Unidos pelo futuro
6 Capítulo 6
Notas iniciais
— Sakura – Sasuke chamou, colocando uma das mãos sobre o ombro da garota a despertando de seu estupor. Ela olhou para trás e seus olhos encontraram os de Sasuke. – A ambulância está a caminho. Eu preciso que me faça um favor. – ele disse e estendeu a mão, entregando uma arma de choque para Sakura.
— O que você quer que eu faça com isso? – ela perguntou incerta, olhando com receio para a arma em sua mão. Não absorvera uma palavra do que Sasuke dissera ao telefone, só conseguia olhar para a garota inconsciente no chão.
— Eu e Naruto vamos vasculhar o prédio, procurar qualquer sinal do suspeito. Você fica aqui e toma conta da garota. Se uma pessoa, que não for eu ou o Naruto, aparecer, atire nela com a arma de choque – Sasuke respondeu com seriedade. – Além da ambulância, meu chefe e outros policiais estarão vindo para cá, então não precisa ter medo – Sasuke acrescentou ao ver o olhar apavorado de Sakura.
— Eu vou fazer o meu melhor – Sakura respondeu, mas sentia a mão tremer enquanto segurava a arma.
Sasuke e Naruto saíram do cômodo de maneira silenciosa. Quando Sakura se viu sozinha, o medo borbulhou em seu interior, então começou a andar de um lado para o outro, tentando manter-se calma. Desejava ajuda-los a pegar o assassino, mas ali, sozinha com uma garota a beira da morte, se perguntava se teria ido longe demais.
Seu pé esbarrou em alguma coisa enquanto andava, fazendo seu coração bater desenfreado, mas pela claridade que entrava pelo buraco que viria a ser uma janela, era apenas a lanterna que Sasuke emprestara mais cedo. Com cuidado, guardou a arma no bolso e pegou a lanterna.
Sem saber o que fazer, Sakura se encaminhou para a janela, ansiando por um ar fresco. O céu agora estava totalmente escuro, apenas a luz da lua iluminava as ruas abandonadas do distrito. Sakura acendeu a lanterna e começou a apontar o feixe de luz para vários lugares diferentes, tentando matar o tempo, atenta a qualquer barulho de sirene. Depois de alguns minutos, iluminou a janela do prédio a sua frente e o que viu, fez seu coração disparar.
Um homem, trajando um moletom preto, boné cobrindo os cabelos e uma mascara hospitalar, exatamente do jeito que o fantasma de Tenten descrevera, observava Sakura. Há quanto tempo ele estava ali, observando-a da janela do outro prédio, ela jamais poderia dizer. Por mais que a mascara cobrisse seu rosto, Sakura tinha certeza que ele estava sorrindo.
Ele acenou com a mão coberta por uma luva de látex e se enfiou na penumbra, escondendo-se de Sakura e da claridade. A vidente soltou a lanterna na mesma hora em que um grito agudo e apavorado escapou de sua boca e a sirene da ambulância pode ser ouvida a distância. Não demorou quase nada para que Sasuke chegasse ao quarto, a arma em punho.
— SAKURA! Você está bem? – Sasuke perguntou preocupado enquanto observava todo o cômodo a procura do motivo pelo qual Sakura gritara. Sakura tremia, mas a voz que produzira o grito parecia não existir mais.
Naruto irrompeu logo em seguida no quarto, a arma também em punho, parecendo ofegante.
— Sakura-chan, o que aconteceu? – Naruto perguntou ofegante.
— O Psicopata Silencioso estava bem no outro prédio – Sakura disse recuperando a voz. Ao longe, o barulho da sirene parecia aumentar gradativamente.
— A ambulância está chegando. Kakashi não deve demorar a chegar também, quando os policiais chegarem, vamos procurar por ele – Sasuke garantiu lançando um olhar preocupado a Sakura, que tremia da cabeça aos pés. – Ele viu você?
— Acho que sim... eu estava com a lanterna na janela e a lua esta bem forte hoje. Ele pode não ter visto meu rosto todo, mas uma parte eu acho que viu sim – Sakura informou com a voz trêmula, sentindo o medo a corroer por dentro.
