União
1 Você acha que eles continuarão assim?
O dia estava mais quente que o de costume.
No pátio daquela instituição, via-se diversas crianças brincando do que lhes parecia mais divertido. Dentro da sala do diretor, estavam os três primeiros e o grande detetive.
O motivo?
— Mello. — O homem mais velho do cômodo chamou, franzindo o cenho ao encarar o chocólatra. — Quantas vezes terei que dizer? Agressão não leva a nada.
No canto, encontrava-se o ruivo com a mão pousada em cima de um dos braços e a expressão chorosa ao lado do albino. Ao contrário do terceiro, o mais novo parecia calmo por ter levado um soco no olho. Matt não estava acostumado a ser agredido pelo melhor amigo, então a sua reação não era das melhores.
L praticamente tropeçava pela sala, fugindo do furacão loiro. A criança parecia realmente irritada com alguma coisa e queria descontar na primeira pessoa que visse pela frente.
— Se acalme. — Dizia o moreno enquanto desviava dos ataques do garoto, sendo completamente ignorado. Decidiu se abaixar e segurar o outro pelas pernas, deixando-o de cabeça para baixo.
— Me solte! — Reclamou com a voz chorosa enquanto remexia-se, tentando voltar para o chão. Se balançou para tentar bater no corpo do detetive com os punhos, mas acabou falhando.
Encontrar Mello nesta sala já era rotina. Mas nunca pareceu tão irritado como estava naquela manhã.
Em questão de segundos, o pirralho conseguiu se soltar do inglês e começou a mordê-lo. O gamer olhava assustado para a cena, abraçando-se em Near. Este, por sua vez, apenas observava um de seus robôs.
— Ei. — O detetive chamou com a voz calma, tentando não se importar com a dor das mordidas do mais novo. — Se continuar agindo assim, vamos te deixar sem chocolate.
— O que? Não! — Rangiu os dentes, separando do moreno e cruzando os braços. Encarava L como se quisesse intimidá-lo com o olhar, mas uma criança de seis anos não o assustava muito.
Depois da ameaça, o loirinho se acalmou. Ouviu mais um sermão de Roger, como de praxe, e teve que pedir desculpa para os amigos. Acabou por sentar entre os dois com a expressão emburrada.
Nunca souberam o porquê dele ter se irritado tanto.
— Você acha que eles continuarão assim com os anos, L?
[...]
Já era verão.
Em uma estação dessas, o diretor achava que conseguiria descansar um pouco do que lhe estressava.
Mas novamente, acabou se enganando.
— Você já tem quatorze anos. — Começou, apoiando a cabeça em uma das mãos. — Não acha que está na hora de parar de morder os seus amigos?
— É claro que não! Eles ainda merecem! — Falou com o tom mais alto, desta vez tentando alcançar o ruivo. O detetive lançou um longo suspiro e o segurou, levando-o até os seus ombros. — O que está fazendo? Ei, me larga!
— Você age como criança, vou lhe tratar como criança.
O cômodo ficou em silêncio por um momento. Mello olhou em volta, observando o primeiro e o terceiro no mesmo canto de sempre.
Deitou a própria cabeça na de L, murmurando um pedido de desculpas. O inglês curvou os lábios finos em um sorriso, e os outros garotos pareceram satisfeitos.
Depois daquilo, o chocólatra saiu de perto e agiu como sempre fazia perto dos amigos.
[...]
— Sinceramente? Eu acho que sim. — Respondeu.
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