Unholiest

13 Treinamento


Notas iniciais
Tentei postar o capítulo 4 vezes ontem, não consegui :( Enfim, desculpem a demora, mas quem estuda sabe o que eu tô passando. Espero que gostem!

Já havia se passado uma semana desde que Santana fora "raptada". Quinn e Rachel sabiam que Brittany ia todo dia a varanda de Rach para esperar Santana, mas ela nunca aparecia. Hoje uma mudança seria feita, pois Kurt havia mandando uma mensagem para Quinn na noite anterior avisando que treinos começariam no terreno baldio próximo ao colégio.
"Você acha que ela vai melhorar?" Quinn perguntou para Rachel, as duas observando Brittany olhando para a janela com tristeza.
Rachel olhou para baixo e respirou fundo. "Eu espero que sim."
A verdade é que as duas tentavam espantar a tensão sexual perceptível entre elas, mas sempre que estavam juntas seus corpos ardiam em chamas. Apesar de dormirem abraçadas todas as noites, Rachel queria sentir Quinn de verdade. Queria sentir suas mãos quentes contra sua pele, seus lábios macios contra os seus. E Quinn sentia o mesmo sobre Rachel, mas as duas ainda estavam chocadas demais para tomarem conta da situação.
Quinn olhou para o relógio no seu pulso. Três horas da tarde. "É agora, vamos." Rachel foi até Brittany e Quinn apenas observou de longe a morena pousar a mão no ombro da outra, soltando as palavras com delicadeza. Brittany deu um leve sorriso e levantou-se. Quinn ficou boquiaberta, achava que nada tiraria Brittany de seu transe de tristeza. Quando as duas passaram, ela segurou Rachel pelo braço.
"Como você conseguiu?"
Rachel encarou a loira intensamente, fazendo o calor entre elas aumentar. "Eu disse que isso traria Santana de volta."
"Você não tem certeza." Quinn disse devagar, repreendendo-a por iludir a amiga.
"Ela precisa ter um objetivo." Foi a última coisa que ela disse antes de se desprender da mão de Quinn, seguindo pelo corredor.


