Pov. Christine

Eu sabia que nada daria certo. Nossa equipe pode ter sim pessoas incrivelmente talentosas e que sabem exatamente o que fazer em suas áreas, mas apenas isso não é suficiente para sustentar uma missão desse tipo.

Muitas personalidades fortes e diferentes, mesmo com um mesmo objetivo, só daria certo se todos nós lutássemos contra nós mesmos. E eu não faria isso sozinha. Observei cada uma das minhas opções e escolhi Vincent. Mas por que, cara Christie? Porque ele era o único que eu tinha certeza que pensava o mesmo que eu, ou pelo menos um pouco, infelizmente, eu tinha que admitir isso.

Sabia que ele também desconfiava a existência de dispositivos GPS instalados em nós apenas considerando as atuais circunstâncias. Ele já teria fugido, assim como eu.

Apelas para ele ia contra os meus princípios e principalmente meu orgulho, mas isso era que deveria ser feito.

Todos nós subimos para arrumar as malas, aproveitei quando o vi sozinho caminhando até o seu quarto.

– Vincent. — Ele logo se virou e respondeu.

– O que quer?

Engasguei antes de pronunciar uma palavra pouco conhecida por mim:

– Ajuda. — Pude perceber sua risada irônica discreta.

– Diga.

– Venha comigo.

Mesmo percebendo o seu desconforto com a minha aproximação, o puxei até o meu quarto. Ele entrou e observou cada detalhe, como se estivesse planejando uma fuga ou assassinato.

– Ambos sabemos que isso não vai dar certo.- Ele confirmou com a cabeça. — Se realmente pretendemos ganhar isso, devemos nos planejar melhor e segurar nossas personalidades.

– Isso é óbvio. Para o que mesmo que você precisa de mim?

– Quero fazer uma intervenção e digamos que prefiro perder o meu tempo na frente da tela de um computador tentando fazer alguma coisa útil para a missão.

– Então você espera que eu simplesmente te ajude nisso? Sem receber nada em troca?

– Sabe esse dispositivo GPS que temos?

– Que dispositivo?

– Não se faça de idiota Vincent, sei que você sabe. Já teria ido para o outro lado do mundo, trocado de identidade e continuado seus trabalhos se não soubesse. Somos infelizmente parecidos nesse quesito. — E então ele sorriu.

– Pelo menos alguém aqui possui o mínimo de inteligência. Continue sobre o GPS.

– Consigo desativá-lo, ou pelo menos controlá-lo.

– Okay, quando planeja fazer essa intervenção com nossos amados colegas?

– Hoje mesmo. Na verdade, agora. Precisamos disso resolvido antes da missão.

– Um de cada vez ou todos juntos?

– Todos juntos, vai ser mais rápido.

Cerca de 15 minutos depois, nossa equipe estava reunida em meu quarto. Evelyn sentada na cama ao lado de Sebastian, Matthew sentado no chão, Gustav e Vincent de pé e eu sentada na cadeira de frente ao computador.

– O que querem? — Gustav pergunta sério.

– Apenas conversar, caro colega. — Diz Vincent com um sorriso cínico.

Apenas meus ouvidos estavam atentos à conversa, meus olhos estavam concentrados no meu trabalho, meus dedos não paravam de se mover e meu cérebro, prazerosamente, trabalhava em nos dar o máximo de liberdade possível. Hackear era a minha paixão, minha vida, e como eu sentia falta disso. Meu sorriso se abria cada vez mais, rasgando o meu rosto e acelerando o meu coração. Meu objetivo estava quase sendo conquistado, tudo estava ao alcance de meus dedos, que se moviam cada vez mais rápido, acompanhando meus batimentos cardíacos. Eu respirava aquilo, me tornava parte de um mundo só meu. E então, terminei. Tudo passou a ser controlado por mim, as câmeras, o maldito GPS e até informações confidenciais sobre a Tartarus que não tinham sido transmitidas para nenhum de nós.

