Um sonho esquisito embalava o sono de Sakura. O local estava cheio de prédios abandonados e lhe era familiar, mas no momento ela não conseguia se lembrar de onde era. O céu estava um azul arroxeado, indicando que era um típico final de tarde do inicio do inverno. Um barulho chegava até os ouvidos de Sakura, mas logo ela reparou que não era barulho e sim música. Seguiu lentamente na direção de onde a música vinha, um prédio que não fora terminada a construção. Parou pouco antes de entrar no prédio e ouviu atentamente a música. Aquilo era música clássica? A compreensão veio assim que ela se deu conta do que estava ouvindo. Precipitou-se para dentro do prédio e andou o mais rápido e silenciosamente que pode.

A música ficava mais alta a cada passo e agora, misturada a música, alguém parecia gritar e implorar. Uma luz fraca iluminava um cômodo mal acabado logo a sua esquerda e era de lá que a musica e os gritos vinham. Estava a dois passos de entrar no cômodo quando alguma coisa começou a vibrar. De onde vem esse barulho irritante?

Sakura abriu os olhos lentamente, que foram banhados pela luz fraca do sol, fazendo sua cabeça latejar de dor. A vibração insistente continuava e parecia vir de um celular. Olhou para o lado e viu Sasuke deitado, completamente imerso em seu sono, incapaz de acordar com a vibração insistente de seu celular.

— Atenda essa merda logo – Sakura grunhiu com a voz fraca e rouca por conta da garganta seca. Deitou-se novamente imaginando quando Sasuke atenderia o celular. Ele tinha o sono bem pesado. Espera... SASUKE?

Sakura abriu os olhos novamente e sentou-se bruscamente, sem ligar para a cabeça que latejou e rodou em protesto. Deitado bem do seu lado no sofá da sua casa, Uchiha Sasuke dormia a sono solto. Sem que pudesse se controlar, o grito de horror irrompeu da boca de Sakura e a mesma empurrou Sasuke para fora do sofá.

— Que porra foi essa? – Sasuke perguntou assustado e bravo, olhando Sakura cruzar os braços na frente do corpo. Massageou o joelho esquerdo, que na queda batera com força no chão. – É assim que você costuma acordar os outros?

— O que diabos você esta fazendo aqui? O que fez comigo? – Sakura perguntou em tom acusatório.

— O que eu fiz com você? Você deveria pensar bem no que você fez ontem! – Sasuke exclamou exasperado. Não bastava ter seu joelho machucado, também seria acusado de coisas que ele não fez?

— O que eu fiz ontem? Eu não fiz nada ontem – Sakura respondeu sem convicção. Estava começando a achar que alguma coisa realmente acontecera.

— Não fez nada. Então coloque essa cachola para funcionar – Sasuke bateu dois dedos na testa de Sakura e ela gemeu de dor quando a cabeça latejou. – E lembre-se de tudo que você fez ontem.

Sentindo as bochechas corarem, Sakura fechou os olhos e, ignorando a dor em sua cabeça, tentou se lembrar do que fizera. Estava lendo enquanto esperava chegar na hora que marcara com Hinata e Naruto, então ela ouviu gritos, e falou tudo aquilo com o pai de Sasuke, mas o que veio depois? Uma enxurrada de pensamentos invadiu a mente de Sakura.

“Sakura-chan, me faça uma previsão... Não se da conta dos sentimentos da Hina... Sai de cima de mim Karin... Tem um pedaço de papel higiênico preso na sua bota...Decupa, a lingua não robedece”.

— Meu Deus – Sakura disse com a voz fraca e trêmula abrindo os olhos. Não acreditava que agira daquele jeito e no final dormira na mesa de um bar! Mas se dormira lá, como veio parar em sua casa? – C-Como eu vim parar aqui?

— Como você veio parar aqui? Eu te carreguei nas costas! E você me joga do sofá – Sasuke respondeu indignado.

— E só por que você me carregou você imaginou que estaria tudo bem dormir comigo? Eu não sou esse tipo de mulher – Sakura respondeu na defensiva, ficando ainda mais corada.

