Unidentified
1 Prólogo
“Ela se mexeu!”
“Ela está acordando!”
Essas eram as frases ouvidas por quem passava ao lado do quarto 313. Uma enfermeira de cabelos pretos e muito apressada saiu da sala em busca de alguém.
Logo a mesma voltou acompanhada de um medico de cabelos tão escuros quanto os da enfermeira, no seu jaleco a identificação, Jonathan Javadd.
Depois de se sentar em uma cadeira ao lado da paciente e ter certeza de que tudo estava bem, o medico se pronunciou. – Agora vamos fazer os primeiros exames. – e com isso o aglomerado de pessoas foi se desfazendo.
Jonathan estava em seu horário de lanche quando recebeu a noticia de que a Paciente Das Pedras havia acordado. Esse foi o nome dado a paciente do 313 que estava em coma e não possuí nenhuma identificação.
– O que houve? – a garota perguntou com dificuldade. Ela se sentia estranha, não se lembrava de nada que tivesse acontecido e ainda tinha um pouco de dificuldade em se mover.
– Você sofreu um acidente. – o medico respondeu pacientemente.
– Que tipo de acidente?
– De carro – Jonathan começou a se preocupar.
– E como foi?
– Bem, esperávamos que você nos contasse quando acordasse. – se fez um silencio no quarto – Não se lembra de nada?
– Não. Há quanto tempo estou dormindo?
– Sete anos. – os olhos da menina se arregalaram
– Qual o meu nome? – Jonathan adquiriu a cara preocupada, que lutava para sair, mas ele impedia, não queria que ela pensasse que era algo serio, mas agora ele não conseguiu escondê-la. A “Garota das Pedras” tinha realmente perdido a memória? O medico imaginava que isso pudesse acontecer, mas não achou que fosse, até conversar com ela.
– Não sei. Ninguém sabe.
– Como assim? – a menina tentou se sentar, mas o rapaz a impediu.
– Descanse, ainda não é a hora de ir embora. – e assim o moreno saiu do quarto, ainda com a expressão de preocupação.
Enquanto isso, a cabeça da garota estava uma confusão. Não se lembrava nem mesmo de seu nome, queria saber mais sobre esse acidente e estava ao mesmo tempo surpresa por ter passado sete anos sem dar nenhum sinal e não terem desligado os aparelhos.
Uma enfermeira chegou com uma bandeja em mãos, que possuía um prato com mingau e lhe deu.
– Obrigada. – mexeu no alimento com a colher. – Onde estamos?
– Em um hospital. – a enfermeira respondeu
– Não, digo em que cidade.
– Bradford. – após responder, a moça saiu.
Bradford?
Ela não sabia onde nasceu e nem onde morou, então essa informação não lhe ajudou a responder nenhuma das suas duvidas.
Depois de algum tempo, Jonathan novamente apareceu no quarto.
– Por que não desligaram os aparelhos?
– Não nos deixaram. Esse é um hospital particular, estavam pagando para que seus aparelhos continuassem ligados e estão pagando para que continuemos cuidando de você. – respondeu trocando um vaso vazio de soro por um cheio.
– Quem está pagando? – perguntou confusa.
– Isso eu não sei. – colocava remédios em uma seringa.
– Então eu tenho parentes? – perguntou com uma ponta de esperança brotando – Eles não sabem que eu acordei? Por que não vieram me visitar?
– Não acredito que sejam parentes. Mas com certeza esse alguém já está sabendo que acordou.
– Como assim não são parentes?
Ele a olhou calmo e pediu que ela esperasse um momento, saiu da sala e minutos depois, voltou com jornais antigos.
– Ninguém te reconheceu, sua foto foi mostrada nas emissoras do mundo todo. E também ninguém deu queixa do seu sumiço. – inseriu a seringa no braço dela – Esses jornais falam sobre o que aconteceu.
– Então eu sou alguém sem família e sem amigos?
– Não se preocupe, tudo irá se acertar. – então ele saiu do quarto deixando a paciente com os jornais e muita curiosidade.
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