensou. Não parecia importar, quando algo tão sério estava em jogo. Nunca pretendera que aquilo se tornasse uma escolha entre ele e o bebê, mas apenas um deles parecia depender dela inquestionavelmente. Sesshomaru sempre soube se cuidar por conta própria.
— E se eu não tivesse te encontrado aqui? Você acha que eu iria simplesmente parar de procurar? Você ia me fazer ter que revirar cada pedra, cada folha desse maldito lugar? – Ele disse, o tom de voz alterado novamente, intimidando-a. Nunca havia visto Sesshomaru tão bravo em sua vida. – E se você fosse morta, você acha que eu-
Ele pausou, precisando de mais fôlego do que o normal, sua mente se fechando em agonia ao pensar naquela possibilidade. Não, isso não.
— E, supondo que eu fizesse o que você pensou, você faz ideia das consequências que isso traria para mim? Se eu simplesmente fosse enfrentar Takayama, mesmo enquanto estou desesperado para te encontrar. – Prosseguiu, ignorando completamente o choro dela, sem medir suas palavras. Agora que estavam ali, ela iria ouvi-lo. – Assim como meu pai enfrentou Ryukotsusei, sabendo que Izayoi estava só e em perigo, e ele só queria se apressar e ir encontrá-la para protegê-la. Você sabe o que aconteceu com ele depois daquela batalha.
Rin arfou com aquelas palavras, seus olhos se arregalando em pavor enquanto ela absorvia o significado daquela comparação. A humana tremia agora, embora a chuva fosse mais refrescante do que gelada, seu coração acelerado enquanto ela pensava no que havia feito. Em uma tentativa tola e inútil de salvar uma vida que valia mais que a sua própria, ela quase arriscou perder aquilo que sempre significou o mundo para ela.
A humana deu um passo em direção a ele, de repente desejando a proximidade.
— M-me desculpe, eu nunca... — Ela disse entre lágrimas, fechando a distância entre eles, agora com muito mais medo de perdê-lo do que qualquer outro que tivesse sentido naquele fatigante dia. – Por favor, me perdoe, eu... O senhor precisa entender-
— Entender o que, Rin, se você não se deu o trabalho de explicar nada? – Ele cortou, indignação em sua voz.
— Eu estou tão assustada... Eu não queria que fosse assim, mas não sabia o que fazer...
— Então você vai em frente e toma decisões por conta própria. – Ele concluiu por ela, decepcionado. O que diabos poderia ser capaz de fazê-la recorrer a qualquer outra pessoa que não fosse ele, se o que ela buscava era segurança? Ele não conseguia entender. – Se você não confia na minha liderança, por que me segue afinal? Por que aceitou a minha proposta de união se prefere agir sozinha? Me explique isso, Rin.
Nada daquilo fazia o menor sentido. Se era pela segurança dele que ela temia, ou pela segurança dela mesma, nada justificava uma decisão como aquela. Ele esperaria que ela pedisse que ele ficasse no castelo com ela ou mesmo implorasse para ir junto à batalha, mas não aquilo. Não aquela fuga para longe dele.
— Eu não... Eu não sei como o senhor reagiria a isso e... – Ela respirou fundo, tentando se acalmar. – Eu não conseguia aceitar a possibilidade mais provável.
O daiyoukai parou, a cabeça pendendo para um lado em confusão, tentando compreender o que ela estava tentando dizer. Reagir a quê?
— Do que estamos falando aqui?
A humana fitou o chão, observando as gotas espessas de água escorrerem de seus cabelos e pingarem nas poças aos seus pés. Seu plano havia fracassado, como o plano imbecil que havia sido desde o início. E, graças a ele, agora precisava dar essa notícia em um clima muito mais pesado do que teria pretendido. Teria sorte se ele não a odiasse para sempre agora.