O barulho da sirene estava mais alto, indicando que a ambulância estava quase chegando. Em um impulso, Sasuke se aproximou de Sakura e a abraçou apertado.
— Sasuke, o que você está fazendo? – Naruto perguntou abismado. Não conseguia acreditar que Sasuke estava realmente ali, abraçando Sakura.
— Não se preocupe – Sasuke disse enquanto embalava Sakura em seus braços. Ignorou completamente o olhar chocado de Naruto. – Eu vou te proteger, ele não vai conseguir chegar até você.
— Obrigada – Sakura sussurrou. O medo se dissipara no momento em que Sasuke a abraçara. Agora sentia o rosto pegar fogo e o coração disparar. – A-Acho melhor vocês irem indicar o caminho para os paramédicos.
— É verdade – Sasuke concordou e soltou rapidamente a vidente. Agradeceu pelo cômodo escuro, pois tinha certeza que estava corado. – Nós já voltamos.
Em questão de instantes, Sasuke e Naruto voltaram com a equipe de paramédicos. Eles fizeram os procedimentos e logo a garota estava sendo carregada para a ambulância em uma maca.
— Eu vou esperar o Kakashi lá embaixo – Naruto disse e lançou um olhar significativo a Sasuke antes de sair porta afora.
— O que foi... – Sakura começou, mas Sasuke a puxou pelo braço para o mais longe possível da porta. – O que você está fazendo?
— Em alguns instantes meu chefe vai passar por aquela porta e vai te interrogar. Ele vai te perguntar por que você estava com a gente, como você sabia que o assassino atacaria hoje. Preciso que você diga exatamente o que eu disser – Sasuke explicou com seriedade, encarando os olhos verdes de Sakura.
— E o que exatamente você quer que eu faça? Que eu minta? – Sakura perguntou preocupada. Não entendia muito bem essas coisas, mais tinha certeza que mentir para a policia poderia trazer sérias consequências.
— Tecnicamente, não será uma mentira. Você só vai omitir certas partes – Sasuke disse enquanto coçava o queixo, pensando no que ela deveria dizer.
— Tudo bem, eu omito que tive uma visão. Mas como vou explicar que eu sabia exatamente onde a garota estava? – Sakura perguntou ansiosa, olhando Sasuke franzir o cenho em preocupação. – Aqui não é exatamente o melhor lugar para um passeio no cair da noite. E um monte de gente me viu na delegacia pouco antes de virmos pra cá.
— Denúncia anônima. Você recebeu uma denúncia anônima – Sasuke disse de supetão. Era a única opção que conseguira pensar.
— Por que alguém denunciaria isso para mim? – Sakura perguntou curiosa, não achava que aquela desculpa fosse dar certo.
— Por várias razões. Para não se mos... É ISSO! – Sasuke berrou fazendo Sakura pular assustada. – Uma armadilha para você. Alguém queria que o Psicopata Silencioso te pegasse e deu a pista, mas você não foi sozinha, você nos chamou. É isso.
— Tem certeza que vai dar certo? – Sakura perguntou incerta e ouviu o barulho de vozes e passos.
— Confie em mim – Sasuke disse e se afastou de Sakura.
Um homem de cabelo grisalho e cicatriz no olho esquerdo entrou na sala. Atrás dele vinha Naruto, o cara da sobrancelha grossa e outro de olhos perolados e cabelo castanho comprido.
— Você é a testemunha? – o homem de cabelo grisalho perguntou. Sakura julgou que ele deveria ser Kakashi.
— Sim – ela respondeu incerta, lançando um olhar de soslaio para Sasuke, que evitou o olhar de Sakura.
— Você não estava na delegacia? – o cara da sobrancelha grossa, que Sakura lembrou-se que se chamava Lee, perguntou interessado.
— Eu fui informar o Sasuke e Naruto sobre um telefonema que recebi – Sakura respondeu com a voz trêmula. As costas de Kakashi, Naruto franziu o cenho em confusão.
— Telefonema? Você recebeu um telefonema? – Kakashi perguntou enquanto anotava o que Sakura dizia em um bloco.
