Notas iniciais
Oi oi gente! Então, essa semana novamente não teremos nem ACBAH nem Princesa Emily, entoces meus amores estou postando essa One pra compensar, porque semana que vem as duas fics voltam com todo com uma maratona de quatro caps cada, então fiquem de olho na sexta e no sábado porque meu not volta quarta do concerto com meus lindos documentos :) etão aguardem um pouquinho.Uma One básica só pra distrair e só pra terem um pouco de Charmily na semana de vcs kkkkk espero que gostem.Boa leitura!!!

Infelizmente, ou talvez, felizmente, as coisas não eram como antes.

Não, com certeza era um grande infelizmente.

Emily olhou para a lua através da janela e suspirou se apoiando no batente da mesma. Era lua cheia, brilhava tanto que a fez estreitar os olhos um pouco para olhá-la. Deveriam ser por volta de quatro horas da manhã e considerando que ela acordava as seis passaria aquela noite acordada.

Queria tanto que nada daquilo tivesse acontecido.

Ou que algo a mais tivesse acontecido.

Não sabia ao certo qual das duas alternativas era pior.

E tudo isso havia começado há um dia, um dia podia mudar muita coisa, e como.

2 dias atrás...

Uma buzina alta, muito alta ecoou pela silenciosa rua em plenas 7h00min da manhã daquela Quinta-Feira.

– Emily! – Anne Davis, sua mãe gritou da cozinha.

– To indo!

Emily colocou a bolsa no ombro e desceu as escadas correndo.

– Oi mãe – ela beijou a bochecha da mãe – tchau mãe.

Anne não conseguiu nem falar um tchau, a menina já tinha desaparecido pela porta.

Na frente de sua casa estava Charlie, seu melhor amigo há um ano. Os óculos escuros Ray ban pretos estavam em seus olhos, uma de suas mãos estava apoiada no volante de seu conversível e sua expressão... não era nada boa. Sua pele bronzeada parecia brilhar no sol, seus cabelos castanhos escuros estavam meio bagunçados como sempre e os óculos escuros escondiam seus olhos esmeraldas brilhantes.

– Começa a separar a roupa um dia antes loira atrasada! – ele disse indicando o relógio em seu pulso e Emily revirou os olhos entrando no carro.

– Oi e desculpa.

Ele suspirou ligando o carro enquanto Emily colocava o cinto.

– Terminou o trabalho de física? – ela perguntou arrumando o cabelo loiro levemente encaracolado o máximo que conseguia já que o vento o jogava para trás de qualquer jeito.

Charlie tirou uma das mãos no volante sem tirar os olhos da rua e pegou sua mochila colocando no colo da menina.

– Ótimo – ela sorriu abrindo a mala dele para conferir o trabalho.

– Olha, creio eu que esteja tudo certo – ele disse – porque minha mãe conferiu.

Emily riu.

– Ok, confio na sua mãe.

– Em mim não?

– Se tratando de exatas nunca – eles riram.

Emily olhou para ele, seu sorriso parecia brilhar no sol.

– Vamos chegar atrasados – ele olhou de relance para o relógio vendo o pequeno trânsito a sua frente.

Emily suspirou com raiva se afundando no banco.

– Desculpa – ela disse.

– Ok – ele disse abrindo o porta-luvas – mas quem vai falar com o Kingsley é você.

Ela sorriu.

– Fechado.

O carro parou no sinal e Charlie cutucou o porta luvas já aberto tirando uma caixinha de Bis.

– Abre ai – ele jogou no colo dela andando um pouco com o carro.

– Até parece que adivinhou que eu não comi nada – ela sorriu abrindo a caixinha.

– Do jeito que você saiu e a hora que você saiu eu acho que deu pra perceber que não comeu nada – ele disse – e eu também estou com fome.

Ela abriu um bis e Charlie abriu a boca.

– Folgado – ela colocou o bis na boca dele que colocou entre os dentes enquanto fazia a curva, depois tirou uma das mãos do volante para comer.

– Sempre – ele sorriu – e eu to dirigindo, te levando pra escola e estamos atrasados por sua culpa, me dar bis ainda é pouco – ele disse e ela revirou os olhos com um sorriso – devia fazê-la me carregar nas costas o dia todo.

– Aham, até parece, gordo do jeito que você é eu não conseguiria dar um passo com você nas costas.

– Eu não sou gordo sua invejosa! – ele disse ofendido – eu sou gostoso, muito gostoso, então fica de boa aí.

Ela riu, ás vezes falava que ele era gordo só pra provocar, porque haja menino gostoso como aquele.

– Horas?

Ela pegou o celular no bolso da calça.

– 7h58.

– Puts – ele riu – ferrou loira.

* * *

Entraram na escola correndo, tentaram cortar caminho pelos corredores onde o Kingsley geralmente não estava, mas quando viraram o corredor principal para o elevador, lá estava o bendito Kingsley.

Emily suspirou derrotada, já estavam 13 minutos atrasados, agora demoraria mais uns 15 minutos para ele os liberar.

– Ora veja só – ele disse – além de atrasados estão correndo nos corredores.

Os dois se olharam e Charlie ergueu as sobrancelhas para Emily.

– Desculpa senhor Kingsley, a culpa foi minha – ela disse – eu me atrasei e como Charlie faz o enorme favor de me trazer o atrasei também.

O senhor Kingsley os olhou.

– Pode me dar uma advertência, eu entendo, mas se puder fazer isso rápido porque estamos atrasados e temos um trabalho para entregar na primeira aula eu ficaria muito grata.

Ele olhou a menina e escreveu a advertência em um papelzinho amarelo, entregou a Emily e os dois voltaram correr a caminho da sala.

– Não corram!

Dessa vez eles simplesmente ignoraram.

Charlie abriu a porta da sala de física bruscamente. Vários pares de olhos os encararam e Emily viu sorrisinhos pecaminosos nos rostos de alguns.

– Hummmmm atrasadinhos – Nick, um amigo deles se manifestou e todos soltaram uma risadinha.

– Vá se catar Hawks – Charlie acabou soltando uma risadinha olhando para o amigo.

– Senhor Martin e senhorita Davis... – o professor começou a falar, mas Emily levantou o papelzinho amarelo da advertência.

– Já tivemos o prazer de encontrar Kingsley no corredor, professor – ela disse.

– Certo, me entreguem o trabalho e sentem-se.

Emily abriu sua bolsa pegando sua parte do trabalho e a de Charlie, grampeou com o grampeador em cima da mesa e entregou ao professor que deu uma conferida básica com os olhos indicando para os dois se sentaram com a mão.

Eles se sentaram em seus respectivos lugares, ou seja, a segunda bancada da fileira do meio.

Se sentaram do mesmo jeito de sempre, Emily do lado esquerdo e Charlie do direito.