Sem conseguir encontrar as palavras, ela apenas levou as duas mãos até o abdômen, pousando as palmas sobre suas roupas molhadas e acariciando a pele por baixo gentilmente, em um movimento sutil. Havia apenas o silêncio barulhento da chuva na floresta novamente, e ela não se atrevia a olhar para cima e descobrir a reação dele.
Sesshomaru a fitou pelo que pareceu um tempo muito, muito longo, sem palavras em sua mente completamente vazia. A demora de uma resposta apenas deixava Rin mais e mais nervosa, sua imaginação trazendo de volta a paranoia a respeito do que ele faria. E se ele realmente não aceitasse? Rin não tinha mais energias para lidar com aquela incerteza, estava molhada, exausta e apavorada, só queria que aquilo passasse.
Por que ele não dizia alguma coisa? O silêncio era ensurdecedor.
— Eu sabia... — Ela murmurou, finalmente quebrando o suspense. — Sabia que o senhor detestaria a ideia...
Rin se virou na outra direção, se perguntando se devia tentar correr mais uma vez. Talvez daquela vez ele a deixasse ir, talvez nem a quisesse mais...
— Rin! — Ele chamou, alcançando-a em um piscar de olhos. — Pare de me dar as costas!
A humana deixou um som de surpresa escapar quando o youkai a segurou pelos ombros, empurrando-a contra uma árvore em uma tentativa de restringir seus movimentos, seu corpo formando uma prisão ao redor dela.
— O que infernos você estava pensando ao simplesmente fugir de mim assim? — Os olhos dourados dele brilhavam na escuridão, a expressão em seu rosto ainda era indecifrável para ela. Não era fúria, não era mágoa, era algo completamente inédito habilidosamente escondido nas bordas.
E Rin estava tão farta daquelas evasivas. Por que não podiam simplesmente ser completamente honestos um com o outro? Por que ele não dizia de uma vez se aprovava ou não aquele imprevisto? Não suportava mais as dúvidas.
— O que o senhor queria que eu pensasse, ao ouvi-lo falar daquela maneira sobre Inuyasha? — Ela o confrontou finalmente, a voz soando forte pela primeira vez naquela noite, amargurada com a lembrança das palavras dele. — O que esperava que eu pensasse ao ouvi-lo usar aquelas palavras para definir um meio-youkai?!
As sobrancelhas dele se arquearam em surpresa, finalmente começando a compreender de onde havia vindo aquele comportamento. Não era Inuyasha que Rin estivera tentando defender naquela manhã...
— Eu li seu decreto. — Ela revelou enquanto ele ainda absorvia as informações. — Aquele sobre as aberrações.
Sesshomaru franziu o cenho, sua memória resgatando as lembranças necessárias para que ele pudesse entender o contexto das acusações que transbordavam por trás do tom dela. Pela primeira vez naquela noite, ele se sentiu culpado. Culpado por não ter sido claro no presente, por ter sido claro demais no passado.
— Aquela velharia é de muito tempo atrás.
— Suas palavras hoje confirmam que ainda é válida. — Rebateu a humana, mágoa em seus expressivos olhos castanhos.
— Eu não me referia à natureza de Inuyasha, aquilo foi meramente força do hábito. — Ele justificou. — Eu nunca me referiria dessa forma a algo que eu contribuí para gerar.
Rin fechou a boca por um instante, um pequeno centelho de esperança se acendendo dentro dela ao ouvi-lo dizer aquilo. Mas ela já estava machucada demais àquele ponto.
— Uma aberração é uma aberração. — Ela murmurou, não completamente convencida da redenção dele. — Não faz diferença quem a gerou.
— Faz, para mim.
— Isso é um pouco hipócrita da sua parte. — Criticou ela.
Sesshomaru respirou fundo, fechando os olhos por um momento, tentando manter-se calmo e consertar aquele grande mal-entendido causado por sua insensibilidade e pela insegurança dela. Dos dois, ele era o maior responsável, ele era o líder, ele era infinitamente mais experiente. Era o dever dele guiá-la a compreender perfeitamente seu papel, mas acabou focando em outros assuntos no meio de tudo aquilo.