— Sakura recebeu um telefonema dando informações sobre o assassino e onde ele estaria. Eu e Naruto achamos que poderia ser uma armadilha e viemos com ela até aqui – Sasuke se intrometeu, sentindo um certo nervosismo.
— Achamos? – Naruto perguntou confuso, mas logo ele pareceu entender o que estava acontecendo e xingou baixinho. – É claro que achamos, isso foi muito suspeito.
— Acharam é? – o rapaz de cabelo comprido perguntou arqueando as sobrancelhas. – Me parece suspeito a testemunha ter corrido ao encontro de vocês dois.
— É porque somos amigos. E o Sasuke-kun é meu vizinho – Sakura disse na voz mais inocente que conseguiu. – Eu fiquei assustada e procurei os dois, eles vieram comigo e nós encontramos a garota e depois eu vi o assassino e ai...
— Você viu o assassino? Como ele era? – Kakashi perguntou escrevendo febrilmente no bloco.
— Na verdade, ele que me viu. Eu vi de relance. Blusa de moletom preta, boné também preto e mascara hospitalar foram as únicas coisas que consegui identificar – Sakura disse enquanto contava nos dedos os itens. – E ele estava usando luvas de látex.
— Onde você o viu? Aqui no prédio? – Lee perguntou.
— Não, ele estava no prédio da frente – Sakura seguiu até a janela e apontou para a janela. – Bem ali, parado me olhando.
— Neji, Lee, vocês dois e os policiais que estão lá embaixo irão fazer uma varredura pelo distrito. Duvido que ele ainda esteja por aqui, mas temos que tentar. E quanto a vocês – Kakashi se virou na direção de Sakura e dos dois policiais. – Nós vamos decidir a segurança da testemunha.
Sakura observou os dois policiais saírem do local sentindo o alivio invadir seu corpo. Não acreditava que realmente mentira para a policia e eles acreditaram naquela desculpa esfarrapada. Não ousava olhar na direção de Sasuke, com medo de que a mentira fosse descoberta.
— Então... o que vocês sugerem? – Kakashi perguntou enquanto andava pelo local observando a cena. Demorou algum tempo analisando as palavras escritas com sangue.
— Eu estive pensando em cuidar da segurança de Sakura – Sasuke se prontificou, ignorando a expressão de descrença na cara de Naruto. – Sou seu vizinho, posso ficar de olho em tudo.
— O que você está dizendo? – Sakura sussurrou aparvalhada, mas Sasuke fez sinal para que ela se calasse.
— Tudo bem então, já que você se voluntariou. Naruto, você vai ficar a frente da investigação. Sasuke cuidara da testemunha – Kakashi disse e olhou direto para Sasuke. – Não quero outra morte, então não deixe nada acontecer com ela.
— Sim senhor – Sasuke disse com seriedade. – Protegerei a testemunha.
— Você pode ir embora então. Leve-a com você. Vamos começar a investigação, Naruto – Kakashi falou.
Sakura e Sasuke saíram do prédio. A vidente não conseguia encontrar palavras para se expressar, por isso ficou o caminho todo em silêncio. Sasuke tampouco parecia estar no clima para conversa. Dirigiu por todo o caminho de semblante fechado.
— Bem, obrigada pela carona... – Sakura disse sem jeito enquanto abria a porta do carro. Tinham chegado em sua casa e ela queria se livrar da presença carrancuda de Sasuke. Saiu do carro e estava prestes a fechar a porta, quando achou melhor dizer mais alguma coisa. – Depois nós conversamos melhor sobre essa tal segurança a testemunha.
— Podemos conversar agora, uma vez que vou ficar na sua casa – Sasuke disse e saiu do carro também. Apertou um botão e o alarme foi ligado.
— Ficar na minha casa? – Sakura perguntou chocada. Como assim Sasuke estava se convidando para ficar em sua casa? Será que ele achava que ela era desse tipo?
— É mais fácil do que montar guarda no carro – Sasuke disse e empurrou o portão, que estava aberto. – Você vai ter que passar a fechar esse portão, para sua própria segurança.
