Uniforme Sailor
1 Fotos Constrangedoras
Notas iniciais
E óbvio que o plot me veio na cabeça e não me segurei e escrevi :3
Ela ficou muito maior do que eu planejei mas espero que tenha ficado boa :)
Espero que gostem ^-^
Fic postada no Spirit também.
Era final de outubro e quase começo de novembro, o que significava que estavam chegando perto do dia da cultura (03/11) que iria cair numa sexta naquele ano em específico, e com isso, seriam realizadas nas escolas os Festivais Culturais – ou Escolares, e no colégio de Rengoku Senjurou não foi diferente. Sua sala em específico realizou uma atração para apresentar a evolução dos uniformes escolares ao longo dos anos, e com isso, as meninas confeccionaram e fizeram representações dos uniformes para todos os alunos da sala, tirando medidas os tecidos para a costuras das roupas. Senjurou havia recebido uma listinha dos tecidos que deveria comprar, o que, ao primeiro momento, não estranhou pelo tipo e cor dos mesmos – o material era fino, leve e bastante confortável, nas cores branco, azul e vermelho. Não foi muito fácil para o menino pedir dinheiro para seu pai para que pudesse comprar os tecidos, visto que o mesmo não dava a mínima atenção para o festival, mas quando Kyoujurou – seu irmão mais velho que estava na faculdade – ficou sabendo, convenceu Shinjurou á dar o dinheiro ao menino; seu aniue sempre o salvava.
Depois de comprar o tecido e entregar para as meninas de sua sala que sabiam como costurar, era apenas aguardar as roupas ficarem prontas e ajudar os rapazes a montarem os enfeites para a decoração da sala, usando os materiais disponibilizados pela escola e alguns que conseguiam em casa ou que pagavam do bolso para isso. Os dias se passaram rapidamente e na quinta já estava tudo pronto, só faltava organizar e ornamentar a sala da melhor maneira, e na noite de quinta, dia anterior ao festival, as meninas avisaram no grupo da sala que tinham em um aplicativo de conversa que os uniformes estavam prontos. A manhã se sexta chegou e Senjurou acordou com seu despertador tocando as cinco horas, bem mais cedo do que o seu habitual, mas era necessário, visto que todos deveriam chegar mais cedo para experimentarem as roupas e organizarem algo que tivesse ficado de última hora.
Ao que levantou, Senjurou se sentiu ansioso e animado pelo festival, além de mal poder esperar para ver como e qual seria o uniforme que haviam feito para si. Se levantou, tomou um banho rápido e se trocou na mesma velocidade. Pegou apenas o celular e a carteira, já que não seria necessário levar a mochila com os materiais. Desceu para a cozinha, fazendo uma comida rápida para si; por estar cedo, seu pai ainda estava dormindo, mas para o menino, a presença ou não do homem não fazia diferença, já que eles raramente troavam palavras entre si durante o café da manhã. Estando alimentado, voltou ao seu quarto para escovar os dentes, pegou suas chaves e antes de sair de casa, deixou escrito em um bloco de notas para seu pai em cima do balcão da cozinha que havia saído mais cedo – mesmo que seu pai demonstrasse pouco interesse no que fazia, Senjurou fazia questão de avisá-lo sobre as coisas. Trancou a porta depois de sair e foi para a estação esperar o trem.
O caminho percorrido foi rápido para o rapaz, que via como o vagão estava relativamente vazia pelo fato de ser cedo ainda; não estava reclamando, longe disso, ainda bem que tinha vários lugares disponíveis, pois era bem difícil pegar o trem lotado todos os dias. Ao que o trem parou na estação, desceu e foi andando para a escola com um pouco de sono, mas sua animação era maior que seu desejo de dormir. Ao que chegou na frente da escola, viu a quantidade de pessoas que já estavam lá; poderia ser relativamente cedo, mas pelo festival ser uma coisa importante, toda a preparação e cuidados eram levados bem a sério. Enquanto passava pela entrada, viu alguns amigos e colegas de classe entrando junto consigo, e então uma pequena começa se iniciou, com eles especulando que roupas as meninas teriam feito. Ao chegarem na sala, viram as meninas com sacolas em mãos e haviam cabines improvisadas no canto da sala para se trocarem. Senjurou sorriu levemente ao que sua colega de classe, Makomo, acenou para si – ela que havia ficado responsável por fazer sua roupa.