— Adicione isso à minha lista de defeitos, se quiser. — Concedeu, deixando de lado as hostilidades por hora. — Você sabe muito bem que é a única coisa que importa para mim, Rin, você é minha exceção. Eu tenho regras rígidas sobre muitos tópicos, de fato. Nenhuma delas se aplica a você. Chame de hipocrisia se quiser, mas é a verdade.
A humana pareceu recuar um pouco, sua indignação vacilando por um instante. Ele aproveitou aquela abertura para pressioná-la mais contra a árvore, colando seus corpos cobertos por roupas encharcadas.
— Você achou mesmo que eu não levei isso em consideração quando decidi fazê-la minha, Rin? Você acha que um macho na minha posição pode se dar ao luxo de deixar acidentes desse tipo acontecerem?
— E-eu não... O senhor nunca conversou sobre isso...
Ele suspirou em decepção. Achava que havia dito o suficiente ao despejar sua semente dentro dela repetidas vezes. Talvez devesse refrescar a memória da humana naquele aspecto.
As mãos dele liberaram os ombros dela, apenas para descerem até pousarem sobre seus quadris, puxando-a para impossivelmente mais perto, induzindo-a a soltar um breve ruído de surpresa com a mudança de abordagem. Ele se inclinou sobre ela, colando seus lábios no ouvido da humana, a pele quente contra a dela, sua língua capturando gotas de chuva que escorriam de seu cabelo até ali. Tinham o gosto dela.
— E agora o que eu devo fazer com você? — Ele questionou em um tom que soava tão perigoso quanto provocante. — Depois de fugir de mim e colocar não só a Senhora do Oeste em risco, como também meu herdeiro.
Rin estava quase se deixando levar pelo calor que começava a se acumular entre suas pernas trêmulas, brotando dos toques dele, seus olhos quase se fechando em deleite e expectativa até ela ouvir aquelas últimas duas palavras.
Meu herdeiro...
Suas mãos o empurraram levemente para que pudesse olhá-lo com olhos arregalados, um sorriso gradualmente se formando, suavizando sua expressão aos poucos.
— Então o senhor não o detesta? — Ela perguntou, a esperança presente em cada nota de sua voz. Quase queria chorar de novo, mas dessa vez não seria de tristeza. Nunca havia sentido um alívio tão forte.
Sesshomaru apenas voltou a colar seus lábios na pele dela, dessa vez em seu pescoço, provando mais da chuva temperada com aquele sabor especial do qual ele nunca se cansava.
— Não é com o filhote que você devia estar se preocupando agora, é você quem está à mercê da minha boa vontade aqui. — Ele ameaçou em uma voz rouca que imediatamente desviou todos os pensamentos de Rin para longe de qualquer zona minimamente maternal. Naquele momento, era apenas uma mulher nos braços do homem a quem desejava mais que tudo, cujos toques faziam sua pele arder em calor. — E você certamente merece uma punição severa.
Sesshomaru ainda estava irritado com toda a confusão que ela havia causado e não era brincadeira quando dizia que ela havia se colocado em risco desnecessário. Seria muito provável que ele chegasse até ali e encontrasse apenas o corpo despedaçado dela no chão, se a pessoa errada a tivesse achado primeiro. Mas, por outro lado, era uma antiga tradição no Oeste que o casal tivesse uma comemoração privada diante da descoberta de uma concepção bem sucedida. Então ele acabara ali, em uma situação onde ainda tinha vontade de estrangulá-la até que ela jurasse nunca mais fazer algo assim de novo e também de se enterrar dentro dela com tudo que tinha. E não via motivo algum para não fazer os dois.