Sem entender direito o que estava acontecendo, Sakura fechou o portão as suas costas, subiu as escadas e entrou em casa, sendo seguida de perto por Sasuke, que já foi logo tirando os sapatos e deitando-se no sofá.
— Você vai ficar aqui mesmo? – Sakura perguntou incrédula. Não conseguia parar de encarar Sasuke jogado em seu sofá.
— Eu não posso ficar em casa e o carro é desconfortável. Você é minha amiga, nada melhor do que eu ficar na sua casa – Sasuke disse despreocupado. Ele olhou para Sakura e sorriu de lado. – Eu gostaria de tomar um banho.
— Segunda porta a direita no corredor. Tem toalha no armário – Sakura informou perplexa. Observou Sasuke se afastar e sentou-se no sofá.
Como sua vida chegara nesse ponto? Ela se perguntou. Num segundo estava conversando com seu amigo fantasma e no outro era uma testemunha protegida com um amigo policial morando em sua casa sem convite.
A imagem do homem no outro prédio, encarando-a e acenando, voltou a sua mente com a rapidez de um relâmpago, fazendo seu sangue gelar. Correu até a janela e observou com receio a rua, esperando vê-lo ali de pé, olhando-a. Apesar de não ter ninguém na rua, passou algum tempo ali, observando cada movimento. Sentiu-se instantaneamente aliviada por saber que Sasuke estava ali.
— Você tem alguma roupa masculina? – Sasuke perguntou surgindo de repente na sala. Sakura pulou e se afastou da janela. Sasuke estava bem na sua frente, uma toalha azul escuro enrolada na cintura, porém o peitoral completamente nu. Gotas de água pingavam de seu cabelo, passavam pelo peitoral, desciam pelos músculos torneados da barriga até chegar na barra da toalha. Sakura não conseguia desgrudar os olhos daquela visão. – Sakura, você está bem? Está tendo uma visão?
A menção de Sasuke se aproximar mais fez a vidente despertar. Ela saltou para longe de Sasuke e evitou de qualquer maneira encarar aquela barriga definida, sentindo o coração bater descontroladamente por aquela mera visão.
— Eu estou ótima! – Sakura respondeu com a voz esganiçada. – Eu ainda tenho algumas roupas por aqui, vou olhar para você.
Sakura saiu da sala como um trovão, evitando olhar para Sasuke. Procurou onde havia deixado a caixa com as roupas masculinas e a encontrou guardada bem lá no fundo. Voltou para a sala e encontrou Sasuke sentado no sofá, ainda seminu. Obrigou-se a não encara-lo e empurrou a caixa na direção de Sasuke.
— Talvez fique um tanto apertado, meu ex-namorado era um pouco menor e mais magro que você – Sakura disse desconcertada.
— Acho que vai dar – Sasuke disse e se levantou. Antes de desamarrar a toalha, ele olhou para Sakura e sorriu de lado. – Você não está querendo ver o resto, né?
— Eu não! – Sakura negou com convicção, sentindo as bochechas corarem. – Tenha uma boa noite! – ela disse de forma mais selvagem do que pretendia e saiu da sala a passos rápidos.
Trancou a porta do quarto, sentindo o rosto arder. Colou a bochecha na parede gelada, tentando esfriar o rosto e desacelerar as batidas do seu coração. Por que ele tinha que andar seminu pela casa? E por que tinha que ser tão bonito?
Como sobreviveria a todos esses dias com Sasuke? Era a pergunta que não saia da cabeça de Sakura quando ela se jogou na cama, sentindo o cansaço a invadir. Estava ferrada.
— Está me dizendo que agora você é testemunha protegida pela policia? – Hinata perguntou em um sussurro e quando Sakura confirmou, ela tampou a boca com as mãos.
— É por isso que estou desmarcando as consultas por enquanto. Imagina como vai ser tentar ter visões da vida dos outros com Sasuke bafejando no meu pescoço – Sakura disse sentindo-se cansada. O alivio que sentira na noite passada fora substituído pela preocupação de Sasuke arruinar seus negócios.