— Só que foi você que me pediu para dormir com você – Sasuke respondeu com simplicidade, a raiva sendo substituída pela graça de ver Sakura envergonhada.

— Eu nunca pediria isso. Você nem faz meu tipo – ela sussurrou sem conseguir encarar o policial. A verdade é que o achava bem bonito.

— É, mas você pediu, mas não do jeito que está pensando – Sasuke respondeu mantendo a cara séria, rindo-se por dentro do embaraço da vidente. – Você disse algo sobre maus espíritos e pediu para eu ficar. Afinal, o que isso queria dizer?

Ao ouvir isso, Sakura se levantou de uma vez e olhou pela janela da sala. Não viu nenhum espírito ruim, mas por precaução, acendeu um incenso e aspirou o cheiro familiar, sentindo-se mais segura.

— Eu estou esperando uma resposta – Sasuke disse cruzando os braços enquanto observava a garota.

— Eu atraio maus espíritos. É a minha aura, eles sabem que eu posso vê-los e tentam me seguir para causar problemas e desastres na minha vida. O incenso os afasta – Sakura respondeu sentindo-se agitada. Por que nenhum deles apareceu essa noite? Ela não queimara o incenso, será que era a mera presença de Sasuke?

Sasuke não soube o que responder. Então era por isso que Sakura estava sempre rodeada por incensos? Para mantê-los afastados? De repente, Sasuke percebeu que sentia dó da garota que ele temera uma vez.

— De qualquer jeito, é melhor você ir embora – Sakura disse, recuperando-se rapidamente. – Seu telefone tocou algumas vezes, pode ser coisa do trabalho.

— Tudo bem, eu já estou indo – ele respondeu e abriu a porta da sala. Saiu na varanda cheia de flores e desceu as escadas até o portão.

— SASUKE! – Sakura gritou antes que ele saísse portão afora. Ele olhou para trás e a viu, parada entre as flores, as bochechas coradas – Obrigada. – Sakura correu para dentro logo depois, sentindo o rosto fumegar e o coração bater forte. Nunca chegou a ver o sorriso que o policial deu ao ouvir essa pequena palavra.

— Onde você esteve ontem à noite? – uma voz distante e sufocada perguntou, fazendo Sakura pular da cadeira onde estava sentada contemplando a bola de cristal a sua frente.

— Já disse para não surgir assim do nada, senão daqui a pouco eu vou ser uma fantasma também – Sakura respondeu e olhou feio para o fantasma pairando ao seu lado.

— Não fuja da pergunta, mocinha. Eu te procurei a noite toda, tenho certeza que está me traindo – ele disse e cruzou os braços, olhando feio para a vidente.

Sakura soltou uma risada e voltou a contemplar a bola de cristal.

— Eu sai para beber com uns amigos – ela respondeu observando a fumaça espiralar. Acabara de atender o último cliente e previra que ele conseguiria a vaga na empresa que desejava, mas sentia que alguma coisa estava errada.

— Você saiu para beber? Em quem você bateu dessa vez? – o fantasma perguntou preocupado. Já seguira a vidente para o bar e o que vira não fora nada divertido. O braço daquele cara jamais seria o mesmo.

— Eu não bati em ninguém. E daquela vez... bem, o cara mereceu – Sakura afirmou mais para si mesma do que para o fantasma, que flutuou para mais perto da mesa e encarou a bola de cristal a sua frente também.

— Sabe Sakura, quem sou eu para dizer alguma coisa, mas você sabe que isso ai não funciona né? Sabe que isso é só para dar mais credibilidade, certo? – ele perguntou apontando para a bola de cristal, fazendo Sakura sorrir.

— Eu sei. Porém, ver a fumaça ai dentro me dá um pouco de paz. Tenho realmente a sensação de que esqueci alguma coisa importante, mas não consigo me lembrar do que é – Sakura confessou e olhou para o fantasma. – O que eu faço?

— E eu lá sei? Mas tenho um super novidade para te contar – ele disse orgulhoso. Sakura o olhou, curiosa. – Não vou contar agora, não quero atrapalhar sua linha de raciocínio.

