Unidos pela Perda...
1 Único
Notas iniciais
O dia estava limpo, com nuvens branquinhas e aveludadas que lembravam até algodão doce, pássaros cantavam em sintonia, ouvía-se risos de crianças pelo meio da rua, as folhas das árvores nascendo com um verde impecável, todo um ambiente emanava paz e felicidade, todos os habitantes da pequena cidade de Derk estavam felizes, menos um...
John, um rapaz bonitos com olhos incrivelmente azuis como o céu do verão e cabelos tão loiros quanto o sol do inverno, sempre fora um rapaz feliz, mas num terrível acidente perde o que mais amava na vida, sua noiva, Sora era uma mulher bastante diferente, não num estilo exótico, mas diferente, não se encontrava mulheres como ela por aí.
O que aconteceu? Está aí uma pergunta difícil...
John e Sora estavam andando calmamente pela pacata cidade onde nasceram procurando por um apartamento que seria ocupado pelos dois quando se casassem o que aconteceria daqui a dois dias, Derk era uma cidade bonita, além de bonita era sempre a mais visitada por turistas, um belo dia, como era sempre visitada, sempre vinham pessoas de grandes cidades, e com elas vinham os maus hábitos... Como por exemplo, o alcoolismo, John e Sora estavam na calçada próxima a faixa de pedestres prontos para atravessar, quando vem um carro descontrolado em alta velocidade pela contra mão e atinge bem em cheio Sora, que desmaia na mesma hora e o carro acaba batendo num poste com tamanha violência que chega a ficar irreconhecível, Uma rodinha de curiosos foi feita em torno de Sora que estava muito ensangüentada, John desesperado pede pelo amor de Deus para que alguém ligue para o hospital, dez minutos depois a ambulância chega e Sora ainda estava inconsciente, foi levada até o hospital central onde passaria por uma cirurgia e transfusão de sangue. A cirurgia dura horas e horas, enquanto isso John esperava o laudo do motorista, e logo ele saiu, o homem que estava dirigindo o carro estava totalmente alcoolizado, estava três vezes acima do permitido... John já estava impaciente com a demora da cirurgia quando estava se decidindo por entrar na salinha, o médico sai segurando uma prancheta e a fitava freneticamente até encontrar o que procurava...
- Senhor John Hill?
- Eu mesmo como Sora está? Ela está bem? Causou alguma seqüela? — perguntou John com um tom de esperança na voz
- Sinto-lhe informar, mas a senhorita Sora veio a falecer pela perda de sangue, tanto na cirurgia quanto no acidente e ela não agüentou passar pela transfusão! — informava o médico com um olhar triste — Sinto muito por sua noiva! — disse enquanto se dirigia para a sala de cirurgia para informar o óbito
John nada disse e pôs-se a ajoelhar-se no meio do corredor aos prantos...
Hoje, dia quatorze de outubro seria seu casamento. Convites, presentes, passagens... Tudo perdido por uma peça do destino. Hoje seria o dia mais feliz de sua vida, mas após o ocorrido está sendo o pior... John não conseguia mais sorrir, ou lembrar dos bons momentos com ela, ficava martirizando-se e culpando-se pela sua morte e pedia para que fosse também, ontem o dia que foi dado o atestado de óbito de Sora, ele tentou se matar enforcando-se, sorte que seu amigo Stephen chegou antes que ele pudesse cometer essa loucura... Stephen já não deixava mais John sozinho, pois temia pela morte do amigo, logo passou a morar temporária mente com John...
- John, você tem que parar com isso! Não pode deixar isso te abalar. — dizia Stephen com um tom preocupado
- Eu não quero, eu não posso, ela era tudo para mim... — disse John caindo novamente aos prantos
- Olha... — chamou a atenção do amigo segurando-o pelo queixo — Sei que é difícil para você perder a pessoa que mais ama, mas pense que ela não gostaria de te ver assim por causa dela, assim como você não gostaria que ela ficasse assim se fosse você. — disse mirando-o nos olhos
-... — John nada disse, ficou apenas a olhar no fundo dos olhos de seu amigo que mantinham um brilho diferente — Obrigado... — disse dando um abraço no amigo
- Disponha, agora vamos você tem um enterro para ir... — disse se levantando, mas logo percebendo que a tristeza do amigo voltara — Levanta daí John, você é forte e vai superar... — disse abaixando-se na altura do amigo que estava sentado no chão
-... — John nada disse, apenas consentiu com a cabeça, mas logo voltou a olhar no fundo dos olhos cor de mel do amigo.