Ela sentiu os beijos dele evoluírem para mordidas que beliscavam sua pele entre dentes afiados, o choque provocado pelas pontadas dolorosas acordando seus sentidos nublados pelas infinitas preocupações que percorreram sua mente naquele dia. Ela sibilou entre dentes cerrados, a cabeça se pressionando contra o tronco da árvore às suas costas em uma tentativa de dar a ele mais espaço para trabalhar. O youkai pareceu ter a mesma ideia, suas mãos se enterrando na abertura do quimono dela, afastando as duas abas para expor os seios pálidos e mais pele para ser castigada.
— Desculpe-se pelo que fez, Rin. — Ele pediu, antes que a língua descesse por sua garganta, seguindo as travessas gotas de água que corriam entre o vale formado pelos dois pequenos montes.
— M-me desculpe... — Ela titubeou, os olhos ainda fechados, a respiração pesada e inconstante, suas mãos se erguendo para pousar sobre a cabeça dele, pretendendo guiá-lo um pouco mais para o lado, para onde ela sabia que a sensação provocada por seus beijos seria mais intensa. Só um pouco mais para o lado...
Porém, antes que ela pudesse tocá-lo, as mãos de Sesshomaru capturaram as suas tão rápido que ela só percebeu quando sentiu o tronco áspero da árvore contra o dorso delas, acima de sua cabeça, presas pela força de um único punho do daiyoukai que agora a encarava com severos olhos dourados.
— Não.— A voz rígida cortou o ar, afiada como a lâmina de uma espada. — Você ainda não fez por merecer meu perdão.
A expressão de prazer no rosto dela escorregou para confusão por um instante, sem compreender porque ele teria dito para ela pedir por algo que ele simplesmente não pretendia lhe dar. Toda aquela situação era um pouco desconcertante, embora o corpo dela automaticamente reagisse aos toques e carícias familiares em uma sintonia inconfundível, todo o resto das circunstâncias era completamente diferente das outras vezes em que haviam feito amor.
Estaria ele realmente bravo com ela ainda agora? E, se sim, por que iria querer tocá-la de maneira tão amorosa?
— Mas-
— Silêncio!
Rin recuou imediatamente, alarmada e ainda mais confusa. A mão de Sesshomaru que ainda mantinha as dela presas aplicaram mais força para mantê-las imobilizadas, enquanto a outra descia ao longo de seu corpo, ultrapassando seu umbigo e desvencilhando-se dos poucos tecidos no caminho até finalmente alcançarem aquela zona de prazer máximo entre suas pernas, arrancando um gemido imediato quando seus dedos habilidosos a estimularam daquela forma indescritível.
Ela tremeu com o contato, sua voz doce e descontrolada soando junto aos trovões na floresta enquanto ela cantava sua satisfação. Para o inferno se ele estava com raiva ou não, ela só queria mais daquilo, daquela sensação que não se comparava com nada mais naquele mundo, algo que só ele era capaz de providenciar. Se sua pele estava ardendo antes, agora um verdadeiro incêndio tomava conta de tudo ao seu redor, de forma que ela não ficaria surpresa se ouvisse as gotas pesadas de chuva que a banhavam chiarem e evaporarem ao tocarem sua pele.
A humana desesperadamente lutou para liberar suas mãos do aperto de aço de seu senhor, desesperada para tocá-lo, para descarregar um pouco da tensão que se construía dentro dela à medida que o manuseio dele ficava mais frenético. A forma como ele a deixava molhada ali embaixo faria qualquer chuva passar vergonha.
— Ah, senhor Sesshomaru! — Ela gritou quando a onda de êxtase ameaçou consumi-la por inteiro, pronta para experimentar aquele ápice do paraíso que ela já havia aprendido a prever.
