Unidentified
4 Filme de terror? Eu não tenho medo disso.
Notas iniciais
POVS CHAR
Na mesma semana que me mudei para a casa do Jonathan, fui às autoridades com o meu laudo informar minha situação e pedir novos documentos, mas só os consegui um mês depois. Mas felizmente, agora já tinha uma identidade. Como não sabia meu nome, minha única opção era escolher um.
No inicio eu me senti confusa, mas depois percebi como eu queria me chamar. Char era o meu novo nome, esse era meu nome desde o dia que Jonathan começou a me chamar assim.
Quanto ao meu passado, decidi que não importa mais. Não irei tentar descobrir quem eu fui, irei viver quem eu sou hoje, a Char, e vou morar aqui até o Jonathan enjoar de mim ou um de nós arrumarmos uma família. O Jonathan e eu a cada dia que passa viramos mais amigos e eu coloco fé nessa amizade.
Ele estava me chamando, e eu entrei em seu quarto.
– Qual dessas duas camisas fica melhor com essa calça? – ele estava só com uma calça social e tênis, com o cabelo todo bagunçado e segurando duas camisas.
– Eu não acredito que você vai pra o cinema com a galera do hospital de calça social e tênis. Porque você não coloca uma calça jeans?
– Você tem razão. – foi pra perto do guarda-roupa.
Saí do quarto para que ele se trocasse e minutos depois ele me chamou novamente e perguntou se estava melhor, respondi que sim e o mesmo voltou a perguntar sobre a camisa.
– Nenhuma dessas. — fui até o guarda-roupa dele e passei as roupas procurando alguma que caísse bem naquela ocasião e acabei pegando uma cinza que ficou bem melhor do que a amarela e verde tão chamativas que ele havia escolhido. – Essa. – falei entregando a peça cinza a ele.
Ele agradeceu e disse que meus conselhos eram ótimos. Eu disse que já sabia e saí jogando o cabelo, ele ficou lá rindo.
Pouco tempo depois ele apareceu falando ao celular na sala onde eu estava comendo pipoca e assistindo um filme. Ele tentava pentear o cabelo enquanto segurava o celular no ouvido e conversava, depois desligou o aparelho e veio, sentou do meu lado e ficou me olhando com cara de cachorrinho abandonado.
Eu perguntei o que ele queria, e o Jona pediu para que eu consertasse seu cabelo.
– Se vira.
– Vai Char, ele não está ficando do jeito certo.
Me rendi. Peguei o pente da mão dele e coloquei no sofá porque o cabelo dele não necessitava daquilo naquele momento, comecei a passar a mão nos cabelos dele e no final até que ficou legal. Assim que acabei, voltei a minha atenção a TV. Ele foi até um espelho que tinha ali perto e disse:
– Puxa! Ficou da hora. Você tem certeza que vai ficar bem aqui sozinha? – balancei a cabeça positivamente. – Então tchau.
Murmurei um tchau seguido de um grito.
– O QUE FOI? – Jonathan voltou correndo parecendo preocupado
– AQUELE IDIOTA ENTROU NA PORTA ONDE ESTÁ A MUMIA. – gritei indignada
– Caramba, tu me dá um susto desses porque uma criatura de um filme entrou na porta errada?
– É que ele vai morrer. – eu estava com dó do pobre Kev que acabou morrendo como eu imaginava.
O Jon riu e saiu.
[...]
O filme era grande, então ainda não havia acabado. Eu estava lá de boa assistindo e torcendo pra Alissa não ser burra o suficiente a ponto de querer enfrentar um exercito de zumbis e múmias, quando senti alguém pegando na minha cintura. Eu dei um grito tão alto que deve ter acordado quase o bairro todo, pois já era dez horas da noite, e eu nem havia visto o tempo passar. Eu dei um pulo e quase acertava o Jona com a panela de pipoca que estava do meu lado, e ele simplesmente caiu na gargalhada.
– Por qual motivo, razão ou circunstância você fez isso, doutor Jonathan? – perguntei tentando parecer brava.