— Tem certeza? – Sakura perguntou. O fantasma sorriu e acenou com a cabeça. – Então me ajude a me lembrar.

— O que você quer fazer? Você não vai para a casa? Não demora muito para anoitecer – ele perguntou animado. – Vamos sair por ai desbravando o mundo até encontrar a resposta para minha bela donzela?

— Vamos fazer algo mais simples e depois vamos para casa – ela respondeu com um sorriso enigmático.

Cinco minutos depois, Sakura se encontrava na posição mais estranha que o fantasma já vira. Ela estava apoiada na parede, mas a cabeça e os braços estavam para baixo, apoiados em um cobertor dobrado no chão e os pés apoiados na parede, em direção ao teto.

— O que você está fazendo? – ele perguntou observando a vidente na estranha posição.

— Eu vi uma vez em uma revista que se você ficar nessa posição, o sangue vai descer para sua cabeça e te ajudara a pensar melhor – Sakura respondeu enquanto observava toda a sua sala de cabeça para baixo.

— Você acredita em cada coisa – ele respondeu balançando a cabeça, mas flutuou de cabeça para baixo do lado de Sakura. – É até divertido. O que fazemos agora?

— Agora a gente pensa – ela respondeu com simplicidade e o fantasma riu.

Durante todo o dia a sensação de que deixara escapar alguma coisa a incomodara. Mas o que ela tinha esquecido? Enquanto o sangue descia para sua cabeça, Sakura se esforçava para lembrar-se. Alguma coisa tinha acontecido.

— Será mais fácil para lembrar-se do que aconteceu se você tivesse pistas – o fantasma disse e flutuou para a frente de Sakura, ficando de cabeça para baixo para observa-la melhor. – Quando essa sensação começou?

— Não sei, talvez de manhã? Na hora do café? – Sakura perguntou a si mesma, concentrando-se no que houve de manhã. Será que era alguma coisa relativa a ter dormido com Sasuke?

— Então, o que aconteceu antes do café? – ele perguntou, olhando o rosto de Sakura avermelhado por causa da posição.

— Antes do café? – ela jamais diria para o fantasma que dormira com Sasuke, por mais que ela só tenha dormido mesmo. Dormir... essa palavra causava uma certa inquietação em seu peito. – Acho que tem alguma coisa a ver com dormir.

— Dormir? Será que teve algum pesadelo? – o fantasma perguntou brincalhão, mas foi o gatilho para Sakura se lembrar.

O sonho! O maldito sonho sobre o local de prédios abandonados. A música clássica, os gritos. Será que aquilo fora apenas um sonho? Ou uma visão? Mas Sakura não tinha visões quando dormia.

— Eu acho que posso ter previsto enquanto dormia – Sakura disse, sentindo um arrepio espalhar-se por seu corpo.

— Um sonho profético? – o fantasma perguntou interessado. – Você nunca fez isso antes, né?

— Não, nunca – Sakura admitiu e fechou os olhos, procurando na memória o sonho que tivera. Lembrou-se dos prédios abandonados, sabia que os conhecia, mas onde ficava? – Você sabe onde tem prédios abandonados por aqui?

— Bom, tem vários prédios abandonados por Konoha, mas aqui existe um distrito inteiro abandonado – ele respondeu pensativo, encarando a vidente. – Eu nunca fui lá, maus espíritos demais. Mas você deve conhecer, os fantasmas me disseram que um incêndio terrível destruiu grandes partes do lugar. Depois eles até tentaram reconstruir, mas tantos acidentes e coisas ruins aconteciam por lá que as pessoas desistiram e abandonaram. Ninguém em juízo perfeito entraria lá.

— Ninguém em juízo perfeito, hein – Sakura sussurrou. Lembrava-se bem da tragédia, tantas pessoas morreram, como não reconhecera aquele local em seu sonho? Com cuidado, Sakura saiu da posição em que se encontrava. – Eu tenho que ir a um lugar agora. Você pode esperar até eu voltar para me contar a sua grande novidade?