A garota era mais ou menos de sua altura, tinha curtos cabelos negros na altura dos ombros e grandes olhos azul-esverdeado; tinha uma personalidade muito simpática, paciente e gentil, um doce de pessoa; e para completar, usava uma pequena presilha do lado esquerdo da cabeça, em um formato de uma pequena máscara branca de raposa com duas flores azuis. Ela era muito adorada pelos colegas devido á seu jeito meigo e era boa no atletismo, sendo mais rápida até do que muitos rapazes. Apesar de ter vários admiradores secretos, eram poucos os que tinham coragem de se declarar para a menina ou dar uma carta a ela pelo fato de seu irmão mais velho, Sabito, parecer saber quando tinha alguém querendo algo com sua irmã. Sabito, o irmão mais velho de Makomo, era namorado de Tomioka Giyuu, amigo de seu irmão Kyoujurou, então sabia mais ou menos quem era o rapaz por já ter se encontrado e falado com ele algumas vezes.
— Bom dia Senjurou-kun. – Maokomo disse com um doce sorriso nos lábios ao se aproximar de si com uma sacola de papel em mãos.
— Bom dia Makomo-san. – Disse em um tom de voz suave demais, já que tinha certa timidez em falar com meninas, mas ainda era muito educado.
— Eu espero que o uniforme fique bem em você e que seja d seu tamanho. – Ela começou ao lhe entregar a sacola, estando claramente animada. – Me diga o que achou da roupa e se tiver algo que queria mudar é só falar, estou com meu kit comigo. – Ela bateu palminhas, era impossível não sorrir com a felicidade da menina.
— Obrigado Makomo-san por ter disponibilizado seu tempo para fazer minha roupa. – Senjurou sentiu as bochechas esquentarem levemente. – Eu tenho certeza de que a roupa está ótima. Está com a sua? – Perguntou, já que ambos fariam uma dupla para explicar sobre o uniforme de estilo marinheiro.
— Sim, está na outra sacola. – Disse apontando para uma sacola de papel mais escura. – Agora vá provar, antes que aqui fique cheio demais. – Ela disse o apressando com um sorriso.
Senjurou apenas riu baixinho e foi para uma das cabines que estava disponível. Deixou a sacola no chão e retirou as roupas, as colocando na cadeira que havia consigo, ficando apenas com a cueca. Sendo assim, abriu a sacola e tirou uma das peças lá de dentro...e quando a tirou da sacola, percebeu se tratar de uma blusa feminina, muito semelhante á usadas em animes como Sailor Moon. Piscou incrédulo antes de apoiar a peça no braço e pegar a outra dentro da sacola, sendo esta uma saia azul um tanto quanto curta demais. Olhou dentro da sacola e viu que tinha ainda um par de meias negras compridas e sapatos cor marrom, fora a gravata vermelha tão conhecida. Ele achou que aquilo deveria ser um engano ou uma piada, mas Makomo era uma menina séria, não faria uma brincadeira daquelas consigo ou seria descuidada em lhe dar a roupa errada; então o que era aquilo? Sem muitas alternativas, ele decidiu engolir sua timidez e vestiu a roupa, e apesar de ser bastante confortável, era muito vergonhoso estar usando uma saia curta demais na sua opinião e com meias tão compridas em suas coxas. Colocou os sapatos e abriu a cortinha, estando com um rosto tão vermelho quanto a ponta de seus cabelos.
Apesar de estar extremamente envergonhado, ele notou que os outros meninos também utilizavam uniformes femininos, enquanto algumas das meninas usavam as versões masculinas. Ele ouviu alguns de seus colegas reclamando com as meninas, mas elas disseram algo como “essa é a intenção, para deixar mais divertido” e coisas assim. Senjurou procurou Makomo e a viu usando um uniforme de marinheiro masculino de mesmas cores que o seu, e que sorria divertida para si; não pode evitar de ficar mais envergonhado.
— Eu sinto muito por não ter tido isso antes, mas as meninas combinaram que seria uma surpresa. Espero que não fique chateado com isso. – Ela se desculpou em um tom mais ameno, como se ao mesmo tempo sentisse culpa mas se divertisse com o acontecimento.
— Ah, n-não, eu não estou chateado, apenas surpreso. – Senjurou balançou as mãos com um sorrisinho sem graça.
— Mas então, o que você achou? – Ela perguntou enquanto olhava a roupa, como se procurasse algo fora do lugar.