— Por falar nisso, onde ele está? – Hinata perguntou olhando a sala de espera vazia.
— Eu saí de casa enquanto ele estava dormindo. Provavelmente serei morta assim que ele chegar aqui, mas não tenho certeza se ele me deixaria desmarcar as consultas – Sakura respondeu e soltou um pesado suspiro. No instante seguinte, o sino da porta tocou e um homem adentrou o estabelecimento.
O cabelo loiro desbotado espetava para os lados, a pele era pálida mas com aspecto doentio, como se ele não tomasse sol há muito tempo. Os olhos eram castanho-avermelhados e tinham um brilho que dava calafrios em Sakura. Ele sorriu e se aproximou do balcão.
— Eu vim marcar uma consulta com a vidente Haruno Sakura – ele informou. Sua voz era rouca e alguma coisa no jeito que ele sorria incomodava Sakura.
— Eu sou Haruno Sakura – Sakura disse e sorriu. – Mas não estou fazendo consultas hoje. Você pode já deixar reservado com a Hinata e assim que eu puder o atenderei.
— Qual é o seu nome? – Hinata perguntou educadamente, a caneta em mãos, pronta para marcar a consulta.
— Eu acho melhor voltar outro dia – o rapaz disse e seu sorriso aumentou. – Até depois.
Na hora em que o rapaz estava saindo, Sasuke entrou pela porta e sem querer esbarrou nele. Por uma fração de segundos, o cabelo loiro balançou e Sakura pode ver um cabelo mais escuro por baixo do loiro. Ele usava peruca? Sakura perguntou a si mesma, mas não teve tempo de ponderar sobre isso, pois Sasuke estava em sua frente, parecendo extremamente mal humorado.
— É muito bom saber que eu sou designado para te proteger e você simplesmente me ignora e sai de casa sozinha! – Sasuke ralhou. Estava tão irritado porque acordara e Sakura não estava mais lá, que nem tomara um café decente antes de sair em sua procura.
— Eu precisava ajeitar as minhas coisas sem ter você andando atrás de mim vinte e quatro horas por dia – Sakura respondeu irritada. Por que ele tinha que chegar brigando?
— Pois fique você sabendo que não vou desgrudar de você um instante, nem que pra isso eu tenha que montar guarda do lado de fora do seu quarto ou dormir na mesma cama que você – Sasuke disse em tom ameaçador, olhando feio para a vidente, a desafiando a enfrenta-lo.
— Acho melhor vocês discutirem isso em outro lugar – Hinata disse enquanto discava um número. Era evidente o esforço que ela fazia para não rir.
— Tudo bem. Cuide das coisas por mim Hina-chan – Sakura pediu e saiu desembestada, sendo seguida de perto por Sasuke.
— Para onde nós vamos? – Sasuke perguntou seco quando chegaram no carro.
— Bom, eu tenho o lugar perfeito para irmos – Sakura disse com um tom de mistério. – Então, quem vai dirigir sou eu! – E tomando as chaves da mão de Sasuke, ela entrou no lado do motorista e fez sinal para que Sasuke entrasse. A contragosto, Sasuke cedeu e sentou-se no banco do carona. Não queria nem imaginar onde ela o levaria.
— Um parque de diversões? Quantos anos você tem? – Sasuke perguntou incrédulo, olhando feio para o parque a sua frente.
Apesar de ser no meio da semana, o parque estava apinhado de pessoas. Mães com seus filhos brincavam nas barraquinhas, carrosséis, carrinhos. Um grupo de adolescentes ria alto na fila da montanha-russa, enquanto as pessoas gritavam nas curvas e descidas. A luz da roda-gigante piscava fracamente, ofuscada pela luz do sol, mas casais se deliciavam com a vista que ela os proporcionava. Porém, o que mais chamou a atenção de Sasuke, foi o cheiro da comida: algodão doce, pipoca, cachorro-quente, amendoim. Seu estômago sem café rugiu por qualquer um daqueles itens.
— Eu estou faminto – ele disse e se encaminhou para uma das barracas de comida. Sakura segurou seu braço, o impedindo de continuar. – O que você está fazendo?
