Unidos pela Liberdade
8 The Devil
A noite em Manhattan era gélida com o vento frio correndo por toda a cidade, era uma madrugada mais iluminada que o normal, devido a luz dos prédios e a lua que se apresentava soberana no céu sem nuvens.
Um prédio imenso fazia os outros prédios parecerem meras formigas, os vidros escuros lhe davam um ar de fortaleza maléfica, o que de certa forma não era nenhuma mentira.No topo desse prédio havia uma cobertura de alto padrão, as paredes brancas eram adornadas com obras de arte que poderiam sustentar famílias por vários anos, o chão era uma imensidão escura onde era possível enxergar seu próprio reflexo.A sala misturava o clássico com o moderno, dois sofás longos reinavam soberanos, uma enorme e moderna televisão suspensa, ao fundo um mini bar com alguns sofás menores e uma escada que chegava na sala de jantar.A sala de jantar era enorme, com uma gigantesca mesa de carvalho negro e inúmeras iguarias, porém ocupada por apenas dois homens, um em cada ponta, ao som das variações Goldberg de Bach.Em uma das extremidades, estava um homem franzino, de cabelos levemente grisalhos, olhos negros e corpo magro, com uma cicatriz longa no rosto e vestido com uma camisa social roxa, calça e sapato social. Comia faminto, com gula e certa deselegância.Já na extremidade oposta, um homem alto, com cabelos loiros escurecidos, olhos azuis esverdeados, corpo definido, um rosto delicado e ainda masculino como dos nobres europeus, vestido com um terno escuro caríssimo, este comia com elegância e paciência.– Apreciando a comida, Sr.Chilton? — o loiro pergunta, fazendo sua voz aveludada e grave com sotaque evidente soar pela sala.– Muito. Sr. Drachen, meus parabéns para o cozinheiro. — Diz o homem com respeito.Sr. Chilton estava receoso, qualquer passo em falso dado naquele jantar poderia custar sua própria vida.– Então muito obrigado. — O Sr. Drachen agradece enquanto olha o homem que se sentava a mesa com ele, que não estava sendo nada agradável.– O senhor tem um excelente talento culinário. — O homem resolve usar de elogios para agradar o homem a sua frente, aliás qualquer um ia querer agradar o lendário Rei do Crime.O império de Victor Drachen não podia ser localizado em nenhum mapa, ele era soberano de um domínio que cobria países e até mesmo continentes. É provavelmente o homem mais rico do mundo e graças a isso, comprava e vendia títulos na hierarquia. É extremamente educado e refinado, anfitrião de jantares ilustres, mecenas das artes e fala muitas línguas. Se mantinha anônimo e ninguém suspeitava que Victor Drachen e o Rei do Crime eram a mesma pessoa. Para resumir tudo, ele é cruel, isso é tudo que todos precisam saber e temer.– O senhor gostaria de mais vinho,Sr. Chilton? — Victor pergunta com suavidade.– Eu agradeceria, Senhor. — O homem responde.Um mordomo entra com uma garrafa,porém o rei do crime faz um leve sinal com a mão e o mordomo para.– Permita que eu lhe sirva, Sr Chilton. — Victor diz enquanto apanha a garrafa.– Para mim seria uma honra. — Chilton relaxou e ficou até mais alegre, poderia dizer para todos que havia sido servido pelo grande soberano do crime.O som do vinho na taça faz com que Drachen sorria.– Ele chamam esse vinho de Vinho de gelo. — Revela em tom de voz baixo. — Sabe por que? — O homem balança a cabeça negativamente e um breve sorriso surge na face de Victor. — Eles deixam as uvas para congelar em temperaturas extremas, devido a isso a agua é congelada, já os açucares e os outros sólidos não e isso produz um líquido mais concentrado. Isso me leva a uma duvida que o senhor pode me responder?– Diga sua dúvida. — O homem diz intrigado.– Se eu colocar você em uma câmara abaixo de zero, será que seu sangue daria um bom vinho ou ele congelaria?- Victor diz com casualidade e crava uma faca que mantinha escondida consigo na coxa do homem e a puxa rasgando carne e músculos.O homem cai da cadeira e se arrasta pelo chão negro, o manchando de sangue. O Rei do Crime o olhava de cima como se fosse um inseto irritante.O homem se apoia em um banco próximo ao balcão e olha para Victor, em seguida para a coxa rasgada, o ferimento não o mataria imediatamente, mas a hemorragia sim e quando ele pensaem utilizar sua arma, é impedido.Victor saca uma Desert Eagle .50 Action Express* e atira acertando o ombro do mesmo que grita de dor e cai no chão.Derrotado e sentido dor na coxa e no ombro, Chilton cai no chão, sentido o próprio sangue molhar suas roupas e seu coração ser dominado pelo medo.Victor guarda a arma e o pega pelo pescoço, levantando-o e apertando-o na parede.– Bom, Sr. Chilton, você queria falar comigo, conseguiu, parabéns. Então me diga, o que a Tartarus quer comigo? — Victor pergunta firme, mas ainda no seu tom refinado, fazendo pequenos cortes no rosto de sua vítima.– Eles querem que o senhor leia uma pasta. — O homem diz rápido e em desespero enquanto sente a lamina deixar seu rosto e passar para o pescoço causando um corte lá também.– Onde esta a pasta? E não ouse mentir. — Victor pergunta sério. — Aliás, me impressiona o fato de não ter desmaiado de dor afinal uma bala dundum * causa bastante dor.
– A pasta está na bolsa que eu deixei com seus capangas antes de chegar para o jantar. — O homem revela. — Por favor, não me mate. — O homem implora por clemência.– Acha que pode manipular meu interesse em uma informação, vir até a minha casa e tentar se impor como convidado, abusando da minha hospitalidade, ser uma péssima companhia para o jantar e ficar impune? — Victor revela e antes que o homem reaja tem sua garganta cortada de forma que ele sangre até a morte.Ignorando este fato, o criminoso retira um lenço branco do terno e limpa as mãos repletas de sangue, atirando o lenço no chão em que Chilton se debatia.Evitando o sangue, ele caminha casualmente para seu lugar na mesa e termina de jantar comendo lentamente, apreciando a comida e bebendo seu vinho.Posteriormente, Victor ordena que lhe entreguem a pasta, que limpem a sala de jantar e se livrem do corpo.Depois de ler toda a pasta,ele fica na sacada do prédio com um copo de Whisky Dalmore 50 anos* pensando.– Senhor. — Henrik,seu sub tenente e um dos seus mais leais subordinados lhe chama.– Mobilize todos os nossos homens, redobre a segurança das minhas instalações ao redor do mundo, prioridade total. — Victor diz ainda de costas– Estamos em guerra, Senhor? — Henrik pergunta.Victor se vira e Henrik vê nos olhos daquele homem que a maldade e a ambição consumiram sua alma.– Digamos que não passa de um jogo.—__________________________* Desert Eagle .50 AE (Action Express): Tem capacidade para 7 munições e tem o Stopping Power (poder de abater o inimigo com um tiro) de 100% e uma precisão de até 200 metros, porém não é indicada para combate devido ao calibre exagerado, peso, munição e a maneabilidade.Balas dundum:nome genérico de balas de ponta oca ou fendida, que deformam ou estilhaçam ao encontrar o corpo da vítima, aumentando o diâmetro do ferimento e o estrago que provocam.
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