– Você é muito sortuda loira – ele disse tirando suas coisas da mala.

– Nossa, levei uma advertência, que sorte – ela sorriu irônica e Charlie revirou os olhos sorrindo.

– Sua sorte é que todos aqui gostam de você – ele disse – se fosse eu teria ido para a diretoria quando entrasse na escola.

Emily riu baixinho e Charlie riu também, a risada dela já era engraçada, ainda mais quando ela tentava segurar.

* * *

– Nada contra fazer trabalho com o Charlie... é que dá preguiça só de pensar – Emily disse enquanto ela e Sarah iam se sentar na mesa de sempre do refeitório.

– Não deve ser tão ruim assim – Sarah, sua amiga disse.

– Não é que seja ruim – elas se sentaram – é que ele perde o foco fácil ai besta do jeito que é me faz perder o foco também falando alguma merda, e fica nisso, e acontece que a coisa não rende.

– Mas ele faz alguma coisa pelo menos – ela disse – maldito dia em que me botaram para fazer dupla com o Sanders, se fosse o Nick seria melhor.

– Você acha que fazer dupla com seu namorado seria bom? E bem... o Nick não é um poço de inteligência sem ofensas.

Ela riu abrindo seu refrigerante.

– Não mesmo, ele não faria nada também.

– Então qual seria a diferença?

– Bom, em primeiro lugar se ele ficasse dando em cima de mim não teria problema porque ele é meu namorado, não um esquisito – ela disse e Emily riu – e em segundo lugar... ele não é inteligente, mas tem pegada, então ele recompensaria o fato de não fazer o trabalho de uma forma bem agradável.

Emily revirou os olhos sorrindo cutucando seu almoço.

– Por esse ponto de vista, realmente compensa – ela disse e Sarah sorriu tomando sua Coca.

– Oi lindas – Kate sentou junto com elas.

– Oi Cupcake – as duram disseram em coro.

– Abby pediu pra avisar que ela ta na biblioteca, então não vai nos dar a honra de sua presença hoje.

– Ok – Emily sorriu.

– Podemos almoçar no Starbucks hoje? – Kate perguntou.

– Desculpa Kate, eu e Charlie vamos fazer trabalho.

– E eu estarei me controlando para não matar meu parceiro de trabalho – Sarah disse com uma careta.

Kate fez um bico triste.

– Tudo bem então.

– Ouvi meu nome! – Charlie chegou se sentando ao lado de Sarah a empurrando pro lado propositalmente.

– A Emy ta trocando almoçar comigo porque vai fazer trabalho com você – Kate disse ainda de bico – seu chato.

– Eu sou preferência – ele tocou o ombro de Kate – aceite isso.

– O trabalho é preferência, você não é nada – Emily disse brincando.

– Ah, é assim então? – ele ergueu uma sobrancelha cruzando os braços.

– É – ela sorriu se levantando – já volto meninas.

Charlie voltou a erguer a sobrancelha, não entendeu se ela o excluiu do seu "já volto" ou se o chamou de "menina", mas de qualquer jeito, ficou ofendido, ainda mais quando Kate e Sarah riram dele.

– Chego atrasado por causa da menina, a pego em casa todos os dias e é isso que eu ganho – ele disse abrindo seu suco – ok então.

– Você não é prioridade, aceite que dói menos – Kate repetiu seu gesto tocando seu ombro e Charlie acabou soltando um sorriso.

– Vocês não prestam – ele sorriu e Sarah piscou para ele.

– Mais de um ano convivendo com a gente e agora que você foi se tocar?

– Não, só quero afirmar isso.

Emily entrou na fila novamente para comprar chocolate porque havia esquecido. Olhou para a mesa em que estava sentada e viu Charlie sorrindo, faminto do jeito que era ia acabar com seu chocolate, decidiu por comprar uma barra logo.

– Oi Emily.

A menina se virou para o lado vendo Simon, um garoto simpático que fazia inglês com ela.

– Ah, oi Simon – ela disse sorrindo.

– Só porque falou que eu não sou nada vou comer as batatas dela – Charlie disse roubando cinco batatas fritas da bandeja de Emily – e afinal oque ela foi comprar? Ta tudo aqui – Charlie negou olhando pra ela – mas é uma gorda mesmo.

– Doce, certeza – Kate disse e Sarah assentiu.

– Como essa menina come tanto doce e é gostosa desse jeito? – Sarah parecia inconformada, Charlie e Kate riram.

– A Emy é a Emy Sarah, não tente entender como as coisas funcionam – Kate disse.

– Exato – Charlie concordou.

– Aquele é o Simon? – Kate olhou para a fila vendo Emily e um garoto conversarem.

– É – Charlie concordou franzindo o cenho – ele faz inglês com ela, acho.

– Meu deus ele ta paquerando ela! – Sarah disse rindo.

– Oque? Não – Charlie olhou bem.

– Claro que ta seu tonto, ele ta sorrindo pra ela e olha a mão dele – Sarah começou a rir – ele ta louquinho pra encostar nela, mas ta com medo.

– É... verdade – Charlie olhou bem – Emily Davis!

Charlie literalmente gritou oque fez várias pessoas o olharem, mas ele pouco ligava para isso.

Emily o olhou com aquela cara de "ta maluco garoto?".

– Temos que pegar o livro na biblioteca, vai rápido!

Ela claramente se desculpou com Simon e bem envergonhada voltou ao seu lugar com a barra de chocolate na mão.

– Você é retardado? – Emily deu um tapa na cabeça dele, bem forte por sinal.

– AIII! Por quê? Temos mais meia hora de almoço e você fica enrolando lá sendo que ainda temos que pegar o livro de literatura na biblioteca.

– Mas precisava gritar? – ela tinha as bochechas vermelhas de vergonha.

– É que ele te viu com o Simon e ficou com ciúmes – Sarah sorriu sacana.

Emily o olhou com as sobrancelhas erguidas.

– Claro que não. Eu? Ciúmes de você? Puff.

Ela se sentou colocando a barra de chocolate ao seu lado.

– E além de me matar de vergonha ainda come minha batata frita – ela disse lançando um olhar ameaçador para Charlie – mas é um energúmeno mesmo.

– Primeiro, você enrolou então perdeu batatas, e segundo, eu não sei o que é isso ai que você falou, mas eu não sou.

Ela revirou os olhos se levantando levando o chocolate embora.

– Acho que ela ficou brava senhor superprotetor – disse Kate.

– E a gorda ainda levou o chocolate – Sarah fez bico.

* * *

– Mãe cheguei! – Charlie gritou ao entrarem em sua casa e Emily fechou a porta atrás de si.

– Oi meu amor! Você já...