— Só se me prometer que não vai se enfiar naquele distrito – o fantasma disse preocupado. Aquele olhar era o mesmo que ela exibira quando lhe contara sobre o assassinato no parque.

— Eu não vou. Não sozinha pelo menos – Sakura respondeu e tirou o turbante e as vestes púrpura, revelando a calça jeans e a blusa de malha que usava por baixo.

— O que quer dizer com não vai sozinha? – o fantasma perguntou preocupado, observando Sakura vestir o casaco bege.

— Eu volto mais tarde – e sem responder a pergunta do fantasma, Sakura saiu porta afora.

— O que me resta é esperar então? – ele perguntou para o cômodo vazio. Nem pode contar a Sakura que se lembrara de seu nome.

A delegacia a sua frente estava calma, o que deu uma pequena sensação de alivio a Sakura. Talvez ainda nada tivesse acontecido. Respirou fundo e entrou na delegacia, dando de cara com o cara sobrancelhudo e de cabelo de cuia que ela vira na floresta.

— Posso ajudar? – ele perguntou gentilmente. Estendeu a mão de modo simpático na direção da garota. – Meu nome é Rock Lee.

— Ah sim, eu sou Haruno Sakura – ela informou e apertou a mão de Lee. – Eu estou procurando o investigador Uchiha Sasuke.

— Eu posso saber do que se trata? – Lee perguntou arqueando as grossas sobrancelhas. Por aquela linda garota de cabelo rosa gostaria de falar com o Sasuke?

— É um tanto particular – Sakura respondeu vagamente, sem querer envolver outras pessoas na história.

— Particular? – pobre moça, Lee pensou consigo, será que Sasuke a engravidara e partira? – Seguindo o corredor é a última porta a direita.

— Obrigada – Sakura agradeceu e se afastou, achando engraçado o olhar de dó que Lee lhe lançava. Será que Sasuke tinha má fama?

A porta estava fechada e Sakura bateu três vezes e esperou ansiosamente. logo o barulho de cadeira arrastando e passos chegou aos ouvidos de Sakura. A porta foi aberta e Naruto a encarou confuso.

— Sakura-chan, o que você está fazendo aqui? – ele perguntou intrigado.

— Eu vim... ver o Sasuke – Sakura cascateou, esticando-se para olhar por cima dos ombros de Naruto. – Ele está?

— Vocês estão saindo? – Naruto perguntou curioso, abrindo um grande sorriso. – Não vai me dizer que depois de ontem vocês dormiram juntos?

— Não é nada disso! – Sakura respondeu rapidamente, sentindo o rosto corar. – Eu preciso falar com ele.É urgente

— Entre, ele está lendo alguns relatórios – Naruto respondeu e deu passagem para Sakura.

Sasuke estava sentado a uma das mesas, que estava abarrotada de papéis. Uma xícara de café fumegava em cima de uma pilha de papéis, e uma rosquinha comida pelas metades estava em uma das mãos do policial. Quando seus olhos encontraram os de Sakura, ele soltou a rosquinha no mesmo instante e se levantou rapidamente.

— Sakura, aconteceu alguma coisa? – ele perguntou preocupado e de repente notou como sua mesa estava bagunçada. Indicou para Sakura que ela poderia sentar-se na cadeira a frente e começou a juntar os papéis rapidamente.

— Bem, sim. Eu passei o dia inteiro com uma sensação esquisita de que tinha esquecido algo e então, depois de refletir bastante e conversar com um amigo meu, que é fantasma, me lembrei de algo que aconteceu essa manhã – Sakura disse cruzando as mãos sobre o colo com nervosismo.

— Algo que aconteceu essa manhã? – Naruto perguntou intrigado. Trazia em suas mãos outra xícara de café e tomou um gole rapidamente.

— O que você quer dizer com isso? – Sasuke indagou sobressaltado. Naruto iria enchê-lo até o fim dos tempos se sonhasse que Sasuke dormira na casa de Sakura.

