Unidas pelo Destino.
1 Prólogo
Notas iniciais
.:Prólogo:.
31 de Dezembro de 2000, Atenas, Grécia.
Uma moça corria apressada, arrastando a longa saia pelas escadas de mármore. Seus cabelos loiros escuros presos em um coque mal feito, os olhos verdes demonstravam puro medo, e sua franja mal cortada batia na testa banhada de suor. Carregava em seus braços, algumas toalhas brancas, recém-lavadas.
Ela precisava ser rápida, ele logo a alcançaria. Acabara de abrir a ultima porta do corredor, quando ouviu o primeiro grito. Alto e agudo, arrepiou-a por inteiro. Um segundo grito. Ela apressou os passos, e se aproximou da cama. Ali, deitada, estava sua patroa, chorando compulsivamente, em trabalho de parto.
- Pelos deuses, acalme-se, milady. – Pediu a donzela, com a doce voz trêmula, enquanto colocava as toalhas limpas no pé da cama.
- Isso é por que não estás em meu lugar, Elisabeth. – Disse a menina. Sim, não era uma mulher. Era uma menina. Não poderia, de forma alguma, ter mais de 16 anos. Que poderia imaginar que uma menina, nesta época, fosse engravidar? Ainda mais, não estando casada?
Havia roupas espalhadas por todo chão. Ela tirara o vestido, para facilitar a tarefa, e agora estava apenas com a parte de cima das roupas íntimas.
- Lamento pela demora, Lady Helena. – Elisabeth encheu d’ água uma espécie de bacia de metal, grande o suficiente para colocar um bebê, e lavou as mãos, preparando-se para o parto da patroa.
- Lamenta! De que me servem seus lamentos se a dor não cessará? Meus deuses! Eu não aguento mais!
- Já estamos quase lá, senhorita. Aguente, e respire fundo.
Helena gritou novamente, tamanha era a dor. Ela já estava ali há horas, na mesma posição, sentindo as fortes contrações e quase não aguentava mais. Por sorte, foi acontecer no meio do baile. Ela estava prestes a dançar com seu pretendente. Antes que pergunte, e acredite, você vai, ele não era o pai da criança.
Na verdade, ninguém além de Elisabeth sabia de sua condição, nem mesmo seus pais. Passou meses escondendo a barriga, usando espartilhos minúsculos, nos quais jamais se imaginou. Pedia que lhe servissem o jantar no quarto, e jogava parte da comida fora. Afinal, se pensassem que ela comia toda aquela comida, pensariam que estava apenas engordando. A verdade, é que sua barriga não cresceu tanto. Parecia que nem mesmo o próprio bebê queria ser descoberto.
O pai de seu filho, ou filha, era ninguém menos que o filho do maior inimigo de seu pai. Além disso, ela era a filha bastarda. Um erro. Não passava disso.
- Certo. – Ela disse, respirando profundamente. — Elisabeth, busque-me algo para prender o cabelo.
A moça tirou a faixa do próprio cabelo, e posicionou-se ao lado da cama, prendendo os cabelos negros ondulados da menina, que antes caíam sobre seus olhos azuis e assustados.
Juntas, elas permaneceram alguns minutos em silêncio, apenas o som da respiração forte e descompassada de Helena preenchia o cômodo.
Já passava das 23 quando os gritos preencheram o quarto novamente, havia chego a hora.
- Muito bem, agora, a senhorita precisa respirar fundo e empurrar, tudo bem? – Perguntou a assistente.
- Tudo bem. Eu consigo. – Ela respondeu, gaguejando.
- Essa é a ideia, querida.
Helena confiava em Elisabeth. Era sempre fora sua melhor amiga, e confidente. Lena lhe contou quando fugiu, pela primeira vez, enquanto todos dormiam, para encontrar o rapaz que realmente amava. Disse-lhe o quanto temia seu futuro, ao lado de alguém que mal conhecia e com quem em breve se casaria. Também lhe deu detalhes sórdidos sobre a noite em que engravidou.
Entre ambas não havia segredos. Elas se ajudavam, sem se importar com as dificuldades em que se envolveriam. Eram como irmãs, só que melhor. (N.A.: Então não era igual...) Apesar da diferença de idade de 7 anos, elas se entendiam muito bem. Sabiam quando a outra estava triste, e faziam o que fosse preciso para reverter essa situação. Em espirito, eram a mesma pessoa.
O enorme relógio esculpido em madeira, ornamentado com detalhes minúsculos anunciava 23:59 quando o choro invadiu o cômodo.
- É uma menina! — Gritou Helena. – E é linda!
Helena segurou a filha nos braços. Mesmo coberta de sangue, a garotinha sorria para ela. Porém, mal teve tempo de apreciar o sorriso da pequena filha, quando ele entrou.
Quem era ele? Apenas um mensageiro. Que acabara de lhe tirar a razão de viver. Um mensageiro do pai da menina, que a manteria em segurança. Por quanto tempo fosse preciso.
Tão rápido quanto o vento, a retirou de seus braços, e a levou. Talvez ela até se levanta-se para ir atrás da filha. Talvez elas pudessem ter tido uma vida longa e feliz. Juntas, como uma família normal. Talvez. A verdade, é que nunca saberemos o que poderia ter acontecido.
Helena Hildoranthi Galeni
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