— O uniforme é bem confortável para dizer a verdade. Mas a saia era para ser curta assim? – Ele disse com vergonha e tentando abaixar a saia com as mãos, sentia que as pessoas iriam conseguir ver sua cueca daquela forma.
— Isso foi ideia das meninas também, para ser meio que de propósito. Mas não se preocupe, não dá para ver nada. – Ela disse já sabendo que o amigo estava preocupado com uma certa coisa.
— A-ah, obrigado. – Seu rosto já estava tão vermelho quanto a gravata em seu pescoço de tanta vergonha que sentia.
Mas agora não era o momento para ficar tímido; tinham um trabalho a fazerem. Senjurou e Makomo, por serem uma dupla, revisaram suas partes e ensaiaram suas falas algumas vezes; mais alunos iam chegando e se vestindo a caráter; não apenas os meninos estavam envergonhados de usarem roupas femininas, mas algumas meninas também estavam coradas por estarem utilizando vestes masculinas. Quando o horário das visitas se iniciou, Senjurou ficou bastante nervoso em ter de ter que fazer sua apresentação e recepcionar as pessoas vestido daquela forma, mas conforme o tempo foi passando, ele acabou se acostumando a estar com aquele uniforme sailor – alguns de seus amigos até comentaram que ele parecia uma personagem de Sailor Moon. Para não ser o chato da rodinha, ele apenas riu junto á eles, pois também brincava a respeito de suas vestes. Durante o intervalo para o lanche, Senjurou se negou a sair vestido daquela forma – e as meninas já haviam deixado claro que só poderiam se trocar ao final do festival, no fim da tarde, sendo assim, ele pediu para Makomo pegar um sanduíche para si na cantina, entregando o dinheiro para ela. A menina aceitou e foi em seu lugar; era bom ter uma amiga assim como ela.
Quando ela voltou, Senjurou estava sentado em sua mesa na frente da janela, de pernas cruzadas e mexia no celular de uma forma tão doce que Makomo teve de tirar uma foto de forma discreta – uma das várias que viria a tirar do loiro durante o dia para dizer a verdade. Makomo entregou o lanche ao rapaz e se sentou na mesa da frente, acompanhando ele na refeição. Depois de comerem, voltaram as apresentações, e agora o menino já estava totalmente solto e confortável com a roupa, algo que ele mesmo não imaginava que iria acontecer. O dia se passou bem rápido e o sinal tocou, informando o fim das atividades, e uma salva de palmas ressoou pela escola; foi um dia divertido. Makomo pegou suas coisas e, depois de dizer que o uniforme era seu, se despediu do menino, indo se trocar no banheiro feminino. Senjurou ficou com vergonha de sair da sala para ir ao banheiro se trocar, mas era o jeito, então fez o mais rápido que pode, mesmo sabendo ser proibido correr nos corredores. Entrou na cabine com pressa e se trocou tomando cuidado para não amarrotar demais as roupas. Suspirou depois que estava com seu uniforme normal, se sentia mais à vontade agora. Bom, era hora de voltar para casa.
O caminho de volta para casa foi como costumava ser todos os dias, mas naquele final de tarde estava insuportável. Devido a data e os festivais realizados nas escolas, o número de pessoas transitando pelas ruas havia quase dobrado, o que significou que Senjurou se viu sendo praticamente prensado dentro do vagão do trem; estava tão apertado no local pela quantidade de gente que ele se mantinha em pé e firme sem nem precisar de segurar em algum lugar, os corpos das pessoas a sua volta faziam isso para si. Quando saiu do vagão, sentiu-se como um pão prensado na chapa, mas suspirou por estar livre; a sacola ainda estava bem apertada contra o peito pois era comum coisas caírem e sumirem em momentos assim. Foi andando para casa normalmente e passou pelo portãozinho de entrada, abriu a porta e entrou, tirando os sapatos no hall de pedra.
— Chichiue, estou de volta. – Senjurou falou em tom alto para seu pai, entretanto, não obteve resposta.