– A Emy ta aqui antes que fale algo que me constranja! – ele disse e Emily sorriu.

– Oi querida!

Os dois entraram na cozinha onde Flor, mãe de Charlie se aventurava com as panelas. Sua pele era branquinha diferente da do filho que tinha um bronzeado leve e lindo. Os olhos eram castanhos, mas tinha um tom puxado para o verde, e pelo pai de Charlie ter olhos tão verdes quanto o do filho a cor dos olhos do garoto era plausível. Era uma mulher muito simpática e bem coruja com o filho, e Charlie era um grude na mãe o que Emily achava adorável, ele não sentia vergonha dela como a maioria dos garotos de 17 anos.

– Oi Flor – Emily sorriu para a mulher.

– Oi linda – ela tirou as luvas para abraçar Emily com força – como vai?

– Muito bem, e a senhora?

– Na mesma de sempre – ela piscou para a garota que sorriu – filhote – ela abriu os braços para Charlie que sequestrava uma maçã.

– Mãe – ele soltou a maçã e abraçou a mãe com força beijando o topo de sua cabeça – vamos subir para fazer trabalho, ok?

Ela assentiu.

– Mas espera, não vão comer nada? Eu estava fazendo lasanha.

– Sendo assim a gente come – Charlie beijou a bochecha da mulher.

A lasanha da Flor era tipo... A LASANHA.

– Mãe, a Emy me fez chegar atrasado hoje – ele disse fazendo bico enquanto se sentavam e Emily deu um tapa nele.

– E seu filho me fez passar vergonha no meio do refeitório.

Flor olhou para eles e riu.

– Vocês dois me orgulham tanto – ela disse irônica e Emily riu.

– Em minha defesa eu acordei atrasada por causa do meu alarme – Emily disse.

– E qual sua defesa pra ter feito a menina passar vergonha? – Flor perguntou checando a lasanha no forno que cheirava tão bem que quase fez Emily revirar os olhos.

– Bem eu...

– Não tem justificativa, Flor – Emily disse.

– Tem sim, ela tava lá se enrolando com um menino e a gente precisava pegar um livro pra um trabalho.

– Menino? – Flor perguntou, parecia confusa.

– Um menino da minha sala de Inglês – ela disse e Flor assentiu – e o Charlie ficou todo bravinho e ainda comeu minhas batatas fritas.

Flor olhou para os dois e sorriu de um jeito fofo, Emily e Charlie se olharam sem entender aquele olhar de Flor.

– Mas o garoto estava paquerando ela mãe, e ela tava dando trela pra ele.

– Isso não é verdade! – Emily disse.

– Então ele não estava te paquerando?

– Bom... talvez sim, mas eu estava apenas sendo simpática.

– Sorrindo pra ele daquele jeito que você faz com os professores ou quando quer alguma coisa – Charlie a enfrentou e Flor riu.

– Porque está tão incomodado?

– Porque... – Charlie gaguejou e Emily ergueu as sobrancelhas esperando uma resposta – ele é chato demais, por isso estou incomodado.

O barulho da porta foi ouvido e logo Jack, pai de Charlie estava na cozinha.

– Olá crianças – ele disse.

– Oi pai.

– Oi Jack – Emily sorriu para o homem que sorriu para ela novamente.

– Oi Flor – ele beijou a bochecha da mulher rapidamente.

– Oi – ela sorriu – voltou cedo.

– Eu só vim pegar alguns documentos, já estou voltando para o escritório – ele disse indo até a sala – até depois família! E foi ótimo te ver Emily.

– Igualmente Jack.

* * *

– Eu amo sua mãe – Emily disse quando eles entraram no quarto de Charlie depois daquele almoço maravilhoso.

– Todos amam – ele sorriu metido jogando a mala em cima da cadeira e indo pro banheiro.

– Eu vou ligando o not, ok? – ela perguntou pegando o notebook dentro da bolsa.

– Sim senhorita... ai merda! – ele disse e Emily franziu o cenho.

– Que foi?

– Nada não – ele disse com uma voz meio dolorida.

– Quer ajuda? – ela se levantou para ver oque tinha acontecido.

– Não! Não entra aqui!

– Meu deus Charlie, oque foi?

– Eu bati o pau na pia ok?

Emily até teria segurado a risada, mas nem se deu ao trabalho de fazê-lo, começou a rir feito uma retardada e até sentou no chão.

– Isso, ri filha da mãe – ele disse – não são seus filhos que estão comprometidos agora.

Ela riu ainda mais.

– Faz massagem que passa – ela se levantou cambaleando e voltando para a cama de Charlie onde deitou sentindo aquele cheiro de homem impregnado em seu travesseiro, cobertor... na cama em geral.

– Hahahah engraçadinha – ele disse ainda com a voz meio dolorida.

Ela riu novamente voltando sua atenção para o computador e começou a fazer a pesquisa com um Charlie gemendo de dor no banheiro.

– Quer que eu chame sua mãe? Ou pegue algum remédio? – ela perguntou vendo que Charlie estava demorando demais.

– Não, to legal – ele saiu andando igual a um pinguim do banheiro e Emily mordeu a boca pra não rir – não fala nada.

– Assunto encerrado aqui – ela disse sorrindo e ele se sentou ao lado dela.

– Caraca, que dor – ele disse.

– Certo, se acalma que já passa – ele fez carinho no cabelo dele como se fosse um cachorrinho.

– Ta, e oque pesquisou até agora?

– Hã... algumas biografia interessantes – ela disse e ele se inclinou para mais perto para conseguir enxergar a tela direito.

– Hum... bom – ele assentiu com a cabeça.

A proximidade dos dois era bem grande e Emily engoliu seco quando Charlie passou a mão por sua cintura como apoio para se inclinar ainda mais na direção do computador.

– Eu posso ir digitando já que você vai acabar fazendo quase tudo porque eu sou uma negação – ele disse – assim eu ajudo em alguma coisa.

– Ok – ela deu de ombros.

– Você é ótima.

– Eu sei, mas por isso eu deito na cama.

– A cama é grande sua espaçosa!

Charlie se deitou de um lado de barriga para cima enquanto Emily ditava o texto que eles tinham que fazer, já a loira estava virada para ele olhando de vez em quando para a tela do computador quando se perdia no próprio raciocínio.

– Tem uma vírgula antes do mas criatura! – ela riu da cara de confusão de Charlie.

– Mas será que tem algo nessa vida que eu consiga fazer direito? – ele riu voltando antes do mas para colocar uma vírgula, uma maldita vírgula.

– Ah, deve ter, só temos que achar... o que convenhamos que pode demorar um pouco – ela deu de ombros e Charlie sorriu virando o rosto para ela.

Os olhos dele pareciam brilhar quando ele sorria, e aquele sorriso... ele tinha um sorriso muito bonito e branquinho.