Infelizmente para ela, Sesshomaru também sabia reconhecer quando ela estava prestes a alcançar aquele momento e, naquela noite, não estava se sentindo muito misericordioso. Ele recolheu sua mão, imediatamente quebrando o frenesi dela, trazendo-a de volta para a terra justo quando ela estava prestes a alcançar os céus. A humana arfou, a indignação em seu olhar completamente adorável. Ela o olhou como se quisesse matá-lo, o que era perfeitamente merecido na opinião dele, depois do que ela o fizera passar naquela noite.
O youkai finalmente liberou as mãos dela e Rin imediatamente envolveu os braços ao redor do pescoço dele e o beijou com fervor, derramando toda a sua insatisfação com o prazer que lhe fora negado, desesperadamente tentando conseguir qualquer sensação similar ao encostar seu corpo ao dele, atritando sua pele contra a dele onde fosse possível. Frustrada com os obstáculos, ela logo tratou de desatar as amarrações da armadura com a habilidade que a experiência do último mês lhe concedera. Precisava sentir mais dele, apenas aquilo não era o suficiente!
Ele deixou que ela se sentisse no controle só por um momento, esperando até sua armadura ser removida e largada em uma poça de lama qualquer, antes de levar uma mão até o topo da nunca dela, seus dedos se fechando ao redor de uma generosa mecha de cabelos negros e puxando com entusiasmo, forçando-a a romper o tão desejado contato. E então era ele quem a beijava, uma mão ainda em seus cabelos, guiando o ângulo do rosto dela para aquele de sua preferência, enquanto o braço livre envolvia sua cintura e a elevava do chão, prensando-a entre o tronco da árvore e seu próprio corpo. Rin se adaptou ao novo arranjo, suas pernas envolvendo os quadris dele para um apoio extra e, é claro, para que pudesse senti-lo exatamente onde mais precisava.
Sesshomaru rosnou quando ela se moveu contra ele, o desejo avassalador de unir de uma vez por todas os dois corpos quase o fazendo desistir da diversão de torturá-la por mais um tempo. Mas ele se manteve firme, ela ainda não havia se redimido o suficiente para merecer sua piedade. Ele liberou os cabelos molhados dela, decidindo que já havia maltratado demais os delicados fios, e levou sua mão até a perna que ainda o envolvia, erguendo a barra de seu quimono até expor a pele macia de sua coxa para suas garras sedentas.
Ela gritou ao sentir a pressão das perigosas e mortíferas garras em sua pele frágil, mordendo o lábio inferior dele como uma forma de retaliação à qual ele respondeu pressionando mais ainda os quadris contra os dela.
— Por favor... — Ela sussurrou entre fôlegos exasperados ao sentir aquela forma rígida tão perto e ao mesmo tempo tão longe, com todos os tecidos remanescentes entre eles. Não conseguia mais suportar aquilo. — Por favor, senhor Sesshomaru, apenas unnhg-
— É isso o que você deseja? — Ele repetiu o movimento anterior, provocando a parceira até seu limite.
Ela assentiu energeticamente, liberando mais um gemido de desespero quando ele pressionou mais uma vez e outra ainda, e de repente o casal estava envolvido em um ato de simulação simplesmente enlouquecedor, onde eles apenas atiçavam mais um ao outro, sem obter qualquer alívio para suas paixões.
— Oh deuses, por favor! — A humana implorou em agonia, suas mãos descendo pelo peito dele, procurando alguma forma de liberá-lo daquelas roupas só o suficiente para que pudessem pelo amor dos deuses-
Satisfeito com a rendição de sua fêmea, Sesshomaru finalmente se compadeceu da situação dela, sabendo que ele mesmo estava chegando ao limite de seu autocontrole. Mas não deu à ela o que ela pedia de imediato, afastando-se ao invés de se aproximar, deixando que os pés dela pisassem de volta sobre o solo encharcado.
— Vire de costas. — Ele ordenou, seu tom autoritário a pegando de surpresa.
Rin parou, confusa com o comando. Estava esperando poder finalmente tê-lo— por tudo que era mais sagrado — e para que diabos ela deveria dar as costas ao parceiro numa situação daquelas?