Bom, ele já imaginava que isso iria acontecer; seu pai raramente lhe respondia, mas como um bom filho e educado como era, fazia questão de informar o outro, mesmo que só recebesse silêncio. Subiu para seu quarto e deixou a sacola de papel entre o armário e a parede, trocou de roupa e desceu para o primeiro andar para preparar o jantar. Enquanto cozinhava, Senjurou ficou murmurando uma música que estava tocando na escola e agora não saía de sua cabeça, mas ela era animada e contagiante, então tudo bem. Quando a comida estava pronta, escutou a porta do quarto de seu pai abrindo e os passos pesados dele sob o piso de madeira. Enquanto ia colocando a comida na mesa, seu pai já estava sentado na cadeira esperando; como sempre, ele estava com a cara fechada e fedia á sakê. Senjurou lavou as mãos e guardou o avental, se sentando do lado oposto ao seu pai na mesa, mas não ficando de frente para ele. Comeram em silencia como de costume, com o menino olhando para seu prato e lembrando como era quando Kyoujurou ainda morava com eles. Depois do jantar, Senjurou recolheu a louça e a deixou na pia para lavar, e nisso Shinjurou já havia ido embora; o garoto gostaria que pelo menos uma vez ele lavasse a louça, mas tinha medo em pedir.
Louça lavada e tudo guardado, poderia ir dormir. Foi para seu quarto, colocou seu pijama, escovou os dentes, ficou um pouco mexendo no celular e enfim foi dormir. Ficou olhando para o céu através de sua janela e se perguntando como estaria seu irmão; queria ter falado com ele, mas sabia que ele era ocupado com os assuntos da faculdade e não queria atrapalhar ou ser inconveniente. Fechou os olhos e adormeceu, estava cansado demais pra pensar em coisas difíceis. De manhã, seu despertador tocou no horário regular, mas Senjurou o desligou e voltou a dormir; era sábado e o menino não queria levantar tão cedo, e acabou por dormir mais algumas horas até que acordou naturalmente. Seu cabelo estava todo bagunçado e ele estava com a cara amassada, mas teve uma boa noite de sono. Fez a sua rotina de sempre e olhou no celular que já era quase meio-dia; ele precisava fazer o almoço! Desceu as escadas correndo e constatou que seu pai não estava por ali; ainda bem, não queria ouvi-lo gritando consigo por causa disso. Antes que pudesse ir para a cozinha, a campainha tocou, assustando brevemente o rapaz. Ouviu seu pai dizer seu nome, como se o mandasse abrir a porta; bom, já estava por perto, então iria acabar fazendo isso de qualquer forma, mas se estivesse em seu quarto, ficaria irritado com a preguiça do pai.
— Já vai. – Disse e foi até a porta, a abrindo com curiosidade para saber quem poderia ser. Tamanha foi sua surpresa ao ver seu irmão ali em pé com um grande sorriso.
— E aí Senjurou. – Ele sorriu ainda mais; parecia até mesmo um raio de sol de tão brilhante que era.
— ANIUE – Senjurou pulou em seus braços, o abraçando e sendo tirado do chão pelo mais velho, sendo retribuído por Kyoujurou com certa forma, mas não ligou, fazia tempo que não sentia o calor de seu irmão. – Porque não avisou que estava vindo para casa? – Senjurou perguntou depois de ser colocado no chão e entrando na casa junto ao outro.
— Eu queria fazer uma surpresa. Aproveitei e trouxe hambúgers para nós. – Segurou alto a sacola com a comida de fast-food. – Pai, estou de volta. – Kyoujurou disse alto, esperando por seu pai que não demorou a aparecer.
— O que está fazendo aqui Kyoujurou? – O Rengoku mais velho estava sério e bravo; Senjurou se escondeu atrás do irmão.
— Eu não posso voltar para minha casa quando eu bem entender? – Apesar de ter tido uma briga com seu pai, Kyoujurou não tinha raiva dele, e suas feições eram sorridentes.
— Aqui deixou de ser sua casa no momento em que você saiu por aquela porta anos atrás sem minha permissão. – Senjurou se lembrou daquele dia e não gostava nada dele. Kyoujurou queria ir embora e viver sozinho, mas o pai foi contra; eles brigaram e Shinjurou disse que se ele passasse pela porta, aquela casa não seria mais dele, mas Kyoujurou pegou suas coisas e foi embora assim mesmo.
— Ei não estou me referindo á esse lugar, mas sim ao Senjurou. – O filho mais velho abraçou o mais novo pelos ombros com um braço, mas sem tirá-lo de trás de si. – Ele é minha casa, e enquanto estiver por aqui, eu sempre irei voltar, você querendo ou não. – Sua voz agora era firme e seu olhar ardente.
Os dois ficaram se encarando por longos segundos, até que Shinjurou estalou a língua e se virou, andando para o quarto que ficava de frente para o jardim.
