Unilateral
1 Se eu fosse você eu nunca me deixaria ir.
Notas iniciais
Unilateral: Colocado de um só lado; que está localizado somente de um lado: luminosidade unilateral. Que só tem em conta as razões e/ou os interesses de uma das partes em questão: medida unilateral. Que se baseia ou expressa somente um lado; parcial: ponto de vista unilateral.
A primeira vez que vi Albus Potter não prestei realmente atenção nele, não foi nada daquele ''amor a primeira vista'', não teve uma música bonitinha de fundo e muito menos pássaros cantando felizes a nossa volta.
Não.
Na verdade, eu estava afim do primo dele, Hugo, que apesar de 2 anos mais novo, não aparentava a idade que tinha. Lembro que fiquei completamente fascinado pelos seus olhos de cores diferentes, seus cabelos ruivos... enfim, tudo. Não conseguia nem prestar atenção no que Dominique me falava, de tão encantado que estava por seu primo.
Ele era meu tipo, percebi isso em menos de três segundos. Além de ser bonito (Me desculpe falar, mas sou o tipo de pessoa que se importa com a aparência, e isso, eu sei, é bem ridiculo) também gostava das mesmas coisas que eu, mesmo gosto para música (Sua banda favorita era Joy Division!!!!! e ele tinha até a camiseta do meu álbum favorito!!!!) uma vez disse também que seus livros favoritos eram todos os de Chuck Palahniuk, que apreciava narciso e ia em manifestações bruxas sempre que podia.
Eu surtei. Surtei de puro amor, caralho, estava completamente apaixonado por ele.
Falava sobre Hugo para quem quisesse ouvir, nenhum pouco interessado em esconder meus sentimentos, não conseguia, pois eles eram tão absurdamente gritantes que eu tinha que falar, sussurrar e gritar, não conseguia guarda-los para mim. Eu não sabia se ele gostava de garotos, então tinha certo receio de chama-lo pra sair ou algo do tipo, sempre fui muito inseguro nesse tipo de situação... se levasse um fora ia demorar MESES para ficar bem de novo, e isso sequer é um exagero. Nunca gosto de alguém, mas quando gosto... nunca consigo parar. É como se a pessoa ficasse colada em mim, presa em meus pensamentos, sinto até como se fosse sufocar a qualquer momento.
Mas enfim, nada disso é sobre mim. Ou sobre Hugo.
Os dias passaram e com eles os meses, eu ainda não havia chamado Hugo pra sair e estava cada vez mais difícil criar coragem para faze-lo, ele nunca estava com ninguém, no caso, romanticamente, pois ele é uma daquelas pessoas que todos conhecem e se interessam. Então acho que apenas fui mais um deles, e me tornei indiferente para ele. Mas então apareceu Albus.
Quer dizer, não apareceu, porque ele sempre esteve ali, mas eu nunca o notei realmente. Ficava sempre de canto meio que como uma sombra, e, apesar de bonito era tão fechado que ninguém prestava a atenção em sua pessoa, era como se tivesse uma bolha ao redor de si. Acho que todos tinham receio de entrar em seu espaço e levar a maior patada dos séculos. Ele era da Sonserina... e fazia juiz ao esteriótipo de sua casa. Frio como gelo.
Acredito que a palavra a ser usada era: Melancolia.
Da mesma forma que Weasley sempre estava longe, Albus sempre estava perto, tínhamos muito mais amigos em comum do que eu tinha com Hugo, então, é, o afastamento foi meio que inevitável. Eu já não prestava tanta atenção nele.
Agora o Potter.... não sei explicar, se eu achava os olhos de Hugo fascinantes comecei a achar eles uma piada se comparados aos se Albus. Eram verdes, mas nada brilhante e multicolorido, não, eu sempre achei que ele tinha a aparência meio que fisicamente morta, e seus olhos se mostraram a mesma coisa. Não havia vida, eram vazios e desinteressados. E eu sentia que ele estava em todo lugar menos onde realmente estava, quando ouvia sua voz era um mero murmurio baixo de concordância ou discordância. Era obvio que preferia estar sozinho do que com os primos e os amigos.
E bom, sou curioso pra caralho e Albus era interessante demais para simplesmente passar batido. Comecei a prestar atenção nele e tirar fotos com minha polaroid quando o mesmo não estava prestando atenção. Escrevia sobre ele e até arriscava alguns desenhos. Era meio que patético, não contei a ninguém de tanta vergonha interna que sentia por mim mesmo.
Se minha paixãozinha por Hugo fora um foguete explodindo a minha por Albus Potter fora uma mera faísca de um fósforo. Não por ser menos intensa, mas sim por ter sido tão silenciosa que eu mesmo demorei séculos para perceber que existia.
Mas então eu soube: Estava completamente fodido.
Era horrível, me sentia mal e meio melancólico. Se um dia eu tive qualquer chance com Hugo com Albus as chances eram nulas. Todo mundo sabia que ele curtia garotas, e eu nada pareço com uma, para ser sincero.
Arriscava algumas olhadas para ele mas logo recuava, nunca consegui lidar com pessoas intimidantes, tinha vontade de fugir sempre que ele me pegava o observando. E em todas as vezes seus olhos continuavam denunciando o mesmo desinteresse de sempre.
É uma coisa meio desanimadora com o passar do tempo, se quer saber. E eu realmente queria contar que tudo se ajeitou e ficamos juntos, mas isso seria um clichê e uma mentira.
Quando eu estava quase me declarando, arrumando coragem onde não existia, Albus apareceu com uma namorada saída sei lá de onde. Nada mais que o esperado, não sei porque me surpreendi.
E essa é minha grande história de amor, sem o amor.
É ridiculo continuar a escrever e a pensar nisso, mas sempre gostei de coisas melancólicas.
E Albus...
Não havia outra palavra que o descrevesse melhor.
Notas finais
enfim, na verdade, o monologo é meu, não de Scorpius, quase tudo contado foi vivenciado por mim há dois anos... (é, que merda!)
hahahah, espero que tenham gostado!
e não esqueçam que: scorbus is real, beijos.
♥
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