Os olhos azuis elétricos da menina com aquele leve tom esverdeado no centro percorreram os braços definidos dele dobrados para se apoiar na cama, subiram devagar até o rosto e por ali ficar focalizando nos lábios.

– Emy?

Ela piscou os olhos quando viu os lábios dele se mexerem.

– Oi?

– O texto – ele sorriu novamente.

– Ah sim, claro – ela sorrindo boba.

– Com a cabeça na lua, loira?

– Quase isso – ela riu – certo, onde parei?

– Na vírgula antes do "mas".

– Claro – ela riu novamente e voltou a ditar o texto para Charlie que digitava rapidamente tentando acompanhar o ritmo da loira que era bem apressadinho.

* * *

– Mãe! Estamos indo ao Starbuks!

– Ta bom filho! Tchau Emily!

– Tchau Flor!

E assim eles saíram indo a pé mesmo já que o Starbucks era bem perto da casa de Charlie.

Andavam sem pressa, o sol incomodou os olhos sensíveis dele que tirou os óculos de sol da gola da camisa os colocando em frente aos olhos.

– Droga de sol.

– Pare de reclamar olhos sensíveis – ela disse brincando.

– A culpa não é minha ta?

– Eu sei que não – ela se apoiou nele rapidinho para se equilibrar.

– Disfarçou, mas quase caiu – ele riu dela que riu também dando um tapa em seu ombro – nem adianta, eu vi.

– Cala a boca – eles riram entrando na cafeteria.

– Procura uma mesa que eu vou buscar as coisas. Quer oque?

– O de caramelo e Donuts de creme.

– Então teremos Donuts e sanduiches – ele fez cara de fome desaparecendo e Emily riu procurando uma mesa vazia.

Achou uma perdida de apenas dois lugares e se sentou esperando Charlie trazer as coisas.

Brincou com o enfeite da mesa e alguns minutos depois Charlie apareceu com dois copos e uma embalagem quadrada.

– Pedi pra viagem, aqui ta muito cheio – ela bufou.

– E me fez ficar aqui pra nada?

– É, vamos comer no parque, aquelas crianças loucas devem estar lá.

Emily riu levantando.

Eles observavam a gangue de crianças doidas se acharem os reis e rainhas do mundo comandando o "brinquedo grande", era muito engraçado, e eles adoravam ir ali as vezes para rir um pouco dos ataques de pânico de um dos garotos quando alguém furava a fila.

– Imagina se essa criança cresce e tem amigos como nós – Charlie disse rindo.

– Nossa, a cada falta de uma vírgula antes do "mas" a pessoa enfarta.

Ele olhou para frente rindo bastante oferecendo a caixa de Donuts a ela que pegou um de chocolate dessa vez.

– Fico pensando nos meus filhos – Emily disse e Charlie a olhou atentamente – coitados.

Eles começaram a rir de novo.

– Eu vou ser muito aquela mãe que quando os filhos começam a discutir e trocar ofensas loucas vai rir igual uma retardada e acabar os deixando tão sem graça que vão parar de brigar na hora.

– Boa tática – ele disse – eu acho que eu vou bem discretamente pegar uma fita adesiva e colocar na boca deles e sair.

Ela riu baixinho revirando os olhos.

– Seremos ótimos pais – ela concluiu.

– Com certeza.

– Eu disse fila indiana, isso ta parecendo uma minhoca tonta! – o menino disse e dessa vez Emily e Charlie explodiram em risadas.

Emily mordeu novamente o Donut e um pouco do açúcar ficou em sua boca. Charlie a olhou desviando os olhos para seus lábios.

– Você gosta do Simon?

Emily lambeu os lábios lentamente tirando o açúcar dali e Charlie acompanhou o movimento todo com os olhos voltando depois para os olhos da menina.

– Como? – ela franziu o cenho.

– O Simon – Charlie bateu as mãos as limpando – é mais do que evidente que ele gosta de você, muito.

– Não exagere, uma quedinha no máximo.

Charlie riu negando com a cabeça.

– Às vezes você é tão inteligente, mas às vezes é tão burra.

– Como é?

– Aquilo não é só uma quedinha, Emily – ele disse – você se olha no espelho?

– Que tipo de pergunta é essa?

– Emily – ele virou a cabeça para ela – você é linda, e... – ele olhou o corpo dela rapidamente – digamos que você atrai as pessoas.

– Aonde você quer chegar? – ela virou a cabeça totalmente para ele.

Ele revirou os olhos.

– Quero dizer que o Simon entre outros estão sim bem afins de você, e é pra você tomar cuidado, principalmente com o Simon, ele é bem violento.

– Eu ouvi falar que sim – ela disse – mas ele nem ninguém naquela escola me interessa.

– Ninguém?

Ela negou pegando outro Donut dando uma mordida pequena.

Novamente os lábios dela ficaram repletos de açúcar.

– Os meninos naquele lugar tem algum problema – Emily disse – ou são burros demais, violentos, estranhos, chatos, metidos ou são completamente irritantes.

– Você não teve a oportunidade de namorar ninguém que preste então – Charlie sorriu – há exceções naquela selva chamada colégio.

– Eu sei que há – ela riu – você é uma delas, mas você é o Charlie então não conta.

– Porque eu não conto? – ele chegou mais perto dela olhando em seus olhos que refletiam a luz do sol – me acha tão ruim assim?

– Não, claro que não, você é ótimo, mas é meu amigo – ela soltou um sorriso trêmulo – e eu teria uma grande concorrência – ela riu – já que o senhor faz mais sucesso que os garotos do time.

Ele chegou ainda mais perto olhando fixamente os olhos dela.

– Nenhuma me interessa.

– Então estamos na mesma – ela ficou séria olhando bem nos olhos dele que estavam muito perto.

– Na verdade – ele engoliu seco – acho que tenho interesse em uma.

– É? – os olhos deles estavam quase se embaralhando de tão perto.

– Acho que sim – ele mordeu o lábio olhando para a boca dela.

Emily se afastou um pouco dele meio assustada.

– Que se dane – ela disse o puxando pela camisa selando seus lábios.

Dois segundo depois ela o soltou afastando seus rostos. O certo seria Charlie ter ficado assustado, mas a assustada ali era ela. Os olhos dela estavam arregalados enquanto Charlie só a olhava meio surpreso.

– M-me des...

Charlie colocou a mão na cintura dela e a puxou contra ele entrelaçando sua mão livre nos cabelos dourados, compridos e levemente encaracolados da menina.

Ele não deixou que aquilo fosse apenas um selinho, abriu a boca exigindo espaço para sua língua o que por um segundo pensou que faria Emily recuar já que parecia tão travada, mas felizmente o contrário aconteceu e ela começou a reagir ao beijo, puxou os cabelos macios do garoto e suspirou sentindo o toque forte de sua mão direita em sua cintura. As línguas se acariciavam com calma e urgência, elas precisavam daquele contato, estavam loucas uma pela outra.