— Tanto faz. – Disse antes de bater a porta com força.
Senjurou tremia de medo agarrado ás costas de seu irmão. Ele odiava ver Kyoujurou e seu pai brigando e sentia lágrimas no canto de seus olhos, se culpando por aquela pequena discussão. Kyoujurou se virou e se ajoelhou, ficando de sua altura e passou a mão gentilmente por seu rosto, limpando as lágrimas com o polegar.
— Está tudo bem maninho, não se preocupe com o pai. Bom, vamos comer? – Ele sorriu e apertou o nariz do mais novo, que riu da palhaçada do irmão. – Não se preocupe, eu comprei pra ele também. – Kyoujurou se levantou e foi até a mesa, tirando a parte do pai de dentro da sacola e deixando ali. – Agora, você....
Senjurou conhecia aquele olhar e não gostava nada dele, mas antes que tentasse fugir, seu irmão correu até si e o abraçou, o rodopiando no ar e lhe colocando no ombro. Era incrível como Kyoujurou era forte, nada parecia ter mudado desde que eram pequenos.
— Aniue! – Senjurou riu e tentou fingir estar bravo, mas era impossível se irritar com seu irmão.
— Vem, vamos pro seu quarto comer e jogar um pouco. – O mais velho disse já subindo as escadas.
— Ei aniue. – O outro fez um “hm” para mostrar estar escutando. – Você vai ficar até quando?
— Eu vou ficar até a terça. As aulas foram suspensas até esse dia e obviamente eu tinha que passar minha folga com você maninho. – Mesmo que Senjurou não conseguisse ver seu rosto, sabia que seu irmão sorria, sua voz denunciava isso.
Quando entraram no quarto do Rengoku mais novo, Kyoujurou o colocou no chão com cuidado e já foi arrumando a mesinha para que pudessem comer e jogar no aparelho que era seu mas deu para o menor depois de ir embora. Se sentaram a frente da mesa de madeira e enquanto Senjurou comia o hambúger – já morto de fome – Kyoujurou configurava um jogo para os dois, indo pegar os controles perto da televisão. Senjurou não pode segurar um grande sorriso brotar em seu rosto; era ótimo ver seu irmão e ter ele de volta, mesmo que fosse só por uns dias, mas estava feliz assim mesmo, e iria aproveitar esse tempo que teria com ele.
Por horas, ele e seu irmão ficaram ali, jogando e comendo a batata tamanho gigante que Kyoujuro havia pedido, Senjurou ficou até surpreso que o irmão só havia trazido uma sacola de comida, pois conhecendo ele, deveria ter trazido pelo menos umas cinco. Aproveitaram para colocar o papo em dia e matarem a saudade um do outro; Kyoujurou contava como eram as coisas na cidade que agora morava e na faculdade, de seus novos amigos e o trabalho que pegou como professor particular de história para cobrar os custos. Já Senjurou contou como estava na escola e contou como foi o Festival Escolar que houve no dia seguinte, mas escondendo o fato de ter se vestido com um uniforme de marinheiro feminino. Senjurou olhava de vez em quando para a sacola de papel com a roupa no canto do quarto, mas sabia que não precisava se preocupar com nada; Kyoujurou nunca sairia mexendo nas suas coisas sem permissão, então ele ir descobrir a roupa não era um problema.
— Mas então Senjurou, como foi vestir um uniforme de sailor? Usar uma saia é estranho? – Kyoujurou perguntou com uma estranha animação no olhar.
— Eh? – O mais novo corou e entrou em pânico. Como ele sabia? – D-do que está falando aniue? – Tentou desviar a conversa, mas percebeu que não ia dar certo, já que o mais velho estava com o braço muito perto, como se soubesse que tentaria fugir.
— Aqui. – Mostrou o celular e nela tinha uma foto de Senjurou com o uniforme.
O Rengoku mais novo só queria morrer agora.
— Q-quem te mandou isso? Onde conseguiu essa foto? – Ele tentou tirar o aparelho da mão do irmão, mas Kyoujurou não deixou, erguendo o celular o mais alto que podia, e sendo Senjurou baixo, nunca conseguiria pegar.
— Bem, eu consegui do Tomioka, que conseguiu do Sabito, que por sua vez recebeu as fotos da irmã dela que é sua colega, Makomo se não me engano. – Ele disse olhando para cima ao tentar lembrar o nome da menina.