— O-o quê?
— Eu acho que você quis dizer “sim, senhor.”. — Corrigiu ele, seu semblante intimidador e reprovativo.
Percebendo que ele realmente estava falando sério, Rin consentiu hesitantemente, assumindo a posição que ele solicitou. Ela girou, sentindo-se deslocada e confusa ao encarar o enorme tronco de árvore à sua frente em vez de seu belo senhor Sesshomaru, mas se distraiu novamente ao sentir um arrepio percorrer todo o seu corpo quando o youkai, agora atrás dela, traçava sua coluna vertebral com dedos delicados.
Rin fechou os olhos, deliciada com a sensação, mas voltou a abri-los quando a mão dele alcançou o espaço entre suas omoplatas e o pressionou sugestivamente, compelindo-a a se curvar. Buscando equilíbrio, ela apoiou as mãos sobre o tronco, olhando de soslaio para trás em curiosidade para entender o que ele estava fazendo.
Sesshomaru estava apenas de pé atrás da humana, tomando seu tempo para admirá-la naquela posição que era secretamente sua favorita. Mantendo uma mão nas costas dela a fim de garantir que ela permanecesse exatamente como ele queria, usou a mão extra para levantar o quimono dela, expondo um par de covinhas perfeitamente simétricas na base de sua coluna e aquela curvatura perfeita logo em seguida, formada por músculos macios e coberta por pele aveludada e convidativa que ele não podia evitar apertar entre os dedos.
Ao observá-lo apressadamente desatar o laço que prendia sua hakama, Rin percebeu de imediato suas intenções e se viu ficando nas pontas dos pés, em uma tentativa de ajustar sua altura à dele e promover o encaixe perfeito pelo qual ela tanto ansiava. E aquilo foi tudo o que bastou para que o controle de Sesshomaru se esvaísse completamente, fazendo-o posicionar uma mão em cada lado dos quadris dela, para que pudesse guiá-la com destreza até o alinhamento ideal, para que finalmente pudesse estar dentro dela como os dois amantes tão desesperadamente precisavam.
Ambos suspiraram em alívio ao exato mesmo tempo, ao sentirem aquela conexão única entre seus corpos, no momento em que um se inseriu no outro, preenchendo-os com a sensação indescritível de estarem completos, de se encontrarem um no outro em meio ao mar de perdição que era o mundo lá fora.
A voz de Rin soava linda junto à chuva incessante, o volume crescendo mais à medida que as mãos de Sesshomaru a apertavam com mais afinco, trazendo-a para ele ao mesmo tempo em que investia contra ela, a força da colisão intensificando seu prazer a níveis que ela não acreditava serem possíveis. Suas próprias mãos pareciam querer arrancar a casca da árvore que ela segurava como se sua vida dependesse disso.
A sensação era tão violenta quanto os movimentos de seu senhor, tão intensa quanto seus gritos de êxtase, tão quente quanto as novas lágrimas inexplicáveis que escorriam por seu rosto e eram lavadas em seguida pela chuva. Era tão bom, que não era mais pelo alívio do ápice que Rin ansiava, ela não queria chegar lá, pois isso significaria o término daquele júbilo e ela queria que aquilo nunca terminasse, queria se perder na ardência das mãos firmes que a seguravam com força, não queria ouvir outra coisa em sua vida que não o som de suas peles repetidamente se chocando.
E, embora soubesse que seus desejos eram inviáveis, que cedo ou tarde aquela torturante e alucinante experiência acabaria, Rin quase se convenceu de que realmente teria o suficiente à medida que o tempo transcorria e seu prazer não parecia ver um fim. Ela não podia acreditar que havia uma forma de aquilo ser tão melhor do que as vezes anteriores em que estivera na cama dele.