O caminho para o terreno baldio fora silencioso. Apesar de ansiosa, Rachel não disse uma palavra. Estava louca para saber como seus amigos estariam.
"Não tem ninguém aqui." Quinn murmurou, batendo no volante. "Estamos perdidas, ótimo! Que maravilha!" A loira jogou os braços para o ar, saindo do carro. Começou a massagear as têmporas, os olhos fechados. Quando os abriu, viu alguma coisa. Um grupo de pessoas, uma imagem sem opacidade. Foi se tornando nítida, e Quinn viu seus amigos ali, no meio do nada.
"Calma, Quinn!" Gritou Mercedes, ao longe. "Não precisa se estressar, garota!" Ela sorria e começou a andar na direção da loira. Quinn achava que tinha enlouquecido de vez. Só descobriu que não era uma miragem quando recebeu o abraço de Mercedes. Ouviu as portas do carro abrindo atrás de si, e todo o grupo se abraçou. Como nos velhos tempos, ela pensou.
"Meninas, achei que não viriam." Disse Kurt, obviamente abraçando Rachel primeiro, depois Quinn. "Vamos começar?"
"Então... Você poderia me explicar que diabos era aquilo?" Quinn apontou para o lugar que estavam anteriormente. "Quer dizer, vocês estavam... invisíveis?" Todo o grupo riu em uníssono.
"Não é nada disso, Fabray." Kurt fez um gesto para que o seguisse e a loira obedeceu, assim como Brittany e Rachel. Eles se aproximavam cada vez mais do local, e as meninas perceberam que Mercedes fazia umas caras estranhas. Rachel trocou olhares nervosos com Quinn e as duas automaticamente deram as mãos. Quando suas peles se tocaram e seus olhos se encontraram, Rachel teve certeza de que estar com Quinn era a melhor coisa do mundo. Ela deu um sorriso, sendo copiada por Quinn. E, do nada, todo o cenário mudou. O céu que antes era azul agora era de um roxo escuro, o chão era de pedra, todo cor de vinho, assim como quase todo o resto. E elas não estavam em terra firme, mas sim em uma pedra cor de vinho que flutuava.
"Ah meu Deus!" Gritou Rachel, se jogando para trás de Quinn e cravando as unhas em seus braços. A loira olhou em volta; seus amigos estavam em duplas, cada um em uma pedra flutuante. Kurt saiu da pedra que dividia com Blaine, pulando para a de Quinn e Rachel que estava abaixo deles.
Ele fez um gesto para que Rachel parasse. "Pode parar de surtar, diva."
"Vocês... Querem nos matar!" Ela gritou, cravando as unhas em Quinn com mais força. "Eu estou louca. Só pode ser."
"Você está me machucando." Sussurrou Quinn, e Rachel a largou em seguida.
"O que é isso?" A morena ainda gritava.
"Então, a Mercedes tem esse negócio de poder nos transferir para universos alternativos. Nada demais." Um corvo negro com olhos vermelhos apareceu do nada e bicou as costas de Kurt. "Ai! Desculpe." O garoto disse, dirigindo-se a Mercedes.
"Onde exatamente estamos?"
"Exatamente?" A voz de Mercedes ecoou lá dentro e ela voou de sua pedra. Voou. Ao chegar em Rachel, tocou sem ombro e a morena sentiu uma força enorme na mão de Mercedes, mais do que a garota tinha no "mundo real". "Mombrox."
"Ah, Mombrox." Rachel disse, arregalando os olhos e aumento o tom de voz em sarcasmo. "Já estive aqui muitas vezes!"
"Rach, menos." Quinn, que agora estava atrás de Rachel, sussurrou em seu ouvido. O corpo da pequena diva estremeceu e ela sentiu uma pressão estranha em sua parte inferior. Oh, droga.
"Eu tenho vários universos alternativos. Esse aqui é um beeeem sombrio, mas ótimo para treinar, já que possui tantos obstáculos." Explicou Mercedes. "Agora vamos andar logo com isso, não posso manter isso aqui o dia inteiro, gasta energia demais."
"Espere!" Gritou Quinn. Ela andou até a ponta da pedra, olhando para a escuridão lá embaixo. "O que acontece se a gente cair?"
"Aconteceu com o Puck uma vez." Todos riram se lembrando, menos as meninas. "Bom, você cai e cai e cai até que eu desfaça esse mundo. Aí você cai tipo, de vinte centrímetros do chão no mundo real. Só isso."
"Uau."
Mercedes revirou os olhos. "É, é, tanto faz. Vamos logo com isso." E voltou para sua pedra, assim como Kurt. Rachel ficou novamente sozinha com Quinn e as duas deram as mãos mais uma vez.
"Um." Disse Blaine.
"Dois." Completou Puck.
"Três!" Gritou Mercedes, e todos começaram a invocar seus poderes, causando uma confusão enorme.
"Santa mãe de Deus!" Gritou Quinn, abraçando Rachel com força.
"Eu nunca tinha vindo aqui." Sussurrou a morena, contra o peito de Quinn. Ela sentia os seios da loira próximos ao seu rosto e aquilo era ótimo.
"Adivinha só, nem eu."
"Eu estou com medo."
"Eles não vão nos machucar." Quinn passou os dedos pelo cabelo de Rachel em uma tentativa de acalmá-la. Mas não iria adiantar depois do que ela viu. Rachel deu um grito agudo e empurrou Quinn, puxando-a para seu lado em seguida e andando para trás. Na sua frente estava uma criatura completamente negra, com quatro chifres e olhos vermelhos. Não possuía braços, mas sim asas, como um morcego.
"Que merda é essa?" A voz de loira falhava, pois estava completamente nervosa. Será que dá pra morrer aqui também? Pensou.
"Temos que subir." Disse Rachel.
"Como? Não tem jeito!"
"Ei!" Brittany gritou e nenhuma das duas pôde distinguir aonde a fada estava, até que Rachel foi puxada para a pedra de cima. Quinn continuou andando para trás, já com certeza de que iria cair e se preparando para a sensação horrível. Viu a criatura se aproximar mais, seus olhos vermelhos brilhando.
"Ai, Santa Barbra!" Ouviu Rachel gritar do alto, mas logo depois foi puxada do mesmo jeito que a morena fora. Caiu na pedra de cima, ofegante.
"Você podia ter sido só mais um pouco delicada!" Quinn gritou para Brittany, que deu de ombros.
"Pelo menos eu te salvei." Foi a resposta que Brittany deu, flexionando os joelhos para voar. "Acho bom vocês aprenderem a se virar sozinhas se quisermos Santie de volta. E nós queremos." E voou para a pedra de cima, onde Kurt e Blaine afastavam corvos de olhos vermelhos em golpes incrivelmente velozes. Kurt fazia os animais queimarem apenas com o movimento de sua mão, e Blaine os abatia com sua força poderosa. Rachel se questionou o por quê de não possuir dons tão magníficos. Quinn cutucou a morena, mostrando que seus inimigos estavam tentando subir para a pedra das duas.
"Rach, você tem que fazer alguma coisa."
Ela se virou para encarar Quinn, fazendo um gesto que mostrava que estava de mãos atadas. "Fazer o quê?"
"O que você faz!"
"E o que eu faço?"
"Não sei, você deve saber!"
"Certo. Eu posso entrar na mente das pessoas e deixar mensagens lá."
Quinn revirou os olhos. "Isso não vai ser de muita utilidade agora."
Rachel andava de um lado para o outro, nervosa. Até que parou e encarou Quinn. "Então use o seu dom!"
"Eu não sei qual é o meu dom."
"E quando você nos deixou invisíveis na floresta?"
"Ham, eu não tenho certeza de como aquilo aconteceu."
"Foi o seu dom, Quinn!"
"Eu não sei se posso fazer aquilo de novo. Ou por quanto tempo dura."
"Tente."
"Não vai ser útil."
"Bom, nós não vamos morrer." Quinn não queria mais discutir com a morena insistente, e fez exatamente o mesmo que fizera na floresta. Repetiu para si mesma: Por favor, não nos veja. Por favor, não nos veja.
E foi aí que aconteceu.
As criaturas subiram a pedra desesperadamente, fazendo com que Rachel agarasse o braço de Quinn com força. Não era mais uma, ou duas. Eram três. Não, quatro. Quatro bichos daquele.
"Merda!" Praguejou Quinn, percebendo que não estavam nem perto de serem invisíveis. "Vamos ter que pular."
"Pular? Você enlouqueceu?"
"Acho que loucura não é mais uma coisa questionável, considerando a nossa situação." Quinn disse, antes de se jogar para trás e cair no vazio. Rachel se desesperou sem saber direito o porquê. Não sabia se fizera o que fizera por estar encurralada ou por entrar em pânico ao ver a loira se jogar, mas pulou no vazio logo em seguida.