— Nada aconteceu essa manhã. – Sakura disse e suspirou cansada. Por que Sasuke estava agindo como um idiota? – Eu tive um sonho, bom, eu achei que fosse um sonho a principio, mas depois que eu me lembrei, eu percebi que tive uma visão durante o sono.

— Você é capaz disso? – Naruto perguntou assombrado.

— Não. Não era pelo menos – Sakura respondeu dando de ombros. – O negócio é que minha visão foi sobre o Psicopata Silencioso.

Naruto retesou ao ouvir o que Sakura dissera. Desde quando ela vinha discutir sobre um assassino?

— Sakura-chan... – Naruto começou, mas Sasuke ergueu a mão para cala-lo.

— Você tem certeza que era ele? – Sasuke perguntou seriamente, encarando Sakura.

— Eu não o vi, mas sei que era ele, é minha intuição dizendo. E estava tocando música clássica – Sakura informou, retribuindo o olhar de Sasuke com vigor.

— O que música clássica tem a ver com essa história? – Naruto questionou intrigado. Os dois sabiam de algo que ele ignorara?

— Você não contou pra ele? – ao ver o olhar de culpa de Sasuke, Sakura exaltou-se. – Pelo amor de Deus, ele é seu parceiro!

— Não me contou o que? – Naruto perguntou olhando feio para Sasuke. Agora tinha certeza que ele estava por fora de alguma coisa.

— Eu pedi a ajuda de Sakura – Sasuke informou com desgosto.

Naruto franziu o cenho. Pediu a ajuda de Sakura? O que Sasuke quis dizer com isso? Será que ele... não, ele jamais teria coragem de pedir isso, ou será que não?

— Sasuke, você envolveu uma civil no caso? – Naruto vociferou para Sasuke, que desviou o olhar e se concentrou na rosquinha parcialmente comida. – Você perdeu o juízo?

— Ele não me envolveu em nada! – Sakura disse depressa, com medo de Naruto começar a gritar e chamar a atenção. – Eu me envolvi e acabei levando o Sasuke comigo. Depois eu disse para ele que, se eu tivesse qualquer visão sobre isso, eu iria informa-lo. Ele não fez nada.

— Isso é perigoso Sakura-chan – Naruto choramingou, a raiva passando no mesmo instante.

— Eu sei que está preocupado, mas um assassinato pode estar acontecendo ou acontecer daqui a pouco – Sakura disse de maneira urgente. – Eu vim aqui para avisa-los.

— O que aconteceu? – Sasuke inquiriu enquanto pegava um bloco para anotar as informações.

— Vocês se lembram daquele distrito que pegou fogo? – Sakura perguntou e os dois concordaram com a cabeça. – No meu sonho, eu estava lá. Já era quase noite e um barulho me chamou a atenção. Esse barulho, que na verdade era música clássica, estava vindo de um prédio cuja construção não fora terminada. Eu entrei no prédio e vi luz em um dos cômodos e ouvi gritos, parecia alguém implorando. Corri para lá, mas acabei acordando antes de entrar no cômodo.

— E por que você acha que era o Psicopata Silencioso? – Naruto perguntou ainda confuso.

Rapidamente, Sasuke contou sobre o dia no parque e como o espírito da garota contara que o assassino estava cantarolando uma música clássica.

— Então, tudo que temos é música clássica e sua intuição? – Naruto perguntou e soltou um pesado suspiro.

— Não é o suficiente? – Sakura perguntou preocupada. Queria tanto ajuda-los a pegar o assassino que não percebera como soava patética a pista sobre a música clássica.

— É mais do que suficiente, nós vamos para lá agora – Sasuke informou e pegou um casaco do encosto da cadeira. – Você vai direto para casa e vai me esperar lá, ok?

— De jeito nenhum! — Sakura falou indignada. – Eu avisei, eu mereço ir!

— Você não pode, lá é perigoso! – Sasuke rebateu irritado. Não deixaria Sakura se machucar.