Nunca tinha olhado assim para o seu amigo, sentia-se diferente quando estava com ele, ele lhe trazia paz e tranqüilidade, coisa que só quem conseguia trazer para este era Sora, sentia-se estranho agora estando tão perto dele...
Logo os dois já estavam trajados dignamente para um velório, com vestimentas negras representando o luto por Sora.
Stephen optou por dirigir, pois no jeito que seu amigo se encontrava não era bom ele dirigir, vai que ele tenta um suicídio. Era isso que pensava.
O caminho foi em silêncio, pois ele não queria piorar as coisas, chegando lá muitos o cumprimentaram deram os pêsames, mas Stephen logo quis tirar o amigo daquela situação, não queria vê-lo martirizando-se.
Logo conseguiu com que eles saíssem, Stephen queria chegar logo na casa do amigo para ajudá-lo, pois este não parava de chorar dentro do carro. Chegando lá o encaminhou para o sofá da sala e o sentou a fim de conversar com ele.
- John, você é um homem forte e decidido... – deu uma pequena pausa – Você sabe que o que foi feito era para acontecer, afinal o destino prega peças, mas no fim sempre ganhamos com isso. – finalizou tendo finalmente a atenção do amigo.
- Eu não consigo parar com isso, ela era tudo para mim e... – Stephen o cortou
- Ela era tudo para você, mas ela se foi... As pessoas vêm e vão num piscar de olhos, somos assim, frágeis e sensíveis... – John já não prestava mais atenção no que ele dizia, pois insistia em olhar para cada movimento suave dos lábios de Stephen, ele já não sabia o que estava acontecendo com ele. – John, você está me escutando? – Perguntou Stephen impaciente
- Desculpe-me, me distraí... – involuntariamente embuçou um pequeno sorriso – Obrigado, você foi o único que me apoiou que me deu forças, que me ajudou quando eu estava triste e acabado... – conforme ia falando Stephen passou as mãos pelos cabelos de John e já não prestava mais atenção no que o amigo dizia, só prestava a atenção no brilho que se formou nos olhos límpidos e azuis do amigo. – Muito obrigado... Por tudo que fez! – disse enquanto dava um forte abraço no amigo que estava com um sorriso bobo nos lábios
Ficaram um bom tempo abraçados, sentindo o calor que era transmitido de um corpo para o outro em extrema sintonia. Até que Stephen parou o abraço e pôs-se a fitar a face do amigo que já não era mais triste, ficaram assim por mais longos minutos, até que num ato desesperado John tomou os lábios de Stephen que ficou paralisado na mesma hora, mas que depois se acostumou com a situação, ficaram assim um bom tempo, num beijo calmo e puro, não havia maldades naquele beijo, havia um imenso obrigado pela parte de ambos, logo tiveram que parar, pois o ar havia lhes faltado, então instantaneamente Stephen perguntou:
- Por que fez isso? – perguntou olhando-o nos olhos ainda com os lábios vermelhos
- Desculpe... – John fitou o chão encabulado – Não era minha intenção... Sinto muito, eu... – Stephen o interrompeu
- Eu não disse que não gostei... – John levantou o olhar para Stephen enrubescido – Por um lado foi bom...
-... – John não disse nada, estava muito envergonhado para falar alguma coisa, em um ato simples, Stephen tomou novamente os lábios de John para envolvê-lo num beijo calmo e sereno.
Às vezes ao perdermos alguma ficamos tristes e nos sentimos vazios, mas ao entendermos o verdadeiro significado da perda descobrimos que todo mau tem um benefício.
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