De todas as coisas estranhas que Quinn Fabray já havia presenciado, aquela era a pior. Sabendo que não iria morrer de verdade, ela se jogou sem pensar duas vezes. No começo, gritou de pavor com o vento batendo em seu rosto e com a alta velocidade em que caía, mas depois de um minuto percebeu que aquilo não acabaria até que Mercedes decidisse voltar para o universo normal. Ouviu Rachel chamando pelo seu nome e viu a morena parar do seu lado, as duas caindo.
"Isso desafia todas as Leis da Física." Rachel gritou, por causa do vento constante.
"Parei de acreditar em Ciência no momento que pisei aqui"
"Eu não quero ficar caindo pra sempre."
"Mercedes!" Quinn gritava, com um pouco de esperança de que ela ouviria. Quinn e Rachel ficaram gritando por minutos, até que caíram no chão firme. Estavam no mundo real. Quinn passou as mãos pelos fios loiros, aliviada.
"O que você acha que está fazendo?" Rachel gritou, andando até Mercedes. "Quinn não tem treinamento e eu não tenho nada de especial! Nós poderíamos ter morrido!"
Mercedes tomou um ar impaciente. "Vocês não poderiam ter morrido, nada daquilo é real. Dã." E deu meia volta. "Vocês vão voltar ou não?" Rachel olhou para Quinn, como se perguntasse se deveriam voltar. Mercedes percebeu os movimentos das duas. "É o único jeito de Quinn descobrir seu dom."
"Não dá pra gente ficar aqui?" Rachel perguntou, preocupada.
"Nós não vamos ficar aqui!" Mercedes estava sendo arrogante, como sempre.
"Mercedes, por favor!" Quinn pediu, mas a garota não cedeu.
"Não! Lá é melhor!"
"Mas Merc..."
"Nós vamos pra lá e ponto final! Se vocês não querem, o problema é de vocês!"
"Olha, o nosso plano era ir para o terreno baldio e treinar lá, não nesse fim de mundo! E você não manda em ninguém, sua rolha de poço!" Quinn se assustou com a agressividade nas palavras de Rachel, mas ao mesmo tempo gostou. Então ela sabia como ser uma vadia. "Uma pessoa nojenta que nem você nem merece os dons que tem!" Com isso, Rachel virou as costas para Mercedes, fechando os olhos em desprezo e murmurando "Venha, Quinn."
"Que Quinn? Só há eu e você aqui." Rachel abriu os olhos e o cenário havia mudado. Virou-se para a direção da voz e viu Mercedes iluminada por um holofote que seguia todos os seus movimentos. Rachel também era iluminada por um holofote, mas o estranho era que as luzes não vinham de holofotes em si, mas sim do nada. Elas apenas saíam do "céu" escuro, iluminando as duas divas. "Rachel Berry, você não devia ter me desafiado assim."
Rachel tentou assumir um tom firme. "Eu não disse nada demais, acho que você já está careca de saber dessas coisas." Mercedes andou um pouco, observando a morena de longe. Rachel pensava em como sair dali, mas não havia como: Mercedes controlava tudo ali.
"Ainda duvida do meu dom?"
"Eu nunca duvidei."
Mercedes apareceu atrás de Rachel do nada. "Ainda duvida?"
"Não."
"Ótimo. Agora, eu quero que você mostre o que sabe fazer." Rachel se apavorou. Ela só sabia colocar mensagens ou imagem nas mentes alheias...Não havia como machucar Mercedes fisicamente. Mas talvez... "Estou esperando."
Rachel tentou encontrar seu ponto de paz para que pudesse se concentrar, e construiu seu objetivo como a mente de Mercedes. Começou a infiltrar imagens horripilantes na mente dela, coisas que ninguém gostaria de ver... Com mensagens bem pessoais.