A realidade era assustadora, não se tratava apenas de ganhar uma bendita liberdade, precisávamos salvar aquelas pessoas. O mundo estava ruindo, mas ninguém sabia disso.

– Acabei. Podemos começar. — Disse para todos.

– Não vamos ganhar, nossa luta é inútil. A Tartarus é forte demais para ser derrotada. — Disse Vincent.

– Eu consegui ter acesso às câmeras da casa, eles não sabem que estamos reunidos, para eles cada um está arrumando a sua mala. Os dispositivos que foram implantados em nós também estão sob controle. Consegui acessar informações confidenciais e estamos ferrados. Completamente. Pessoas inocentes estão morrendo, não se trata apenas da nossa liberdade, não mais. Se a gente quiser ter alguma chance, precisamos nos entender. Nossas personalidades são fortes e complicadas, mas somos uma equipe, querendo ou não. — Disse.

– Bom discurso. Já acabou? — Perguntou Evelyn, cínica.

– Já acabei, pode começar a falar, "queridinha".

– Que tipo de informações? — Perguntou ela.

– Mortes acobertadas pelo governo, mortes de jornalistas e suas famílias, famílias que viviam perto de pontos de encontro sendo massacradas, agentes duplos, homens bomba e etc.

– Isso a gente já sabia. — Diz Sebastian.

– Não de tudo, não sobre tudo. Temos todos os arquivos. Agora nós sabemos o que realmente está acontecendo.

– Então, o que vamos fazer? — Pergunta Gustav.

– Vamos vencer essa merda. — Diz Evelyn.

– Vamos agir como uma equipe, não rivais. — Digo.

– Se nós não vencermos, pelo menos temos que dificultar a vitória deles. — Diz Sebastian.

– Nós vamos ganhar. — Diz Vincent.

– Mudou de opinião agora, "queridinho"? — Pergunta Evelyn.

– Isso é uma questão de honra.

Percebi que Matthew estava muito calado. Isso particularmente me assustou,ele não consegue não demonstrar sua opinião sobre tudo, até sobre a posição do ar condicionado, ele fala. Então, eu digo:

– Diga logo o que quer dizer Matthew. Quando você precisa falar alguma coisa você não fala.

– O que quer que eu diga Christine? Que concordo plenamente com tudo o que vocês estão fazendo? Eu não concordo, mas vejo resultados, uma luz onde não tinha nenhuma, não sabemos ainda como derrotar a Tartarus, mas sabemos o que devemos fazer para chegar até essa resposta. Juntos. E tudo isso vai contra o que eu aprendi, no momento estou lutando contra criminosos ao lado de criminosos. Simplesmente ainda não processei, mas eu sei que devo fazer isso.

– Okay, você está frustrado. Vai superar. — Diz Evelyn.

– Estamos em um momento tão paz, desabafo e amizade que estou impressionado, uma evolução. — comenta Sebastian.

– Vamos fazer outra aposta, que tal? Da outra vez apostamos para ver quem demoraria mais para se arrumar, vamos apostar quanto tempo isso vai durar? Eu aposto em duas horas no máximo. — Diz Evelyn, sorrindo.

– Eu não quero perder outra aposta. — Diz Matthew com a cara fechada.

– Eu topo. — Diz Gustav com um sorrisinho no rosto. — Aposto em um dia.

– Eu aposto em dois dias. — Digo.

– Eu aposto em 30 minutos. — Diz Vincent.

– E eu em uma semana. Tenho esperanças. — Diz Sebastian.

– Okay. Vou participar também. Aposto em um dia. — Diz Matthew.

– Qual vai ser o valor? — Pergunta Gustav.

– Que tal um mico? — Pergunta Sebastian, malicioso.

– Vocês vão perder. — Diz Vincent.

– Não se ache demais não Vin, não subestime seus oponentes. — Digo.

– Vin?

– Sim. Isso se chama apelido, Sherlock.

E pela primeira vez, trocamos boa risadas e não nos odiamos completamente. Somos uma equipe, a última esperança de todos, e estamos unidos pela nossa liberdade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.