– Você tinha que ver sua cara. – riu mais – Foi demais.
– Você não tem é o que fazer.
– Por que você está assistindo esse filme se você está morrendo de medo?
Respondi que não estava com medo, mas ele rebateu com um “Está sim.”.
– Eu não estou. E quando eu começo a assistir uma coisa eu vejo até o fim, mesmo se for ruim.
– Esse filme só acaba meia noite.
Jon saiu e voltou com um cobertor, perguntei o que o mesmo ia fazer e o vi jogar a metade da coberta em cima de mim e se cobrir com a outra parte enquanto dizia que ia assistir o resto do filme comigo.
Passou algum tempo e eu já não aguentava mais ficar com os olhos abertos.
POVS JONATHAN
A Char dormiu, mas eu não quis acorda-la pra que fosse pra cama então continuei assistindo o filme que por sinal até que era bom, parece que aquela baixinha tem bom gosto pra filme, abaixei o volume da televisão para não acorda-la. “E quando eu começo a assistir uma coisa eu vejo até o fim, mesmo se for ruim.” Lembrei-me da frase dela e comecei a rir.
Trinta minutos se passaram e a folgada da Char estava com as pernas em cima de mim e quase caindo do sofá.
Um bom tempo depois o filme enfim acabou e a guria continuava com as pernas em cima de mim e toda descoberta, mas tenho que admitir que ela dormindo parece um anjo. Desliguei a TV, a ajeitei no sofá, a cobri sem sair de onde estava para não acorda-la e dormi lá mesmo porque sabia que se eu saísse, ela com certeza cairia daquele sofá do jeito que ela se mexe enquanto dorme.
[...]
Acordei com o meu celular tocando, levantei devagar pra não derrubar a Char que estava meio que em cima de mim. A sala estava clara com a luz do sol que entrava não sei por onde porque ela trancou tudo enquanto assistia ao filme antes de eu chegar e pela lâmpada acesa de ontem de madrugada que eu não pude levantar pra desligar. Vi no visor o número do telefone da minha sala no hospital e murmurei um “Alô”.
– Doutor Jonathan, o senhor não vai vir trabalhar hoje? O hospital está cheio e o senhor tem muitas consultas marcadas para agora de manhã. Devo desmarca-las?
– Não, não. Eu vou trabalhar... Ah! E se perguntarem por mim, diz que estou no transito.
Eu me esqueci de colocar o despertador pra despertar e só acordei por causa da ligação da minha secretaria, tinha que sair correndo e rezar para que o transito não estivesse ruim. Vivo uma vida muito cansada, trabalho muito e nunca tenho tempo para descansar ou me divertir, raramente saiu uma vez por mês com o pessoal do hospital e ainda assim o assunto sempre é o hospital. Fui correndo trocar de roupa e dessa vez não ia poder comer nada antes de sair, estava calçando meus sapatos e meias quando ouvi um grito.
– CARAMBA! TA MUITO TARDE! VOU PERDER MEU EMPREGO – puts, me esqueci de acordar a Char.
Quando fui procurar ela para lhe oferecer carona a encontrei na cozinha com um pote de sorvete.
– Por que tu estás tomando sorvete uma hora dessas?
– Estou chorando pelo meu emprego. – respondeu
– Para de drama que não desceu nenhuma lagrima desses teus olhos por causa disso.
– Mas eu estou de luto por ele, que agora eu perdi.
– Vamos, eu te levo lá, pequena.
– Não precisa, eu já perdi ele.
– Para de bobagem, levanta vai que eu não posso esperar muito. Eu também estou atrasado
Ela levantou toda preguiçosa com seu moletom grandão e short que nem dava pra ver – por causa do tamanho do moletom–, cabelo bagunçado e descalça, exatamente do jeito que dormiu ontem, e entrou no quarto. Aproveitei que ela ia se arrumar e comi algo rápido. Depois de uns minutos ela saiu e eu a deixei na sorveteria.
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