— Você não vai se entupir de comida. Não até nós termos andado em todos os brinquedos que possam te fazer vomitar. – ela disse de forma taxativa, puxando Sasuke para a fila da montanha-russa. – Esse dia vai ser inesquecível.
Eles esperaram alguns minutos na fila, e logo se encontravam embarcados nos carrinhos da montanha-russa. Sakura gritava e levantava os braços do lado de Sasuke, mas ele só conseguia ficar tenso no assento. Quem inventara aquele brinquedo do demônio? Sasuke perguntou a si mesmo. Tinha certeza que deixara a alma em uma das curvas daquele brinquedo infernal.
Depois do brinquedo infernal, Sakura parecia querer experimentar todos os brinquedos perigosos dali. Até o momento Sasuke sabia que ele fora: colocado de cabeça para baixo, sacolejado, colocado outra vez de cabeça para baixo, rodopiado, arremessado e colocado mais um pouco de cabeça para baixo.
No momento em que Sakura anunciara que agora eles poderiam comer Sasuke já não se sentia confiante de que ainda possuía o estômago.
— Eu vou querer batata frita grande, com dois cachorros-quentes, uma maçã do amor, um pacote de pipoca e refrigerante – Sakura pediu e olhou para Sasuke. – O que você vai querer?
— Isso tudo não é pra nós dois? – Sasuke perguntou assustado, observando a moça empilhar tudo em uma bandeja.
— É claro que não, você tem que escolher o seu – Sakura disse como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. Seus olhos se iluminaram e ela abriu um grande sorriso. – Eu vou querer dois daqueles – Sakura disse apontando para os arquinhos de orelhas peludinhas de gato. – Um rosa e um preto.
— Pra que você quer isso? – Sasuke perguntou curioso, observando a moça pegar o que ela pediu. – Eu vou querer batata, refrigerante e cachorro-quente, por favor.
— É pra fazer isso – Sakura disse colocando o arquinho de orelhas rosa na cabeça. Ficou nas pontas dos pés e colocou o de orelhas pretas em Sasuke. – Você ficou uma graça – ela disse e começou a rir.
— Eu imagino. – Sasuke disse e fez menção de tirar, mas Sakura o impediu.
— Não, você tem que ficar com o arquinho. É a regra – Sakura disse fazendo beicinho. Pegou sua bandeja e seguiu para uma das mesas desocupadas.
— Regra – Sasuke disse em um muxoxo irritado, mas seguiu Sakura, sentando-se a mesa com ela. Agora que estava prestando atenção, ela ficava realmente fofa com aquelas orelhas na cabeça. Mas nada fofa enquanto comia tudo aquilo.
Sasuke se pegou pensando o tempo inteiro como um ser tão pequeno conseguia comer tanta coisa sem passar mal. Ela comia a batata, mordia o cachorro-quente, bebia o refrigerante... assustador.
— Você está satisfeita ou quer comer mais alguma coisa? – Sasuke perguntou com ironia.
— Eu bem que poderia comer um algodão doce ou alguma outra coisa, mas quero aproveitar um pouco mais do parque – ela disse sorridente. Nem percebera o tom de ironia na voz de Sasuke. – Vamos passear pelas barracas.
Ela levantou e segurou o braço de Sasuke, puxando-o pela multidão. Aos olhos de Sasuke, ela parecia uma criança que crescera demais. Ela apontava para as coisas, ria, seus olhos brilhavam e de alguma maneira, despertava um sentimento muito bom no coração de Sasuke. Observa-la descontraída daquele jeito era caloroso e acalentador.
— Eu realmente queria ser boa de mira, porque assim eu iria conseguir algum bicho de pélucia – Sakura disse desanimada.
Só agora Sasuke notara que os dois estavam na frente de uma barraca de tiro ao alvo. A sua volta, vários rapazes tentavam ganhar as pelúcias para suas namoradas. Sorriu de lado e pensou consigo se aquele não seria o momento de se vangloriar de sua habilidade de mira.
— Qual bicho você quer? – Sasuke perguntou enquanto entregava o dinheiro para o rapaz. Ele o entregou uma arma de brinquedo.