“Eu vou esganar a Makomo na segunda”— Foi o que o mais novo pensou ao fechar a cara levemente irritado, mas depois voltou a vergonha.
— Eu nem ao menos percebi quando ela tirou essa foto... – Acabou por comentar baixinho, mas seu irmão ouviu.
— Bom, ela tirou mais fotos na verdade, quer ver? – Kyoujurou o puxou para sentar perto de si, quase em seu colo, e foi passando as fotos, arrastando com o dedo.
A cada nova foto o rosto de Senjurou ficava mais e mais vermelho e queria esconder a cara dentro da terra. Os ângulos eram baixos e claramente tirados de um lugar para serem discretos, mas isso só piorava sua situação, já que suas poses eram estranhas e pareciam ser propositais muitas das vezes a forma como Makomo havia tirado as fotos; dava até para ver sua cueca em algumas delas! Ah, Senjurou só queria sumir quando as fotos acabaram.
— Não precisa ficar envergonhado Senjurou, você estava uma gracinha. – Seu irmão tentou lhe consolar e lhe beijou o topo na cabeça, mas aquilo só o deixou pior.
— Aniue... – Disse com a voz chorosa e nervosa.
— Mas então.... – O mais velho lhe chamou a atenção depois de alguns segundos em silêncio. – O uniforme está dentro daquela sacola? Posso ver? – Ele disse apontando para a dita cuja.
Senjurou ia negar e tentar acabar com o assunto ali, mas o brilho no olhar de seu irmão, como se fosse um olhar de cachorro perdido, amoleceu seu coração; realmente era impossível negar as coisas á seu irmão. Pediu espaço para se levantar e foi até a porta fechada, a trancando antes de tudo – pois o medo de seu pai decidir entrar em seu quarto e o pegar com aquelas roupas era grande. Depois foi até a sacola e a pegou, olhando para seu irmão que o encarava com um sorriso no rosto e uma ura ansiosa.
— Hm...aniue, você poderia...sabe? – Desviou o olhar corado, não conseguia encarar seu irmão nos olhos.
— Oh, sim, desculpa. – Ele riu sem graça e tampou os olhos com as mãos.
Senjurou queria mesmo que ele ficasse de costas, além de que ele conseguia ver os dedos levemente espaçados e os grandes olhos de seu irmão o espiando. Sério, vê-lo se trocar era tão interessante assim? Suspirou derrotado e engoliu sua vergonha. Tirou as roupas de forma lenta e nervoso, deixando elas caírem no chão, ficando só de roupa íntima e tirou o uniforme da sacola. Tentou ignorar o olhar de seu irmão sob si, mas era difícil, além de muito vergonhoso. Depois de colocar a blusa, a saia e a gravata, se apoiou no armário atrás de si para colocar as meias – deixaria os sapatos de lado por não serem necessários. Respirou fundo e tentou abaixar a maldita saia curta.
— J-já pode olhar anieu... – Ele não conseguia olhar para frente tamanha sua vergonha. Queria pular a janela e sair correndo.
Seu irmão abaixou as mãos e as colocou sob o colo, lhe analisando com bastante seriedade, tanto que seu sorriso murchou, mas sua feição era neutra. Sentia que o olhar de seu irmão lhe queimava e todo aquele silêncio estava o sufocando. Kyoujurou se levantou e andou até ficar na sua frente, mas não teve coragem de encará-lo nos olhos, então ficou olhando para seus pés. Os dois não falaram ou fizeram algo durante algum tempo, mas então Kyoujurou levou sua mão até o queixo do menor e o ergueu gentilmente, o fazendo olhar para o mais velho, que tinha um sorriso bobo e as bochechas estavam vermelhas. Puxou o rosto infantil em sua direção e depositou um beijo doce em sua testa, seguindo pela têmpora até a bochecha e depois até o pescoço, quando o abraçou fortemente pelos quadris, assustando Senjurou pela firmeza do aperto.
— Você está a coisa mais linda e adorável do mundo vestido assim irmãozinho. É demais para meu coração. – A voz de Kyoujurou saiu abafada por estar com o rosto na curvatura entre o pescoço e ombro do menor, que sentiu um arrepio pelo hálito quente do outro em sua pele.
— O-obrigado...? – Disse sem jeito e dando tapinhas nas costas de seu irmão, que do nada o soltou e o segurou pelos braços, lhe dando um susto.