Se você não me tirar daqui, eu não vou parar. Rachel disse, na mente de Mercedes. E concentrou imagens mais horríveis ainda em sua mente.
Eu não vou tirar.
Você é quem sabe.
Mercedes gritou por dentro e por fora com uma imagem chocante.
Agora.
Não. Mais um grito.
Vamos logo com isso.
Mercedes apenas fez que não com a cabeça, já soluçando em pânico com as imagens. Gritou e caiu de joelhos no chão.
Eu disse agora.
"T-tudo bem..." Murmurou, sentindo Rachel sair de sua mente. Sem nem levantar o rosto para a diva, ela a devolveu ao mundo real, mas continuou ali, ajoelhada.
"Vamos." Rachel disse, agarrando a mão de Quinn, que esperava com o grupo. Puxou Brittany também e deu um rápido aceno para os amigos, entrando no carro com rapidez. "Quinn, por favor, dirija rápido." A loira pisou no acelerador com força, fazendo Brittany ser empurrada para trás, e saiu praticamente voando com o carro.
"Mas o que foi que aconteceu?"
Rachel permaneceu calada, olhando a paisagem, segurando as lágrimas. As imagens foram horríveis para ela também, é óbvio. Ela respondeu sem se virar. "Eu conto mais tarde." E sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto. A primeira de muitas.

Notas finais
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