Unicornic

2 Capítulo 2 - O Começo de Tudo


Notas iniciais
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Acordei em uma câmara de vidro.

- Onde que eu estou?

- Está mudando.

Respondeu Ester, com os olhos brilhando.

- Mudando? Como assim?

Estava eu e ela.

Eu, dentro da câmara e ela do lado de fora.

Numa sala escura, sem janelas, sem cadeiras, sem nada. Apenas com a câmara comigo dentro.

- Me tire daqui!! Que você esta fazendo?

- É necessário! Todos de Unicornic tem que fazê-lo.

- Eu estou me sentindo... Leve?

- Sim. A câmara dos espíritos está decidindo qual será sua arma! Uma forma de defesa é essencial para os Unicornicos.

Eu custei a entender.

Na verdade, se eu quisesse lutar com alguém por exemplo, não cabia a mim escolher a arma e sim a Câmara dos Espíritos.

Demorou muito, mas a coisa me cuspiu fora e junto um cajado preto com uma das pontas flamejando um fogo preto. E minha roupa estava diferente. Meus cabelos ficaram cinza, e a roupa era um manto preto. Estava muito dark.

- Ficou mais bonito.

- Obrigado.

Ela tinha cabelo rosa e um top preto, mais a saia rosa e curta. Cabelo longo. Muito longo.

- Que diferença faz isso? — perguntei eu.

- Agora você é um cidadão de Unicornic. Um Unicornico.

- Todos passam por isso?

- Sim... A maioria. Só em caso de guerra. Com aquele demônio nos ameaçando, senti na obrigação.

- Demônio?

- Sim. Alguns Unicornicos cometem crimes. E passam a ser demônios, rejeitados por todos. Aí começam a cometer mais crimes para tentarem sobreviver. Quanto maior a quantidade de sombras, maior é a quantidade de crimes. A cada cem crimes, uma nova sombra aparece.

- E eles podem voltar a ser Unicornicos normais?

- Sim, mas para isso passam por um labirinto. Onde tem outros demônios. Os que saírem vivos de lá saem puros. E passam a ter apenas a própria sombra. Tipo um torneio para purificar.

- Isso é esquisito.

- É complexo... Não esquisito.

Eu comecei a olhar para o meu cajado. Tinha desenhos em alto relevo, de metal.

- Você parece um mago.

- É um elogio?

- É uma classe de Unicornicos daqui. Eu sou uma Unicornica Arqueira, Bowcorn. Você, Spellcorn.

- Hum... E que eu faço com esse cajado?

- Ainda nada... Na hora certa saberá o que fazer com isso. Aprendi da pior maneira.

Então saímos daquele local fechado e fomos lá fora. Havia algo de errado com o céu. Estava nublado, com nuvens vermelhas e dragões de sombra entrando no mundo.

- Mas já?

- Já o que?

Eu perguntei.

Ela respondeu, preocupada:

- A Guerra das Sombras.

- O que é isso?

Eu me espantei.

- Simplesmente eles querem você!

Pulei de susto. Ela me puxou entre os meteoros de fogo azul que tinha começado a cair. Quase não conseguíamos desviar.

- Você é o único humano que se tornou Unicornico.

- Como assim ‘o último humano’?

- Ninguém aqui e humano... A não ser você.

Ainda correndo, desviando dos meteoros — que começaram a se fortificar a cada instante — ela me contou tudo. O rei, como punição de sua morte, trouxe um humano para Unicornic — que resultaria em uma guerra. O pior... Ele sabia disso.

Achamos um local seguro. Dificilmente havia um lugar seguro, pois outros estavam sendo destruídos pelos meteoros. Era o inicio do fim de Unicornic.

- Você é o anfitrião dessa guerra... — disse ela, me preocupando.

- Eu... Ninguém tinha me avisado de nada.

- Foi as ordens... Agora estamos perdidos. Não deu tempo de treinar. Pegue seu cajado e tente algo.

- Como ‘tente algo’? Acha que eu sou um gênio da bola de cristal?

- Gênio não sei, mas ai no seu cajado tem um cristal... Ele deve emitir alguma magia. NÃO SEI, SE VIRA! Não temos tempo... Daqui a pouco alguns demônios vão procurar por ti. Ai não quero nem saber.

Eu comecei a me concentrar. Mirei meu cajado para uma árvore e gritei bem alto... Uma luz vermelha saiu, mas inversamente. Atingiu-me e me jogou para longe. Bati as minhas costas na parede. Cuspi sangue.

- Meu... Santo Unicornico! — ela colocou as mãos na cabeça. Tinha certeza de que iria fracassar em tentar algo, tipo me ensinar.

Eu me levantei, estremecendo de dor. Fiz um movimento de raiva e ao tentar jogar o cajado longe, ele emitiu uma luz preta. Resultou em uma destruição em massa... Destruí uma casa que tinha lá perto.

- Magia de movimento... — concluiu ela. — É isso... Você é um Spellcorn que utiliza magia de movimento. Na verdade, a dança é a sua magia!

- Ótimo. Sou péssimo em dança! — eu ironizei.

Ela pensou e pensou.

- Ivo... — ela sabia meu nome. — ... Tente fazer a mesma coisa, mas com um padrão de dança. Quando precisar, você fazer os mesmos movimentos para emitir a mesma magia. Isso é magia de movimento!!

Comecei a pensar e pensar. Estiquei os dois braços, dei uma volta 360º ainda com os braços estendidos e juntei-os a cabeça e joguei a magia pro alto. Lá em cima explodiu.

- Perfeito! — meus olhos brilharam.

†

O céu, estava todo obscurecido. Já não tinha sua cor natural. Estava vermelho, com raios a todo o momento — verdes. Uma coisa surreal.

Ivo e Ester estavam treinando, em quanto o caos tomava Unicornic — que já estava parcialmente destruída e já havia sangue demais derramado.

Passos selavam um fim próximo. Passos que botavam mais medo na esperança dos Unicornicos. Passos de um demônio que vestia preto e utilizava uma mascara de metal, com duas espadas que riscavam o chão -presas em suas costas, via um suporte. Seu nome é Moustache.

- Você reinara novamente, rei morto. Junto com seu povo. Mas no inferno.

E seu grito, alto suficiente para toda Unicornic ouvir, concluiu que naquela noite tudo seria acabado.

- Estou pronto! — disse Ivo, com várias danças prontas e com um nome para cada uma.

- Então vamos... Vamos acabar com isso de uma vez!

Ivo e Ester ficaram cercados por vários demônios, não tão forte quanto seu chefe — Moustache.

De longe, Moustache foi avisado de que eles foram encontrados.

- Acabem com isso, demônios!

Notas finais
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