— A roupa é ótima e muito fiel ao modelo real, mas a saia está muito curta. – Disse e segurou nas laterais da mesma, a levantando levemente e depois a abaixando o máximo que podia sem que rasgasse ou a fizesse descer pelas pernas do irmão.
— F-foi uma coisa das meninas – Falou depois do primeiro choque. Seu irmão estava estranho.
— E essas meias até as coxas...são muito sensuais, isso foi claramente proposital. – Falou enfiando as mãos dentro das meias negras compridas do irmão, segurando em suas magras coxas.
— A-Aniue! – Senjurou disse chocado pela ação do irmão, mas também envergonhado por estar sendo tocado daquela forma.
— Mas está parecendo muito uma personagem de anime shoujo...ah sim. – Kyoujurou deu um pulo, como se tivesse tido uma grande ideia.
Tirou as mãos de dentro das meias do irmão e levou até o rabo de cavalo do mesmo, tirando o elástico que prendia os loiros fios, depois levou até o seu próprio e pegou o seu elástico, fazendo com que ambos ficassem com os cabelos soltos – apesar de que Kyoujurou sempre com os cabelos soltos e fazia apenas um pequeno rabo de cavalo com alguns fios, diferente de Senjurou que prendia tudo. Antes que o menor questionasse o outro, Kyoujurou começou a separar seu cabelo no meio e rapidamente fez um par de altas marias-chiquinhas em Senjurou, e antes que ele sequer pensasse, dobrou as curtas mangas para que ficassem semelhantes a regatas. Depois se afastou e pegou o celular, abrindo na câmera e olhando para o irmão atônito.
— Certo Senjurou, agora você faz a pose da Usagi e diz o bordão dela. – Disse fazendo um joinha com a mão e então começou a gravar.
— Eh? P-pera, aniue – Senjurou tentou falar, mas seu irmão o apressava. Apenas apertou os olhos derrotado e, com muita vergonha, fez a pose da Usagi de Sailor Moon.
— S-sou Sailor Moon... – Ele começou a gaguejar de tanta vergonha, mas Kyoujurou o incentivava a continuar. – E p-punirei você em nome da Lua.
— Ótimo, perfeito. Ficou incrível Senjurou, obrigado. – Kyoujurou comemorou e abraçou o irmão.
— A-aniue. – As bochechas do mais novo podiam ainda estar vermelhas, mas ele sorriu divertido com a animação de seu irmão.
Por insistência de Kyoujurou, Senjurou acabou for ficar usando aquela roupa por mais algum tempo, e só tirou quando já era noite e foram para a cozinha preparar a janta. Senjurou pediu para que Kyoujurou não mostrasse os vídeos e fotos que tinha de si naquelas vestes, mas ele disse que o menino não precisava se preocupar com isso, que ele não iria mostrar a ninguém até mesmo pediu para que Tomioka e Sabito apagassem as fotos que tinham nos celulares dos mesmos. Senjurou suspirou aliviado; só faltava se acertar com Makomo na segunda, mas isso não era problema, ele agora iria aproveitar o tempo com seu irmão antes que ele voltasse para sua casa ou brigasse com o pai de ambos. O que o menino achou estranho foi que seu irmão pediu para ficar com o uniforme sailor com ele; apesar de estranhar o pedido, não negou, já que não tinha mais coragem de encarar aquelas roupas novamente, apenas se perguntava o que seu irmão queria com elas. Mas bem, isso seria assunto para outro momento.
E enquanto Senjurou auxiliava seu irmão na preparação de um prato, Kyoujurou olhava para o rosto sorridente de seu irmão; era bom ter voltado para casa só para ver aquele precioso e belo sorriso de seu amado Senjurou. “Mesmo sem você me pedir, eu nunca deixaria que outra pessoa visse você vestido de sailor Senjurou. Ninguém tem permissão para colocar os olhos em algo tão belo quanto suas fotos de marinheiro.”— Kyoujurou pensou, mas não disse em voz alta para que a frase não ficasse estranha ou possessiva demais.
Mas tinha de admitir, Senjurou ficava uma gracinha no uniforme sailor, e gostaria de vê-lo vestido assim em outras ocasiões futuras, e já imaginava como elas iriam acabar.
Notas finais
E pensem num esforço que fiz pra não levar essa história prum caminho mais..."podre" (se é que vocês me entendem).
Quero agradecer novamente á Ayaline pela capa lindíssima ❤
Espero que tenham gostado da história =^.^=
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