Eles enceraram aquele beijo maravilhoso com um selinho demorado.

Emily permaneceu de olhos fechados se chamando de idiota, a maior de todas. Charlie Martin, seu melhor amigo, interessado nela e ela nele? Patético, totalmente patético.

– Não – ela disse se arrastando para longe dele.

– Fiz algo errado?

– Isso! – ela se levantou depressa – isso é errado, muito errado!

E dito isso ela negou com a cabeça colocando as mãos no cabelo e saiu correndo.

– Emily – ele se levantou e tentou alcançá-la.

Ele correu até ela que começou a correr mais rápido.

– Ei, espera – ele praticamente a abraçou pelas costas para ela não sair correndo de novo.

– Não toca em mim – ela disse fria, tão fria que fez Charlie a soltar.

Ela o olhou rapidamente, seus olhos revelando o completo oposto do que dizia.

Charlie não disse nada nem a seguiu quando ela voltou a andar um pouco mais rápido que o normal com isso sumindo da visão dele rapidamente.

Ele olhou para o céu, mais especificamente para a lua que começava a aparecer em plenas seis e meia e suspirou.

Tanto tempo esperando para isso acontecer e sai tudo completamente errado.

* * *

Emily tonta colocou a chave de sua casa na fechadura e a abriu espalhafatosamente a fechando em seguida.

– Parece cansada.

Ela ergueu os olhos do chão para o sofá onde seu pai, Edwin, ou Eddie estava sentado preguiçosamente no sofá, os óculos quadrados em frente aos olhos e o jornal em suas mãos, cena típica aquela hora do dia, ou melhor, da noite.

– E-eu sim, estou bem cansada – ela respondeu indo apressada para a escada para quem sabe evitar mais perguntas.

Seu pai era uma das poucas pessoas nesse mundo que conseguia desvendá-la por completo com apenas uma expressão, um olhar e até a tonalidade de sua voz. Nem sua mãe conseguia fazer isso como Edwin conseguia.

E por isso que Emily evitava conversas quando não queria falar sobre algo, oque já entregava que tinha acontecido algo, mas era melhor ele achar que aconteceu alguma coisa da qual ela não queria conversar do que adivinhar a coisa que havia acontecido.

– Nem um "oi pai"? – ele perguntou fechando o jornal.

– Desculpa pai, é que eu realmente preciso de um banho e depois da minha cama.

– Vamos, pode falar oque houve.

Droga, droga, droga, mil vezes droga.

– N-nada, só foi um dia cheio, com aula, trabalhos – beijos – e alguns Donuts, então necessito da minha linda e confortável cama de casal.

– Uhum – ele cruzou os braços e a olhou – não vai mesmo me dizer?

Derrotada ela decidiu apenas concordar que havia algo negando com a cabeça para a pergunta.

– Então ok – ele suspirou e ela voltou a subir as escadas – e ah, soube que Charlie está te levando para a escola todos os dias, agradeça a ele, é um bom garoto.

"Por que falou o nome dele?".

– Ok.

Edwin franziu o cenho quando ela subiu correndo as escadas. "Meninas" pensou voltando a ler seu jornal.

Emily entrou no quarto fechando a porta atrás de si, apoiou as costas nela e franziu os lábios um contra o outro sentindo as lágrimas em seus olhos. Sentiu os lábios de Charlie tocarem os seus, suas mãos a segurarem com delicadeza acariciando de leve sua cintura e rosto.

As lágrimas começaram a descer por seu rosto enquanto ela escorregava pela porta sentando no chão onde abraçou os joelhos permitindo que todas aquelas lágrimas saíssem.

Ela sempre teve uma potencial quedinha por Charlie, mas não era algo que ela permitia acontecer e muito menos colaborava para continuar e aumentar. Mas não precisava disso, Charlie sempre foi tão fofo com ela, tão protetor... um irmão mais velho que ela nunca teve. E apesar dele ser meio burro, idiota, sentimental demais e insuportavelmente irritante as vezes ele compensava tudo isso sendo engraçado, a fazendo rir e a ajudando no que podia e até fazendo coisas que não precisava para ajudá-la, como ir pegá-la em casa e se atrasar para a aula.

Charlie definitivamente era o tipo de pessoa que todo mundo devia ter ao seu lado, sempre.

Ela suspirou tentando controlar o choro, não queria perder Charlie, não sabia como enfrentaria as coisas sem ele a ajudando, mas não tinha cara para olhá-lo no dia seguinte.

– Querida, vem comer – Anne bateu de leve na porta do quarto da menina.

Emily engoliu o choro enxugando os olhos.

– Já vou, mãe.

* * *

– Oi meu amor, está com fome? – Flor perguntou quando Charlie entrou em casa.

Os olhos verdes do garoto a olharam.

– Não mãe, acabei de comer uma caixa de Donuts – ele disse.

– Ok – ela beijou a testa dele – parece cansado.

Ele não ouviu e continuou parado olhando para o nada.

– Filho?

– Oi?

– Tudo bem?

– Tudo bem, mãe – ele sorriu forçado.

– Ok, já são quase noves horas, onde esteve?

– Eu fui com... – ele engoliu seco – com a Emily no Starbuks e depois fomos no parque comer.

– Hum – ela assentiu – estava lá até agora?

– Não, faz um tempo que eu fui embora, mas quis dar uma caminhada antes de voltar.

– Então não vai jantar?

– Não, to legal já.

– Tudo bem, se ficar com fome é só descer.

Ele assentiu com um sorriso forçado dando um beijo na testa da mãe.

– Boa noite, mãe.

– Boa noite meu amor – ela sorriu para o filho que subiu até seu quarto.

Charlie fechou a porta tirando a jaqueta e logo depois a camisa as jogando em cima do cesto. Abriu a calça também a jogando em cima do resto e logo sua cueca seguiu o rumo do resto das roupas.

Ele entrou no banheiro ligando o chuveiro. Olhou seu reflexo no espelho enquanto a água esquentava e passou as mãos nos cabelos mordendo o lábio inferior. A tarde teria sido maravilhosa se Emily não tivesse fugido no final. Ele não deveria tê-la beijado, há alguns meses quando percebeu que estava sim gostando dela mais do que como amiga, prometeu a si mesmo que não iria estragar aquilo que eles já tinham, ela era importante demais para ele se declarar e as coisas ficarem desconfortáveis por não ser recíproco, não queria que ela se afastasse dele por conta daquele beijo.

