Uniforme de Astronauta
2 Um capitão justo
Notas iniciais
Yondu se considerava um capitão justo.
Se alguém roubasse algo dele, era justo mostrar para a equipe o que acontecia com ladrões. Se ele quisesse alguma coisa mais do que outra pessoa, era justo roubá-la dela. Se ele quisesse ficar com o pirralho Terráqueo, era justo ficar com ele porque Yondu era o maldito capitão.
Se alguém roubasse Peter Quill dele, era justo explodir a cabeça do maldito e pegar o seu garoto de volta.
Dizer que Yondu Udonta estava puto era justo. E os únicos seres que eram capazes de aturar o capitão quando estava irritado e sair com a cabeça no lugar eram Peter e Kraglin. Bem, Peter não estava ali naquele momento.
— O moleque nem deveria ter saído pra começo de conversa. — Kraglin murmurou mais para si mesmo do que para Yondu. Ele também não estava com um bom humor, já que tinha se afeiçoado ao menino e vê-lo levando um tiro anestésico no pescoço o deixava inquieto e preocupado. Não que ele admitiria isso a Peter.
A equipe — principalmente Yondu — tentou tirar o garoto dos braços dos soldados da Nova Corps, entretanto novos guerreiros apareceram e nem mesmo a famosa flecha vermelha do capitão deu conta de um exército inteiro.
Os piratas foram forçados a fugir e Nova Corps tomou conta do lugar, porém estava claro que Yondu não desistiria, o que deixou Kraglin bem surpreso. Ele conhecia o capitão há algum tempo e nunca o viu tão determinado a resgatar alguém da sua equipe. Principalmente um Terráqueo de 8 anos.
— É bom você não morrer agora, garoto... — Kraglin murmurou e Yondu pensou a mesma coisa.
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A primeira coisa que Peter sentiu quando acordou foi algo úmido. Bem úmido. E nojento. Ele abriu os olhos e deu de cara com Laika lambendo seu rosto.
— Ewww! — Levantou-se e tirou a saliva da cadela com a manga do seu uniforme. Espera, uniforme?
Foi então que o garoto viu que estava com uma roupa fina e branca. Parecia de seda, mas sabia que não existia tal tecido nos outros planetas. Falando em planetas, onde ele estava? Olhou em volta e tudo o que viu eram paredes brancas e várias luzes no teto. Parecia um sonho, ou até um hospital.
Hospital.
Hospital não era coisa boa. Hospital o fazia lembrar-se da sua mãe. Não. Precisava do seu Walkman. Procurou pelo quarto e não encontrou nada, começando a se desesperar. Precisava do seu Walkman. Laika começou a latir quando percebeu o grande desconforto em que Peter se encontrava. Ele tentava se acalmar enquanto lágrimas saíam de seus olhos.
— Não, não, não, não! — O pobre garoto vasculhava por baixo da cama e em outros cantos do lugar. Ele se sentia mais sufocado a cada segundo e era difícil obrigar seus olhos a focarem em algo. De repente ficou ciente de braços gentis o segurando e uma voz desconhecida.
— Calma, acalme-se. — A voz o confortava e os latidos de Laika cessaram.
— Meu Walkman, — Peter disse, ainda não saindo do abraço. — Cadê meu Walkman?
A pessoa colocou as mãos no ombro do menino e ajoelhou-se na sua frente, revelando o que parecia ser um enfermeiro Xandariano.
— Eu preciso que você foque em mim agora, — Ele disse, e só pelo fato de se parecer com um simples Terráqueo era o suficiente para Peter se acalmar. Sejam abençoados os Xandarianos e suas semelhanças aos humanos. — Do que você se lembra?
Peter franziu o cenho. Ele podia ser uma criança, mas Yondu o tinha ensinado a não revelar nada sobre os saqueadores.
— Onde eu estou? — O garoto decidiu tornar o jogo de perguntas a seu favor.
— Em Xandar.
— Por quê?
— Os soldados da Nova Corps te acharam em Luganenhum, pensaram que você era um Xandariano e o trouxeram aqui.
— Mas eu não sou um Xandariano.
O homem sorriu serenamente e balançou a cabeça.