— Ele está certo. Fique em segurança Sakura-chan – Naruto concordou. Os dois se encaminharam para a porta

— E como vocês acharão o prédio sem a minha ajuda? – Sakura perguntou enquanto corria para a porta e ficava na frente da mesma, com os braços abertos. – Lá tem vários prédios abandonados, destruídos, vocês levarão horas para encontrar o prédio. Mas, se me levarem, a procura diminui bastante, uma vez que eu sei qual prédio é.

— Você vai ir de qualquer jeito , não é? – Sasuke perguntou resignado. Sakura afirmou com a cabeça. – Tudo bem, mas vai ter que fazer o que eu disser.

— Tudo bem! Eu vou andar na linha – Sakura prometeu com vigor. Juntos, os três saíram da sala de Sasuke. Uma segunda vez naquele dia, Sakura deu de cara com o sobrancelhudo.

— Precisava falar com você mesmo Sasuke – Lee disse indo na direção dos três, mas eles o contornaram e continuaram o caminho. – Ei! Onde vocês estão indo?

Ignorando a pergunta, eles saíram da delegacia as pressas.

O distrito era como no sonho de Sakura, completamente abandonado e destruído, mas uma coisa estava diferente: havia uma quantidade absurda de maus espíritos rondando por ali. A tragédia acontecera há tanto tempo, mas ainda era forte o suficiente para atrair tantos deles. Estavam animados demais para o gosto de Sakura.

Até o céu estava quase a mesma coisa, azul arroxeado, mas um pouco mais escuro do que no seu sonho. Os três começaram a procurar o edifício que Sakura descrevera as pressas, mas quanto mais o tempo passava, mais Sakura achava que talvez eles não conseguissem encontrar o tal prédio.

— E se não for hoje? Suas previsões nem sempre ocorrem no mesmo dia, certo? – Sasuke perguntou lembrando-se da previsão de sua própria morte. Por um momento o medo o invadiu, mas ele lembrou a si mesmo que estava vivo e bem.

— Algo me diz que o que eu sonhei, era exatamente... – Sakura parou no meio da frase. Foi por uma fração de segundo, mas ela tinha certeza que vira uma luz piscar e apagar em um edifício logo mais a frente, onde vários maus espíritos se reuniam em êxtase. Direcionou o feixe de luz para o prédio e seu coração bateu acelerado. Era o prédio do seu sonho. – É aquele prédio. E eu acho que o Psicopata Silencioso ainda esta ali. – Sakura disse e apontou para o prédio. Sua mão estava trêmula e a garganta seca.

— Vamos entrar. – Sasuke disse e sacou a arma, sendo seguido por Naruto.

Com muita cautela, Sasuke foi à frente, seguido de Sakura e Naruto logo atrás. Ao entrarem no prédio, Sakura reparou que a música não estava tocando. Será que eles chegaram tarde demais? Andaram um pouco mais, a pouca iluminação que vinha de fora ajudando Sakura se guiar pelo prédio.

— Para onde agora? – Sasuke sussurrou para Sakura e ela indicou a direção com um gesto. Haviam chegado no cômodo do sonho de Sakura, mas ele estava escuro e silencioso.

— É naquele lugar – ela sussurrou. Todo o seu corpo tremia de medo.

Os três entraram no cômodo. Sakura acendeu a lanterna e bem no meio do cômodo encontrava-se o corpo ensanguentado de uma garota. Do lado do corpo da garota, as palavras “Foi por pouco” foram escritas as pressas com sangue.

Sasuke e Sakura correram para a garota enquanto Naruto vasculhava o cômodo com a arma em punho. Os dois checaram os sinais vitais da garota e o coração de Sakura bateu descontrolado quando ela achou pulso na garota.

— Eu estou sentindo o pulso dela. É fraco, mas ainda está aqui – Sakura informou sentindo um misto de alivio e medo. Conseguira chegar antes do serviço se completar, mas será que a garota sobreviveria?

— Vamos chamar uma ambulância – Sasuke disse e tirou o telefone do bolso, quase não acreditando que estivera tão perto daquele filho da puta.

Por mais que eles não soubessem, agora, mais do que nunca, eles começavam a entrar no território inimigo, do qual talvez não tivesse volta.