Mas ali, com ela, apenas com ele... ele não conseguiu resistir. Os lábios tão próximos dos dele, aqueles olhos lindos olhando os dele, a respiração passada de ambos... e quando ela lhe deu aquele selinho, ele não se aguentou, não dava.

Entrou no chuveiro deixando a água quente o relaxar.

Amanhã ele pediria desculpa para ela, eles conversariam e tudo voltaria ao normal.

Apesar que... depois daquele beijo ele não tinha certeza se queria que tudo voltasse ao normal.

Mas teria que ser assim, porque afinal, Emily era uma das garotas mais cobiçadas da escola, se não a mais cobiçada, ela poderia namorar quem quisesse, um cara do time, se quisesse namorar o professor de física ela conseguiria. Mas Charlie? Charlie não praticava esporte nenhum, apesar de seu físico desmentir totalmente isso, mas ele gostava de academia, então estava explicado, mas ele apesar de como Emily disse, receber muita atenção das garotas, não era ninguém naquela escola. E ela o considerava só um amigo, só o Charlie.

Amanhã ele resolveria as coisas.

Agora:

Parou seu carro em frente a casa da loira. Suspirou se preparando para vê-la e tocou a buzina duas vezes rapidinho esperando a menina descer.

Demorou dois minutos para ele ver a porta abrir, seu coração deu um pulo até a boca quando viu cabelos loiros... mas não era o loiro de Emily, o loiro dourado que ele estava tão acostumado a ver, era mais claro.

Sua mãe saiu da casa indo até Charlie que tentou não mostrar sua decepção e surpresa ao não ver Emily.

– Bom dia, senhora Davis.

– Oi Charlie – ela sorriu, caramba, aquele sorriso parecia muito com o de Emily – agradeço você ter vindo, mas a Emily está mal hoje, não vai pra escola.

– Mal? Oque ela tem? – ele se exaltou um pouco tirando os óculos escuros.

– Febre bem alta e enjoo.

– Mas... ela nunca falta.

Anne assentiu.

– Tudo bem, eu... diga que eu pego a matéria pra ela e que desejo melhoras.

– Digo sim – ela sorriu – boa aula.

– Obrigado.

Charlie partiu sentindo uma grande decepção e que a aula não seria a mesma sem aquela loira.

* * *

Anne olhou o menino desaparecer e voltou a entrar em casa.

Emily suspirou em sua cama. Doente, ela? Não, 39° de febre? Também não.

Sim, ela simulou uma doença para não ir para a escola, e como Emily não era de faltar aula, é claro que sua mãe acreditou. Aquela noite em claro só a deixou pior no quesito Charlie.

Como ela simulou uma febre? Aquecedor em baixo do cobertor e termômetro dentro do chá quente.

Se sentia orgulho disso? Não, mas ela não podia ver Charlie hoje, não agora, não daquele jeito, precisava de um tempo.

– Melhor querida? – Anne entrou no quarto e Emily a olhou.

– Vou ficar.

– Quer comer alguma coisa?

– Não, estou bem, obrigada – ela agradeceu.

Ela saiu e Emily olhou a televisão na parede desligada e abriu a gaveta procurando o controle. Ligou em um canal qualquer e suspirou.

Ela estava sendo muito covarde, mas realmente não tinha coragem de olhar aqueles olhos verdes, de ver aquele sorriso... mas seu maior medo era olhar aquela boca e não conseguir ficar longe dela, já havia provado aqueles lábios tão bons, por isso seu medo era tão grande, ela queria de novo, e de novo, e de novo... e bem mais do que apenas um beijo.

Mordeu o lábio, lembrava quando o viu sem camisa quando entrou no vestiário masculino sem querer... desde então aquele corpo a perturbava, ela quis tanto chegar perto dele e tocar naquele peito e naquele tanquinho, mas ao invés disso, ela apenas se desculpou e saiu.

Seu celular vibrou e ela o pegou olhando a foto de Charlie correndo com ela nas costas na tela. Não atendeu, deixou cair na caixa postal. Dois segundos depois uma mensagem dele.

"Me atende".

Ela não visualizou, apenas viu a mensagem na parte de cima do celular, que por ser curta, apareceu inteira.

"Ok".

A menina engoliu seco. "Agora ele ta bravo comigo, que ótimo!".

Ela suspirou brava desligando o celular, a luz, a TV, tudo. Estava com sono, então iria dormir, pronto.

* * *

Charlie mordeu o lábio. Droga, ela estava brava, não queria falar com ele.

Ele olhou para o celular abrindo novamente o contato dela, era uma foto dela com um sorriso meigo e os cabelos meio bagunçados, ela tinha acabado de acordar na vez que acabou dormindo no colo de Sarah e Charlie apenas a chamou apontando o celular para ela que sorriu... ele amava aquela foto por ser tão espontânea e tão linda. Ela era linda de qualquer jeito, ele já havia entendido isso.

– Oieee! – Sarah chegou com Nick que parecia meio sonolento, ele sempre estava assim na primeira aula do dia.

– Oi – Charlie disse seco.

Ele e Nick trocaram um soquinho e Sarah abraçou o namorado de lado.

– Cadê a Emy?

– Não veio.

Sarah franziu o cenho.

– Não veio? Como assim não veio?

– Está com febre e não veio – ele disse.

– Estranho – Sarah disse.

Charlie no fundo sentia que aquilo era culpa dele, mas era só uma suspeita.

– Então vamos porque a aula continua sem a loira – ela beijou os lábios do namorado que novamente cumprimentou Charlie e foi para sua sala e ela e Charlie foram para a deles.

– Porque está com essa cara? – Sarah perguntou e Charlie a olhou.

– Infelizmente, cara Sarah, essa é a única cara que eu tenho.

Ela riu.

– Deixa de ser palhaço, me refiro a essa expressão xoxa ai.

Ele deu de ombros.

– Sono.

Ela acreditou na resposta porque era plausível e depois entraram na sala.

* * *

Eles deviam estar fazendo o trabalho, mas Charlie não sabia fazer aquilo sem Emily.

Ele colocou o notbook na escrivaninha e se virou abraçando o travesseiro do lado aposto que ele sempre dormia.

Sentiu um cheiro conhecido, Emily. Bastou ela deitar ali no dia anterior que impregnou seu cheiro maravilhoso naquela área da cama.

Ele abraçou com força o travesseiro expirando aquele cheiro delicioso e doce.

Merda, ele estava completamente apaixonado por ela.

Olhou para o teto. Oque ele poderia fazer? Fingir que nada aconteceu ou investir nela? Tentar alguma coisa?

Ele suspirou novamente, se tivesse 100% de certeza que daria certo investir nela, ele faria, mas não tinha certeza, e se ela não gostasse dele? Isso complicaria muito as coisas entre eles, e ele não queria mesmo isso.

