Pov. Matthew

Sabe o que é chegar à sua sala, depois de um dia cansativo e produtivo e receber a notícia de que terá que lutar ao lado de criminosos manipuladores? Posso resumir em uma única palavra, merda.
Desde que entrei na CIA, sou subestimado por todos os meus colegas mais velhos pelo simples fato de ser mais novo que eles, fui selecionado, isso deveria me dar mais credibilidade, mas não.
Agora, deixe-me explicar o que é ser selecionado, isso significa que eu chamei a atenção da CIA desde pequeno, por isso sou conhecido como o pequeno prodígio. Quando fiz 10 anos, a CIA me contratou e hoje eu estou em um dos cargos mais elevados. E para todos isso não significa nada, claro que significa, sou melhor do que todos eles, mas nenhum admite.
A idade não é nada, o que conta é a maturidade que a pessoa tem.
Agora estou indo na sala da Olivia, minha chefe, para dizer que não aceitarei o caso, nunca irei viver com criminosos que não têm o menor respeito pela lei.
Bati na porta e entrei silenciosamente. Olivia estava como sempre, meio aérea e olhando para uma foto que ficava em cima de sua mesa, mas assim que entrei ela olhou para mim, não posso negar a sua atenção completa em todo o ambiente, nem quando ela está em outro mundo ela deixa de estar aqui. Essa frase não foi das melhores, mas vocês entenderam.

– Se você veio reclamar de sua tarefa, já vou te avisar, você não tem escolha, assim como nenhum deles teve. – disse ela assim que entrei.

– Mas por que eu? Sou quem menos quer isso, a senhora me conhece desde pequeno, sabe que explodo com pessoas daquele tipo.

– Matthew, entenda. Eu te escolhi por você ser quem é, tanto pela sua idade que vai ajudar na convivência com eles, tanto pela confiança que eu tenho em você, sei que é um bom agente, mas tem uma coisa que nunca aprendeu, a ver mais do que os olhos podem ver. Você não é só um agente, assim como eles não são só criminosos. No final, todos vocês pensam da mesma maneira, mas fizeram escolhas diferentes na vida. Sei que a minha ideia é arriscada, mas é nossa única esperança, todos terão que aprender a confiar neles, assim como eu. Você tem que parar de ter essa personalidade extremamente forte, meu Deus, não sei porque não te demiti até hoje.

E eu percebi que ela estava certa, muitas vezes nós temos que fazer sacrifícios por boas causas, só espero não perder a cabeça. Literalmente.

Pov.Vincent

Dizem que ser preso é horrível, eu encaro isso como uma temporada de férias, aliás eu até acho que precisava disso sabe, de um tempo para estudar e refletir.
Meu nome é Vincent Valentin, sou um assassino de luxo, ou seja, só trabalho para pessoas que podem pagar bem, apesar da minha pouca idade eu consegui formar uma respeitável fortuna e tudo ia bem até que eu fui preso.
Normalmente eu iria estar em um presídio com um macacão laranja, mas eu tenho conexões vantajosas e graças a isso eu tenho minha própria cela, minha pequena gaiola de ouro.
A cama de solteiro é confortável e ao lado, uma escrivaninha repleta de livros, paredes são brancas repletas com meus desenhos feitos com grafite, um tapete e uma televisão, e claro, um banheiro completo. Não tenho janelas, um vidro blindado me separa do resto do mundo e antes que eu me esqueça minha cela é limpa e organizada assim como eu gosto.
Minha aparência não está ruim, meus cabelos loiros bagunçados como sempre, minha pele estava mais branca por não sair ao sol, os meus olhos azuis estão claros como sempre, meu corpo ainda está em forma.
Estava lendo "Admirável Novo Mundo" quando um som de salto alto começa a ecoar fracamente no corredor e parecia aumentar a cada segundo.
Finalmente eu vejo a origem do barulho, uma mulher morena com feições latinas e vestida com um terno feminino com um olhar penetrante.
– Bom dia. — digo educado largando o livro sobre a escrivaninha.
– Senhor Shawn, meu nome é Marcia Garcia. Podemos conversar? — ela pergunta, parece tensa e um tanto desconfortável.
– É subordinada de Olivia Robinson, não é? — pergunto já prevendo a resposta.
– Sou sim — ela responde com certo ânimo.
– Posso ver suas credenciais? — pergunto com suavidade.
– Claro. -Ela responde, tira e me mostra sua carteira com distintivo da CIA e eu rapidamente leio.
– Uma agente sênior, deve ser muito importante o que quer que seja que veio fazer aqui. — digo fingindo surpresa.
– Vim para conversar com você e quem sabe aprender algo, dizem que é muito inteligente. — ela diz, percebo que ela esta tentando me bajular.
– Muito hábil, Senhorita Garcia. — digo a elogiando.
– Sente-se por favor. — peço.
Ela se senta na cadeira e me olha através do vidro blindado.
– Seus desenhos são muito bonitos. — ela diz olhando os desenhos na parede.
– Essa é a rosácea da catedral de Santa Maria Del Fiore em Florença.- lhe digo mostrando um dos desenhos da parede. — Já esteve lá? — pergunto para a mesma.
– Não, mas vejo que possui uma excelente memoria. — ela diz. — leia esta proposta.
– Oh não, estava indo tão bem, foi educada e receptiva, conversou hábil e educadamente comigo, mas agora mostrou rápido demais o seu objetivo. — digo a repreendendo.
– Basta ler. — ela esclarece.
– Sei que mesmo que eu não leia, serei obrigado a seguir essa proposta. — eu digo frio.
– Que bom que percebeu. — ela diz sorrindo e mostrando a que veio, falsa educação.
Acho que vou ensinar uma lição a essa arrogante agente da CIA.
– Você acha que me intimida, mas sabe o que você parece com esse terninho sobre medida e sapatos baratos? Uma mulher fraca que busca se esconder atrás de uma casca forte e no máximo atraente. — digo maldoso em um tom de voz baixo e a vejo se remexer na cadeira e uma feição de surpresa assumir seu rosto e vendo isso, porque não continuar?
– Sua casca é atraente e com um certo bom gosto, mas ela é mais frágil do que pensa, posso ver isso pela sua feição de desagrado embora você tente esconder. — digo sorrindo maldoso. — O fato de ter uma certa condição financeira lhe deu algum refinamento,mas você não passa de uma zé-povinho de segunda categoria,esse sotaque levemente mexicano que você tenta desesperadamente esconder, seu pai era mexicano, imigrante ilegal provavelmente. — ao terminar essa última parte, ela me olha amedrontada, agradeço meu pai por ter me ensinado tudo o que ele sabia,inclusive seus elevados conhecimentos sobre psiquiatria e isso me permite analisar as pessoas e descobrir seus segredos mais ocultos.
– Diga-me, seu pai era traficante? Ele fedia a cigarros? Parece ser uma mulher que sabe usar de sua sensualidade, provavelmente amassos no fundo de carros e tudo o que você queria era escapar e vir até aqui para a CIA.- concluo a deixando com os olhos brilhando com as lágrimas.
– Muito perspicaz, me disseram que sabia fazer isso, mas nunca pensei que fosse tão bom.- ela diz enquanto as lágrimas descem de seus olhos.
Observo ela assoar o nariz com um lenço e eu sorrio internamente.
– Isso também já não importa, você não pode recusar esta proposta. — diz ela tentando recuperar a compostura.
– Vai se arrepender dessa decisão, Agente Garcia. — digo sorrindo.