— Não. Você não é. O que me leva a perguntar, — Peter engoliu em seco. — Como uma criança Terráquea estava em um lugar como Luganenhum sem ninguém?
— É uma longa história, — suspirou e pegou Lakia em seu colo, acariciando-a. Peter sempre quis ter um cachorro quando morava na Terra. Talvez agora Yondu decida--
— Ah, merda, — Peter murmurou assustado e com os olhos arregalados. O enfermeiro pareceu mais confuso do que cego em tiroteio. — Yondu.
— Yondu? — O homem ergueu uma sobrancelha. Bem, não havia o porquê esconder algum segredo dos saqueadores agora, porque Peter estava completamente ferrado.
— Yondu vai me matar. Ah, meu deus. Aposto que ele acha que eu morri! Kraglin também! — O menino colocou a mão na cabeça como se só agora percebesse que o fim do mundo estava prestes a acontecer. E era verdade.
— Você fala de Yondu Udonta, capitão dos Saqueadores? — O Xandariano falou com preocupação genuína brilhando em seus olhos. Peter sentiu-se extremamente culpado só de pensar em mentir para ele, então simplesmente assentiu. — Espera, então você estava com Yondu e os saqueadores? Os Saqueadores?
— Sim. Mas Laika aqui só está comigo faz pouco tempo. É uma história meio que engraçada, na verdade. — Peter fez uma careta, não sabendo como explicar toda aquela confusão.
— Tenho certeza de que é uma história interessante. — O homem sorriu e balançou o cabelo do garoto afeiçoadamente. O que era estranho, já que somente Yondu e Kraglin faziam aquilo e de alguma forma parecia errado vindo de qualquer um.
— Mas eu preciso do meu Walkman primeiro. — Peter bufou e, pessoalmente, se o enfermeiro não tivesse achado aquilo extremamente fofo, provavelmente não concordaria.
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— Nova Prime, temos uma interferência na nossa comunicação. — Anunciou o Terceiro Ministro, e a comandante virou-se para o homem.
— Como? — E antes que alguém pudesse responder, o rosto rabugento de um Centauriano apareceu na grande tela principal, chamando a atenção de todos da sala.
— Saudações, povo estúpido de Xandar, — falou a voz rouca e irritada de Yondu — Aqui quem fala é o capitão dos Saqueadores, — Houve alguns sussurros e logo depois a sala ficou lotada de Xandarianos. — É, eu sei, difícil de acreditar. Todos esses anos vocês da Nova Corps correndo atrás do meu rabo e finalmente vocês conseguiram a minha atenção e nem sabem porquê.
A gargalhada de Yondu irritou vários comandantes, inclusive Nova Prime.
— A quem eu devo à sua maravilhosa presença, Yondu Udonta? – O tom da comandante carregado de sarcasmo fez o capitão parar de rir e encarar intensamente sua pessoa.
— É o seguinte, — Ele falou com uma voz fria e vários Xandarianos sentiram arrepios percorrerem seus corpos. Nova Prime permaneceu firme. — Vocês tomaram algo de mim e eu quero de volta.
— E o que isso seria?
— O garoto.
Houve um silêncio esmagador e ninguém teve coragem de falar, até que o Segundo Ministro se manifestou.
— Que garoto?
Yondu bateu o punho no seu painel, o que fez a tela tremer e alguns comandantes a pular de susto. O rosto do capitão estava coberto de fúria e seus olhos vermelhos brilhavam.
— Peter Jason Quill. Esse é o garoto. Meu garoto. Seus soldadinhos de merda o levaram de mim quando invadiram Luganenhum, — Suas mãos azuis se fecharam em punhos e o olhar que Yondu estava mandando a Nova Prima faria qualquer um se encolher em um canto. — Eu vou te dar 20 minutos para trazerem ele aqui para que eu possa falar com ele, e se vocês, seus merdinhas, tocarem em um fio de cabelo no meu moleque, é melhor dizer adeus às suas vidinhas miseráveis.
E dito isso, o capitão desligou a conversa e deixou na sala tanta tensão que Nova Prime podia jurar ter visto um de seus comandantes tremer.
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