Sorriu pensando em como seria poder beijá-la quando quisesse, a abraçar mais forte podendo acariciar o corpo dela de verdade...

Parou chacoalhando a cabeça, não podia ficar se iludindo já que ela nem ao menos queria falar com ele.

Abriu a porta do quarto e desceu para a sala onde sua mãe estava no sofá assistindo a algum programa de culinária na televisão.

– Mãe.

– Oi – ela disse desviando os olhos rapidamente para o filho.

– Posso te... fazer uma pergunta hipotética?

– Pode – ela franziu o cenho e ele se sentou de frente para ela.

– Suponhamos que eu – ele fez uma pausa – supostamente estaria gostando de uma garota.

Ela assentiu não conseguindo controlar seus olhos brilhando.

– E ai?

– E novamente suponhamos que essa garota é... minha amiga.

Ela assentiu pedindo para ele continuar com a mão.

– E eu e essa "menina insistente" nos beijamos – Flor começou a se afobar por dentro, mas não demonstrou isso ao filho – o que eu teria que fazer se eu estivesse com medo de ela não gostar de mim e dar tudo errado estragando a relação que já temos?

– Bem – ela se arrumou no sofá – se você gostasse mesmo dessa menina, você deveria falar com ela.

– E supondo que eu já liguei e ela me ignorou, e ai?

– Então você tem que ir atrás dela e falar tudo o que você acabou de me falar.

– E se ela não gostar de mim?

– Ela gosta.

Charlie a olhou e franziu o cenho, era uma situação hipotética, como sua mãe poderia afirmar isso?

– Quer dizer – ela se corrigiu vendo que não encarou aquilo como a situação imaginária que Charlie queria transpassar – se você não tem certeza, deve conversar com ela sobre algo que dê indícios em sua resposta que ela estaria supostamente gostando de você, e se ela demonstrar isso você se aproxima bem dela e a olha bem de perto.

Ele assentia anotando tudo em sua mente.

– Fique realmente bem perto, se ela não recuar, já é um indício – ela disse – e se ela alternar o olhar entre sua boca e seus olhos, é um sinal verde.

Charlie sorriu.

– Obrigado mãe, você foi muito útil – Flor sorriu para ele – isso é, se um dia isso acontecer.

E assim ele foi para a cozinha deixando Flor com um sorriso besta.

– Finalmente – ela murmurou.

* * *

Emily acordou quase cinco horas da tarde, ou seja, dormiu pra caramba. Olhou o relógio de relance e se sentou na cama.

E oque foi a primeira coisa que apareceu em sua mente?

Comida.

E a segunda?

Charlie.

Isso estava começando a irritar, Charlie estava dominando seus pensamentos, isso não poderia ser algo certo, não era algo certo.

Decidiu mudar seu foco para outra coisa, comida, estava com fome, pensaria em comida.

Colocou um short jeans e uma camiseta manga curta azul da Hollister e colocou o primeiro al-star que viu, o preto mesmo.

Desceu até a cozinha abrindo a geladeira, tirou suco de laranja e deu um sorriso o tamanho do mundo ao ver uma caixa de pizza em cima do balcão.

A abriu vendo a pizza toda intacta, do lado da caia tinha um bilhete.

"Fomos a um jantar do seu pai, qualquer coisa liga, chegamos depois de uma, não nos espere acordada, boa noite meu amor.".

Ela sorriu deixando o bilhete de lado e comendo um pedaço de pizza, fria mesmo porque é melhor.

Mastigou a pizza pensando nos dias em que a galera toda saia do colégio e ia direto para a pizzaria da esquina. Lembrou das apostas de quem comia mais de Charlie e Nathan e o quanto Emily ria ao ver a boca do moreno toda suja depois dando um guardanapo a ele que sorria agradecendo.

Sorria daquele jeito, daquele jeito que fazia qualquer mulher sair da terra e ir a lua alguns segundos.

Agora que tinha parado para analisar bem aquele quase ano que passaram juntos... tinha muitos detalhes como o sorriso dele que a faziam feliz e ela nem notava.

No final do terceiro pedaço de pizza ela desviou olhos para uma foto em família muito bonita. Eram fotos na verdade, uma de cada ano desde que Emily nasceu. Era engraçado olhar as fotos e acompanhar se crescimento com um simples olhar, olhou seus pais e mordeu o lábio, eles se conheciam desde os 12 anos, começaram a namorar com 15 e eram o casal mais feliz que ela conheceu.

Eles foram amigos por três anos... será que aconteceu algo como o que estava acontecendo com ela agora?

Suspirou, Charlie devia ter ficado bravo com o vácuo que ela o deixou, até agora não tinha visualizado as mensagens. Mordeu o lábio voltando a olhar para a foto de seus pais e se levantou sem ligar para pegar uma blusa antes e abriu a porta de casa saindo.

A menina deu um pulo alto para trás ao ver Charlie saindo de seu carro. Ele o travou a porta e viu a menina ali de pé o olhando. Nem havia se preocupado em passar maquiagem nem nada, mas no momento aquilo era a última coisa que a importava.

– E-Emy – ele parecia nervoso.

– O que faz aqui? – aquilo definitivamente saiu mais rude do que ela gostaria.

– Eu... – ele coçou a nuca olhando rapidamente para as pernas dela voltando rapidamente aos olhos.

Ela engoliu seco olhando para ele.

– Eu vim falar com você... mas se estiver de saída n-não tem problema.

Ele deu meia volta para sair, mas Emily correu até ele segurando seu braço.

– Na verdade, eu estava indo falar com você.

Ele franziu o cenho olhando para ela.

– Que?

Emily respirou fundo.

– Eu queria te pedir desculpa por não responder suas mensagens e não atender sua ligação.

Ele a olhou sentindo o vento gelado bater contra seus corpos, ela cruzou os braços obviamente com frio.

– É que... – ela mordeu o lábio meio envergonhada e olhou para o chão – depois de ontem... eu não sabia o que fazer. Desculpa.

Charlie a olhou se aproximando um pouco mais dela.

– Eu que me desculpo – os olhos dela saíram do chão voltando para o garoto.

– Se desculpa por quê?

– Sabe por... – ele a olhou – por te beijar. Eu não queria que ficasse brava, eu não sei oque...

– Sendo assim eu que tenho que te pedir desculpa – ela disse – eu que te beijei.

– Mas eu... – ele olhou bem nos olhos dela e suspirou – olha Emily. Eu não sei como falar isso – ele voltou a olhar para ela, o cabelo loiro balançando um pouco por conta do vento e os olhos parecendo brilhar mais na noite – eu... gosto de você, mais do que como um simples amigo. Eu não quero ser apenas o Charlie pra você, eu quero ser o seu Charlie. Não sei direito quando comecei a gostar mesmo de você, mas eu sempre senti... desejos indevidos como te tocar, passar a mão no seu cabelo, acariciar seu rosto... caramba, eu sou doente.