— Eu quero aquele – Sakura disse apontando para um enorme urso panda.
— Você tem 10 tiros. Pra esse, você tem que acertar no mínimo 7 – o rapaz da barraca informou, sorrindo de lado. Ninguém nunca conseguia levar o urso panda.
— Tudo bem – Sasuke disse simplesmente. Pegou a arma e mirou rapidamente. Em questão de instantes, Sasuke acertou os 10 tiros, deixando todos de queixo caído. – O urso panda, por favor – ele pediu enquanto sorria presunçoso.
— O urso panda – o rapaz entregou o urso para Sakura. – E esse aqui é brinde por ter acertado tudo. – ele entregou para Sasuke um pequeno gatinho de pelúcia.
— Obrigada – Sakura agradeceu a Sasuke, sorrindo alegremente. – Acho que vou colocar o nome dele de Sasu-kun.
— Por quê? – Sasuke perguntou achando graça daquele nome.
— Porque você o ganhou para mim – ela disse simplesmente, ainda sorrindo de maneira alegre.
Ele e Sakura continuaram a andar pelo parque de diversões, indo ocasionalmente em alguma barraca ou brinquedo. Quando Sasuke se deu conta de que já estava escurecendo, ele também percebeu que fora o dia mais divertido da sua vida desde muito tempo.
— Você já quer ir embora? – Sasuke perguntou para Sakura, que estava sentada em uma cadeira olhando a sua volta.
— Pensei em ir lá antes de irmos – ela apontou para a roda-gigante, cujas luzes agora estavam fortes e coloriam o parque.
— Bom, já que fomos em praticamente todos, não faz mal ir em mais um – ele disse dando de ombros e os dois foram para a roda-gigante.
A vista lá de cima era maravilhosa, Sasuke teve de admitir. Dali, ele conseguia ver várias partes de Konoha, as luzes brilhando, os carros indo e vindo, o rio que cortava a cidade. Olhou para o lado e Sakura parecia tão deslumbrada quanto ele. Seus olhos verdes brilhavam e ali, com a luz colorida da roda-gigante, ela parecia ainda mais linda.
Sasuke sentiu o coração pular em seu peito ao observar Sakura. Ela olhou para o lado e sorriu de maneira radiante, fazendo seu coração disparar.
— Hoje o dia foi extremamente divertido. Nunca imaginei que você fosse ser um companheiro tão bom para o parque de diversões – Sakura disse divertida e sorriu de maneira triste. – Como eu sou filha única e não tenho um bom relacionamento com os meus pais, para mim sempre foi difícil aproveitar essas coisas. Obrigada por ter me acompanhado.
— Se é esse o problema, sempre que quiser fazer alguma coisa, me chame. Eu não hesitarei em te acompanhar – Sasuke disse seriamente, encarando Sakura com convicção.
— Sério? – ela perguntou corando um pouco. Seu coração perdeu um compasso quando ouviu Sasuke dizer aquilo tão seriamente.
Sasuke segurou a mão de Sakura e uniu o seu dedo mindinho com o dela. Ela o olhou confusa e ele sorriu de lado.
— É uma promessa de mindinho. Se eu quebra-la você vai ter todo o direito de cortar o meu mindinho – Sasuke disse sorrindo.
— Pode apostar que vou cortar mesmo – ela disse seria e depois sorriu.
Sasuke deitou no sofá de Sakura pensando no dia que tivera, o coração aquecido pelos bons sentimentos que o dia o proporcionara. Sentiu o celular vibrar em seu bolso e o pegou para ver o que era.
Um novo e-mail de um remetente desconhecido acabara de chegar. Sasuke o abriu e o que ele viu fez todos os bons sentimentos se dissiparem. No e-mail constava várias fotos de Sakura no parque de diversões. Ela na fila da montanha-russa, usando as orelhas rosa e colocando as pretas em Sasuke, comendo, carregando o urso panda, no carrossel, na fila da roda-gigante.
Bem no final da mensagem, uma pequena frase fez o estômago de Sasuke afundar: Ela é bem o meu tipo.
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