Por fim, a velocidade já exagerada do youkai pareceu aumentar, suas investidas mais urgentes pegando-a de surpresa de forma que Rin tinha certeza de que se fosse uma youkai já teria partido aquela árvore ao meio. Ela gritou em êxtase absoluto quando Sesshomaru rosnou em satisfação, finalmente executando seu último movimento, fazendo-a tremer e perder as últimas forças que restavam em suas pernas esgotadas. As mãos preparadas dele a seguraram, um braço envolvendo sua barriga e o outro ao redor de seus ombros, trazendo-a para ele, de forma que as costas dela se pressionassem contra o peito dele.
— Você entende agora, Rin, que eu tenho tudo sob controle? — Ele sussurrou no ouvido dela, pela primeira vez parecendo realmente afetado pelo cansaço de tais atividades. — Eu quero ter todas as experiências possíveis com você, esse filhote é uma delas, não pense que não. Eu quero de dar isso também, tudo o que estiver em meu poder lhe oferecer.
Ela assentiu fracamente, um sorriso preguiçoso mas genuíno e emocionado em seu rosto. Estava tudo muito claro agora, mas lhe faltava energia para uma reação mais adequada. Percebendo que ele ainda a segurava de pé com uma mão apoiada em seu ventre, Rin apenas colocou sua mão delicada sobre a dele, de forma que ambos pudessem aninhar o pequenino que ali se abrigava.
— Vamos para casa. — Sesshomaru decidiu por fim, observando o estado saturado de ambos.
— Sim... — Ela conseguiu falar por fim, a voz fraca depois de todo o esforço de suas cordas vocais. Era algo bom que estivesse chovendo tanto ali, dessa forma sabia que não devia ter havido ninguém perto o suficiente para ouvir aquilo tudo.
Desajeitadamente, ele tentou segurá-la ao mesmo tempo que ajeitava suas roupas. Uma vez satisfeito, com um movimento impossivelmente simples, Sesshomaru a ergueu com apenas um braço, apoiando-a contra o peito enquanto recolhia o que restou de sua armadura com a mão livre e começava a caminhar na direção onde haviam deixado o pobre Ah-Un durante todo aquele tempo.
Alcançando o dragão de duas cabeças, o inu apenas prendeu sua armadura na sela da montaria. Quanto à humana, não a soltaria tão cedo. Liderando o caminho, ele voou em direção ao oeste, o seguidor logo atrás, a chuva começando a se acalmar finalmente, reduzindo-se a finos riscos de água sobre o pequeno grupo.
Já era tarde quando alcançaram o enorme castelo, pousando bem em frente ao portão principal. Rin tinha a cabeça deitada no peito dele, os olhos quase fechados em sonolência, a posição quase horizontal agora que ele a segurava com ambos os braços. Foi o ranger pesado de enormes correntes que a despertou completamente, sua cabeça se erguendo abruptamente quando ela associou o significado daquele som. Estavam entrando pelo portão principal, e ela estava ali no colo dele, abraçada a ele.
Sesshomaru tinha o queixo erguido em sua característica superioridade ao entrar no pátio, seus pés firmes caminhando sobre as pedras polidas com toda a sua elegância de sempre, não deixando o fato de estar parecendo um cachorro molhado afetar sua graça. Ou o fato de ter uma humana igualmente encharcada nos braços.
Os burburinhos e comentários em voz baixa estavam por toda parte à medida que os habitantes do castelo se aproximavam para observarem a chegada de seu senhor — que havia desaparecido sem aviso horas atrás — e se deparavam com aquela cena inusitada. Rin voltou a esconder o rosto no peito dele, envergonhada com os olhares todos sobre ela, mas, quando ele a colocou no chão uma vez que estavam em segurança, sob o teto do salão de entrada do castelo, e passou um braço ao redor da cintura dela a fim de continuar apoiando seu peso cansado, ela soube que ele não mais se incomodava em esconder, ela soube que era oficial.
Ela era a senhora daquelas terras.

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