Ele abaixou a cabeça e Emily o olhou se aproximando mais um passo ficando a poucos centímetros de distância dele, tocou o ombro dele que surpreso ergueu os olhos.

– Então somos dois doentes.

Ela estava muito perto, Charlie se lembrou do que sua mãe disse. Colocou a mão no rosto dela sentindo sua pele de porcelana, acariciou com o polegar respirando fundo, estava perto o suficiente dela para sentir seu cheiro adocicado.

– Não ficou brava?

– Não – ela engoliu seco, aquele carinho em seu rosto estava tão bom – eu apenas fiquei mexida demais. Eu não quero que as coisas fiquem desconfortáveis entre nós, Charlie. Você é muito especial pra mim, não quero te perder.

– Nunca irá me perder.

– Promete?

Ele assentiu com um sorriso fraco.

– E oque isso significa? – ele mordeu o lábio.

Ela o segurou pela nuca o beijando finalmente.

Charlie retribuiu o beijo receoso sobre onde colocar as mãos. Desajeitadamente as colocou acima da cintura de Emily, depois segurou seus braços.

– Não precisa ter medo de mim – ela murmurou segurando as mãos dele as colocando firmes em sua cintura.

Ele a beijou descontando seu desejo de meses ali a segurando forte contra seu corpo até sentir que o frio estava a afetando.

– É melhor entrar, está frio e você assim – ele disse e ela sorriu segurando a mão dele dando um selinho em seus lábios.

– Vem comigo?

Charlie a olhou meio envergonhado e mordeu o lábio.

– Eu to sozinha e... tenho pizza.

Ele riu.

– Sendo assim...

Emily fechou a porta e ao olhar para Charlie viu que o mesmo observava a casa, como sempre.

– Você é muito inocente – ela riu dele que a olhou com as mãos nos bolsos.

– Apenas um romântico – ele deu de ombros indo até ela.

Ficaram apenas se olhando por alguns segundos até ela sorrir mordendo o lábio.

– Seria muito estranho se eu pedisse para você colocar uma blusa?

– Sim, seria – ela riu da cara dele que revirou os olhos tirando a própria jaqueta colocando sob os ombros dela que sorriu revirando os olhos e o abraçando pelo pescoço.

– Sabe – ele segurou a cintura – estou bem mais tranquilo do que achei que ficaria.

– Eu também – ela afrouxou um pouco o abraço para olhá-lo – isso é bom?

Ele riu a puxando para ele tocando seus lábios. Ela mordeu o lábio dele o puxando de leve e Charlie logo exigiu um beijo novamente enroscando sua língua com a dela. Então foi isso que eles perderam todo esse tempo?

A mão da garota puxou os cabelos dele acariciando ao mesmo tempo. Emily riu quando ele a puxou pelas pernas a colocando em seu colo e acabou derrubando alguma coisa e fez aquela cara de "merda".

– Foi mal – ele riu da risada dela.

E assim eles subiram até o quarto derrubando tudo o que tinha pela frente, entrou no quarto dela a colocando na cama e se deitou com ela por cima continuando o beijo. Aquela posição era perfeita.

Aquele desejo todo corria por seu corpo, e ela estando sentada em sua cintura se mexendo hora ou outra só piorava sua situação.

Decidiu jogar um grande dane-se pra vida e mordeu o lábio dela de novo escorregando delicadamente suas mãos para a bunda dela a apertando com força ouvindo o suspiro de ambos escapar por seus lábios, o cheiro dela impregnava tudo e sentir seu corpo lindo e muito gostoso em cima dele... era maravilhoso.

E quando a mãozinha dele escorregou para baixo de sua camisa tocando o peito e barriga do garoto ele fechou os olhos apreciando o toque com um sorriso. Era hoje.

* * *

Emily franziu os olhos antes de abri-los devagar. Ouviu um barulho de carro e arregalou os olhos ao ver a hora, 02h30min da manhã!

– Charlie, acorda!

– Oi linda – ele abriu os olhos devagar se espreguiçando de forma que seus braços foram tencionados.

– Meus pais chegaram, coloca a roupa rápido!

Ele se levantou em um pulo da cama recolhendo suas roupas pelo quarto as colocando enquanto isso Emily apenas colocava a langerie e a camisola.

Charlie terminou de colocar a calça e os tênis quando eles ouviram barulhos na escada.

– Em baixo da cama, rápido!

Charlie foi para baixo da cama rápido e Emily chutou sua camisa lá pra baixo, apagou o abajur depressa e se deitou cobrindo seu corpo de qualquer jeito, segundos depois a porta foi aberta. Sua mãe se aproximou dela devagar e acariciou seu cabelo beijando sua testa.

– Dorme bem, querida.

E depois saiu. Assim que ouviu o som da porta de seus pais se fechando ela ascendeu o abajur se levantando.

– Tudo bem? – ela colocou a cabeça pra fora da cama para ver Charlie.

– Tudo – ele rolou para fora da cama – melhor eu ir.

– Ainda bem que amanhã e sábado, porque depois dessa noite eu não consigo dormir – ela disse e ele sorriu se levantando colocando sua camisa.

– Venho te buscar para almoçarmos em algum lugar, ok?

Ela assentiu e ele sorriu segurando o rosto dela dando um beijo delicioso em seus lábios.

– A noite foi incrível – ela sussurrou para ele – te vejo amanhã, namorado.

Namorado...

– Você não faz ideia do quanto eu quero te agarrar agora – ele disse e ela sorriu – namorada.

Eles saíram do quarto em completo silêncio e foram até a porta e Emily a abriu sem fazer barulho com os chaveiros e Charlie saiu não sem antes a puxar pela cintura lhe dando outro beijo.

– Até amanhã loira, sonha comigo – ele sussurrou e ela sorriu.

– Nem sei se vou conseguir dormir depois dessa.

Ele riu tirando a jaqueta e a blusa, deu a blusa a ela e colocou a jaqueta novamente.

– Amanhã você me devolve – ele piscou para ela que sorriu assentindo enquanto ele se afastava.

E assim ele entrou no carro e foi embora.

Emily mordeu o lábio sorrindo e fechou a porta.

Felizmente aquele beijo no parque havia acontecido.

Notas finais
Comentem povo lindo, e acompanhem pra eu saber quantos leram, pode ser? Então as fics voltam semana que vem, entendido? Então tudo bem, tudo certo.Bom feriado, to indo viajar com meu amorzinho amanhã pela primeira vez na vida vou viajar com meu namorado, que milagre!!!Enfim, até sexta com Princesa Emily 2 e ACBAH 2!Vlw Flw!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!